Domingo, 24 de Maio de 2009

CANDIDATO ESPERANÇA

  

NOVOS TEMPOS                                                                                                                         
Pedro Catarino 
                                                                                                                           24 Maio 2009 - 00h30

Entrevista: Paulo Rangel

“Há pessoas com medo de dizer que não votam no PS” Paulo Rangel, cabeça-de-lista do PSD às Europeias, diz que há pessoas com medo de dizer que não votam no PS. Crise grave é uma das responsáveis por tal receio.
Correio da Manhã/Rádio Clube - Afinal, foi ou não foi militante do CDS?

Paulo Rangel - Não sei. Eu apoiei de forma informal e muito activa a candidatura de António Lobo Xavier à presidência do CDS contra Manuel Monteiro. E isto porque tínhamos uma proximidade muito grande. E nessa altura não sei se assinei alguma ficha ou não. Não me lembro. Porque depois disso estive muito tempo ausente, entrei mais tarde como independente, não sei se era ou não, no Conselho Consultivo de Paulo Portas. Do qual saí no próprio dia em que foi rompida a Aliança Democrática, porque eu estava muito mais do lado do PSD do que no CDS. Foi sempre o meu partido, mas houve ali uma aproximação ao CDS muito levada por essa ligação afectiva e por algum descontentamento com o fim do cavaquismo.

ARF - Está a gostar de ser cabeça-de-lista, de ser o protagonista de uma campanha eleitoral?

- Foi com grande convicção e empenho pessoal que aceitei o convite que me foi feito pela líder do partido e, sinceramente, da experiência que tenho, desde que foi anunciada a candidatura até agora, tenho feito tudo com enorme prazer. Não apenas com sentido de missão e de dever. Tem sido uma experiência muito positiva para mim. Ganho muito do ponto de vista pessoal e político.

LC - Acha que os políticos deviam ter mais contacto com as pessoas? É só nas campanhas que isso acontece.

- Não estou totalmente de acordo com isso. Eu tenho contactos como líder parlamentar com a realidade. Agora, estar numa campanha é diferente e todos os políticos deviam passar por isto. Esta experiência é muito intensa num período muito curto. E nestes contactos 24 horas sobre 24 horas há mais autenticidade. Por isso é que eu responderia sim e não à sua pergunta.

LC - Esta campanha vai alterar de alguma forma os seus objectivos em relação à política? Pensa ficar mais empenhado na política e durante mais tempo?

- Não. Repare. Eu estou na política a título precário e portanto tenho sempre a minha vida profissional, a minha retaguarda. A coisa que mais gosto de fazer não é a política, o que não quer dizer que a não faça com algum gosto. Isto em nada muda a minha vida. O que não deixa de ser é uma experiência humana e política ímpar.

ARF - 491 mil portugueses estão inscritos nos centros de emprego, mais 27 por cento do que há um ano. O Governo está a falhar nesta crise, nas respostas a esta crise? Estes números não são assustadores?

- Olhe, eu acho que o Governo está a falhar claramente, de uma forma muito evidente e manifesta, nesta crise. Para mim não é uma surpresa. Porque eu acho que desde o início, nomeadamente depois do 15 de Setembro, da falência do Lehman Brothers, a estratégia que o Governo apresentou de combate à crise revela que não compreendeu a natureza da crise.

ARF - Não compreendeu?

- Não. O fracasso das suas políticas, para mim, era uma coisa que eu antecipava como evidente e que se está a verificar. Porque, agora, passados oito, nove meses sobre o eclodir da crise e a tomada de medidas, nós sabemos que o Governo não percebeu o que se passava. Esta crise é uma crise de liquidez e tesouraria. Isto não foi percebido e como não foi não tomou as medidas adequadas.

ARF - Mas as sucessivas linhas de crédito para as PME não resolve o problema de liquidez e tesouraria das empresas?

- Não. Isso não tem resolvido nenhum problema de tesouraria. Porque basicamente essas linhas de crédito têm servido, apenas e só, para reestruturar dívidas. Isto é. O objectivo das linhas de crédito era injectar dinheiro fresco na economia. Ora isso não aconteceu. Mas nem tudo foi mau para as empresas porque puderam reestruturar dívidas. Agora, não cumpriu foi o objectivo de combater a crise.

ARF - Os outros pacotes anunciados pelo Governo também falharam os objectivos?

- Falharam. E o Governo não tomou medidas indispensáveis.

ARF - Tais como?

