Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES

Há unanimidade entre os historiadores em considerar a conquista de Ceuta como o início da expansão portuguesa, tipicamente referida como os Descobrimentos. Foi uma praça conquistada com relativa facilidade, por uma expedição organizada por D. João I, em 1415. A aventura ultramarina ganharia grande impulso através da acção do Infante D. Henrique reconhecido internacionalmente com o seu grande impulsionador.

Terminada a Reconquista, o espírito da Cristianização dos povos muçulmanos subsistia. Portugal dirigia-se agora para o Norte de África, de onde teriam vindo os mouros que invadiram a Península Ibérica e aí se estabeleceram. Não obstante, Portugal não podia disfarçar o seu interesse económico, já que era também pelo Norte de África que passava a rota das especiarias, um género de grande valor devido ao esforço necessário para fazê-lo chegar à Europa.

Portugal inicia assim um projecto nacional — o Norte de África que se iria estender a toda o continente africano e mesmo até à Ásia, que se prolongou por vários reinados e séculos, desde o reinado de D. Dinis (1279), com contactos nas Ilhas Canárias, até ao de D. João III (1557), altura em que se estabelecia o Império Português.

Em 1317 D. Dinis contrata o genovês Manuel Pessanha para o comando da frota real . Cerca de 1335 D. Afonso IV envia uma armada ao arquipélago das Canárias cujos privilégios seriam concedidos alguns anos mais tarde (1338) a mercadores estrangeiros. Em 1344 as Canárias são concedidas ao castelhano D. Luís de la Cerda e, no ano seguinte, Afonso IV envia uma carta ao Papa Clemente VI referindo-se às viagens do Portugueses às Canárias e protestando contra essa concessão.

Nas reivindicações de posse, sucessivamente renovadas pelos dois povos ibéricos, prevaleceu, no final, a vontade do rei de Espanha sobre estas ilhas.

Em 1353 é assinado o Tratado de Windsor com a Inglaterra para que os pescadores portugueses pudessem pescar nas costas inglesas.

Em 1370 é criada a Bolsa de Seguros Marítimos e em 1387 há notícia do estabelecimento de mercadores do Algarve em Bruges.

Em 1395, D. João I emite uma lei para regular o comércio dos mercadores estrangeiros.

Motivações dos Descobrimentos

As motivações para a empresa das descobertas foram principalmente, embora não unicamente, de carácter económico: procurar acesso directo a fontes de fornecimento de trigo, de ouro ou de escravos e, mais tarde, das especiarias orientais.

Para além da necessidade de alcançar as fontes de bens escassos ou caros na Europa, havia a intenção política de atacar ou debilitar pela retaguarda o grande poderio islâmico, adversário da Cristandade (neste desiderato se confundindo a estratégia militar e diplomática e o espírito de evangelização herdado das Cruzadas).

O equipamento

Até ao século XV, os Portugueses praticavam uma navegação de cabotagem utilizando, para o efeito, a barca e o barinel, embarcações pequenas e frágeis que possuíam apenas um mastro com vela quadrangular fixa. Estes barcos não conseguiam dar resposta à dificuldades que surgiam no avanço para Sul, como os baixios, os ventos fortes e as correntes marítimas desfavoráveis. Estão associadas aos primórdios dos Descobrimentos, a viagens à Ilha da Madeira, Açores, Canárias, e à exploração do litoral africano até pelo menos às alturas de Arguim na actual Mauritânia.

Mas o navio que marcou a primeira fase dos Descobrimentos portugueses, a fase atlântica e africana foi a caravela. Era de navegação fácil e melhor capacidade de bordejar, dado ter um aparelho latino. No entanto a sua capacidade limitada de carga e a necessidade de uma grande tripulação eram os seus principais inconvenientes, que, no entanto, nunca obstaram ao seu sucesso. Este deve-se em boa parte à evolução técnica registada no século XV e graças às múltiplas viagens de exploração da costa atlântica africana, substituindo definitivamente as barcas e os barinéis naquelas actividades de navegação.

Para a navegação astronómica os portugueses, como outros europeus, recorreram a instrumentos de navegação árabes, como o astrolábio e o quadrante (um quarto de astrolábio munido de um fio de prumo), que aligeiraram e simplificaram. Inventaram ainda outros, como a balestilha, ou "bengala de Jacob" (para obter no mar a altura do sol e de outros astros), que não utiliza a graduação de um arco de circunferência mas um segmento deslizante ao longo de uma haste, com o olho do observador em linha recta com o astro observado. Mas os resultados variavam conforme o dia do ano, o que obrigava a correcções, feitas de acordo com a inclinação do Sol em cada um desses dias. Por isso os Portugueses fizeram tabelas de inclinação do Sol no século XV, impressas em Veneza depois de 1483. Eram preciosos instrumentos de navegação em alto-mar, tendo conhecido uma notável difusão, como outras tabelas que continham correcções necessárias ao cálculo da latitude através da Estrela Polar.

 

publicado por luzdequeijas às 20:51
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