Depois das calamidades referidas e outros tempos maus em vários aspetos, esta gente soube de facto unir-se e dar de novo a esta freguesia, nas derradeiras décadas de mil e oitocentos, um ar de paragens aprazíveis e de terras muito cobiçadas em pleno desenvolvimento.
Tudo isto se ficou, em muito, a dever ás muitas famílias abastadas que aqui procuravam locais de descanso e bons ares.
As praias de Algés e Cruz Quebrada, passam a representar estâncias balneares de veraneio muito conceituadas.
As famílias de dinheiro adquirem as quintas mais conhecidas como do MORVAL, da Graça, da Igreja, de S. Domingos, do BALTEIRO, da Senhora da Conceição, entre outras, para suas residências de férias.
Alguns homens públicos e políticos também aqui instalam as suas casas de campo.
Até à última década do século XIX, a freguesia de Carnaxide, apesar de tudo que lhe foi desfavorável, ainda foi apresentando algum progresso, não sendo de menosprezar a ajuda neste campo, que a inauguração do Santuário da Senhora da Rocha lhe veio trazer.
Todavia, estavam perto os tempos mais difíceis, aqueles em que se deu o cruel assassínio do Rei D. Carlos I e do príncipe Luís Filipe, seu filho e normal sucessor, na manhã trágica de 1908, nas condições mais que diabólicas e que são bem conhecidas da história de Portugal.
A este acontecimento seguiu-se-lhe a proclamação da Republica e a esta, um surto de instabilidade e lutas sangrentas, que atiraram o país para um período de estagnação como até aqui não havia conhecido.
Apesar de em 1926 o país ter entrado em plena ditadura militar e depois no chamado regime do Estado Novo, a verdade é que pouco ou nenhum progresso se deu até meados do século XX.
Neste período a própria sede da freguesia deixa Carnaxide para se instalar em Algés, juntamente com o pároco e a respectiva actividade paroquial.
Por alturas dos anos sessenta do século XX, a maioria das habitações da freguesia não dispunha de esgotos ou água canalizada, a iluminação pública era muito deficiente, ou inexistente, as rodovias da freguesia estavam em péssimo estado e o abastecimento público praticamente não existia e, o que havia, era feito na rua num verdadeiro atentado à saúde pública.
O ensino público ficava-se por uma secção liceal feminina em Algés, e uma secção da Escola Técnica em Miraflores.
Quanto a assistência médica e medicamentosa, o panorama não era melhor, pois só em Algés existia e de forma bem deficiente.
Posteriormente, assiste-se ao início de um período caracterizado pela concentração das actividades económicas e mercado de trabalho na grande Lisboa, e o consequente abandono da população da província a caminho da capital, na procura de trabalho.
Em consequência disto, esta época caracterizou-se pela expansão demográfica do concelho que teve como principais repercussões, um aumento na procura de habitação e consequentemente um crescimento do ritmo de construção de novas zonas habitacionais e respectivas áreas para equipamentos e infra-estruturas. O ritmo a que se processou toda a expansão demográfica e consequente pressão sobre o espaço ainda disponível para construção, sobretudo nos anos da década de 1960-70, traduziu-se no apelo à construção maciça em detrimento da construção de equipamentos, originando deficientes infra-estruturas, degradação do património construído, paisagístico e ambiental. Em situações, onde a oferta de habitação não se adequa à procura a preços ajustados, assiste-se à implantação de núcleos clandestinos ou bairros de barracas.
Toda a área desta freguesia mais parecia ter caído em profundo esquecimento das autoridades oficiais responsáveis, se não fossem vários empreendimentos industriais a fixarem-se nesta região.
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