- Olhe, a baixa da taxa social única era absolutamente indispensável. Mesmo pessoas fora do quadrante do PSD o têm dito. E era importante porque não mexe no salário do trabalhador e aliviam os custos com o trabalho para as empresas. E ainda tem outra vantagem.. É que como as empresas pagam menos também melhoram a sua liquidez.

ARF - Falou em liquidez. E o pagamento do IVA só na altura da passagem do recibo? Não era importante?

- Isso era fundamental para os pequenos e médios empresários, em particular para os comerciantes e trabalhadores independentes. O IVA deixar de ser pago com a factura e passar a ser pago com o recibo. Isso já foi feito no Reino Unido, na Suécia, na Estónia e em mais alguns países europeus.

LC - A quem atribui a responsabilidade do que definiu como o falhanço do combate à crise? Ao primeiro-ministro, ao ministro da Economia?

- Ao Governo no seu todo. É evidente que o primeiro-ministro tem aqui uma grande responsabilidade porque tem insistido numa outra coisa que é desastrosa, os grandes investimentos públicos.

ARF - Mas que ainda não existem, não é?

- Mas já estão a mobilizar muitos recursos do Estado, ao contrário do que se diz. E por outro lado é uma estratégia que consome outros recursos. Os bancos neste momento, na expectativa dessas grandes obras públicas, não vão disponibilizar dinheiro para as PME. Já estão a cativar o futuro, já estão a sequestrar o futuro antes mesmo de aparecerem a terceira travessia do Tejo, o TGV ou o novo aeroporto.

LC - Mas se o PSD ganhar as legislativas é uma expectativa errada. Esses projectos não vão para a frente.

- Exacto. Evidentemente. Mas o Governo dá sinais de avançar com essas obras nesta fase final da legislatura, que é outra coisa que do ponto de vista político me parece pouco legítimo. Está a firmar contratos e a tomar decisões, que custarão sempre muito dinheiro quer isto vá para a frente ou não vá.

LC - A legitimidade do Governo está diminuída nesta fase?

- Eu acho que está. Quanto mais se aproxima do fim mais diminuída está. Vou dar-lhe outro exemplo. Não faz sentido nenhum fixar a escolaridade obrigatória até ao 12 º ano a seis meses do fim da legislatura. Ou se tinha feito isto desde o início ou se tomava esta decisão a seguir às eleições, porventura prometia-se, fazia parte do programa eleitoral.

LC - Que discurso é que o Governo devia ter neste momento em relação às grandes obras públicas?

- Devia suspendê-las pura e simplesmente. O Governo não deve tomar decisões estratégicas e altamente comprometedoras em cima das eleições. Isto qualquer pessoa compreende. É uma questão de bom senso.

ARF - Manuela Ferreira Leite falou esta semana do endividamento externo e disse que se o País fosse uma empresa estava falido. Esta afirmação motivou uma resposta dura do ministro Santos Silva, que acusou a líder do PSD de ter ultrapassado o limite da responsabilidade. Portugal está com o futuro comprometido?

- Sem dúvida. Aliás, no discurso do 25 de Abril orientei muito a intervenção para isso. Fui eu que o fiz e orientei-o muito para isso. Isto é, dá ideia que nós estamos a sequestrar o futuro dos portugueses, estamos a impedir as gerações futuras de tomarem decisões, de terem liberdade. Nós para termos a liberdade toda agora estamos a limitar de forma inaceitável a liberdade dos portugueses no futuro. Nomeadamente por via do endividamento externo. E, já agora, permita-me dizer-lhe que já ninguém ouve o ministro Santos Silva. Isto tem de ser dito. Como vem sempre responder. É como a história do Pedro e do Lobo. Já ninguém lhe liga. Tudo o que ele diga não tem neste momento qualquer préstimo.

LC - Mas fala em nome do Governo.

- Está bem, fala em nome do Governo mas neste momento já ninguém o ouve. Cada vez que fala alguém da oposição ele vem fazer oposição à oposição. Portanto, o Governo não governa, faz oposição à oposição. E o ministro Santos Silva banalizou o seu discurso. Passou a ser o bombeiro de serviço, deixou se ser um ministro. E está hoje totalmente desacreditado.

LC - Considera criticável todas as intervenções de Santos Silva?

- São muito criticáveis. Ele próprio as definiu como um exercício de malhar na oposição. Ele próprio qualificou, em termos muito impressivos, aquela que é a natureza da sua intervenção política.

LC - Mas tem o direito de responder à oposição.

