Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

O FUTURO DA HUMANIDADE

Defesa da família? Uma exigência.
 
Inserido em 18-02-2010 17:58

 


 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A defesa da Família não é teoria de alguns, nem aproveitamento de outros. É uma exigência que o presente justifica. Em Portugal e em qualquer parte do mundo.

A Família alicerça a humanidade, multiplica a vida, suporta os sofrimentos, partilha as alegrias. Valorizar a Família é obrigação a que todos são chamados.

Estamos a viver um tempo em que é preciso ser claro nas palavras, exigente nas atitudes e coerente nos pensamentos.

Em Portugal, as Famílias estão mais pobres, mais indefesas, mais perdidas na agitação das palavras, na desordem das prioridades, na falta de um horizonte.

É tempo de relembrar João Paulo II: “O futuro da humanidade passa pela família!  

É, pois, indispensável e urgente que cada homem de boa vontade se empenhe em salvar e promover os valores e as exigências da família.”
RR - AURA MIGUEL

publicado por luzdequeijas às 22:22
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NOVAS FRONTEIRAS ?

Varanda do Chiado
Desfile carnavalesco
19 February 10 10:00 AM

Depois de Noronha Nascimento ter-se desdobrado em entrevistas televisivas, no final da semana passada, afirmando, em síntese, que não dispunha de informação para ter agido de outra forma no caso das escutas ao primeiro-ministro, esta semana foi a vez de Pinto Monteiro, em entrevista à Visão, afiançar que não há quaisquer vestígios do envolvimento do chefe do Governo num plano para controlo da comunicação social.

Juntem-se-lhes as defesas públicas de personalidades gradas do PS – de Almeida Santos a Mário Soares, passando por António Vitorino mais o coro de ministros e seguidores do ‘chefe’ – e José Sócrates, dir-se-ia, poderia voltar a dedicar-se exclusiva e tranquilamente à governação.

Nada disso. Bem pelo contrário, o secretário-geral do PS tocou a rebate no partido e decidiu convocar os principais órgãos nacionais, que já não reuniam desde as eleições, e umas jornadas propagandísticas que dão pelo nome de ‘Novas Fronteiras’.

    

 SOL

publicado por luzdequeijas às 12:36
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UM CAVALO DE TRIA

O Polvo
19 February 10 10:00 AM
 

Algumas pessoas acharam exagerado, se não mesmo injustificado, o título de primeira página da última edição do SOL: O Polvo.

É natural: há quem tenha falta de memória e quem não conheça suficientemente o mundo dos media para avaliar o que se tem passado.

Como principal responsável por esse título, tenho todo o gosto em justificá-lo.

O caso já vem de longe.

Há perto de dois anos, a Ongoing comprou o grupo Económica (proprietário do Diário Económico) por uma quantia exorbitante, substituiu o director do jornal e pensou em transformá-lo num ‘órgão oficioso’, através do qual o Governo faria passar algumas mensagens.

O caso da TVI é conhecido e não vale a pena insistir nele: a Ongoing (sempre ela) ‘retirou’ Moniz da direcção-geral da estação e a Prisa (grupo espanhol ligado ao PSOE) fez o resto, removendo Moura Guedes da antena.

O director do Público, outro dos inimigos apontados por Sócrates, foi substituído na direcção do jornal.

O SOL, também tido por persona non grata, foi alvo de uma tentativa de estrangulamento (capitaneada por Armando Vara) por parte do BCP – banco que era nosso accionista mas aceitou transformar-se num Cavalo de Tróia.

O DN  foi o pivô da duvidosa campanha que envolveu o assessor de imprensa do Presidente da República, Fernando Lima.

O JN recusou publicar um artigo de Mário Crespo incómodo para Sócrates.

JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA 

publicado por luzdequeijas às 12:29
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CASOS E MAIS CASOS

«É curioso como já existe uma espécie de contra-ataque em relação ao SOL», começou por dizer Felícia Cabrita aos deputados.  

As palavras que alguns dirigentes socialistas têm proferido a propósito do 'Caso Face Oculta' levam a jornalista a acreditar que o SOL, «para o PS é um jornal sem credibilidade».

Felícia Cabrita estranha ainda que os deputados não perguntem pelos accionistas de outros jornais - dois accionistas do SOL serão ouvidos no Parlamento - e, para a jornalista, tal sucede «porque os conhecem do avesso».

Sobre a tentativa de controlo dos media por parte do Governo, Felícia Cabrita mostrou-se convicta de que «havia uma tentativa de controlo da comunicação social e que quem está por detrás é o primeiro-ministro».

«Podemos verificar isso através do que foi acontecendo na TVI», exemplificou.

A jornalista referiu ainda o despacho de Pinto Monteiro hoje divulgado pela comunicação: «Não há aqui elementos suficientes para se abrir um inquérito?».

Questionada sobre alegadas pressões sobre jornalistas, Felícia Cabrita vincou não ser «pressionável», deixando ainda claro que nunca foi pressionada por José Sócrates nem por elementos do seu gabinete.

Felícia Cabrita enumerou ainda diversas polémicas em que o nome de Sócrates tem sido envolvido (como o do aterro da Cova da Beira, da licenciatura, ou do Freeport) e foi taxativa: «Não fomos nós que lá pusemos o primeiro-ministro».

 SOL

publicado por luzdequeijas às 12:25
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FIGO MADURO

Face Oculta

Suspeita de corrupção na campanha do PS

Por Luís Rosa

O DIAP de Lisboa investiga o crime de corrupção na negociação do apoio eleitoral de Luís Figo a José Sócrates. Secretário de Estado da Defesa soube de tudo e não se opôs, avança a edição do SOL desta sexta-feira

publicado por luzdequeijas às 12:22
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A CONFIANÇA ONDE ESTÁ ?

A confiança é um pressuposto base para a manutenção do contrato político. Sem ela, é a própria ideia de Estado que fica em causa e o Direito não passa de um conjunto de normas escritas, sem tradução concreta na vida das pessoas e das comunidades.
Quando não há confiança no Estado, nos seus tribunais e nos seus governantes, os slogans são letra morta para o comum dos indivíduos.

Podem ser repetidos todos os dias, mas isso em nada altera a realidade. E a realidade crua que hoje temos em Portugal diz-nos que a desconfiança é absoluta. Não bastava a grave crise financeira e a ausência de rumo para a economia, para sermos ainda brindados com um Watergate português, que veio abalar a já devastada imagem dos mais altos responsáveis da administração pública.

O que se passa entre nós é mau de mais e afecta a própria estrutura do Estado democrático. Que não haja ilusões a este respeito, porque, por muito grave que seja a tentativa de controlar a comunicação social, não é menos grave a atitude incompreensível de instituições e órgãos que deviam ser o garante da legalidade e da isenção.

Para o cidadão comum, agora que começa a conhecer o teor e o alcance da trama, é difícil entender quer as decisões do Supremo Tribunal de Justiça e da Procuradoria-Geral da República, quer a ausência delas por parte da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Dá a ideia de estarem reféns dentro das suas próprias casas, de um braço tentacular que os impede de agir.

Porém, é também incompreensível, mesmo inconcebível, a atitude quase cordata da oposição perante este caso. A medo decidiu falar e só após a pressão dos factos noticiados.

Longe vão os tempos em que um primeiro-ministro era fustigado semanalmente, quando um membro do seu Governo desviava uma manta da TAP ou comprava um qualquer monte alentejano, sem o pagamento correcto dos impostos. Agora, tudo mudou e a crise económica e financeira é o álibi para desculpar o que não tem desculpa.

Como poderá o país enfrentar os problemas, mobilizar os portugueses e ser credível além-fronteiras, se a impunidade for a regra para alguns políticos e os seus amigos? Há quem diga ser catastrófica a hipótese da queda do governo e a convocação de eleições.

Afinal, sustentam, esta Assembleia tem pouco mais de quatro meses. Mas o que é pior? Manter em funções quem dia após dia perde credibilidade e ataca tudo e todos sem desmentir os factos ou ter a coragem de salvar o Estado e a Justiça? Como podemos pedir sacrifícios às famílias, aos trabalhadores e aos empresários, pactuando paralelamente com esta teia de interesses obscuros?

Desenganem-se os que defendem a falsa estabilidade, porque nada pode ser pior do que destruir a autoridade do Estado mantendo uma classe dirigente demasiado conivente e comprometida entre si.

As escutas publicadas não são um assunto privado, são um assunto que diz respeito a todos nós e que colocam o actual primeiro-ministro numa posição insustentável.

Manuel Monteiro, Ex-presidente do PND

 

 

publicado por luzdequeijas às 12:18
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LISTA NEGRA

 
                     
 
19 Fevereiro 2010 - 00h30

Dia a dia

Lista negra do desespero

A Rohde foi a maior produtora de calçado do País, e desta empresa de capitais alemães chegaram a depender milhares de famílias portuguesas. A Maconde foi um gigante do sector têxtil e fornecedor das melhores marcas mundiais de roupa. A Delphi, em várias fábricas espalhadas por diversas localidades, deu trabalho a milhares de pessoas que produziam componentes para a indústria automóvel.

Estas empresas com peso no seu sector, os mais importantes da indústria e com mais peso nas exportações, são agora contribuintes para o terrível aumento da lista de desempregados, que, segundo os números oficiais do INE, já ultrapassam os 563 mil. Se incluirmos as 140 mil pessoas que não contam para as estatísticas – porque não fizeram qualquer diligência para procurar trabalho ou porque fizeram algum biscate – chega-se à conclusão de que o desemprego já atinge mais de 700 mil portugueses, num terrível recorde histórico.

E pior do que os números actuais é a tendência. Este ano a lista negra do desemprego vai aumentar. Mesmo quando o PIB voltar a subir acima de dois por cento (o que não acontecerá nem este ano nem no próximo), muitos destes desempregados não voltarão a encontrar trabalho. Portugal está a perder capacidade industrial a um ritmo acelerado, e as fábricas que fecham não voltarão a abrir.

 


Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto

publicado por luzdequeijas às 12:14
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NÃO NECESSITAVA !!!!

Em Setembro de 2009, Luís Figo gravou um filme no Estádio de Alvalade para promover o Taguspark. Uma escuta a Paulo Penedos revelou negócio.Em Setembro de 2009, Luís Figo gravou um filme no Estádio de Alvalade para promover o Taguspark. Uma escuta a Paulo Penedos revelou negócio.19 Fevereiro 2010 - 00h30

Investigação

Negócio PT-Figo pago a offshore

Empresa sediada num paraíso fiscal em Londres assinou o contrato de cedência de direitos de imagem de Luís Figo com o Taguspark. Em Janeiro deste ano, foram pagos 175 mil euros.

Saiba todos os pormenores sobre a investigação na edição em papel do jornal 'Correio da Manhã'.

 

 

publicado por luzdequeijas às 12:10
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TEMPOS DIFÍCEIS PORQUÊ ?

          
 
19 Fevereiro 2010 - 00h30

O Cabo Submarino

Dilemas políticos

José Sócrates tem de decidir se quer deixar de ser primeiro-ministro antes ou depois das Presidenciais. À sua direita tudo se prepara para o derrubar depois da reeleição de Cavaco Silva. As primárias do PSD apontam nesse sentido.
 

À esquerda a sua simples manutenção no cargo de chefe do governo impede praticamente a vitória de qualquer candidato presidencial deste quadrante, desde Manuel Alegre a Fernando Nobre, ou qualquer outro que entretanto apareça. A lógica do combate político levaria a que fosse o próprio Sócrates o candidato presidencial do PS governamental, tantos e tão públicos foram os desentendimentos entre São Bento e Belém.

Mas a cultura portuguesa do jogo do gato e do rato não é propícia à resolução desses casos directamente. Por outro lado, o ‘presidencialismo de chanceler’ leva os mais ciosos do poder a percepcionarem a Presidência da República como um cargo para senadores, pelo que gostam de afastar, enfastiados, o cálice que lhes é oferecido, sobretudo se o calendário marca uma eleição em que o inquilino de Belém pode voltar a concorrer, como é o caso. Muitos candidatos maduros guardam-se para daqui a cinco anos, mas é capaz de ser tarde. Por isso vejo o aparecimento de candidaturas presidenciais à esquerda com pessimismo, e preparo-me para tempos difíceis.

 

Medeiros Ferreira, Professor Universitário

publicado por luzdequeijas às 12:04
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Falência Partidária

19 Fevereiro 2010 - 00h30

A voz da razão

Um cheque em branco

Com a autoridade política desfeita em cacos, o primeiro-ministro mandou chamar o partido. Para quê? Para conseguir ‘unidade’, ou seja, uma espécie de polícia de choque que o proteja das negras trapalhadas da vida. Um líder, por definição, lidera. Mas Sócrates já não lidera o seu rebanho; esconde-se atrás dele, o que não deixa de ser uma confrangedora exibição de tibieza e fragilidade.
 

E o rebanho? O rebanho parece disposto a caminhar para o matadouro, ignorando por completo esse fantasma tremendo que se chama ‘dia de amanhã’. Porque existem ‘dias de amanhã’ que o PS, logicamente, desconhece. Que fará o PS, este PS comprometido e arregimentado, se a imprensa continuar a retirar da cartola coelhos que mais parecem ratazanas? Que fará o PS, este PS silencioso e timorato, quando a degradação política, já alarmante, atingir níveis insuportáveis? Fingir que não tem nada a ver com nada?

O PS não se prepara para apoiar Sócrates. Prepara-se, coisa pior, para lhe passar um cheque em branco sem exigir fiador. É o princípio da falência partidária. 

 

João Pereira Coutinho, Colunista

publicado por luzdequeijas às 12:00
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DÁ A VOLTA AO ESTOMAGO

19 Fevereiro 2010 - 00h30

O Cronista Indelicado

Sócrates canta de galo, os outros cacarejam

A notícia da morte de José Sócrates tem sido manifestamente exagerada. Muita gente diz, e com razão, que por um décimo das avarias que Sócrates já praticou Pedro Santana Lopes foi posto fora de São Bento. Mas há uma diferença substancial entre os dois, que não tem a ver com a gravidade dos actos mas com a ordem que se consegue manter na capoeira: enquanto o governo de Santana estava em cacos, com ministros a distribuírem bicadas por todo o lado, José Sócrates continua a ser o único dono dos ovos. Ele canta de galo. Os outros cacarejam.
 

Ver gente como Mário Soares, António Vitorino ou Almeida Santos vir a público defender Sócrates, depois de tudo o que foi revelado nos jornais, é uma coisa que dá a volta ao estômago, e diz bem do estado lastimável em que se encontra a ética da República. Mas não há como negar a espantosa persistência do primeiro-ministro, e a fidelidade canina que desperta à sua volta. Pena ter cedido, como Darth Vader, ao lado negro da Força – fossem estas qualidades dirigidas para o sítio certo e poderíamos ter tido um excelente primeiro-ministro, em vez de um zombie político que por mais machadadas que leve regressa sempre dos mortos para nos atormentar.

