Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

A GERAÇÃO DE OURO

Viu aparecer milhares de inovações, nunca antes vistas. Viu cada uma delas evoluir, não parar de evoluir. Habituou-se a aceitar que tudo muda, nem sempre para melhor, mas só pode evoluir na continuidade e com muito suor. Recusou deixar para trás os mais velhos, a vida só pode existir com eles. Sempre com eles, se alguém esteve a divergir foram os mais novos, que se licenciavam sem saber escrever correctamente, na sua própria língua! A culpa não é só deles . É da geração revolucionária.

 
Foi uma geração que nasceu nos anos trinta e quarenta do século passado. E que começou a trabalhar, respectivamente nos anos cinquenta e sessenta, sempre antes de ir às “sortes” (inspecção) como se dizia então.
Apanhou, sem preparação, toda a evolução já referida e sem ter tido condições de ir para a universidade ou mesmo  secundário, a tudo se adaptou, fora e dentro do país. Mas, nos anos em que estudou ou trabalhou, aprendeu muito. Se lhe juntarmos a experiência adquirida, em valor relativo, têm uma licenciatura e em civismo, um doutoramento. 
Não lutou contra as propinas, embora tivessem pago os estudos a muitos alunos. Aprendeu a arranjar e a trabalhar tudo que havia, computadores, televisões, máquinas de lavar, frigoríficos, automóveis, aviões etc., tudo, tudo  ( milhares de coisas) que Portugal nunca tinha visto e que em meia dúzia de anos nos invadiram.
Devem ter sido a última geração, a ter ouvido alguém dizer para se :  “ Produzir e Poupar”.
As seguintes, foram incentivadas a recorrer ao crédito até atingirem o endividamento, que é hoje dos mais elevados e escandalosos do mundo! Alguns acreditaram, depois da revolução dos cravos, que o consumismo trazia a abastança ao país. Mesmo sem produzir !
Tiveram uma alimentação deficiente e ainda ouviram falar de “ uma sardinha para três”. Não tiveram médicos, nem professores, nem tudo aquilo que agora se esbanja para apresentar indicadores de gente rica.
Os professores, médicos, juizes etc. , que havia, não pensavam nos interesses de classe. Pensavam no serviço público, que muito os honrava.
Sairam de casa dos pais cedo, muito cedo, às vezes para muito longe e muitas outras vezes para nunca mais voltar. Roíam as saudades, mas era preciso poupar para enviar “dinheiro” que assegurasse algum sustento aos país já velhinhos e ajudassem a equilibrar as finanças da mãe pátria, já que ela não os tinha podido ajudar.
Sempre com Portugal no coração, mesmo sem dinheiro para vir de férias, íam mandando para cá o pouco que sobrava, ou fazíam sobrar, apertando o cinto. Soubemos mais tarde que era esse pouco de cada um e o muito porque eram muitos, que ia permitindo ao nosso país manter uns senhores doutores a ganhar bem e a dizer que a culpa do estado do país era deles, porque não tinham estudos! Não há melhor universidade que a vida! Os maiores empresários portugueses e do mundo, não tinham cursado, ainda hoje assim é, mas Deus deu-lhes o dom de saberem reproduzir a riqueza!
Iam mantendo um país que comia muito mais do que aquilo que produzia e assim desequilibrava, anos a fio, a sua balança de pagamentos e as contas do Estado.
Deram-nos empresário espalhados pelo mundo e que foram admirados e respeitados pelo comportamento cívico que souberam ter.
Eles que suportaram guerras da Guiné, de Angola, de Timor, de Moçambique, da Índia etc. Quantos deles lá morreram? Quantos ficaram feridos para sempre ? Quantos perderam o sossego e ganharam noites de insónias sem fim ?
Quantos deles viram desaparecer o conceito de pátria que lhes tinham ensinado! Partes de Portugal como Goa, Damão e Dio, Macau, Timor, Angola etc. Eles que até sabiam que esses povos, supostamente independentes, iriam passar um longo calvário e que, no fundo, se consideravam também portugueses, porque nos bancos da escola foi isso que aprenderam.
Quantos anos têm é o que menos importa, pois, o que mais importa é que têm uma experiência de vida nunca antes alcançada por outra geração anterior ou posterior. Polivalentes, experientes e com uma alma de “ antes quebrar que torcer”.
Eles que do pouco que ganhavam, sempre descontaram e pouparam para na velhice terem uma reforma e um «pé de maia». Hoje assistem a uns "senhores doutores" reduzirem e porem em perigo  tudo aquilo que todos eles honestamente conquistaram. Eles que agora arrecadam reformas chorudas, em 4 ou 5 anos de pouco ou nulo trabalho.
Eles que acumulam erros graves na governação do país a todos os níveis, não os assumem, nem há quem os faça assumir. Erros que são eles, a geração de ouro, que paga em sacrifícios, muito sofrimento e uma reforma de miséria.
Os mesmos senhores doutores que nos atiraram para reformas antecipadas, que não queríamos. Nós sempre quisemos trabalhar até poder. Quiseram dar o nosso lugar a jovens que dizem ter cursos superiores, mas na realidade pouco sabem e por essa razão o país está e continuará a estar, como todo o mundo sabe. Sempre a pedir cada vez mais sacrifícios. E na cauda da Europa!
Os donos das tais universidades que leccionam cursos sobre tudo e sobre nada, têm os bolsos cheios. Pela sua influência atiraram e continuam a atirar trabalhadores honestos e competentes para a pré-reforma, de modo ao negócio continuar a render milhões. Por este andar, ficaremos como o Brasil, onde todos são “doutores” e as favelas proliferam, num país rico!
Entretanto, recebemos milhares de emigrantes porque os portugueses não sabem, ou não querem, arranjar torneiras, televisões, barcos etc. Os alunos das estatísticas nacionais do ensino, sabem de tudo e não sabem de nada. O mercado de trabalho não os quer! E eles não querem o mercado de trabalho.
A Geração de Ouro não pertence às que se lhe seguiram e às quais disseram que o 25 de Abril lhes daria tudo, mesmo sem trabalharem e, disso, muito se orgulha.
As gerações seguintes também não têm culpa, são igualmente vitimas. A culpa será dos poderes de decisão deste país, estejam eles onde estiverem. Mesmo que sejam as tais "Forças Ocultas" de que fala o primeiro-ministro!
publicado por luzdequeijas às 16:33
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