Apesar de não pedirmos para ser pessoas, na verdade todos somos chamados a sê – lo .
É deste modo que entramos na estrada da vida e nela vamos saltitando até à nossa juventude, de aprendizagem em aprendizagem de experiência em experiência, para uns de forma mais fácil e harmoniosa para outros, desde logo, por agrestes desfiladeiros.
Cedo ou tarde para quase todos chegará um dia “ O Chamamento a formar um casal” .
Antes porém terá surgido em nós uma enorme força que nos impele a procurar algo sem o qual não conseguimos sentir-nos um todo, uma obra acabada. Falta-nos seguramente uma parte complementar, aquela parte complementar que não sendo só amizade contém também um apelo da natureza fecunda e criadora muito poderoso.
Falamos de uma força aberta à geração dos nossos futuros filhos através da qual iremos dar, a dois, a nossa colaboração à continuidade do mundo em que vivemos.
Nasce assim uma relação conjugal e familiar que mais não é do que o elo de ligação entre os nossos antepassados e todos os nossos vindouros.
Nessa cadeia uns vão partindo para Deus finda a sua missão em complementaridade de casal, enquanto outros vão chegando para lhe darem continuidade.
Enquanto essa missão a dois dura na Terra, como se fundamenta ela ? E de que se alimenta ?
Primeiro que tudo fundamenta-se num sentimento de amor verdadeiro, não desse amor egoísta espalhado pelo mundo ou doutro amor falso e libertino, dado agora e abandonado logo a seguir. Pelo contrário, o verdadeiro amor em que se fundamenta é a fonte da paz e da ordem espiritual e simboliza uma herança que a humanidade compartilha em família e que é o poder de Deus, porque é Nele que tem a sua raiz.
É um amor tão misterioso que quanto mais se dá, mais abundante se torna e as suas cores centrais são a harmonia e unidade envoltas em paz e felicidade.
Este verdadeiro e misterioso amor de que falamos é encontrado pelo Homem e pela Mulher no casamento. A vida de casado é o caminho para o Homem e para a Mulher se amarem e amarem os seus pais, filhos ou netos e amando também toda a humanidade.
Diria finalmente que o matrimónio é a cerimónia pela qual abrimos as portas e entramos no palácio da felicidade, porque o amor conjugal transcende o tempo e espaço e é a verdadeira felicidade e a dimensão mais importante da vida humana terrena a caminho da vida eterna.
António Reis Luz