- Claro. E deve responder à oposição. O que deve responder é de forma institucional e não vir responder todos os dias a tudo o que acontece. Banaliza a sua intervenção e não podemos atribuir relevância a um ministro que fala sempre que alguém fala. Fala não porque tem razão, fala porque tem o objectivo de responder a tudo e a todos.

ARF - Estamos em crise e parece haver alguma desorientação nas instituições. Refiro-me ao caso Lopes da Mota, do Eurojust. Há um sinal de desagregação das instituições, ao contrário do que afirmou o Presidente da República?

- Eu compreendo a declaração do Presidente da República quando se refere no fundo à instauração de um processo disciplinar. Sobre esse ponto de vista eu compreendo. Agora, do meu ponto de vista, aquilo que é insustentável e inaceitável é a manutenção em funções do nosso representante nacional no Eurojust. E não tem nada a ver com a investigação das pressões e o processo disciplinar, embora seja um factor relevante.

ARF - Tem a ver com quê?

- Tem a ver com a circunstância de o próprio ter admitido expressamente que usou indevida e abusivamente o nome do primeiro-ministro e do ministro da Justiça para que esta pessoa deixe de ter idoneidade a partir desse momento para estar a ocupar o cargo que ocupa. O melhor que tinha a fazer era retirar-se. A até se deu aqui um imbróglio curioso. Para não se retirar o procurador Lopes da Mota do Eurojust, retirou-se o Freeport do Eurojust. É, de facto, a inversão de tudo. Isso não contribui para a clareza das instituições.

ARF - Agora assiste-se a uma espécie de pingue-pongue entre o Governo e o procurador-geral da República. Há um jogo de empurra em relação ao procurador Lopes da Mota?

- O Governo está aqui a querer declinar as suas responsabilidades. Os membros nacionais do Eurojust, de todos os países da Europa, são nomeados pelos Governos. E, portanto, o Governo é responsável pela sua nomeação. Por isso não pode alhear-se da competência que tem. Pese embora o facto da iniciativa para uma eventual exoneração seja do procurador-geral, como o Governo é competente para fazer isso, só ele pode fazer isso, tem aqui o instrumento para avocar essa situação. O que seria mais transparente era o afastamento. Se não é essa a opção do procurador-geral devia ser do Governo.

LC - A manutenção de Lopes da Mota afecta a investigação do caso Freeport?

- Não sei se afecta. Sei é que afecta de forma muito dura a imagem da Justiça portuguesa no plano internacional e a imagem do País e do Estado. Isso para mim é suficiente.

ARF - E mesmo junto dos portugueses. Hoje a Justiça está muito desacreditada, com o aumento da criminalidade, a libertação de criminosos, as novas leis penais e as pessoas estão preocupadas com a sua segurança. Não é verdade? O Estado de direito não está a ser posto em causa?

- Eu acho que sim. Mas vamos separar a segurança da Justiça. No caso da segurança eu acho que há falhas de política muito graves do Governo que levaram a esta situação. E o PSD denunciou-as muito cedo. Não são nenhuma surpresa. E este ministro tem responsabilidades nessa política incompetente.

ARF - E a Justiça?

- A questão da Justiça é mais complexa do meu ponto de vista. Há de facto uma degradação da imagem da Justiça, uma degradação acelerada. Tem vindo a cair com muita intensidade. Tem a ver naturalmente com o aumento da insegurança. Penso que para resolver isso é importante que os partidos façam da Justiça uma prioridade.

ARF - Houve o Pacto de Justiça entre PS e PSD. Foi um fracasso?

- Ia-lhe falar disso. Sempre fui pouco entusiasta desse pacto em concreto. Não da ideia de pacto, que acho que era boa, mas do conteúdo do acordo a que se chegou. E houve aí uma coisa muito negativa da qual não se fala muitas vezes e que para mim foi um factor determinante para o insucesso das leis penais.

ARF - Qual foi?

- Foi a entrada em vigor em quinze dias. Aí o PSD opôs-se ferozmente. Várias vezes instou o PS para que se pusesse um prazo de seis meses para entrarem em vigor. Porque isso permitia que os diferentes agentes do mundo da Justiça estudassem aquelas leis e ainda antes de entrarem em vigor chamassem a atenção para algumas perversões. Permitia, por exemplo, ter-se feito uma gestão dos tempos para que os julgamentos que deviam ocorrer se realizassem e não houvesse aquela libertação em massa de alguns presos preventivos.

ARF - Como aconteceu.

- É evidente que em 15 dias era impossível fazer qualquer programação.

ARF - E essa precipitação ficou a dever-se a quê?