Acredite em mim, caro leitor. Ainda há-de passar um outro Inverno e José Sócrates continuará no seu cargo, a fazer inaugurações todos os sábados no Portugal profundo, a reunir-se com muitas senhoras, a dar entrevistas cândidas e a recusar as explicações que seria do seu mais elementar dever fornecer. É triste, é deprimente, mas é assim. Licenciatura da Independente, projectos da Guarda, caso Cova da Beira, caso Freeport, apartamento na Braancamp e agora o Face Oculta. Sócrates está neste momento a usar a sua sétima vida. E é bem capaz de ainda vir a bater o recorde dos gatos.

João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

publicado por luzdequeijas às 11:53
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

A DIMENSÃO DO ESTADO

A liberdade de expressão e o ‘sector empresarial do Estado’

Arquivado em: Comentário, Media, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:55
 

Meu artigo publicado no Instituto Francisco Sá Carneiro.

A liberdade de expressão e o ‘sector empresarial do Estado’

A divulgação das escutas do processo ‘Face Oculta’ pode ter consequências mais profundas que a mera mudança de um Primeiro-Ministro. Na verdade, a gravidade dos factos que vieram a lume obriga-nos a repensar muito daquilo a que se chama de ‘sector empresarial do estado’. A primeira questão que se nos coloca, perante o processo ‘Face Oculta’, é o de saber o que ganha o país com uma empresa, como a Portugal Telecom, que está totalmente sujeita aos caprichos do poder político. Há precisamente três anos, a OPA da Sonae à PT falhou, para agrado do governo. Há 5 anos, o governo socialista fez o que pôde para impedir o controle da GALP pelos italianos da ENI. O Estado continua a deter a RTP e a TAP, que apenas dão prejuízo. Tudo isto para quê?

publicado por luzdequeijas às 18:50
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A MANIPULAÇÃO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

 
18 Fevereiro 2010 - 00h30

Estado das Coisas

O segredo que abre as portas

Desde a Revolução Francesa, mais concretamente desde a vitória do liberalismo, na primeira metade do século XIX, que temos assistido, apesar da crise, a uma consolidação segura do poder económico nas sociedades nos países desenvolvidos. Pode dizer-se que a história a seguir à II Grande Guerra se resume, do ponto de vista político, à subjugação das sociedades aos interesses económicos.
 

A tendência é para que tudo seja dominado pelo poder económico, desde a política à justiça, passando pela comunicação social.

Não temos censura nem falta de liberdade para podermos expressar livremente os nossos pensamentos. O que existe é a manipulação da comunicação social. Uma manipulação sem rosto, que adopta métodos maquiavélicos, para alcançar os seus objectivos. E, como sabemos, a manipulação nunca é feita por bons motivos e para servir uma causa nobre. Não, a manipulação só serve interesses pouco transparentes e é inimiga do esclarecimento e de uma sociedade mais bem informada.

A manipulação é a violação da liberdade. Ela impõe a supressão de toda a dimensão crítica da parte de quem é manipulado, e a aceitação de tal acriticidade da parte de quem manipula.

Uma vez garantida a subserviência dos media, é fácil manipular as opiniões e o sentido de voto dos cidadãos. A oligarquia perpetua o seu poder e as vítimas desta violação nem sequer se apercebem do que está a acontecer, a menos que algo surja de importante, que impeça continuar a anestesiar a opinião pública.

O segredo para abrir a porta da manipulação é a coragem e o sentido do interesse público bem apurado. E só porque a manipulação perdeu é que os portugueses conseguiram conhecer o segredo guardado atrás da porta. Conseguiram saber a estratégia montada, por alguns meninos ainda com dentição de leite, para alguma comunicação social; conseguiram perceber que quando estamos no domínio dos indícios criminais não existe, ainda, prova, como, por erro, disse Noronha Nascimento; foi possível saber da existência administrativa de umas certidões e não de um processo; foi possível saber que quem despachou em certidões e não abriu um inquérito violou a lei; foi possível saber que basta o material escutado e não todos os restantes elementos para saber da consistência dos indícios; foi possível saber que não existe violação do segredo de justiça porque não existiu um inquérito; foi possível saber que quem apresentou a denúncia ficou impedido de reagir por causa dos despachos administrativos e da falta de inquérito.

O manipulador não entende aquela velha frase da democracia: "Eu detesto o que tu dizes mas bater-me-ei para que tu tenhas liberdade para dizeres o que dizes".

 

Rui Rangel, Juiz Desembargador

publicado por luzdequeijas às 11:02
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DEIXA-O ESTAR POR ENQUANTO

“Ninguém quer substituir José Sócrates”

O antigo dirigente socialista João Cravinho diz que não há nenhum movimento no PS para substituir José Sócrates, apesar da polémica suscitada pela divulgação das escutas sobre um alegado plano do Governo para controlar a comunicação social, e que o mesmo acontece na oposição e em Belém.

No seu habitual espaço de opinião na Renascença, o antigo ministro de António Guterres é claro ao afirmar que “ninguém quer substituir José Sócrates”, nem no PS, nem na oposição nem em Belém, onde a principal prioridade é que “haja um orçamento aprovado e publicado”.

“Ninguém quer substituir Sócrates, aliás, não é só no PS. Não há nenhum movimento no PS nesse sentido como não há, curiosamente, nenhum movimento na oposição para substituir Sócrates nem o Presidente da República quer que Sócrates seja imediatamente posto perante a opção de saída. A grande prioridade do Presidente é que haja um orçamento aprovado e publicado”, afirmou.

João Cravinho acrescenta que seria mesmo um “enorme susto” para o PSD ser obrigado a assumir o poder.

“A grande realidade das oposições é que, para além, de serem oposições de tudo e do seu contrário, o susto enorme que o PSD teria se, por circunstâncias várias, fosse obrigado a assumir o poder. É a última coisa que o PSD quereria na vida”, concluiu.

Sócrates já devia ter convocado há muito tempo órgãos do partido e critica falta de debate interno

O antigo dirigente socialista considera “muito importante” mas pede a Sócrates uma “afirmação forte, sólida e robusta de não envolvimento em nenhuma circunstância nos casos que lhe são imputados” e que, na sua opinião; devem ser o líder do partido “tem que frontalmente desmontar”.

“Muito importante que os órgãos do partido se reúnam. Muito importante que Sócrates dê a estes órgãos o seu ponto de vista e faça perante eles uma afirmação forte, sólida e robusta de não envolvimento, em nenhuma circunstância, daqueles casos que lhe são imputados e que ele tem que frontalmente desmontar”, considerou.

Apesar de concordar com a convocação dos principais órgão do partido, Cravinho volta a criticar a falta de debate interno e classifica a decisão como tardia.

“O problema é que já os devia ter reunido há muito tempo esse é que é o grande problema. Os órgãos políticos do PS, com excepção do grupo parlamentar são órgãos de participação política de muito baixa intensidade”, afirmou.

João Cravinho dá o exemplo do secretariado nacional que no seu tempo reunia semanalmente e que não se reúne “há quatro meses” e classifica como órgãos com “uma função ritual” a comissão política e a comissão nacional.

“Órgãos como a comissão política e como a comissão nacional têm uma participação no debate político, um valor acrescentado mínimo. São órgãos que têm uma função ritual”, concluiu.

O antigo dirigente socialista defende ser “importantíssimo que o partido se revitalize, que não se deixe reduzir a um seguidismo sem debate e sem opinião”, concluindo ser “fundamental que haja um debate político profundo e não apenas um ritual e que o público português possa sentir que há um partido coeso e mobilizado em torno de uma situação clara sem sombras”.

É fantasia falar em falta de liberdade de expressão

João Cravinho aplaude a realização das audições na comissão parlamentar de ética sobre a comunicação social mas diz que o “PS tem toda a razão” uma vez que não está em causa a falta de liberdade de expressão no país.

“Isso de facto é uma fantasia que não tem qualquer base na sociedade portuguesa. Quem fala assim não sabe o que era o período antes do 25 de Abril em que de facto não havia liberdade de expressão. O que está em causa e isso é legítimo que se discuta e é fundamental até que o Parlamento aprecie é como a comunicação social funciona, que problemas com impacto na sociedade é que podem ser detectados e que eventualmente poderão ser corrigidos”, defendeu.

Para o ex-deputado socialista a questão fundamental que o parlamento deve discutir “é o funcionamento da comunicação social e o impacto da concentração dos meios num reduzido número de titulares de interesses privados”, embora possam ser também analisados “casos concretos de constrangimento da liberdade de expressão”.

PT tem obrigação de apurar os factos e tirar todas as consequências doa a quem doer

João Cravinho estranha “as quase duas semanas de silêncio” da Portugal Telecom em relação aos factos divulgados nas escutas que, no seu entender, “são “extremamente lesivas” para a reputação da PT considerando que tal seria “praticamente impossível” acontecer em Londres com uma empresa importante cotada em bolsa.

O antigo ministro socialista defende por isso que a PT “tem a obrigação de apurar os factos, tendo os meios para os apurar e para, no plano empresarial, tirar todas as consequências. Doa a quem doer”.

João Cravinho fala na Renascença todas as quartas-feiras, num espaço moderado pelo jornalista Castro Moura.

publicado por luzdequeijas às 10:35
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SÓCRATES É O PÂNTANO

A porta das traseiras
 
Inserido em 18-02-2010 09:12

 


 
Há imagens que valem por mil palavras e vale a pena reter a imagem do Primeiro-ministro a entrar mudo e sair calado, ontem, da reunião do Secretariado Nacional do PS.

José Sócrates é um político de palavras, levou anos a gerir o discurso e a comunicação e, se entrou numa reunião do partido pela porta das traseiras e saiu sem dizer bom dia, é porque está mesmo em apuros.

Passaram 15 dias desde que o alegado plano do Governo para controlar órgãos de comunicação social foi tornado público. E Sócrates não dá explicações.

Já se demitiu um dos administradores executivos da PT, alegadamente envolvido na trama. E o Governo calado. A PJ faz buscas na empresa e o PS toca a rebate, mas o Primeiro-ministro não fala. Os barões socialistas já se movimentam - uns para dizer que se Sócrates tiver que sair há quem o substitua, outros para avisar que Sócrates só sai com eleições antecipadas - e o próprio nada diz.

Agarrado ao facto de não haver líder da oposição e de Cavaco estar preocupado com a reeleição, o Primeiro-ministro resiste. Por muito menos, António Guterres teve a coragem de sair de cena para evitar o pântano.

Ângela Silva

publicado por luzdequeijas às 10:30
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RELAÇÃO DOENTIA

18 Fevereiro 2010 - 00h30 - CM

Escutas: Popularidade do chefe do Governo sai penalizada pelo escândalo

Acusações a Sócrates são graves

Mais de dois terços dos portugueses entendem que o caso das escutas do processo ‘Face Oculta’, que envolve o primeiro-ministro num alegado plano de controlo da Comunicação Social, é de "grande" gravidade. O escândalo está, aliás, a penalizar José Sócrates que, após a divulgação das escutas entre administradores da PT, caiu nas intenções de voto dos portugueses.
 

Segundo a sondagem CM/Aximage, realizada no dia 13 de Fevereiro, depois da publicação das escutas pelo jornal ‘Sol’ e da polémica em torno da providência cautelar que tentou impedir a publicação das conversas, 94,2 por cento dos inquiridos admitem que já ouviram falar do caso das escutas.

Questionados sobre as responsabilidades imputadas a José Sócrates, 48,8% dos que responderam ao inquérito não tiveram dúvidas em afirmar que a acusação é "justa". Outros 34,2 por cento avaliaram-na como "injusta" e 17 afirmaram não ter opinião sobre o assunto. Ainda assim, quando questionados sobre a gravidade dos factos que envolvem o primeiro-ministro, 68,9% foram claros ao responder que o caso é "grave".

Perante este cenário, as marcas políticas do processo ‘Face Oculta’ começam já a fazer-se sentir na imagem do primeiro-ministro. Segundo o barómetro CM/Aximage, também realizado após a publicação das conversas, o PS continua a liderar a intenção de voto dos portugueses, mas sofreu uma queda de 1,4% em quinze dias.

Se no início de Fevereiro, antes de rebentar o tema nas páginas dos jornais, o partido do primeiro-ministro reunia 33,8% das intenções de voto, agora tal valor caiu para 32,4%.

Em compensação, o PSD saiu beneficiado com a polémica, já que subiu 1,5% nas intenções de voto, para os 26,3%.

Neste mesmo cenário, o CDS--PP foi outro dos partidos que caiu na intenção de voto ao perder 1,4 pontos percentuais (10,7%). Já o Bloco de Esquerda voltou a ganhar a confiança do eleitorado, tendo registado uma subida de 0,6% na intenção de voto para os 9,2%. A CDU manteve-se praticamente inalterada, perdendo uns ligeiros 0,4% nas intenções de voto dos inquiridos. Os inquéritos resultam de entrevistas a 600 pessoas. A margem de erro é de 4%.  

JORNALISTAS DENUNCIAM PRESSÕES DO GOVERNO

‘Eu ainda não fui processado pelo Sócrates’. A frase foi impressa numa t-shirt e enviada para a SIC ao cuidado de Mário Crespo. O jornalista garante que nunca a vestiu em público, apenas dorme com ela. E tirou uma conclusão: "Aqui estou eu, sem processo, mas sem coluna (de opinião, no JN)", desabafou ontem o pivô da estação de Carnaxide na Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura.

Ainda antes de se iniciar a sua audição, o jornalista fez questão de se levantar e distribuir pelos deputados fotocópias do artigo de opinião cuja publicação foi recusada pelo ‘Jornal de Notícias’, classificando este como "um acto de censura no século XXI". "Não tenho um jornal onde escrever porque uma crónica minha foi censurada", frisou Mário Crespo. "Isto, em 2010, não pode acontecer", acrescentou mais à frente. Durante a audição, o pivô da SIC garantiu ainda que os jornalistas sempre receberam "telefonemas de assessores" mas a "situação tem-se vindo a intensificar nos últimos quatro anos".

O ex-director do ‘Público’, José Manuel Fernandes, que também foi ouvido no Parlamento, classificou a relação do Governo com a Comunicação Social de "doentia". E acusou o anterior Executivo de José Sócrates de ter condicionado o sucesso da OPA da Sonae sobre a PT à sua eventual saída da direcção do jornal diário.

publicado por luzdequeijas às 10:26
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MORTE ADIADA

18 Fevereiro 2010 - 00h30

Heresias

Depois de Sócrates

Face ao imparável declive ético e político de Sócrates, o PS atém-se a uma atitude de resguardo aperreado do poder pelo poder – o que condicionará o futuro do partido por muitos anos. Se o PS mudasse higienicamente de líder ficaria em condições de enfrentar os desafios da governação de cabeça limpa e discurso tranquilo.
 

