Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

GERAÇÃO 40-50 do ÚLTIMO SÉCULO

Devemos ter sido a última geração a ter ouvido alguém dizer para se :

“  Produzir e Poupar”.

As seguintes foram incentivadas a recorrer ao crédito até atingirem o endividamento que é hoje dos mais elevados e escandalosos do mundo! Alguns acreditaram que depois da revolução dos cravos, que o consumismo traria a abastança ao país. Mesmo sem produzir !

Tivemos uma alimentação deficiente e ainda ouvimos falar de “ uma sardinha  para três”. Não tivemos médicos, nem professores, nem tudo aquilo que agora se esbanja para apresentar indicadores de gente rica.

Os professores, os médicos, os juizes etc. , que havia, não pensavam nos interesses de classe. Pensavam no serviço público que muito os honrava.

Saímos de casa dos pais cedo, muito cedo, às vezes para muito longe e muitas outras vezes para nunca mais voltar. Roíam as saudades, mas era preciso poupar para enviar “dinheiro” que assegurasse algum sustento aos país já velhinhos e ajudasse a equilibrar as finanças da mãe pátria, já que ela não nos tinha podido ajudar.

Sempre com Portugal no coração, mesmo sem dinheiro para vir da férias, íamos mandando para cá o pouco que sobrava, ou fazíamos sobrar apertando o cinto. Soubemos mais tarde que era esse pouco de cada um e o muito porque éramos muitos, que ia permitindo ao nosso país manter uns senhores doutores a ganhar bem e a dizer que a culpa do estado do país era nosso, porque não tínhamos estudos! Não há melhor universidade que a vida! Os maiores empresários portugueses e do mundo não tinham cursado, mas Deus deu-lhes o dom de saberem reproduzir a riqueza!

Íamos mantendo um país que comia muito mais do que aquilo que produzia e assim desequilibrava, anos a fio, a sua balança de pagamentos e as contas do Estado.

Fizemo-nos empresário espalhados pelo mundo e fomos admirados e respeitados pelo comportamento cívico que soubemos ter . Os nossos filhos respeitaram-nos.

Nós que aguentámos tantas guerras, como a da Guiné, de Angola, de Timor, de Moçambique, da Índia etc. Quantos de nós lá morreram? Quantos ficaram feridos para sempre ? Quantos perderam o sossego e ganharam noites de insónias sem fim ?

Quantos vimos desaparecer do conceito de pátria que nos tinham ensinado, partes de Portugal como Goa, Damão e Dio, Macau, Timor, Angola etc. Nós até sabíamos que esses povos supostamente independentes iriam passar um longo calvário e que, no fundo, se consideravam também portugueses, porque nos bancos da escola foi isso que aprenderam.

Quantos anos temos é o que menos importa, pois, o que mais importa é que temos uma experiência de vida nunca antes alcançada por outra geração anterior ou posterior. Polivalentes, experientes e com uma alma de “ antes quebrar que torcer”.

Pela experiência de vida que temos, vivemos muitos mais anos que a média de esperança de vida referida nas estatísticas oficiais, mesmo sem os vivermos.

Nós que do pouco que ganhávamos sempre descontámos para na velhice termos uma reforma e que vemos agora uns senhores doutores reduzirem-na e porem em perigo aquilo que nós honestamente conquistámos. Eles que arrecadam reformas chorudas em 4 ou 5 anos de pouco ou nulo trabalho.

Eles que acumulam erros graves na governação do país a todos os níveis, não os assumem, nem há quem os faça assumir. Erros que somos nós, a geração de ouro, que paga em sacrifícios e muito sofrimento.

Os mesmos senhores doutores que nos atiraram para reformas antecipadas que não queríamos. Nós sempre quisemos trabalhar até poder. Quiseram dar o nosso lugar a jovens que dizem ter cursos superiores, mas na realidade pouco sabe e por essa razão o país está e continuará a estar, como todo o mundo sabe. Sempre a pedir cada vez mais sacrifícios.

Os donos das tais universidades que leccionam cursos sobre tudo e sobre nada, têm os bolsos cheios. Pela sua influência atiraram e continuam a atirar trabalhadores honestos e competentes para a pré-reforma para o negócio continuar a render e qualquer dia somos como o Brasil onde todos são “doutores” e as favelas proliferam, num país rico!

É preciso arranjar trabalho para tanto licenciado desempregado e a segurança social já não tem fundos para suportar maios trabalhadores na pré-reforma. Agora é preciso reduzir centenas e centenas de cursos sobre nada e encaixar nas autarquias milhares de licenciados que a actividade privada não precisa nem quer! Lá vão mais uns milhões em subsídios para colocar licenciados no Estado.

Entretanto recebemos milhares de emigrantes porque os portugueses não sabem ou não querem arranjar torneiras, televisões, barcos etc. Os alunos das estatísticas nacionais sabem de tudo e não sabem de nada. O mercado de trabalho não os quer! Também eles não têm culpa, hoje já nem podem empregar-se na Função Pública de onde terão que sair muitos milhares de trabalhadores considerados excedentários. Saem por um lado e entram por outro (licenciados estagiários) !

A Geração de Ouro não pertence às que se lhe seguiram e a quem disseram que o 25 de Abril lhes daria tudo, mesmo sem trabalharem e, disso, muito se orgulha.

As outras gerações também não têm culpa, são igualmente vitimas. A culpa será dos poderes de decisão deste país estejam eles onde estiverem.

Em 2006 o Desemprego e as Dívidas levam os portugueses a continuarem a procurar melhor sorte noutros países.

O Instituto Nacional de Estatística ( INE ) diz que, em 2006, 30 mil portugueses fixaram residência por mais de um ano noutros países, mas a Igreja católica e os sindicatos dizem que, neste ano, foram mais de cem mil os cidadãos lusos a procurar emprego e melhor sorte além–fronteiras, o que corresponde a um aumento de 20 por cento em relação a 2005.

Será ainda preciso não esquecer os milhares de portugueses que têm contratos sazonais, os muitos milhares que estão ilegais e os milhares que trabalham em Espanha, indo ao domingo e vindo à sexta-feira! São explorados e trabalham e vivem em “péssimas condições”, só comparáveis às que se viviam nos anos 60 e 70 do último século.

O destino preferido está a ser o Reino Unido, que o ano passado acolheu cerca de 40 mil portugueses e onde, os últimos dados, indicam que a comunidade lusa nas ilhas britânicas já deve passar das 400 mil pessoas.

Com encerramento de consulados e embaixadas, as comunidades lusas nunca no pós 25 de Abril estiveram tão esquecidas pelo governo português como agora, e tal problema irá ser abordado na reunião do próximo Dia Mundial do Migrante e Refugiado.  

publicado por luzdequeijas às 19:31
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