Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

RECESSÃO SEVERA

Recessão mais severa e prolongada

As recessões que foram despoletadas por crises no sistema bancário tenderam a ser, em média, mais prolongadas e mais severas nas consequências em termos de quebra do crescimento, do que as provocadas por derrocadas bolsistas ou crises cambiais.

O estudo agora publicado por uma equipa de investigadores do Fundo Monetário Internacional abrange 17 países ( Portugal não foi incluído na mostra) da OCDE ( organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico com 30 membros, na maioria países desenvolvidos) durante o período de 1980 a 2006, quando ocorreram 17 casos de recessão com a crise bancária associada. Nestes casos, o período médio de recessão propriamente dita durou quase dois anos e a perda acumulada de Produto Interno Bruto até à retoma foi de quase 20%.

A análise estuda em profundidade seis casos de recessão com componente de crise bancária nos últimos vinte anos nos países nórdicos  (Finlândia, Noruega, e Suécia), em Inglaterra, nos Estados Unidos e no Japão e foi publicada pelo FMI nos seus «working papers » com o título "Financial Stress, Downturns, and Recoveries". Nestes períodos mais graves, em média, a retoma só surgiu quase 4 anos depois, a contracção no crédito foi na ordem dos 10% e as derrotas nas bolsas e no imobiliário foram de 55,5% e 20,6% respectivamente. A crise mais grave foi a Finlandesa (iniciada em 1991) que durou quase sete anos e que associou uma destruição de activos em bolsa de 86% e imobiliárias de quase 40% . Comparada com esta, a chamada década perdida do Japão foi muito mais "suave".

Segundo Roberto Cardarelli, Selim Elekdag e Subir Lall, os autores do estudo, o padrão de comportamento ocorrido então a um nível mais localizado geograficamente pode servir de" aproximação para a avaliação do que pode ocorrer hoje à escala global, em que o efeito de "megafone" (ampliação) pode funcionar. A investigação deste grupo do FMI salienta que a contracção brutal de crédito ( às empresas, famílias e instituições) na economia real associada a uma destruiçãoo sem precedentes de activos no imobiliário são elementos típicos de uma recessão severa motivada por stresse bancário.

 

Impacto na economia real

Este stresse ocorre depois de períodos de "bolha" exuberante na concessão de crédito (observável no seu peso relativo face ao Produto Interno Bruto e no peso do crédito no financiamento das empresas e famílias), no recurso a uma excessiva alavancagem e na utilização de veículos financeiros geradores de hiper-rendas sem qualquer contrapartida real em que a própria banca comercial se envolveu até ao nariz, e nos preços especulativos do imobiliário. O estoirar deste tipo de crises pode, ainda, convergir com uma derrocada bolsista atingindo níveis de destruição recorde de valor desses activos - para o episódio em curso, no caso do indicador Dow Jones Industrial Average de Nova Iorque, a quebra desde o pico em Outubro de 2007 até ao mínimo à data, em 9 de Março de 2009, foi de 54%. Dada a dependência do tecido económico em relação ao crédito bancário e ao comportamento bolsista (para as empresas cotadas) é, por isso, de esperar uma destruição de emprego e um ritmo de falências muito maior.

Expresso   23-05-2009 

publicado por luzdequeijas às 18:11
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