Ao contrário, parece ter optado por se barricar no bunker que a falta de vergonha do seu Chefe tramou para si e para os que não têm pudor em serem comparados com ele. Um Governo assim não governa coisa nenhuma, apenas gere de forma desconexa a sua morte adiada. O PS pagará bem caro este apoio deplorável. Em vez de ser o partido da liberdade e da democracia passará a representar o pior do regime – a malta de Sócrates, de Vara e do Soares da PT.

 

Carlos de Abreu Amorim, Jurista

publicado por luzdequeijas às 10:23
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PROPAGANDA POLÍTICA

18 Fevereiro 2010 - 00h30

Dia a dia

António Guterres

Para quem ainda se lembra, foi o então líder do PS António Guterres quem criou regras de separação absoluta entre os bens do Estado e do partido. António Guterres, assim que ganhou as eleições de 1995, concretizou a ruptura ética prometida na campanha eleitoral contra o cavaquismo, e fez várias coisas.
 

A que mais eco deixou, mas não a mais importante, foi a célebre frase proferida numa comissão política – "no jobs for the boys" – em que pediu contenção na ocupação do aparelho de Estado. Quatro anos depois foi engolido pelos boys... Mas procurou, então, o PS, que os cargos de nomeação política não contaminassem o topo da administração pública.

Na sua própria casa, António Guterres impôs a separação absoluta em relação aos bens públicos. Nem tudo terá resultado, mas politicamente foi um momento importante de afirmação da tal ética republicana. Guterres foi ao ponto de fazer grandes malabarismos de agenda para evitar a utilização do carro de primeiro-ministro para se deslocar a reuniões partidárias. Isso, na verdade, aconteceu quase há dez anos.

Hoje, uma parte do PS e respectivos apaniguados acham que usar meios públicos para fazer campanha é ‘normal’. E que a rapaziada das assessorias serve para ‘fazer política’. No salazarismo essa ‘política’ chamava-se propaganda, paga pelo povo, para sua própria anestesia.

 

Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

publicado por luzdequeijas às 10:18
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DOMAR A CRISE

                    
 
18 Fevereiro 2010 - 00h30

Da Vida Real

Redenção

O actual Primeiro-Ministro iniciou quarta-feira de cinzas o seu périplo pelos principais órgãos e estruturas do Partido Socialista.
 

É sintoma de um Primeiro-Ministro inseguro das suas próprias tropas. É sintoma de um Primeiro-Ministro a tocar a rebate. Mas é também sintoma de algo mais profundo: os últimos acontecimentos no nosso País levam-nos a pensar que Sócrates se está a tornar descartável para quem o produziu.

O actual Primeiro-Ministro é, de facto, uma obra--prima de produção política. É uma construção ficcionada e, como sucede tarde ou cedo com todas as construções políticas, a maquilhagem vai derretendo. Só que Sócrates foi útil a muitos e é natural que não se queira deixar substituir. Tal como Narciso, encantou-se consigo próprio e acreditou na imagem que lhe foi sendo construída. Acreditou que era "O Poder" e não que "O Poder" o tinha feito.

Só que, não tenhamos dúvidas, os que fazem o "Poder" ou dele dependem são implacáveis e se e quando Sócrates deixar de servir, vão arranjar-lhe substituto, depois de uma fase de adequada defesa.

Mesmo que Sócrates sinta fugir-lhe o chão, numa fase tão crítica da vida económica e social do País, não se deveria virar para dentro do Partido, onde aliás encontrará, como se asas brancas tivessem, alguns a quem está a deixar de ser útil. A economia nacional estagnou no último trimestre de 2009, o número de desempregados inscritos aumentou em Janeiro, não se vislumbra esperança para domar esta crise. Não é momento para pensar em salvar a "pele política", mesmo que ela fosse (?) salvável.

Não há como não concluir que os inúmeros problemas de fiabilidade, que se relacionam directa ou indirectamente com o Primeiro-Ministro, indiciam que há já quem procure material para nova produção.

Ora, mais do que o Senhor que se segue, é importante que esse Senhor que se segue não sirva para compensações à custa dos dinheiros públicos, seja por que maneira for e a quem for.

De formas distintas, os dois maiores Partidos portugueses vivem tempos de sucessão. Um e outro precisam de deitar fora velhos e maus hábitos instalados. Isso não se fará sem um terrível ranger de dentes por parte de todo o tipo de interesses instalados. O contrário seria impossível: é de sobrevivência ou impunidade que se trata. Mas a redenção, afinal, é sempre possível, mesmo no domínio do político, mesmo em tempos de fim de festa.

Paula Teixeira da Cruz, Advogada

publicado por luzdequeijas às 10:13
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

ACCIONA-SE O REBANHO

O início do fim (8)

Arquivado em: Política, Portugal — Miguel @ 10:20
 

A Bola

Pedro Baptista, antigo deputado socialista e membro da distrital do PS-Porto, classifica os apelos de união de José Sócrates como «patéticos» e sublinha que «o PS não é propriamente um rebanho que avança quando os sinos tocam a rebate só porque o líder está a passar por um momento difícil».

«Por alma de quem é que de repente querem pôr a funcionar as estruturas do partido, quando está meses sem se reunir, e ainda por cima convocando estruturas que não existem nos estatutos, como acontece, por exemplo, com o plenário de militantes da distrital do Porto?», questiona, em declarações ao Público.

Considerando a medida um «paradoxo», Pedro Baptista diz que o PS «tem vivido numa ditadura do silêncio e agora, porque o líder tem um problema, carrega-se no botão e acciona-se o rebanho».

«Este não é o Partido Socialista Nacional Alemão», frisa, lamentando que Sócrates só tenha apelado ao diálogo interno «por se encontrar numa situação difícil». INSURGENTE

publicado por luzdequeijas às 21:54
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CONTRA O MEDO, LIBERDADE

Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.

Manuel Alegre - 24.07.2007 - 23:15

 

Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.

Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.

Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.

Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio modelo social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.

Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.

Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.

Oque não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.

Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.

António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.

Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória.

Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.

Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.

Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.

publicado por luzdequeijas às 19:24
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UM "LOUCO" QUE DIZ MUITAS VERDADES!

Mário Crespo

O Fim da Linha

Mário Crespo

 

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

publicado por luzdequeijas às 19:14
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DINHEIRO PARA TUDO !

Mário Crespo questiona como é que a Ongoing tem "dinheiro para tudo"

De Isabel Matos Alves (LUSA) – há 5 dias

Lisboa, 11 fev (Lusa) - Mário Crespo disse hoje não compreender como é que "numa altura em que ninguém tem dinheiro para nada aparece um grupo com dinheiro para tudo, a adquirir propriedade pública e com investimentos em propriedade pública", referindo-se à Ongoing.

O presidente do grupo de comunicação social Ongoing, Nuno Vasconcellos, disse hoje, numa nota interna aos funcionários da empresa, que os noticiários de Mário Crespo são exemplo de uma "obsessão doentia" que diz existir contra o grupo que lidera.

"Não por acaso, nos últimos tempos, temos sido sujeitos aos mais vis e violentos ataques à nossa reputação por alguns meios de comunicação social, fruto de uma obsessão doentia", refere Nuno Vasconcelos na nota interna, a que a agência Lusa teve acesso.

© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

publicado por luzdequeijas às 19:09
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"NO PÂNTANO"

O momento não se compadece com as delongas da justiça à portuguesa. É preciso indagar se o povo aceita renovar a confiança em José Sócrates nestas envolventes ruidosas e cheias de incógnitas, ou se vamos continuar no "pântano" profetizado por António Guterres quando se demitiu, (curiosamente em data muito próxima do início de toda esta questão do Freeport). Alguém vai ter de tomar uma decisão executiva porque, face ao que já está escrito e dito, não chega clamar pela celeridade da justiça, que não existe, nem pedir o aval diário do até-aqui-tudo-bem-depois-se-verá da Procuradoria. José Sócrates, por si, ou Cavaco Silva, por ele, terão de tomar a única decisão possível, que é fazer o primeiro-ministro sujeitar-se ao juízo do voto antecipado que relegitimará, ou não, o seu Executivo.

Por muito, muito menos, Jorge Sampaio sujeitou Santana Lopes a esse julgamento popular.

 

tags: crónicas, jn, mário crespo

publicado por luzdequeijas às 19:04
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RELAÇÃO DOENTIA


 

 

 

 

Relação de Sócrates com media é «doentia», diz ex-director do Público

<input ... >Hoje às 16:35

 
Lusa
Relação de Sócrates com media é «doentia», diz ex-director do Público
José Manuel Fernandes na Assembleia da República
José Manuel Fernandes considerou que a relação do primeiro-ministro com a comunicação social criou um ambiente que não é propício à liberdade de expressão.
TSF

publicado por luzdequeijas às 18:54
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PERFIL IMACULADO PRECISA-SE

 
Inserido em 17-02-2010 09:12

 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A Europa valorizou a longa carreira de competência técnica de Victor Constâncio desculpando os erros e as desatenções cometidas internamente, nos anos recentes em matéria de supervisão bancária. Casos como o BCP/BPN e BPP não chegaram para macular o currículo do candidato a vice-governador.

A Europa valorizou a longa carreira de competência técnica de Victor Constâncio desculpando os erros e as desatenções cometidas internamente, nos anos recentes em matéria de supervisão bancária. Casos como o BCP/BPN e BPP não chegaram para macular o currículo do candidato a vice-governador.

Fez bem. Nessa área a falta de pro-actividade do governador português foi em tudo comparável à da maioria dos seus pares. O perfil técnico de Constâncio garante, aliás, que não voltará a incorrer nos mesmos erros. Podem os europeus dormir descansados.

Pode por isso dizer-se que Constâncio foi a escolha certa para vice-governador do BCE. E em concreto para os portugueses poderá mesmo vir a mostrar-se muito mais útil a sua presença em Frankfurt do que na rua do Comércio. Um eurocrata que conhece, a fundo, o impacto da política monetária europeia num pequeno país aberto e excessivamente endividado é um aliado, sem preço, para as autoridades nacionais.

Mas se os eventuais erros de supervisão estão longe de comprometer o seu currículo o mesmo não se poderá dizer da desastrosa gestão, nos últimos anos, do capital de independência do Banco de Portugal. Aí a sombra dos erros cometidos, de que ironicamente Constâncio foi também uma das vítimas, continuará a perseguir os sucessores.

Por isso a importância da futura escolha. Requer-se um perfil imaculado. O que não implica, necessariamente, um falso apartidarismo. Oliveira Martins, à frente do Tribunal de Contas, já provou que a independência é sobretudo uma questão de virtude e carácter. Dois tópicos que parecem perigosamente fora de moda nas escolhas para detentores de cargos públicos.



 

publicado por luzdequeijas às 15:06
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UM PARTIDO CONTAMINADO (2)

Vou tentar lembrar ao articulista do "post" seguinte, Domingos Amaral, algumas verdades que está a ignorar, distraidamente, ou por qualquer outra razão que desconheço, e para tal repito algum da sua argumentação:  " Logo que Sócrates apareceu, Sampaio pôde correr com Santana Lopes. Cavaco não tem esse trunfo na manga.
Quando o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, sugeriu num programa televisivo que a oposição colocasse uma moção de censura ao governo, estava a indicar o único caminho possível ao país nos próximos tempos: o derrube de Sócrates, sem a necessidade de eleições. Cavaco, Portas, o PSD inteiro, o Bloco e o PCP, ainda estão a tempo de perceber que não há, nas circunstâncias actuais, outra saída."

É claro que Cavaco tem todos os trunfos na manga, ou fora dela, que outros tiveram. Tem os trunfos da verdade e da situação em que o país se encontra! Se tenta ponderar as melhores alternativas é por razões de seriedade política, certamente, e não outras.

É fácil perceber que a continuidade do PS no Governo é a pior solução para o descalabro do país. O Jorge Sampaio de quem fala, está muito caladinho, mas esteve na origem da actual situação. Mário Soares, ou está muito esquecido, ou nada tem a ver com o homem que apregoou a democracia e em nome dela sofreu prisão. Em muito boa verdade o problema é José Sócrates e o seu carácter, mas não deixa de ser também, e muito, um partido que se deixou amordaçar, anular, por alguém como Sócrates. Todo o partido socialista (ou quase), está completamente contaminado. Grande parte do país mais influente, tem de ficar caladinho. Falo de muitos empresários, muitos intelectuais e até de muitos banqueiros. No tempo de Salazar tinha-se passado o mesmo !

Convido o senhor jornalista a ler o CM de hoje (17-02-2010) para perceber melhor a dimensão do conluio que atingiu PORTUGAL.

Um partido socialista que nos últimos 15 anos esteve doze no poder e deixou o país no estado calamitoso em que se encontra, não pode ser alternativa a nada, nem no plano moral, nem, muito menos, no plano governativo. Se não houver outra alternativa a este partido, então, não há salvação para PORTUGAL.

António Reis Luz

 

 

publicado por luzdequeijas às 12:04
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UM PARTIDO CONTAGIADO (1)

                             17 Fevereiro 2010 - 00h30

Ar fresco

Logo que Sócrates apareceu, Sampaio pôde correr com Santana Lopes. Cavaco não tem esse trunfo na manga.
Quando o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, sugeriu num programa televisivo que a oposição colocasse uma moção de censura ao governo, estava a indicar o único caminho possível ao país nos próximos tempos: o derrube de Sócrates, sem a necessidade de eleições. Cavaco, Portas, o PSD inteiro, o Bloco e o PCP, ainda estão a tempo de perceber que não há, nas circunstâncias actuais, outra saída.

Vamos por partes. Em primeiro lugar, é evidente que o que se passa é um problema individual de credibilidade de José Sócrates. O país inteiro já percebeu que ele mentiu, e que a sua palavra não tem grande valor. Além disso, todos já se convenceram de que as coisas não vão ficar por aqui e que Sócrates não tem capacidade para dar a volta à situação. As pessoas não mudam, e este é um problema de uma pessoa. Não de um partido.

Em segundo lugar, a partir de Julho, Cavaco não pode convocar novas eleições, e até lá é difícil que as convoque. Com uma grave crise económica a fustigar o país, com a credibilidade internacional das nossas finanças em jogo, não faz muito sentido dissolver uma Assembleia onde várias combinações de maiorias são possíveis.

Para mais, e em terceiro lugar, o partido que costuma ser alternativa ao PS, o PSD, não o é ainda, nem é certo que o seja até ao Verão. Entretido a convocar congressos extraordinários, sem as eleições directas ainda marcadas, e com três candidatos já anunciados que não empolgam a Nação, o que o PSD tem para oferecer ao país até ao Verão é um grande ponto de interrogação, uma colossal dúvida. Ao contrário do que aconteceu com Sampaio, que logo que Sócrates apareceu pôde correr com Santana Lopes, Cavaco não tem esse trunfo na manga.