- Ao voluntarismo habitual do senhor primeiro-ministro. Como não tem sensibilidade nenhuma para estas questões e como não está verdadeiramente preocupado com questões de substância e de resolução de problemas mas com questões de imagem quis dar uma ideia de eficácia completa no sistema de Justiça e quis mostrar que era tão eficaz que fazia entrar em vigor um Código Penal e um Código de Processo Penal em 15 dias. Que é uma coisa que não mostra eficácia, mostra precipitação, voluntarismo e total falta de conhecimento das matérias e das questões estão em jogo. E teve um efeito devastador para estas leis penais.

LC - Foi secretário de Estado da Justiça. Pensa que pelo facto da Justiça estar fragilizada pode colocar-se em causa a investigação e o julgamento dos grandes processos que estão em curso, como o BPN, o BPP e o caso Freeport?

- Eu acho que coloca em causa todas as investigações e também essas. Sinceramente. Quem conhece o terreno da Justiça sabe também que há pequenas investigações que para as pessoas que as estão a viver são decisivas para as suas vidas, para um lado ou para o outro, e que se arrastam quatro, cinco, seis anos, que são sujeitas a prescrições, mesmo no cível. Há um sentimento que não se faz Justiça. Isto é mais vasto do que a simples impunidade. Neste momento, porventura, seja para a questão do Estado de direito e da democracia, seja para a questão da própria economia, a Justiça é uma das prioridades, senão mesmo a prioridade das prioridades em termos políticos.

LC - O que é que distingue no essencial o PS e o PSD nas questões europeias?

- Para mim as questões que se decidem nas europeias são as questões nacionais com dimensão europeia. Ou seja, hoje não há diferenciação entre o que são questões europeias e questões nacionais. E isto é importante para dizer que há uma grande diferença, nomeadamente na concretização das políticas entre o PS e o PSD. Veja a agricultura, que é um domínio europeu por excelência. Há uma diferença abissal entre o PS e o PSD. O PSD nunca teria chegado a este nível de devoluções de verbas a Bruxelas. Neste momento nós estamos a devolver a Bruxelas ainda verbas de quadros anteriores.

LC - Mas isso depende do Governo, não dos deputados europeus.

- Depende da visão da política agrícola. Repare que o primeiro-ministro prometeu quatro vezes mil milhões para a agricultura. E ainda não deu nada.

LC - Mas nas questões essenciais PS e PSD continuam de acordo, como no Tratado de Lisboa.

- Mas isso não são as questões essenciais, são algumas das questões.

LC - Na Europa são.

- Em Portugal também estamos de acordo com a democracia e a Constituição. Isso são as regras do jogo.

ARF - Concordam também com a adesão da Turquia.

- Sim, mas o PSD não é tão entusiasta. Não é tão voluntarista como o PS nessa matéria.

ARF - O Presidente da República manifestou total apoio à Turquia na sua visita oficial a Ancara.

- Sim, claro. Para Portugal o impacto da adesão da Turquia é relativo. Compreendo que para outros países seja mais problemático.

LC - Vital Moreira diz que o Governo deve ser julgado pelas políticas europeias e diz que nesse aspecto foi brilhante.

- Isso é um disparate completo. No Tratado de Lisboa fez um bom trabalho. Mas isso não é política do Governo.

ARF - E as diversas cimeiras.

- Sim. Houve uma coisa em que o Governo esteve bem, embora com uma ajuda incomensurável de Durão Barroso, que foi a questão dos fundos. E por isso não é indiferente estar ou não um português à frente da Comissão.

ARF - E daí o apoio do PS e PSD a Durão Barroso.

- Claro. Mas o apoio do PS é muito equívoco porque o candidato Vital Moreira é contra, Ana Gomes e Elisa Ferreira também são contra.

ARF - Ferozmente contra.

- Ferozmente contra. Aí o PS está com uma táctica, que também está a usar no Eurojust, que é procurar cobrir o pleno do eleitorado, dizendo que sim e dizendo que não. Mas veja a diferença entre o PS e o PSD nos fundos comunitários. Veja a execução do QREN. A taxa de execução não chega a 4 por cento, são 825 milhões de euros. É um plano para sete anos e já decorreram dois anos e meio. Nós devíamos ter uma taxa de execução de 20 por cento. Isto é, 5 mil milhões de euros. Veja este dinheiro injectado na economia. O que seria nesta crise. Veja a incompetência do Governo.

