Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO

O processo de avaliação de professores tem-se demonstrado assaz polémico,  talvez os interessados tenham razão em relação à forma ou ao conteúdo, mas na realidade como diz o velho provérbio “ Quem não deve não teme”

“A avaliação é o retorno do investimento que cada pessoa faz para atingir um determinado objectivo”. Neste sentido a avaliação tem uma dupla utilidade – permite que cada um se situe face ao seu nível de performance e que se auto motive para acções futuras. Como diria o velho ditado : “ Para bom entendedor meia palavra basta”
Porque é que a avaliação tem uma conotação tão negativa em Portugal? O que é que desvirtua esta perspectiva, o que é que cria resistências à avaliação?
Será que os Portugueses temem ser avaliados? E se sim, porquê? Será que temem revelar os seus fracos desempenhos? Ou é apenas uma questão cultural?
Eu tenho uma teoria que, tal como todas, pode e deve ser refutada mas que me ajuda a compreender esta resistência ou pelo menos a sentir-me um pouco mais confortável face a este “handicap cultural”.
Os portugueses têm dificuldades em definir objectivos quantitativos e concretizáveis.
O principal requisito de uma avaliação objectiva e fidedigna é a definição de objectivos, concretizáveis, observáveis e mensuráveis. Logo, se existe a dificuldade em definir objectivos, é evidente que existirá a dificuldade em avaliar resultados.
Outra das características de uma boa avaliação é a realização de provas desprovidas de defeito, realizadas em condições e contextos previamente definidos.
Como também existe alguma dificuldade em manter as condições e os contextos de realização. Na maioria dos casos recorre-se ao improviso, ao “desenrrascanso” e ao Nacional porreirismo, logo, é impossível realizar uma avaliação fidedigna baseado nestes princípios.
Talvez sejam estes os receios da classe, que provocam um peremptoriamente “não” ao sistema proposto para a avaliação de desempenho.
Acredito que existam muitos e excelentes profissionais, preocupados com os progressos de aprendizagem dos seus alunos e com a qualidade do seu próprio desempenho. Mas também sei que existem muitos outros que passam a maior parte do tempo de baixa, a serem substituídos por pessoas sem experiência, sem vocação e sem vontade.
E existem aqueles que por motivos óbvios abraçaram a carreira de professores das AEC’s ( Actividades extra-curriculares) e que não têm qualquer formação  ou competência pedagógica para tal.
As actividades extra curriculares são extremamente importantes para o desenvolvimento sócio-cultural das crianças (especialmente as do 1º ciclo) porque promovem a sua inserção na sua nova vida escolar através de pontes com experiências escolares anteriores.
Logo, estes professores podem marcar positiva ou negativamente uma criança para o resto da sua vida e fazê-la adorar ou odiar uma determinada matéria.
Vou-vos deixar com um exemplo real:
O Prof. José que foi contratado para, nas AEC’s, dar aulas de música, mas entretanto o professor de expressão plástica começou a faltar e como este Prof. José tinha horas disponíveis e até “pintava uns quadros”, aceitou assegurar também estas aulas.
Ele não tem qualquer experiência pedagógica mas na sua actividade como professor vai ter que motivar e avaliar as aprendizagens de crianças do 1º ciclo.
Como é óbvio, até para um leigo, ocorreram vários problemas, o primeiro é que ele teve que avaliar as aprendizagens, através de critérios que lhe foram propostos mas que não entende e para os quais não definiu os objectivos de aprendizagem.
O segundo é que como não tem experiência com crianças, nem competências pedagógicas, não consegue motivar nem disciplinar o grupo por isso não consegue criar momentos de aprendizagem.
Deste modo quando lhe exigiram que realizasse a avaliação das aprendizagens, o resultado foi surreal, digno da série twilight zone .
No final do 1º trimestre, sem qualquer conversa anterior com os pais, o Professor avaliou a prestação de um aluno do 1º ano do 1º ciclo como insuficiente nos seguintes critérios:
“ Aquisição das técnicas” Que técnicas? Até que ponto as deveriam dominar?
“ Participação e empenho”- suficiente, mas “Interesse”- Insuficiente, com a seguinte nota: “o aluno não demonstra motivação para a aprendizagem”.
A quem compete motivar para a aprendizagem um aluno do 1º ano do 1º ciclo?
Infelizmente estes casos não são isolados, nem ocorrem apenas com professores de AEC’s.
Como em todas as profissões, existem profissionais responsáveis e mercenários, só que neste caso específico estamos a falar da formação da futura massa crítica do nosso País. Deste modo e dentro do meu humilde conhecimento da matéria, defendo que para além da avaliação do desempenho dos professores deve-se ter em conta a avaliação de entrada dos professores.
Esta deve ser extensiva aos não titulares e deve compreender não só as competências técnicas como também a resistência ao stress a capacidade de organização e o domínio das técnicas de motivação para a aprendizagem.
Quem sabe esta avaliação prévia possa vir a contribuir  para que os professores consigam ter competências para controlar situações de indisciplina, de desmotivação e de abandono escolar precoce.
Rita Diogo
publicado por luzdequeijas às 16:17
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