Assim, resta o PS, o resto do PS, uma alternativa dentro do PS. É evidente que se a oposição fizer o serviço de remover Sócrates com uma moção de censura, um novo líder do PS pode apresentar-se a jogo, e procurar novas soluções de governo para Portugal. E, é também evidente para todos, António Costa pode ser esse líder. Com ele, um acordo parlamentar de governo com o Bloco e com o PCP era possível, como também era possível, em teoria, um acordo com o PSD ou com o CDS. Sem a crispação de Sócrates, habituado a mais diplomacia, António Costa poderia trazer uma lufada de ar fresco a um sistema político que parece encravado. E poderia também provar que uma só pessoa pode, para o bem e para o mal, alterar o destino das coisas. Domingos Amaral, Director da GQ

PS -  Um simples comentário, entre outros possíveis, para resposta ao articulista: ninita santos (IP: 77.54.210.124) disse sobre PERDERAM TODA A CREDIBILIDADE na Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010 às 22:27:   PAULO RANGEL-quem é?·
PAULO ARTUR DOS SANTOS CASTRO DE CAMPOS RANGEL·
nasceu a 18 de Fevereiro de 1968, é licenciado em Direito e Docente Universitário e Jurisconsulto·
Desempenha cargos de:
Deputado da 10ª Legislatura
Presidente do GP /PSD
Membro da Direcção da Ass. Comercial do Porto
Membro da Direcção da ASS. Amigos do Coliseu·
Exerceu cargos de:
Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Justiça
de Julho de 2004 a Março de 2005
Membro da Direcção da Ass Amigos do Coliseu
Membro da Direcção da Ass. Comercial do Porto desde Abril de 2002.·
Foi condecorado em 1989 com o prémio René Cassin (Conselho da Europa)
Em 1986 com o prémio Dr.António Ferreira Gomes·
Tem publicadas as seguintes obras:
Repensar o Poder Judicial - Univ. Católica - Porto 2001
Guerras Surdas -Crónicas de Tensão Politica -2005 Coimbra
Concertação, Programação e Direito do Ambiente - Coimbra Editora 1994
 

Liderou e venceu as Eleições Europeias em Julho 2009
Reserva de Jurisdição: Sentido Dogmático e Sentido Jurisprudencial – Ed. Univ.Católica - Porto

Inteligente, cuidadoso, por vezes impulsivo, mas certo é que mereceu o diploma, não o comprou. Empolgou o país com um discurso patriótico, nas comemorações do 25 Abril.
Não tem processos, talvez uma ou outra multa de estacionamento, e não consigo encontrar alguma cena menos digna no seu percurso. Muito simples, de ascensão normalíssima, não atropelou ninguém pelo caminho. Gosto dele.

publicado por luzdequeijas às 11:53
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PORTUGAL A PIOR

E O DESPEDIMENTO POR JUSTA CAUSA ? ESSE SÓ É APLICÁVEL AOS TRABALHADORES ? OS CRIMES COMETIDOS, FACE À  DEMOCRACIA EM QUE QUEREMOS VIVER, IMPLICARIAM UMA PESADA PENA DE PRISÃO!!! ENQUANTO HOUVER INDEMNIZAÇÔES PARA GENTE COM ESTE COMPORTAMENTO, PORTUGAL NÃO MELHORA!!!

17 Fevereiro 2010 - 08h45

Rui Pedro Soares e Fernando Soares Carneiro têm direito a indemnização

Administradores da PT recebem 5 milhões de euros

Os administradores da Portugal Telecom alegadamente envolvidos no processo 'Face Oculta', Rui Pedro Soares e Fernando Soares, recebem 5 milhões de euros caso sejam demitidos sem justa causa, avança a edição desta quarta-feira do 'Jornal de Negócios'.
 

De acordo com a publicação este valor correponde aos salários que os dois administradores receberiam em conjunto até ao termo do seu contrato, em 2012.

"A situação desses administradores é insustentável, pois funcionam como comissários políticos segundo o que veio a público", sustentou ao JN o antigo ministro das Finanças, Eduardo Cartoga.

publicado por luzdequeijas às 11:30
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A DEGRADAÇÃO NA POLÍTICA

                          
 
17 Fevereiro 2010 - 00h30

Dia a dia

A 'central' do Governo

A história da tal ‘central’ de propaganda do Governo pode parecer uma brincadeira, mas não é: nos últimos anos o Governo de José Sócrates usou meios públicos para fazer propaganda e campanha eleitoral.
 

Quais? Assessores, chefes de gabinete, membros do Governo usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político. Como o CM demonstra nesta edição, o Governo alimentou blogues de campanha eleitoral daquela forma, mas também outros que antes e depois do tempo de eleições continuaram a ser a barriga de aluguer de argumentários e documentos pré-fabricados. Há preparação para responder a questões difíceis, por exemplo com perguntas e respostas sobre o caso BPN, ou manipulação de números sobre o investimento público, como o TGV. É tudo à vontade do freguês... Para quem ainda há menos de 15 dias enalteceu os valores da ética republicana este é um caso politicamente desastroso e de uma legalidade muito duvidosa. A utilização de meios do Estado, pagos pelos contribuintes, não consta de nenhum manual de história como um dos ‘valores’ do dito ideal republicano. O pagamento aos serventuários com as habituais benesses de nomeação para cargos também não. Mas com tal Governo tudo é possível...

 

Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

publicado por luzdequeijas às 11:21
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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

DESVARIOS DE IMBERBES

Opinião Página 1: Luís António Santos
 
Inserido em 15-02-2010 19:03


Faz mesmo falta o Jornalismo

Independentemente do que possamos pensar sobre a mais recente polémica envolvendo o Primeiro-ministro, José Sócrates, um resultado visível pode já ser apontado – o reavivar do interesse geral pelo trabalho jornalístico. Na sexta-feira esgotou, ainda de manhã, a primeira edição de um semanário e, no sábado, percebi na cidade onde vivo que havia, também de manhã, filas de clientes em vários quiosques.

Vivemos tempos invulgares e, necessariamente, estes “retratos” não são mais do que isso mesmo – indicações episódicas de um interesse em ter acesso a informação recolhida, analisada e apresentada por profissionais.

É, se quisermos, uma espécie de paradoxo momentâneo – por um lado, acusações de proximidades excessivas entre jornalistas e políticos e, por outro, a apresentação dessa mesma história pela mão de jornalistas. É, porém, um paradoxo que, sem a hiperbolização dos desenvolvimentos destes dias, sempre existiu. Ou seja, a Comunicação Social portuguesa sempre foi objecto de desejo para a classe política nacional – e quem não se lembra já da Emaudio ou dos célebres telefonemas de um ministro da confiança de Cavaco Silva para o director de informação da RTP – e, com mais ou menos facilidade, sempre encontrou na sua pluralidade formas de contrariar tais apetites.

Dito isto, os últimos anos foram, por razões que se prendem muito pouco com o profissionalismo e competência dos jornalistas (trabalhadores por conta de outrem, recorde-se) e muito mais com a fragilidade financeira dos grupos para os quais trabalham, os mais complicados das últimas três décadas. Nunca como agora terá feito tanta diferença conseguir «conquistar» a publicidade de empresas públicas, de empresas participadas pelo Estado e de instituições bancárias com proximidade ao Governo. Nunca como agora o poder político teve tão clara consciência disso.

Aconteça o que acontecer, creio que seria importante usar este caso como exemplo; a democracia representativa (a que temos e que muitos dizem estar em crise terminal) é tão mais forte quanto garantir – económica e legalmente – a existência de um jornalismo diverso e plural. Está na altura de alguém decidir que, neste particular negócio, não podem valer só «as leis do mercado». Está na altura de se pensar seriamente no que podemos perder de vez se abandonarmos o jornalismo profissional aos potenciais desvarios de imberbes que, por desvario também, algum qualquer político coloca em lugares muito para além das suas capacidades.

Luís António Santos
Professor da Universidade do Minho

publicado por luzdequeijas às 14:03
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DERROTA PESSOAL E FEIA

Sócrates vai ter uma "derrota pessoal e feia de se ver"

O social-democrata Nuno Morais Sarmento defende que o "ciclo" de José Sócrates vai terminar "com uma derrota pessoal e feia" porque, pela primeira vez na história da Democracia, não vai ser o desempenho político do Primeiro-ministro que vai estar em causa, mas sim o seu "desempenho de carácter".

Em declarações à Renascença, o presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD acrescentou que, na derrota, "vai ser a pessoa que vai estar em causa" e não as suas políticas.

"José Sócrates vai ter uma derrota pessoal e feia de se ver porque não vai ser apreciado o ser desempenho. Ninguem vai estar a discutir a saúde, os professores, os médicos, a reforma da educação, a segurança social, nada. Vai ser José Sócrates e infelizmente, porque não acho que seja bom para a Democracia, não vai ser o seu desempenho político vai ser a pessoa de José Sócrates", afirmou.

De acordo com Nuno Morais Sarmento no momento da derrota, ao contrário do que aconteceu nos anteriores ciclos políticos com Cavaco Silva, António Guterres ou mesmo Durão Barroso, vai estar em causa "o desempenho de carácter, o comportamento da personalidade" do actual Primeiro-ministro.

"No momento da derrota, a derrota será de José Sócrates e não do PS, será de José Sócrates e não do Governo, de modo que, também na derrota, vai ser a pessoa e não o conjunto que vai estar em causa e, pela primeira vez na história da Democracia, não vai ser o desempenho político do Primeiro-ministro que vai estar em causa. Vai ser o desempenho de caracter, o comportamento da personalidade de José Sócrates, que vai estar em causa", acrescentou.

Para o antigo ministro de Durão Barroso que a razão do final de José Sócrates vão ser "todos aqueles que se calaram por força do músculo e que têm a má consciência de um silêncio ou cobarde ou cúmplice, pelo menos".

"Quem vai ser a razão do final de José Sócrates vão ser todos aqueles que se calaram por força do músculo e que têm a má consciência de um silêncio, ou cobarde ou cúmplice pelo menos. De um silêncio que não foi voluntário, foi imposto, que foi forçado. Todos os que se calaram quando a mola tinha força vão falar quando a mola deixar de ter força", concluiu.

Apesar da gravidade das notícias no âmbito do processo "Face Oculta", Nuno Morais Sarmento defende que o PSD não deve provocar uma crise política uma vez que nesta altura seria "péssimo para o país" uma arritmia no Governo, classificando como um sinal de "desespero político" o desafio lançado pelo PS  para que a oposição apresente uma moção de censura.

"É evidente que o PSD não deve ir atrás de um PS desesperado e desnorteado ao ponto de já andar a citar de meio da praça numa atitude um bocadinho brejeira para não dizer de evidente desespero político", afirmou.

Para Nuno Morais sarmento está em causa "o preço que o país e os portugueses pagavam por uma arritmia de Governo" num momento em que o Orçamento ainda não está aprovado e a atenção internacional que existe em relação à economia portuguesa.

"Não pode o PSD estar às segundas, terças e quartas a trabalhar e bem para permitir a viabilização do orçamento ou seja contribuir para a estabilidade política (...) e depois às terças, sextas e sábados, a desfazer o que fez no príncipio da semana apresentando moções de censura a um governo em relação ao qual tinha viabilizado o orçamento", concluíu.

 

publicado por luzdequeijas às 13:55
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DÍVIDA EXTERNA

Exílio numa GAIOLA DOURADA. O Homem parte amargurado e, tal como GUTERRES, deixa-nos o PÂNTANO

Constâncio: «Tenho uma perspectiva muito pessimista» para Portugal

 

PT, a EDP e a Galp têm uma dívida com o exterior que representa 24,2% do PIB português. Bancos são os maiores devedores

Constâncio 

publicado por luzdequeijas às 13:40
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"O NOSSO PRIMEIRO"

O Blog do João

Um Espaço de Reflexão sobre ....... temáticas

O futuro de Sócrates

Afinal o "nosso Engenheiro" tem o futuro garantido.

Findo que estará o seu (des)governo em 2009 e não tendo grandes hipóteses de competir com Tony Blair para a futura Presidência da União Europeia, José Sócrates já mexe os cordelinhos para o próximo tacho.

E já o arranjou.

Através do seu grande amigo Francisco George, Director Geral da Saúde, o "nosso" primeiro vai começar, desde já, mas ainda em período experimental, a verificar se a nova Lei do Tabaco está a ser cumprida.

E como, perguntam vocês?

Através das certificações dos aparelhos de extracção de fumo.

Segundo o DGS, «A certificação da conformidade dos dispositivos de ventilação e de extracção de ar com os requisitos impostos pela nova Lei do Tabaco, já instalados ou a instalar, é da competência dos técnicos e das empresas que projectam, montam e asseguram a manutenção desses dispositivos e deve estar reflectida em termo de responsabilidades»

E mais: (...) o termo de responsabilidade «deve ser assinado por técnico qualificado, designadamente engenheiro ou engenheiro técnico, com qualificação específica para o efeito, reconhecido pela Ordem dos Engenheiros ou pela Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos, nos termos definidos pelo Regulamento dos Sistemas Energéticos e de Climatização dos Edifícios (RSECE)»

Se calhar irá ter alguns problemas em relação ao reconhecimento pela Ordem dos Engenheiros, mas penso que pela Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos deve-se safar.

Afinal de contas ele nunca deixou de ser um Engenheiro Técnico.

Em relação à assinatura do Termo de responsabilidade, há-de arranjar algum assessor para a fazer.

Publicação: 11 January 08 10:23 por joaocrm

publicado por luzdequeijas às 13:01
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DESERTO POR CONFUSÃO !

Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010
outro corno?

O antigo ministro Mário Lino, que tinha a tutela da Portugal Telecom (PT), reafirmou hoje que desconhecia a intenção da operadora em adquirir uma participação na TVI.

publicado por Rodrigo Moita de Deus às 22:24
 

publicado por luzdequeijas às 12:55
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"ESCOLA INCLUSIVA EM PORTUGAL"

Retrato da “escola inclusiva” em Portugal (2)

Arquivado em: Educação, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 11:00
 

Ser professor é… Por João Torgal.

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente:

(…)

3. Sempre que necessário, agir disciplinarmente, sabendo (professores e alunos) que a consequência prática e correctiva destas medidas é praticamente nula. (…) Que raio de “escola inclusiva” é esta que premeia e dá múltiplas oportunidades aos alunos mais indisciplinados, enquanto aqueles que cumprem, se esforçam e se empenham são dia após dia prejudicados pelo comportamento perturbador e recorrente dos primeiros? É o que dá quando certas leis são elaboradas por gente que não faz a mínima ideia do que é a realidade escolar no seu quotidiano, muito menos do que é o fenómeno da turma e das múltiplas variáveis que lhe estão associadas.