LC - O que é que os portugueses vão julgar no dia 7 de Junho. A Europa, a política europeia do Governo, é a política geral do Governo, o que é?

- Acho que é um pouco de tudo. E espero que haja muitas motivações, embora se espere uma alta abstenção.

ARF - E nos outros países também.

- É verdade, mas cá pode vir a ter uma incidência maior.

LC - Se o PS ganhar as eleições isso significa uma aprovação da política do Governo?

- Não. Há várias motivações e a principal não será certamente a apreciação do Governo.

LC - Nesse caso uma derrota para o PSD não terá efeitos internos?

- Julgo que não.

ARF - As sondagens mostram que o PS aparece sempre à frente, apesar de tudo o que a oposição vem dizendo. Como é que explica isso?

- Depende das sondagens. Já há sondagens que mostram um grande crescimento do PSD. Mas eu acho que muita gente vai ter uma surpresa nas eleições. No caso das europeias terá muito a ver com a abstenção que pode baralhar os resultados.

LC - E beneficia quem?

- Não sei. A abstenção prejudica sempre a democracia. Mas repito que muita gente vai ter uma surpresa nas eleições. Além da abstenção, nós vivemos num País onde existe hoje um certo medo e um certo receio. O que eu, a dada altura, chamei de claustrofobia. Também nestes interrogatórios se nota isso. Há um certo receio de estar a dizer a outra pessoa exactamente o que se pensa.

LC - Acha que há pessoas que têm medo de dizer que não votam no PS?

- Eu acho que há pessoas que têm medo de assumir publicamente uma divergência com o Governo.

LC - Porquê?

- Repare. Isto não seria assim se não houvesse uma crise grave e as pessoas não tivessem muito a perder. Aí por mais controleiro que fosse um Governo, se as pessoas tivessem saúde económica falariam com grande independência.

LC - Esse medo tem razão de ser?

- Quem se mete com o PS leva. É uma frase antiga que ma parece fazer todo o sentido hoje. E mais do que as pessoas esse medo sente-se nas instituições. Há uma autocensura. As pessoas têm receio. E há vários casos que mostram que isto é verdade.

LC - Acha que quem assume que é contra este Governo pode ser prejudicado, nomeadamente na administração pública?

- Eu acho que muitas pessoas têm esse receio. Tenho a certeza disso.

ARF - Porque é que o PSD votou a favor da lei do financiamento dos partidos?

- O PSD votou a favor essencialmente por uma questão de consenso. Na questão do aumento do dinheiro vivo o PSD até foi sempre contra isso e manifestou algum desconforto com essa regra. Mas como se pretendia uma legislação consensual aceitámos isso. Mas estamos completamente disponíveis para alterar a lei, como estávamos antes. Mas há um ponto que é importante dizer e sei que é politicamente incorrecto.

ARF - Qual?

- Sabe, tenho obrigação de dizer isto aos portugueses. Mais vale uma lei realizável, que seja cumprível, do que uma lei óptima, extraordinária, absolutamente impoluta e que depois não é cumprida. Apesar de tudo esta solução dá a garantia de que aqueles limites serão cumpridos e não haverá nada para lá daquilo. Há sempre um certo equilíbrio que o legislador tem de ter.

LC - Tenciona cumprir o mandato até ao fim?

- Sim, como sempre fiz na minha vida.

LC - Como é que viu a declaração de José Miguel Júdice de que seria um bom líder do PSD?

- Há elogios que são perigosos e que se trata essencialmente de uma provocação. Conheço-o bem.

LC - Não é uma armadilha?

- Ser perigoso ia muito por essa ideia da armadilha. Mas mais do que isso acho que é uma provocação. E não é tanto feita a mim. É mais feita a outros.

LC - Dias Loureiro devia sair do Conselho de Estado?

- Repito o que disse há vários meses. É uma decisão que cabe essencialmente ao próprio. Agora, em abstracto, acho que quando se ocupa um cargo e essa pessoa pode provocar algum embaraço, nomeadamente às pessoas que o nomearam, deve haver o desprendimento suficiente para a pessoa deixar as funções. É um sacrifício cívico exigível.

PERFIL

Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel nasceu no Porto no dia 18 de Fevereiro de 1968. Licenciado em Direito é docente universitário e jurisconsulto. Foi secretário de Estado Adjunto do ministro da Justiça no Governo de Santana Lopes, é presidente do grupo parlamentar do PSD e cabeça-de-lista às eleições Europeias de Junho.

 

António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã, Luís Claro, Rádio Clube

 

publicado por luzdequeijas às 11:42
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