Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

GUERRAS SEM IDEOLOGIAS

 

Pacheco Pereira falou sobre partidos políticos, nas tertúlias do Casino. O antigo deputado do PSD não poupou nas críticas aos aparelhos partidários.

O Casino da Figueira convidou Pacheco Pereira para falar sobre o sistema político-partidário. Mas o antigo deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu não poupou críticas aos partidos e aos seus aparelhos. A dada altura, Pacheco Pereira afirmou que “os partidos políticos controlam a vida pública” portuguesa. E explicou como. O controlo começa nas juventudes partidárias, através de assessorias a eleitos e governantes, empresas municipais, vereação, entre outros “jobs” que os “boys” têm, à partida garantidos”.
À partida, porque têm de pertencer ao aparelho partidário, caso contrário, terão de continuar a aguardar na lista de espera. De resto, são os aparelhos partidários que detêm “o verdadeiro poder”. Excessivo, quiçá, comparativamente com a maioria dos países europeus, apontou. Por outro lado, em Portugal, as carreiras políticas raramente premeiam o mérito e a qualidade. Porque, explicou, elas dependem dos partidos e não dos eleitores.
Obedecendo a um esquema hermético e, às vezes esotérico, os aparelhos não se renovam e promovem uma “pequeníssima abertura à sociedade”. Afinal, o espaço é pequeno para tanta gente, que se atropela à entrada de um elevador que vai para o mesmo andar, como ilustrou um membro da assistência. Autófago, o sistema encontra nas estruturas locais e regionais de nomeação política a sua sobrevivência.

Guerra sem ideologia
Em Portugal, frisou o orador da tertúlia do Casino, o sistema partidário está de tal modo entranhado, que “é mais fácil criar uma partido do que uma candidatura independente a uma autarquia”. Mas Pacheco Pereira deu muitos outros exemplos que confirmam a hegemonia que os partidos exercem sobre as instituições e sociedade civil. De resto, basta conferir quem ocupa os lugares de comando entre as tropas partidárias em associações de estudantes, sectoriais, empresariais, em colectividades, além dos cargos de nomeação política.
“As guerras internas dos partidos não têm ideologia”, realçou Pacheco Pereira. Assim sendo, os beligerantes lutam por um lugar ao sol, mesmo que isso implique remeter para a sombra os que mais brilham pela qualidade. Porém, qualidade é algo que não se pode exigir em demasia: “os bons, salvo raras excepções, não querem fazer carreira política, pois ganham várias vezes mais no sector privado”. Contudo, para quem não tem outra profissão, ressalvou, a política até compensa.

Os caminhos da mudança

Não é fácil mudar um sistema onde os interesses que orbitam à volta do mesmo são tantos e tão poderosos. Existem no entanto vias para a mudança: “os partidos só aprendem com a pressão do exterior”. Internamente, também é possível promover outras soluções. Por exemplo, “que cada uma pague as suas quotas, e não o presidente da secção”. Para que isso possa acontecer, defendeu o convidado das Tertúlias do Casino na Figueira, os partidos têm de aplicar o método de individualização da quotização.
Pacheco Pereira apresentou uma ideia controversa, para alterar o diálogo entre eleitos e eleitores. O antigo parlamentar preconizou que sejam os eleitores a determinarem os lugares que cada candidato a deputado deve ocupar na lista. Lembre-se que o actual sistema confere aos aparelhos partidários a exclusividade da tabela classificativa, extrapolando para outros “campeonatos”. Numa coisa estiveram todos, orador e assistência, de acordo: existe uma redução significativa do espaço público. E a claustrofobia que daí advém atinge, sobretudo, quem procura uma lufada de ar fresco.
Outra solução que pode conduzir a uma renovação dos actores políticos, e a uma maior participação dos eleitores no sistema político, são os círculos eleitorais mistos, isto é, uninominais e nacionais. Essa é a proposta de Pacheco Pereira, porque, com apenas a primeira alternativa, correr-se-ia o risco de se dar origem a “fenómenos de caciquismo, como nas autarquias”. Um elemento da assistência perguntou quanto tempo poderá demorar alterar o sistema político-partidário e as mentalidades. “Se demorasse uns 30 anos, não era mau...”, respondeu Pacheco Pereira.

Jot´ Alves - Figueira da Foz

 

publicado por luzdequeijas às 21:45
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