INSURGENTE

publicado por luzdequeijas às 12:50
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" TRANSPARÊNCIA, ONDE ESTÁS" ?

Bava defendeu negócio enquanto Granadeiro anunciava fracasso

Administradores da PT com discursos contrários sobre compra da posição na TVI

16.02.2010 - 08:46 Por Ana Brito

Enquanto permanece em aberto o futuro de Rui Pedro Soares e Fernando Soares Carneiro na Portugal Telecom (PT), os dois administradores executivos envolvidos na polémica das escutas, torna-se evidente que a existência de fragilidades e divergências no interior da administração já não é nova e vem, pelo menos, desde Junho do ano passado, quando esteve em cima da mesa o negócio da TVI.

 

Na noite de 25 de Junho de 2009, quando o presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, informou o primeiro-ministro de que a operadora tinha negociado a entrada na Media Capital, mas que o negócio não se iria concretizar, o presidente da comissão executiva, Zeinal Bava, esteve na RTP a explicar os méritos da operação.

Nessa mesma tarde, a Prisa comunicou ao mercado a existência de negociações com a PT para uma eventual tomada de posição no capital da Media Capital. Também nessa tarde, o conselho de administração da PT esteve reunido e, perante os pedidos de esclarecimento de alguns administradores sobre as notícias e o próprio pedido de explicações exigido nesse dia pelo Presidente da República, foi confirmada a existência de negociações em curso, ainda que não houvesse, à data, qualquer desfecho, nem tenham sido apresentados números, apurou o PÚBLICO.

À hora de almoço, Cavaco Silva tinha exigido à PT explicações sobre as negociações com a Prisa, dizendo tratar-se de "uma questão de transparência". Foi nesse contexto, e com mandato do conselho de administração, que Bava foi à RTP. Mas nessa mesma noite, enquanto o CEO da PT defendia com unhas e dentes os méritos da operação no programa Grande Entrevista, num jantar que decorria em casa de Manuel Pinho o chairman da empresa já sabia que o negócio tinha abortado e disse-o a José Sócrates, como contou ao PÚBLICO Granadeiro na passada semana.

Novamente contactado, o presidente da PT rejeitou a aparente contradição entre a sua conversa com José Sócrates sobre o fracasso do negócio e as declarações de Bava na RTP, em que este assume a existência de negociações, sem nunca dizer que o negócio já está condenado.

"Se [Bava] não o disse explicitamente na entrevista, disse-o a empresa no comunicado divulgado ao mercado no dia 23 [de Junho]", disse Granadeiro, referindo-se ao documento enviado à CMVM, onde a PT "confirma a existência de contactos" com a Prisa e diz que "não foi contudo celebrado qualquer acordo".

Esse comunicado, garante Granadeiro, "é taxativo" e mostra que o assunto "ficou arrumado" nesse instante. Mas o mercado não terá ficado convencido disso; nem os jornais, que continuaram a noticiar negociações, nem a oposição, que manteve as críticas (Ferreira Leite chegou a falar em negócio ruinoso), nem Cavaco Silva, que dois dias depois exigiu "transparência".

Foi, aliás, para explicar que o negócio fazia todo o sentido para a estratégia da PT, apesar de já não se ir concretizar, que Bava foi à televisão, disse Granadeiro. O objectivo do CEO era esclarecer que "a operação não se fez mas, se tivesse acontecido, não seria lesiva dos interesses dos accionistas. Não há nenhuma contradição", defendeu.

publicado por luzdequeijas às 12:45
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CONTRATO NO DIAP

                       
Manuel Moreira  João Pedroso tem de devolver 133 mil eurosJoão Pedroso tem de devolver 133 mil euros
16 Fevereiro 2010 - 00h30

Educação

Contrato de Pedroso investigado no DIAP

Auditoria do Tribunal de Contas diz que pagamentos são ilegais e revela que há investigação.


Conheça todos os pormenores sobre a investigação deste caso na edição papel do jornal 'Correio da Manhã'.
 

publicado por luzdequeijas às 12:42
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COMPORTAMENTO AVILTANTE

16 Fevereiro 2010 - 00h30

Heresias

É Carnaval

Os apoiantes de Sócrates convidaram a Oposição a derrubar o Governo.
Em si mesmo, o pedido é estranho. Os socialistas não ensaiaram explicações para o comportamento aviltante que o primeiro-ministro exibe nos casos em que está sempre a tropeçar. Nem ousaram resgatar algum robustecimento ético substituindo o personagem que os envergonha ainda mais do que a todos nós.

Em vez disso, querem brincar às moções de censura – é o estrebuchar de quem não tem resposta.

Só se podem realizar eleições entre Abril e Julho. Nessa altura, o PSD já estará melhor do que agora (ganhe quem ganhar). Mas duvido que Cavaco repita a ‘receita Sampaio’.

Com o País a afundar-se económica e animicamente, parece que o PS quer desertar para que os outros carreguem com as suas asneiras. Outra vez.

 

Carlos Abreu Amorim, Jurista

publicado por luzdequeijas às 12:35
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"SÃO SÓ PATETAS"

 

16 Fevereiro 2010 - 00h30

Dia a dia

Guardiões da honra

Uma das coisas mais escandalosas que a ‘Face Oculta’ tem revelado é a ligeireza com que se multiplicam os insultos de dirigentes do PS aos investigadores e magistrados do caso. O mais irrelevante do que tem sido dito está na multidão de rapaziada embasbacada com Sócrates que pulula pela internet.
 

Uns mais desinteressados, outros puramente empenhados em defender umas migalhas, todos muito encandeados com a luminosidade da propaganda governamental. Agora veio o advogado Proença de Carvalho, que há anos diaboliza polícias e magistrados. Habitualmente com opiniões respeitáveis, desta vez com adjectivos inqualificáveis. Por fim, o candidato do PS rotundamente derrotado nas Europeias, Vital Moreira, que despejou todo o desprezo que é capaz na expressão "agente local", qualificativo aplicado ao Ministério Público de Aveiro. Estes continuadores da prosápia governamental fazem tábua rasa do trabalho e da seriedade de pessoas que servem o Estado, algumas há mais de 30 anos, e com inegável competência e prestígio. Alguns dos prestimosos guardiões da honra de Sócrates são só patetas, mas outros têm responsabilidades públicas e políticas sérias. Mais valia que soubessem estar calados quando não sabem conciliar a defesa de amigos com o respeito pelo trabalho dos outros.

 

Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

publicado por luzdequeijas às 12:31
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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

FACE AO PESADELO

Bruxelas exigiu esforços de contenção que imporiam, no mínimo, uma redução média anual até 2013 acima de um ponto percentual.

Pior do que isso. A contracção, este ano, ficar-se-á abaixo do recomendado e para essa redução 60% - ou seja, praticamente mil milhões (o dobro do que Teixeira dos Santos tinha anunciado aos jornalistas!) – resultarão de receitas extraordinárias, como deixa agora claro a Unidade Técnica de Apoio Orçamental. Isto, que significa? Que boa parte da redução será aparente, sem nenhum efeito sustentável.

Mas há pior. A mesma unidade técnica independente apurou junto do Governo que os gastos com empresas públicas vão continuar, como já se suspeitava, em roda livre: com as indemnizações compensatórias a aumentar 12%, passando os 500 milhões; os empréstimos previstos a quintuplicarem aproximando-se dos mil milhões e os aumentos de capitais a dispararem para mais de 1.500 milhões.

Debaixo do fogo dos mercados os portugueses deviam hoje centrar-se em discutir como fazer rapidamente face ao pesadelo. Porque todos seremos poucos para dar a volta à crise. Mas, entre os múltiplos motivos de distracção, em pleno debate orçamental, o Parlamento propõe-se ainda votar a lei do casamento dos homossexuais. Quando, finalmente, acordarmos para a realidade pode ser tarde.

Graça Franco

publicado por luzdequeijas às 23:45
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alternativa a bem ou a mal

No fim da Monarquia, como no fim da I República, o sistema apodreceu por dentro. A corrupção, o amiguismo, a inimputabilidade dos poderosos acabaram por levar a mudanças profundas de regime.

Agora, não sabemos se isso vai ou não acontecer, mas, para o cidadão comum, começa a ser insustentável ser governado por um Primeiro-ministro que tem que esclarecer várias vezes ao dia que não mentiu e não praticou os actos ilícitos de que o acusam.

A falta de alternativa no principal partido da oposição parece ser o seguro de vida dos socialistas, que agora tentam a fuga para a frente e sugerem uma moção de censura.

É tudo isto que o PSD e os candidatos à sua liderança têm que ter em conta nas próximas eleições directas.

O país não aguenta muito mais. Por isso, se a alternativa não surgir rapidamente, e a bem, surgirá a mal.

Raquel Abecasis

 

publicado por luzdequeijas às 23:40
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BRINCAR COM A MISÉRIA

Desemprego 


Inaceitável que empresas cobrem dinheiro para carimbo, diz presidente do IEFP

<input ... >Hoje às 17:13

O presidente do IEFP entende que é inaceitável que haja empresas que estejam a cobrar dinheiro para colocar o carimbo numa declaração que prova que uma pessoa esteve à procura de emprego.

TSF

publicado por luzdequeijas às 23:33
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" UM CHARCO"


 

 

 

 

Todos somos, enfim, arrastados para um charco, onde chafurdam antigos e actuais responsáveis políticos e editoriais

Miguel Carvalho
15:26 Quarta-feira, 10 de Fev de 2010

Era uma noite em Moscovo.

Enquadrado numa viagem oficial do Primeiro-Ministro à Rússia, o Governo português oferecia jantar a toda a comitiva no Hotel Kempinski.

Perto das duas da manhã, Sócrates sentou-se a uma mesa à conversa com meia-dúzia de jornalistas. Eu, que tinha estado um bom tempo a ouvir as deliciosas "estórias" contadas pelo José Milhazes, juntei-me ao tal grupo quando Sócrates já falava de pôr jornalistas na ordem e disciplinar os patrões deles - dentro da lei, claro - a bem da democracia e da saúde do regime. Cada um esgrimiu argumentos como pôde e quis, sem grandes excitações. Uns, que não lhe conheciam o registo azedo e a postura de quem engoliu um bengaleiro, ficaram mais espantados. Outros encolheram os ombros. O certo é que depois fomos todos dormir e ninguém se lembrou de escrever uma crónica sobre o assunto, indignado com as supostas "ameaças" do chefe do Governo.

Ora, quem ler a autobiografia de Katharine Graham, a saudosa "patroa" do Washington Post antes, durante e depois do Watergate, facilmente entenderá duas ou três coisas simples: primeiro, todos os governos têm a tentação do mando, uns mais refinados do que outros; segundo, um bom empresário da área jornalística não cede nem pactua com tentativas de interferência; terceiro, os jornalistas trabalham, investigam e reportam em liberdade o que, com rigor e preserverança, for considerado de interesse público. Katharine, que nunca deixou de conviver em eventos sociais com presidentes, ex-presidentes e outros políticos de turno, sorria e passava adiante a cada tentativa ou ameaça de beliscarem a empresa ou condicionarem o trabalho jornalístico da sua redacção. O Washington Post continuou a fazer o seu trabalho, sem cair em miudezas, campanhas de carácter ou recurso ao buraco da fechadura. Sabe-se como a história acabou: Nixon ainda durou. Mas pouco.

No momento que atravessamos, Portugal parece ter amanhecido fantoche de si próprio. O nacional-jornalismo combate no terreno político e os políticos escrutinam a liberdade de Imprensa, como se fossem especialmente dotados para tal. Hitler e Estaline são trazidos à liça - e da tumba - à laia de comparação, sem memória, razão ou ensino primário. Magistraturas desacreditadas pedem o que não sabem ganhar por respeito, independência e dever de ofício. Em Belém, e nos edifícios limítrofes, há quem continue a falar nas entrelinhas e por código sobre jogos políticos inchados de indignação. Todos somos, enfim, arrastados para um charco, onde chafurdam antigos e actuais responsáveis políticos e editoriais, cuidando que a lama lhes é estranha ou desconhecida.

Vai lindo o andor. Numa altura em que o País se empenha em replicar os piores momentos da I República, não sei o que me assusta mais: se um Primeiro-Ministro retorcido ou um jornalismo justiceiro. Ou os dois.

publicado por luzdequeijas às 23:18
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VOLTAR A ERRAR, NÃO !

posted by FNV on 2:21 AM

 

EM SEARA ALHEIA:

Longe de mim meter foice em seara alheia mas julgo que os militantes do PSD terão de decidir se querem conquistar o partido, se o país. No primeiro caso poderão votar em quem quiserem e arriscam-se a ficar a brincar sozinhos outra vez. Se quiserem conquistar o país, deverão votar Paulo Rangel.

Por muitas qualidades que tenha, e tem, a Aguiar-Branco falta carisma para conquistar o eleitorado português de norte a sul. E por muitas qualidades que Passos Coelho possa ter, falta-lhe estrutura para vir a ser Primeiro-Ministro (coisa que não se adquire com publicação de banalidades ou fazendo poses de boca séria quando apanhado pelas câmaras de televisão).

Já Rangel tem manifestado inequívocas qualidades e é evidente que o eleitorado vê nele um enorme potencial. E confia nele, coisa que hoje em dia vale muito.

Mas os militantes do PSD é que sabem e lá escolherão.
Mar Salgado

publicado por luzdequeijas às 23:08
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COMISSÃO DE TRABALHADORES DA PT

Face Oculta
Trabalhadores da PT consideram que administradores devem resignar se plano for confirmado
A Comissão de Trabalhadores da PT anunciou hoje que está «a aguardar por novos desenvolvimentos» sobre o caso dos dois administradores alegadamente envolvidos num plano para controlar órgãos de comunicação social, adiantando que, «a ser verdade, deverão renunciar aos cargos»

publicado por luzdequeijas às 21:11
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GRANDE LAMAÇAL


(JPP)

 
COISAS DA SÁBADO:
ONDE FALTA O ESTADO E ENTÃO O GOVERNO NEM SE FALA
 

A CREL, uma das principais vias de acesso a Lisboa, está encerrada há cerca de três semanas depois de um aluimento de terras. O acidente deu-se a 22 de Janeiro e, à data a que escrevo, 9 de Fevereiro, não se sabe ainda quando abrirá. Parece que uma chuvada interrompeu uns trabalhos de remoção de terras e hoje, em Portugal, uma chuvada é “mau tempo” suficiente para parar tudo, segundo a Brisa. Há ainda um qualquer imbróglio jurídico sobre quem é responsável pela remoção e pagamento dos prejuízos, entre o município da Amadora, a Brisa e a empresa dona dos terrenos. Quem já veio com celeridade dizer que não paga “um tostão” pelos prejuízos aos utentes da CREL foi a Brisa. Aqui rapidez e decisão não falta.

