Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

LIBERALISMO - NEOLIBERALISMO

PALAVRAS E EXPRESSÕES

 

A nossa preocupação, vai acima de tudo na procura do exato significado de várias palavras ou expressões que, por muito utilizadas, deveriam ter um significado mais transparente, logo menos dúbio, de maneira a produzirem junto dos milhões de consumidores de informação um estado de alma mais impregnado de tranquilidade e, sobretudo, isento de desconfiança.

 

Exemplificando: NEOLIBERALISMO

 

“ O chavão”

 

NEOLIBERAL transformou-se num insulto ideológico. Quem insulta fica satisfeito, quem é insultado não percebe o que lhe chamaram.

“ HÁ UMA FORMA PREFERENCIAL de atacar o processo de reformas que o Governo procura levar a cabo. Por um lado, usa - se o chavão «neoliberal». Serve para diminuir a dimensão social das reformas e para apoucar o adversário político. Por outro lado, invoca-se a globalização. A globalização é apresentada como a culpada do sentido reformista que está a ser seguido e as reformas são más porque o Governo «aderiu» à globalização. Neste âmbito usa - se ainda o subargumento de que os sacrifícios que estão a ser pedidos apenas se justificam por causa das exigências da União Europeia, relativamente ao nosso défice. É o efeito global à escala regional. Vamos por partes. O chavão neoliberal quer dizer tudo e não quer dizer nada. É usado a torto, e a direito, quase sempre quando quem o usa não sabe o que dizer sobre a medida concreta que está a criticar. Na cultura política atual há uma lei: quem não sabe como atacar um adversário político chama-lhe neoliberal (...) A questão merece algum cuidado porque o chavão tem repercussões no imaginário coletivo. Soa a insensibilidade social, redesperta medos de desproteção numa sociedade muito concorrencial, simboliza um mundo árido, de pequenas grandes conquistas e oportunidades, é certo, mas sem ideal.

O melhor combate a este chavão é, em primeiro lugar, forçar quem o utiliza a explicá-lo. Sempre que alguém chama neoliberal a alguém deve ser obrigado a explicar o que quer dizer. É certo que meterá os pés pelas mãos, ou, na melhor das hipóteses, dará uma explicação redonda, ela própria um chorrilho de chavões.

Em segundo lugar, o combate ao chavão deve ser feito no terreno específico de cada reforma. A abstração e a generalidade são as ambientes propícias para o chavão. A discussão do racional de cada reforma é a asfixia do chavão.        

A lógica predadora da globalização é a outra dimensão do ataque. No fundo, diz-se, a globalização é um produto do tal neoliberalismo, não fosse o neoliberalismo não haveria globalização, ou haveria uma outra globalização, boa e não má. Este ponto é muito sensível, uma vez que a globalização tem vindo a agudizar o ritmo e a tensão concorrenciais no mundo e os seus efeitos na vida das pessoas e nas relações entre povos não podem deixar de merecer um enfoque privilegiadamente social e humanista. O problema, no entanto, é outro: as reformas em curso em Portugal não são, no essencial, provocadas pela globalização, mas sim pelos mais sãos princípios de convivência em sociedade (evitar o desperdício público respeitar os cidadãos que pagam impostos, criar um ambiente favorável à produtividade de todos e não apenas dos mais esforçados ou combativos, exigir qualidade nos sistemas sociais, exigir dos nossos jovens, respeitar o direito de propriedade no caso do arrendamento, etc.). Portugal está a fazer um caminho em que se atrasou demasiado. Portugal tem um problema consigo mesmo que está a resolver.

Por outro lado, é certo que o ambiente exigente em que estamos inseridos, ao querer partilhar o destino e as regras do jogo com as nações mais avançadas do mundo, sublinha a necessidade de reformas. Só que seria uma insensatez, estando o mundo como está e não esperando a Europa por nós, não nos adaptarmos à lógica das coisas.

Faz sentido, lutar por uma globalização mais humana, claro que faz, mas, não faz de todo sentido esconder a cabeça debaixo da areia e não fazer as mudanças que nos permitem enfrentar a circunstância – global, concorrencial – tal qual ela é. Não há aqui qualquer fatalismo, apenas bom senso. Lutar por um mundo melhor, certamente; agarrarmo-nos fora de tempo a um mundo irreal que não existe, de modo nenhum.

                                                                     Expresso 10 Agosto 2002

 

publicado por luzdequeijas às 14:42
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