Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

NÃO AOS APARELHOS PARTIDÁRIOS QUE TEMOS

 AS LISTAS

As listas para deputados à Assembleia da República revelam a força da “partidocracia”. Fala-se em renovação, mas são os aparelhos partidários que controlam o sistema. Em vez de uma democracia participativa dos cidadãos, temos uma “democracia” exclusivamente partidária, onde não há lugar para as candidaturas independentes ou para os talentos e vocações emergentes da sociedade civil.

Os partidos continuam a ter o monopólio da representatividade política. Pior do que isso: os aparelhos partidários impõem os seus candidatos.

Assim não há renovação política nem reforma do sistema. Em algumas regiões surgem candidaturas partidárias divorciadas do meio e da realidade, que pouco ou nada têm a ver com os anseios e os problemas das populações locais.

Representam mais o partido do que a sociedade. Representam mais a “partidocracia” do que a democracia. Não admira que os cidadãos não conheçam os seus representantes ou ignorem a sua actividade parlamentar.

Uma democracia assim é uma democracia cheia de fragilidades e contradições. E coloca-se com toda a legitimidade a questão: os políticos têm mais vontade de servir ou ambição de mandar?

A igualdade de oportunidades, o aproveitamento de vocações, a qualidade da democracia, deixam muito a desejar. De facto, é justo questionar se as listas partidárias têm em consideração o mérito, a competência, o rigor, o serviço público.

Toda a gente começa a perceber que a política tem estagnado como ciência para se transformar num verdadeiro espectáculo mediático. Muitas pessoas estão na ribalta política, não pela sua cultura, experiência ou formação, mas pela sua subserviência partidária. Tal facto diminui a qualidade da democracia e causa desinteresse na população.

Por outro lado, os partidos não têm desenvolvido uma acção conducente à pedagogia dos valores, à formação doutrinária, à preparação de quadros dirigentes. Pelo contrário, têm privilegiado os jogos tácticos e as estratégias partidárias, quase sempre para conservar certos interesses adquiridos à custa do sistema.

As novas gerações não encontram motivação para participar activamente na vida política. Não tem havido uma educação para a cidadania e para a militância cívica e certos comportamentos e práticas políticas têm afastado os cidadãos da participação democrática.

Claro que os partidos fazem falta à democracia, mas é preciso entender que a democracia não se esgota neles. Muitos valores da sociedade civil, muitas personalidades que têm dado o seu contributo para a liberdade e para a qualidade da democracia, ficam excluídos das listas partidárias pela sua independência e pela sua consciência crítica. Esta perda de valores fragiliza o sistema democrático e contribui para o aumento da abstenção eleitoral, pois a política e os políticos vão perdendo a confiança dos cidadãos.

Há pessoas que não fizeram mais nada na vida senão política partidária. Perpetuaram-se nos seus lugares e nunca viram com bons olhos o aparecimento de novos valores. A democracia tem perdido muito com a falta de debate democrático e com a sobrevalorização dos aparelhos partidários em relação ao pluralismo social.

As campanhas eleitorais são autênticas “festas de propaganda”, mas têm pouco a ver com a apresentação de projectos e com o esclarecimento das populações.

Cansado destas lutas político-partidárias, onde por vezes ou quase sempre se promete o que não se consegue cumprir, o povo quer a democracia e a liberdade, mas duvida desta democracia e desta liberdade.

A política tem de ser um serviço, uma vocação, e jamais uma “estranha forma de vida”. Por outro lado, as pessoas começam a perceber que a melhor política é a honestidade. Se é verdade que há políticos sérios e competentes, também é verdade que há outros que só pensam exclusivamente na sua carreira pessoal. Sem palco e sem fama não sabem viver.

 

Jornal Algarvio 15-10-2009

 

publicado por luzdequeijas às 16:51
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