Eis um retrato do país. Aqui não há Estado a mais, há a menos. Ninguém, a começar pelo governo e o município actua em função do interesse público e usa os instrumentos que tem para por a estrada a funcionar e depois vê-se em tribunal quem paga a conta, verdade seja que só daqui a uma década. O que não pode acontecer é que o país continue a pagar – sim que estas coisas têm um custo elevado para a produtividade do país – a indiferença e a impotência com que se assiste a um aluimento de terras numa das principais vias de acesso a uma região urbana com gravíssimos problemas de trânsito, que fica encerrada semanas e semanas a fio, sem ninguém ser responsável por coisa nenhuma.

publicado por luzdequeijas às 20:43
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A CAMINHO DO ABISMO


(JPP)

 

 

Cada vez mais me convenço de que, de tanto fugirmos de uma crise política e da possibilidade de haver novas eleições, não sei até que ponto estamos a incubar uma crise muito maior e muito mais profunda. A verdade é que nas semanas em que a Moody"s mandou em Portugal, todos os cuidados foram poucos e o PS levou um Orçamento aprovado para casa única e exclusivamente porque não o ter levado significava um descalabro nacional. Mas agora, cada dia que passa, estamos cada vez mais encurralados num destino sem ter destino, num futuro sem ter futuro.

Quem assistiu ao debate do Orçamento, pôde ver até que ponto ele representou um momento particularmente sombrio da vida parlamentar. O discurso inicial do primeiro-ministro não gerou um átomo de entusiasmo na bancada do PS. Pretendendo ser mais um exercício de optimismo habitual em José Sócrates, foi pronunciado com um semblante carregado, sem ânimo nem convicção. Manuela Ferreira Leite, ouvida em silêncio respeitoso (quem lá esteve, sabe que foi assim) por toda a oposição e pelo PS, perguntava, perplexa: "Como é que o senhor pôde falar este tempo todo sem nunca se referir ao problema mais grave do país, o da dívida e do descontrolo orçamental?". Se tinha alguma coisa preparada de antemão, certamente não a usou, porque se percebia o genuíno espanto com o que José Sócrates dissera.


Depois, começou a cena habitual e Sócrates animou-se no confronto politiqueiro, falando pela enésima vez da Madeira. A Lei das Finanças Regionais, leia-se o "dinheiro para Jardim", foi talvez mais falado em todo o debate por parte do tandem Sócrates-Teixeira dos Santos-Lacão, do que qualquer outra coisa. Parecia que se estava em campanha eleitoral. A irritação com o refrão governamental foi tanta que Jerónimo de Sousa abriu a sua primeira intervenção virando contra o primeiro-ministro uma sua imprecação sobre a Madeira, pedindo que a oposição fosse explicar a um habitante de Bragança porque razão se dava mais dinheiro à Madeira, que era "rica". Jerónimo de Sousa, interpelando Sócrates, indignado, retorquiu-lhe que fosse ele mesmo explicar a um habitante de Bragança o que é que tinha feito por Bragança em vez de estar a atacar o povo da Madeira. A Madeira foi o único e monotemático lubrificante do discurso governamental, tudo o resto foram as habituais picardias de Sócrates (e as aborrecidas imprecações de Lacão), tudo sem qualquer ânimo ou réstia de fulgor.

Havia um enorme cansaço em tudo aquilo. Louçã estava particularmente baço e Portas voltou aos tempos de Manuel Monteiro e pediu uma redução dos salários dos políticos. O CDS-PP e o PSD, que garantiam a passagem do Orçamento pela abstenção, tinham, como se deve prever, um bathos absoluto. O Orçamento é um documento pouco sério, que em nada inverte a política de desastre dos últimos anos, e que a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, uma entidade independente do Parlamento, no seu relatório, mostra como este está cheio de truques de desorçamentação e como, mudando de critérios de um ano para o outro, impede fazerem-se as comparações devidas. O ministro das Finanças, que sabe o sarilho em que o país está metido, esteve sempre de cara fechada e foi o único que, nas suas intervenções, ainda permitia algum vislumbre da realidade. Pelo contrário, José Sócrates gabava-se da performance portuguesa na crise: os últimos a entrar na crise, os primeiros a sair da recessão técnica, número sobre número melhor do que os congéneres europeus, para concluir que a "economia portuguesa resistiu melhor à crise do que as suas congéneres europeias", assim mesmo. Os seiscentos mil desempregados, os milhares de pequenas empresas falidas estavam nalgum remoto lugar que não naquela "economia" de que falava.

O problema é que já ninguém acredita no primeiro-ministro, que foi, várias vezes, e vindo de diversas bancadas, de forma mais ou menos eufemística, chamado de mentiroso, já sem qualquer reacção. Nem ele reage, nem ninguém mexe uma palha por ele, tornou-se habitual. Ninguém, naquela sala, era capaz de antever qualquer esperança em nada. O Governo, percebe-se, está encurralado e sem fulgor, apesar de ter poucos meses, e a oposição, que não deseja eleições, e em particular o PSD, que não está preparado para elas, sente-se impotente. Impotência, é isso mesmo, é a palavra que melhor descreve o enorme desânimo que atravessa a política portuguesa. Impotência e cansaço.

Os motivos próximos são dois, actuando cada um de forma diferente, mas com resultados semelhantes. Um, foi o cataclismo nos mercados que coincidiu com as vésperas da apresentação do Orçamento. Toda a gente percebeu que, mesmo que se passe os dias a dizer que Portugal não é a Grécia, a possibilidade de uma crise "grega" tornou-se um possibilidade demasiado assustadora. A realidade da nossa situação económica, e em particular da nossa dívida, entrou pela primeira vez pela porta grande, para todos verem, e, mesmo os que negam o problema (e o continuam a negar), não podem deixar de ficar assustados. A outra causa, que continua em curso, são as revelações sobre as tentativas de controlo da comunicação social em ano de eleições, que atingem o âmago do poder da Casa de Sócrates.

O efeito de deslegitimação política é cada vez maior. Sócrates tem todos os dias mais coisas para explicar e cada vez mais dificuldade em fugir a fazê-lo. A paralisia política do Governo mete-se pelos olhos dentro. A crise económica e social alastra. A percepção pública do papel da justiça vai desde a suspeita de que existem protecções inexplicáveis, à do conflito aberto entre diferentes instâncias, e decisões contraditórias. É difícil tudo estar pior, mas sei lá se para a semana está pior. Assim não vamos lá. Repito: cada vez mais me convenço que, de tanto fugirmos de uma crise política e da possibilidade de haver novas eleições, estamos a incubar uma crise muito maior e muito mais profunda.

(Versão do Público de 13 de Fevereiro de 2010.)

 

publicado por luzdequeijas às 20:38
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O CHUMBO DA OPA

A PT

Arquivado em: Economia, Política, Portugal — Miguel @ 14:40
 

Pedro Santos Guerreiro (Jornal de Negócios)

Henrique Granadeiro e Zeinal Bava podem não gostar de remar ao mesmo ritmo, mas estão juntos no mesmo barco. A ser verdade o que está publicado, foram ambos “encornados”, enganados pelos administradores executivos que o Estado lá infiltrou, que congeminaram intentos políticos, usaram os seus presidentes, até lhes tiraram “o sonho”, como é dito.

Está hoje documentado o que se insinuava: a PT tem intrusos políticos e accionistas que vivem bem com isso ou até muito bem à custa disso. Estão hoje todos calados.

Alguém acredita hoje que o Governo não teve mesmo nada a ver com o chumbo da OPA da Sonae? É curioso, aliás, ver as fotos que o Negócios hoje publica desse crucial dia, em que em assembleia geral a PT aniquila a OPA. Está lá toda a gente: dos que servem a empresa aos que se servem dela. No segundo seguinte à vitória, muitos subiram ao palco da administração de Granadeiro e Zeinal Bava para passarem a fazer parte da “equipa dos vitoriosos”. Soubemos então que ganharam. Sabemos agora o que ganharam.

INSURGENTE

publicado por luzdequeijas às 20:29
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SÓCRATES MENTIU

 

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOW_VIDEO&id=410257

 

 

Marcelo acredita que Sócrates mentiu

Marcelo Rebelo de Sousa considera que o primeiro-ministro mentiu em relação à compra da TVI pela PT. O comentador entende que os últimos acontecimentos provaram que José Sócrates sabia do negócio.

 

publicado por luzdequeijas às 20:21
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CICLOVIAS OU COMBOIO

Estações e linhas de comboio ficaram ao abandono durante décadas, mas as marcas do tempo continuam lá, fazendo lembrar um filme de Wim Wenders. De norte a sul, Portugal tem 715 quilómetros de linhas de comboio desactivadas, um quinto de toda a rede ferroviária nacional, de 3600 quilómetros!

Depois de anos de abandono, de roubos de carris e travessas, de anexações ilegais por proprietários rurais ou de construções autorizadas ou toleradas pelos municípios nos canais ferroviários desactivados, as coisas começam a mudar. De Espanha vem alguma pressão para a reabertura da ligação internacional de Barca d'Alva, conjugada com a acção de autarcas e empresários durienses que vêem na articulação barco/comboio uma forma de explorar melhor o duplo património mundial (Douro Vinhateiro e Gravuras do Côa). De resto, a antiga estação do Côa (entre Pocinho e Barca d'Alva) está a metros do estaleiro do futuro Museu do Vale do Côa. De Espanha vinham, também, exemplos de antigos traçados ferroviários reconvertidos em "Vias Verdes", algumas das quais são grande sucessos económicos e motores do desenvolvimento local, como a Via Verde de La Sierra, na fronteira entre as províncias de Cadiz e Sevilha.

Ciclovia ou comboio?

 

Tiago Miranda

Por iniciativa autárquica negociada com a REFER surgiam a partir de 2002 as primeiras ecopistas e ciclovias em troços abandonados: a da Linha de Guimarães, entre esta cidade e os arredores de Fafe, a do rio Minho entre Valença e os arredores de Monção, a do antigo Ramal de Mora (Évora-Graça do Divor) e a do Sabor, entre Moncorvo e Carvalhal.

A REFER que, por imposição comunitária, se desdobrou da CP a partir de 1997 para gerir a infra-estrutura ferroviária, lançou um Plano Nacional de Ecopistas com incidência, fundamentalmente, em Trás-os-Montes (linhas de via estreita) e no Alentejo, estando dois consórcios a estudar as possibilidades de reactivação desses traçados para fins turísticos. O balanço dessa iniciativa e a análise de experiências estrangeiras foi feito em Évora, de 23 a 24 de Maio, no seminário Património Ferroviário e Desenvolvimento Territorial.

Ainda que as ecopistas tenham vindo para ficar e tragam, pelo menos, a vantagem de "fixar" o corredor ferroviário, dissuadindo abusos e permitindo a reocupação deste pela ferrovia, se houver necessidade de tal, não são uma receita absoluta. Esta a tese defendida por Carlos Guash, da Compañia General de Ferrocarriles Turisticos. Para este especialista espanhol, "todas as ecopistas tendem a parecer-se umas com as outras, não se diferenciando, decisivamente, como produto turístico". Já a reactivação de um traçado ferroviário, desde que economicamente possível, "traz sempre consigo uma experiência forte para o turista que vive, ou revive, os tempos do comboio a vapor ou das carruagens de madeira. E, como sublinhou outro interveniente espanhol, Eusebio Urtasun, "o turismo de futuro, para ter sucesso tem que ser surpreendente e fazer viver experiências únicas".

Num país habituado a esperar que a salvação venha do Estado todo-poderoso ou de homens providenciais, vale a pena atentar no exemplo britânico, narrado por Neil Buxton, da Association of Community Rail Partnerships, entidade que gere comboios turísticos e redes locais. Se as estações estão sujas ou degradadas, são grupos de voluntários que as limpam ou arranjam os jardins. Se a sinalização é deficiente, são associações cívicas que tratam da sinalética. E tudo isto, "não numa lógica de confronto mas de cooperação entre os movimentos de cidadãos, os poderes públicos e as companhias ferroviárias". Teoria? Não, prática. A linha regional de Mettman-Stadwalt passou de 518 passageiros/dia em 1998, para 19.300 em 2006, quando se articularam os trajectos e as tarifas dos autocarros e dos comboios e se puseram a circular veículos mais adaptados às necessidades actuais...


 

 

publicado por luzdequeijas às 16:44
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DIVULGAR ESCUTAS É UM ACTO PROTEGIDO

 
 

 

Sócrates "versus" Tribunal Europeu

A divulgação das escutas é um acto jornalístico protegido pela jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Afirmar-se que a divulgação das escutas é ilegal não passa de um "portuguesismo" sem relação com as práticas europeias.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

9:00 Segunda-feira, 15 de Fev de 2010

I. Na tormenta, os (poucos) defensores de José Sócrates continuam agarrados à bóia do "formalismo": dizem que a divulgação das escutas é ilegal. Ora, mesmo que estivessem certos neste ponto, os defensores de Sócrates tinham de perceber uma coisa: esse formalismo é menos importante do que a substância das escutas. Os (poucos) defensores de Sócrates querem discutir a legalidade das escutas, quando o país inteiro está a falar do conteúdo das escutas.

II. Mas sucede que a divulgação das escutas não é "ilegal". Como tem salientado Paulo Pinto de Albuquerque, o "Sol" e demais jornais estão protegidos pela jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH). A jurisprudência europeia é clara: o interesse público está acima dos "formalismos" e da privacidade dos políticos. Se uma notícia tem interesse público (e estas escutas têm esse interesse), o segredo de justiça e a privacidade ficam em segundo plano. III. A providência cautelar do boy da PT é uma violação da jurisprudência emitida pelo TEDH. O magistrado que a autorizou não conhece essa jurisprudência. Nenhum juiz do TEDH aceitaria o argumento de que estamos perante "conversas privadas". A privacidade de um político é menor do que a de um cidadão normal. À medida que o grau de poder sobe, o grau de privacidade desce. Aquelas conversas (que envolvem o primeiro-ministro, a PT, e a TVI) não são "conversas privadas". Ponto final. IV. Felizmente, temos a Europa. E a Europa não é só o défice e o "euro". É também o TEDH, a entidade que fiscaliza o défice ético, jurídico e até político de um país. Se Portugal perder mesmo a vergonha, se Sócrates continuar a fugir às suas responsabilidades, resta-nos recorrer ao TEDH. E aí Sócrates e o "socratismo" serão derrotados. Os jornalistas portugueses não estão abandonados. Podem e devem recorrer ao TEDH, caso as autoridades portugueses consigam "silenciar" este caso aqui em Portugal.

publicado por luzdequeijas às 14:36
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PAULO RANGEL

25 de Abril: «Governo rouba a liberdade»

PSD ataca escolhas económicas do Executivo no discurso dos 35 anos da Liberdade

Por: Cláudia Lima da Costa /Andreia Miranda  |  25-04-2009  11: 07  

Paulo Rangel nas Comemorações do 25 de Abril 

Paulo Rangel afirmou esta sexta-feira que o «Governo tudo tem feito para roubar a liberdade das gerações seguintes» no discurso que efectuou na sessão solene dos 35 anos do 25 de Abril.

O líder parlamentar criticou as opções económicas do Governo e defendeu que as escolhas de executivo de José Sócrates comprometem a liberdade das gerações seguintes. Uma geração que sequestre e aprisione o futuro das gerações seguintes nega e renega a liberdade. Não é digna nem está à altura da liberdade que as mulheres e os homens de Abril quiseram fundar», disse.

O «Governo tudo tem feito para roubar a liberdade. A liberdade de escolha das gerações seguintes», afirmou Paulo Rangel que criticou especificamente as SCUT, as concessões das auto-estradas e o TGV, considerando que estas obras públicas são megalómanas e faraónicas.

O deputado do PSD declarou ainda que «não se cumprirá o 25 de Abril, não haverá nunca liberdade, se uma geração, no gozo máximo dos seus pretensos direitos, inviabilizar a liberdader de decidir das gerações futuras» caracterizando o Governo como «uma geração» que sequestra e aprisiona o futuro das gerações seguintes «nega e renega a liberdade».

«Portugal vive num tempo em que um Governo em fim de mandato, cheio de ufano da "arrogância do presente" tudo tem feito para roubar a liberdade», criticou ainda o PSD.

O PSD compromete-se a tudo fazer para libertar Portugal e para libertar o futuro.

publicado por luzdequeijas às 12:58
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SÓ EMPURRADOS

                     
 
15 Fevereiro 2010 - 00h30

Estado do Sítio

Chefe, mas pouco

O senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, obviamente que não se demite. Os boys do chefe na Portugal Telecom obviamente que não se demitem. O chairman da PT obviamente que não se demite. O presidente executivo da maior empresa lusa obviamente que não se demite. O senhor procurador-geral da República obviamente que não se demite. O senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça obviamente que não se demite.
 

Os partidos da oposição obviamente que não vão apresentar qualquer moção de censura ao Governo do senhor presidente relativo do Conselho, o chefe. E o senhor Presidente da República, preocupado com o desemprego, o défice, a dívida pública, o endividamento externo e as agências de rating, obviamente que não vai demitir o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe de um bando de incompetentes que andou por aí a tentar controlar a Comunicação Social e que foi apanhado numa rede estendida pela polícia a um sucateiro manhoso, especialista em fintas ao Fisco e outros negócios escuros.

Dito isto, não se passa nada. O sítio continua como dantes miserável, deprimido, manhoso, hipócrita, corrupto, incompetente e, obviamente, cada vez mais mal frequentado. Bem podem andar por aí uns socialistas atrevidos a congeminar conspirações contra o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe. Bem podem andar por aí algumas almas indignadas com a degradação a que isto chegou. Bem podem andar por aí umas comissões de ética a ouvir vilões e mártires sobre a liberdade de expressão e outras importantes liberdades consagradas na Constituição desta III República, herdeira de duas ditaduras de má memória. A verdade é que ninguém acredita em nada.

Da política à justiça, passando por uma economia dependente do Estado, com empresários de joelhos à espera de negócios, benefícios e subsídios. Na verdade, o único que teve algum senso nestes dias agitados e cheios de emoções foi o senhor que preside ao conselho de administração da Portugal Telecom.

O homem, embrulhado em contradições, aflito com uma memória malvada que o trai sempre que abre a boca, acabou por confessar que se sentia encornado. Na verdade, quem se deve sentir completamente encornado são os indígenas que andam a fazer pela vidinha e dependem destes encornados. Mas, no meio desta desgraça toda, importa salvar a Pátria e impedir que o chefe também nos venha dizer que se sente encornado.

 

António Ribeiro Ferreira, Jornalista

publicado por luzdequeijas às 12:48
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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O primeiro-ministro pode apresentar a demissão do cargo?

O chefe do Governo pode demitir-se do cargo, mas esta decisão só tem efeito se o Presidente da República aceitar a sua demissão

O que acontece se o Presidente da República aceitar a demissão do primeiro-ministro?

Se o Presidente aceitar a demissão do primeiro-ministro, dá-se a queda do Governo

Com a queda do Executivo, que terá de fazer o Presidente da República?

A primeira iniciativa do Chefe de Estado é ouvir os partidos representados na Assembleia da República. Ouvidos os partidos, e tendo em conta os resultados eleitorais, o Presidente convida, normalmente, o partido mais votado a apresentar um nome para primeiro-ministro.

Se o Presidente da República não aceitar o nome proposto, o que acontece?

Num cenário destes, o Chefe de Estado pode convidar um independente, que seja aceite por PS e PSD, para chefiar o Governo. Em alternativa, pode convidar uma coligação partidária a avançar com um nome para o cargo.

Se todas estas soluções falharem, o que pode acontecer?

Neste caso, o Chefe de Estado pode dissolver a Assembleia da República no período entre a data em que o Governo faz seis meses da tomada de posse e seis meses antes do início do mandato de um novo Presidente da República. Ou seja, entre 14 de Abril e Setembro deste ano.

publicado por luzdequeijas às 21:30
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ANOS ATRÁS ...

Recordar é viver

Publicado por JoaoMiranda em 12 Fevereiro, 2010

Ferro Rodrigues pede a demissão de Portas

O primeiro pedido de demissão de Paulo Portas ocorreu na quinta-feira da semana passada com base na consideração de que a continuidade em funções do ministro de Estado e da Defesa coloca em causa a “dignidade das instituições democráticas”, dadas as conclusões muito graves do relatório da PJ acerca das suas relações com a Universidade Moderna.
Anteontem, após a reunião do Secretariado Nacional, Ferro Rodrigues voltou a pedir a o afastamento de Portas, que “deve demitir-se ou ser demitido”, uma vez que está em causa “a dignidade das mais altas instituições do Estado e a credibilidade do funcionamento do sistema democrático”

Via @CarlosLima7

publicado por luzdequeijas às 19:34
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O QUE VEIO A LUME

«O que se passou na TVI lança vergonha sobre Sócrates»
Fevereiro 09, 2010
José Eduardo Moniz apela à intervenção de Cavaco Silva e da ERC José Eduardo Moniz está incrédulo com as alegadas «manobras inqualificáveis visando o controlo de empresas jornalísticas» que foram divulgadas com as escutas sobre o caso Face Oculta. «Os acontecimentos dos últimos dias não dão margem a que haja condescendências. O que veio a lume demonstra o enorme desrespeito por princípios
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publicado por luzdequeijas às 19:04
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A INSEGURANÇA E O NERVOSISMO

12 de Fevereiro de 2010 – «O Polvo», ou a «Face Oculta» de Sócrates

12 de Fevereiro de 2010

A insegurança, o nervosismo e as tiradas cáusticas (mais do que o habitual) de Sérgio Sousa Pinto, no «Corredor do Poder» de ontem, na RTP, juntamente com as últimas notícias, indiciavam, claramente, que vinha aí bomba. Depois da «novela» da Providência Cautelar, e de várias entrevistas, a roçar o desastroso, por parte do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o jornal «Sol» (já não) está nas bancas, e promete «edição extra» à tarde. Entretanto, o Ministro da Presidência também disse umas coisas, dando a entender que, em Portugal, a verdadeira oposição ao Governo e ao PS, que tem uma estratégia de «assalto» ao poder e pouco respeito pelos resultados eleitorais, é o «Sol». Pelo menos, é o que se depreende. De qualquer forma, quem ler a edição de hoje do jornal fica com um panorama pouco abonatório da forma de se fazerem negócios (e da forma de se fazer política) em Portugal. Pode, eventualmente, também ficar com um panorama pouco abonatório de se fazer jornalismo (o que não me parece). Ou são coincidências a mais, ou andamos todos loucos. Ou ambas as coisas.

Comunicado

A Edição do Sol que foi hoje para as bancas, cumprindo o que a Direcção anunciou em comunicado divulgado ontem, esgotou em todo o país às primeiras horas da manhã.

Assim, a Administração e a Direcção do jornal decidiram a publicação de uma EDIÇÃO EXTRA, em que já se inclui a providência cautelar interposta contra a saída do Sol e comunicados da Administração e da Direcção. Esta Edição Extra será ainda complementada com toda a investigação relativa ao caso Face Oculta publicada pelo Sol na passada semana, cuja edição também esgotou em muitos pontos de venda.

Com esta iniciativa, o Sol está convicto de que presta um serviço aos leitores e ao país.

A Edição Extra do Sol estará nas bancas a meio da tarde de hoje.

Lisboa, 12 de Fevereiro de 2010

A Administração e a Direcção do SOL

publicado por luzdequeijas às 18:38
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O QUE SE DIZ NO PS

No tempo em que os animais falavam

Publicado por helenafmatos em 14 Fevereiro, 2010

PS diz que Governo «está a desfazer-se» «Esta instabilidade é péssima para o país, que precisava de um Governo que inspirasse confiança», acrescentou o porta-voz socialista. 

Sócrates desvaloriza decisão do Governo: «com este Governo, o País voltou à cauda da Europa, não apenas no domínio económico, mas também social. Portugal tem hoje mais 150 mil desempregados». E, concluiu, «esta é a marca social deste Governo».

Jorge Coelho: «Já tivemos vários governos que foram marcados pelo insucesso. Nunca houve um que mostrasse tanta incompetência. Nunca houve nenhum que criasse tanta confusão. Atacar o Presidente da República para negar esta evidência é desleal

MAR SALGADO

publicado por luzdequeijas às 18:33
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O POLVO

Características do polvo

Arquivado em: Justiça, Media, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 16:46

O polvo. Por João Miranda.

Há 4 aspectos do polvo que se tornam relevantes para o actual momento político: as ventosas, que lhe permite ficar agarrado ao lugar, o corpo mole, a que corresponde a falta de coluna vertebral, a emissão de tinta, que lhe permite desviar as atenções usando os jornais amigos, e a autonomia dos braços, que lhe permite continuar a esbracejar mesmo quando alguns dos tentáculos são imobilizados ou cortados.

O  INSURGENTE

publicado por luzdequeijas às 18:22
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VITORINO EMBARAÇADO!

Tudo visto e somado, segundo Vitorino estaríamos em presença de mais uma cabala: a Justiça já disse que não houve nenhum crime, o nome de Sócrates terá sido abusivamente invocado (e até foi ele que travou o negócio de compra da TVI), a imprensa portou-se mal violando o segredo de Justiça, a oposição está a tentar retirar do caso dividendos políticos.
Foi penoso ouvir António Vitorino.
Porque era óbvio que não acreditava em quase nada do que dizia, limitando--se a debitar um discurso encomendado.
Era notório que faltava a Vitorino coragem para dizer o que pensava – ou então para pensar pela própria cabeça, o que vai dar ao mesmo.
 
Apesar do cinismo das suas declarações, sublinhadas por um sorriso mefistofélico a que recorre com frequência, vou responder-lhes ponto por ponto.
1. Vitorino diz que a questão judicial está arrumada, porque já houve decisões do procurador-geral e do presidente do Supremo sobre este assunto.
Ora, não entra pelos olhos dentro que é isso mesmo que está em causa?
Que, perante o que veio a público, o PGR e o presidente do STJ são suspeitos de terem actuado com o objectivo de proteger o poder político, servindo-lhe de pára-choques?
2. Vitorino admitiu que as escutas estejam descontextualizadas, e que pode ter havido invocação abusiva do nome de Sócrates.
Ora, sobre a ‘descontextualização’, alguém tem ainda dúvidas de que existia um plano para controlar certos meios de comunicação social?
Sobre o primeiro-ministro, alguém acredita que os seus homens de mão (um dos quais usava no computador pessoal a palavra-passe Sócrates2009) invocavam o seu nome para o comprometer?
3. Vitorino disse, sem se rir, que foi o Governo que travou a compra da TVI pela PT.
Será que não se lembra que o negócio só foi travado quando se levantou no Parlamento uma onda de protesto e o Presidente da República denunciou a situação em público (como notou Judite de Sousa), havendo mesmo o risco sério de chegar uma queixa às instâncias internacionais?
4. Vitorino disse que estas escutas não foram arquivadas, mantendo-se em investigação, só tendo sido arquivada a parte relativa ao primeiro-ministro.
Ora – deliberada ou involuntariamente – Vitorino também se enganou neste ponto.
As escutas publicadas pelo SOL, apesar das evidências nelas contidas, foram mesmo arquivadas.
E, sendo assim, transitaram para todos os efeitos em julgado, não estando sujeitas a segredo de Justiça.
 
Há dois meses vi Armando Vara ser entrevistado na RTP pela mesma jornalista.
E vi-o mentir sem qualquer pudor sobre questões que eu conhecia bem.
Admiti que Vitorino, pronunciando-_-se sobre o processo Face Oculta, quisesse distinguir-se de Vara – até para não ser metido no mesmo saco.
Infelizmente, isso não aconteceu.
Não se demarcando do caso, torcendo-se para negar as evidências, refugiando-se em questões formais, fechando os olhos aos indícios comprometedores, António Vitorino aceitou ficar neste processo ao mesmo nível de Vara e dos seus amigos.
Estando a despedir-se da RTP, é pena que não tenha feito nenhum esforço para defender a imagem que dele ficará na memória dos telespectadores – não mostrando o mínimo de isenção exigível a alguém que até já foi comissário europeu.
António Vitorino não tinha necessidade disto.
Publicadopor JAS | 19 Comentário(s)  <input ... >  

publicado por luzdequeijas às 18:07
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OUVI BEM?

Política a Sério
Havia necessidade?
12 February 10 10:00 AM
Tive a sorte de nascer numa família em que as pessoas não têm medo de dizer o que pensam.
Já algumas pagaram por isso.
Mas nunca se vergaram.
Também por esta razão tive pena de ver António Vitorino, na segunda-feira, na RTP.
Quando soube que ele ia falar do caso Face Oculta – e da revelação, pelo SOL, da existência de um plano para controlar vários órgãos de comunicação social –, pensei que iria dizer: «Perante as suspeitas que se levantaram, acho que deve esclarecer-se tudo para não ficarem a pairar dúvidas sobre um assunto tão delicado».
Seria fácil dizê-lo, não comprometia ninguém – nem o comprometia a ele.
 
Mas António Vitorino disse outra coisa.
Começou por dizer que havia que distinguir a questão política da questão judicial.
E que a questão judicial estava encerrada depois da decisão tomada pelo procurador-geral da República e pelo presidente do Supremo.
Só restava, pois, a questão política.
Sobre esta, explicou que as escutas eram parcelares e podiam estar descontextualizadas.
Adiantou que o facto de nelas se falar no primeiro-ministro não significava que este estivesse envolvido, pois qualquer pessoa pode invocar o seu nome.
Lembrou que a compra da TVI pela PT foi travada pelo próprio Governo, utilizando a golden share.
E que o caso estava a ser objecto de aproveitamentos políticos por parte da oposição.
Acrescentou, finalmente, que as escutas publicadas pelo SOL não foram arquivadas – pois o arquivamento só abrangeu as escutas em que estava envolvido o primeiro-ministro.
E considerou que a publicação dessas escutas foi uma violação do segredo de Justiça.
 
Interroguei-me: será que ouvi bem?

publicado por luzdequeijas às 18:03
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PRINCÍPIO DE "PETER"

Varanda do Chiado
Crise de Ipiranga
12 February 10 10:00 AM
Uma vergonha!  Divulgada parte – inquestionavelmente relevante, embora judicialmente arquivada – do processo Face Oculta, sucederam-se descaradas reacções, acções e omissões das mais altas figuras do Estado. Dos poderes político, judicial, financeiro e empresarial.
Atentado ao Estado de Direito é o crime que o juiz de instrução e o procurador do Ministério Público de Aveiro consideram poder verificar-se, face a «indícios muito fortes» da existência de um plano envolvendo o Governo, e nomeadamente o primeiro-ministro, para controlar meios de comunicação social.
O que está em causa não é um crime menor, uma brincadeira de garotos (ou boys) ou algo que diga respeito a um restrito círculo de pessoas com interesses na política, dos negócios e no jornalismo.
E não é apenas um plano ‘deles’ para terem uma ‘imprensa favorável’.
Sendo, não é somente um ataque à liberdade de imprensa ou de expressão – que, só por si, já seria suficientemente preocupante e grave.
Este plano não pode ser dissociado de tudo o resto: da tomada de assalto da
Administração Pública, do controlo das fontes de financiamento (banca) dos agentes ou grupos económicos – e, consequentemente, também dos seus decisores –, da submissão do anónimo cidadão às regras deste perigoso e antidemocrático jogo.
Quem ousará pôr em causa o seu negócio, o seu emprego, o seu presente ou o seu futuro para enfrentar este poder absoluto? Há quem, mas terrivelmente poucos.
Legitimamente detentores do poder político, eles ilegitimamente queriam dominar tudo e todos.
Daí a importância do controlo da comunicação social e, assim, da opinião pública.
Daí a importância capital do plano denunciado pelos magistrados e investigadores de Aveiro.
Daí a importância da divulgação das ‘escutas proibidas’.
Porque tal rede tentacular chegou à Justiça.
Como podem o procurador-geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça afirmar que tais factos eram ‘irrelevantes’ e não justificavam inquérito judicial para apurar a verdade?
O primeiro-ministro refugia-se na pretensa condição de vítima de um crime de violação de segredo de Justiça e nas decisões dos tribunais para nada esclarecer.
Primeiro, as decisões dos tribunais a que José Sócrates se refere são monocráticas, em clara violação do princípio da colegialidade constitucionalmente consagrado.
Como pode este processo, em que está em causa um eventual atentado contra o Estado de Direito, não ser objecto de apreciação por um colectivo de juízes e, em última instância, pelo Tribunal Constitucional, ficando-se entre as paredes dos gabinetes de Pinto Monteiro e Noronha Nascimento ou arquivado num qualquer livro H?
E como pode não ter havido recurso daquela decisão?
Segundo, não houve violação de segredo de Justiça algum na divulgação das escutas – não há crime nenhum na divulgação das conversas e despachos divulgados pelo SOL.
Pelas mesmas decisões que Sócrates invoca, as escutas em causa – que não foram nem podiam ter sido declaradas inválidas, nem foram nem podiam ter sido objecto de ordem de destruição pelo presidente do Supremo (pela simples razão de que não se trata de escutas ao primeiro-ministro) – fazem parte do processo que foi mandado arquivar.
Terceiro, porque, caso houvesse violação do segredo de Justiça, o interesse público e nacional teria sempre de sobrelevar.
Crime seria não divulgar.
Não se trata de um ataque ao primeiro-ministro e ao Governo. Trata-se de defender o Estado de Direito e a Liberdade.
Impunham-se respostas e esclarecimentos.
Em vez disso, veio o ministro da Justiça declarar ao país que não se pode questionar o procurador-geral da República e o presidente do Supremo em nome dos princípios constitucionais e do Estado de Direito Democrático.
Desde quando e sobretudo se há despachos judiciais (de magistrados que continuam no pleno exercício de funções) afirmando que existem fortes indícios da prática de um crime precisamente de atentado contra o Estado de Direito envolvendo o Governo e nomeadamente o primeiro-ministro?
Um dos princípios basilares da Constituição e do Estado de Direito é o da separação de poderes. A que título, então, vem o ministro da Justiça publicamente defender o presidente do Supremo e o procurador-geral da República, num caso em que estes decidiram a favor do primeiro-_-ministro e do Governo?
Mas veio também o mesmo ministro dizer que há que respeitar as decisões da Justiça. Sim, quando a Justiça funciona. Neste caso, é manifesto que não funcionou. O procurador-geral da República e o presidente do Supremo decidiram arquivar o processo antes mesmo dele existir.
Pinto Monteiro mete os pés pelas mãos – ora afirma que teve acesso a dezenas de escutas para justificar o arrastamento da sua decisão, ora diz que o que foi objecto de análise foram apenas 11 conversas entre José Sócrates e Armando Vara.
Noronha Nascimento enreda-se em argumentação de duvidoso cabimento legal.
E quem não se lembra do pingue-pongue entre ambos quando o caso estoirou?
José Sócrates não explica coisa nenhuma.
O caso Face Oculta é elucidativo de que Portugal seria um campo de ensaio por excelência para provar as leis da incompetência de L.J.Peter: o seu famoso princípio é o nosso triste fim.
A crise económica e financeira profunda que o país atravessa não pode nunca servir de justificação para que se prolongue esta agonia da democracia e do Estado de Direito Democrático.
O Presidente da República é o garante da Constituição. O seu silêncio já não é sustentável por muito mais tempo.
 

publicado por luzdequeijas às 17:57
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A morte lenta

Portugal tem um sistema político doente, fechado sobre si mesmo e à sociedade, autista

3:40 Quinta-feira, 4 de Fev de 2010

Parece que Portugal está em morte lenta e que o orçamento é a sua declaração de óbito. Mas, ao contrário do que por aí se diz, o putativo cadáver não tem um problema económico irresolúvel. As espantosas quantidade e coincidência dos diagnósticos (e consequentes indicações terapêuticas) que vão surgindo de quase todos os quadrantes ideológicos são a prova disso mesmo. A reforma da administração pública, o abandono da política de grandes investimentos improdutivos e absolutamente supérfluos, a alienação ou encerramento de empresas estatais inviáveis, a reforma da legislação laboral não são, convenhamos, remédios novos nem sequer originais. São apenas algumas das várias medidas de bom senso a que a esmagadora maioria dos economistas portugueses seria capaz de prestar o seu entusiástico apoio. Não é pois de escassez de diagnósticos ou de remédios de que morrerá o paciente.

Observemos então o problema de outra perspectiva. É um anátema, bem sei, comparar os problemas económicos do País aos das empresas. Mas quando nos questionamos sobre a capacidade dos portugueses para implementar, na prática, as reformas económicas de que o País desesperadamente precisa, é interessante perceber que, felizmente, esta capacidade existe no tecido empresarial privado do País. Se é certo que boa parte das grandes empresas do regime vive à sombra tutelar do Estado e espera encontrar neste a resposta para todos os seus problemas, não são poucas as pequenas e médias empresas que dependem, para escapar a mortes bem mais rápidas do que a que se anuncia para a República, exclusivamente de si mesmas, da capacidade dos seus empresários e gestores para tomar medidas difíceis e da dos seus trabalhadores para aceitar sacrifícios. E se durante o ano horribillis de 2009 muitas ficaram pelo caminho, outras tantas deram provas de uma resiliência e de uma coragem que muita falta faria noutras paragens.

O que falta então a Portugal para que escape à sua anunciada "morte lenta"? É, bem sei, um cliché repetido vezes de mais. Mas não deixa por isso de ser verdade. Portugal não tem um problema económico insolúvel. O País não tem escassez de diagnósticos nem de remédios. Portugal não tem, sequer, falta de quem os possa aplicar com eficácia e coragem. Mas Portugal tem, isso sim, um problema político sério. Portugal tem um sistema político doente, fechado sobre si mesmo e à sociedade, autista. Portugal tem uma democracia débil e refém de máquinas partidárias que sacrificam qualquer tentativa de regeneração ou de mudança do status quo à desesperada ânsia de autopreservação da sua imensa mediocridade. Portugal tem, por via dessa sufocante pulsão uniformizadora da sua partidocracia, uma total incapacidade de atrair ou de gerar elites e lideranças políticas com verdadeira vontade e capacidade reformista. E sem lideranças, ça va sans dire, não há atracção dos melhores, não há mobilização de energias, não há capacidade de passar dos diagnósticos à acção.

Se alguma coisa nos condenar à morte lenta não será a economia. Será a política. E é bom não esquecer que se o inferno são os outros, a política somos nós.

 A VISÃO

publicado por luzdequeijas às 16:52
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A face oculta das escutas

Perfil
Quem é o homem que quis impedir a publicação do jornal "SOL"?
Paulo Pena e Tiago Fernandes (texto)
9:47 Sexta-feira, 12 de Fev de 2010

Quem é Rui Pedro Soares, o administrador da PT que surge nas gravações como o alegado pivô do negócio TVI? 
 
Os dois momentos mais altos da sua, curta, carreira - tem 36 anos - tinham, até agora, sido estampados em T-shirts. E são a melhor ilustração da passagem dos anos por este jovem do Porto que integra o restrito conselho de administração onde se sentam os 25 executivos de topo de uma das maiores empresas portuguesas, a Portugal Telecom (PT). Foi de Rui Pedro Soares a ideia de estampar em centenas de T-shirts a imagem de Che Guevara e o poema que Manuel Alegre dedicou ao revolucionário argentino ("O foco guerrilheiro existe sempre / Em cada um de nós existe um foco / Uma guerrilha possível, uma insubmissão"), que a Juventude Socialista (JS) de Lisboa, então liderada por este jovem estudante de Gestão de Marketing, exibiu nas acções de campanha para as eleições legislativas de 2002. O PS perdeu, mas Rui Pedro, que já propusera a mudança da cor das bandeiras da jota de amarelo para vermelho, e que se candidatara à liderança da organização com a moção "Nós vamos pela esquerda", fez a sua declaração política.

Sete anos mais tarde, Rui continua a imprimir letras em T-shirts. Mas noutro campeonato. É ele quem negoceia os patrocínios da PT aos três grandes do futebol, Benfica, Sporting e Porto, o seu clube do coração que já lhe retribuiu o gosto com uma insígnia: é Dragão de Ouro e presença assídua no camarote presidencial do estádio portista. Nada que o tenha impedido de financiar os 11 milhões de euros gastos pelo Sporting em jogadores, no mercado de Inverno.

A sua biografia, no site da PT, é clara: "Rui Pedro Soares integra a Portugal Telecom em 2001, empresa onde tem vindo a consolidar a sua carreira profissional." A "consolidação" levou-o ao Olimpo da empresa, por indicação do accionista Estado, em 2006, onde aufere um montante anual de um milhão e duzentos mil euros, segundo contas do Diário Económico, a partir da tabela de remunerações fornecida pelas empresas do PSI-20, em 2009. Ou seja, Rui Pedro ganhará, por mês, 16 vezes mais que José Sócrates.

Como chegou ali? Essa era uma das perguntas que gostaríamos de lhe colocar, mas o administrador da PT não aceitou falar com a VISÃO. O deputado Sérgio Sousa Pinto, que o conhece há 16 anos, não lhe poupa elogios: "Tenho a maior consideração pessoal e profissional por ele. Acho muito injusto a imprensa estar a retratá-lo como um boy. Ele é alguém com muito valor, inteligência e muito capaz. Claro que a nomeação dele como administrador é fruto de um voto de confiança de quem o nomeou."

 

A  VISÃO

 

publicado por luzdequeijas às 16:29
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SALTO Á VARA

 Quem é o homem que quis impedir a publicação do jornal "SOL"?

 

A sua ascensão acaba por se assemelhar à de Armando Vara, outro socialista de quem se fala no processo Face Oculta, e que passou de administrativo a administrador da Caixa-Geral de Depósitos e, mais tarde, do BCP. Ambos estavam na empresa e, graças aos contactos partidários, "consolidaram" a sua posição.

Quando, em 2004, os jornalistas falaram com ele, durante a campanha interna para a liderança do partido (que opôs Sócrates a Alegre e a João Soares), Rui Pedro foi descrito como um "informático". Era ele que geria a página online do candidato que acabaria por vencer. Mas perderia, nessa altura, um dos seus mais importantes aliados internos: João Soares, que não terá perdoado a "traição" do seu ex-discípulo - levara-o às listas para a Câmara de Lisboa (2001) e a um lugar de vereador sem pelouro, após a (imprevista) vitória de Santana Lopes. Aí, Rui Pedro tratou de fazer política concelhia, contra os rivais internos, Miguel Coelho e, sobretudo, Jorge Coelho, que ainda mandava no "aparelho".

Era a consequência de uma série de "guerras" na JS, após a saída do seu líder, Sérgio Sousa Pinto, em 2000. O secretariado cessante da Jota (que integrava, entre outros, os actuais secretários de Estado Marcos Perestrello, Rocha Andrade e o porta-voz do PS, João Tiago Silveira)  passou, de armas e bagagens, para a candidatura de Ana Catarina Mendes. Rui Pedro, quase sem apoios, candidatou-se. Ficou em último e, surpreendentemente, acabou por apoiar a candidata Jamila Madeira, na segunda volta. A JS quase que se partia. E Rui Pedro ficou "proscrito".
Além do trabalho político na concelhia de Lisboa, teve uma curta passagem pela direcção de marketing do banco Cetelem, uma sucursal de crédito ao consumo (com juros altos) do Banque Nationale de Paris/Paribas. Depois foi para a PT, tendo começado na antiga TV Cabo.

"Provavelmente, até fui eu quem o apresentou ao engenheiro Sócrates, assim como também apresentei [a Sócrates] o Marcos Perestrello e os outros que vieram a fazer a campanha dele para a liderança do PS, em 2004", recorda Sérgio Sousa Pinto. Na altura, José Sócrates não tinha apoios entre os jovens do partido. E o velho secretariado da JS reúne-se em seu redor. 

Meses antes, Rui Pedro colaborara com Luís Nazaré, no Grupo de Estudos do partido, durante a liderança de Ferro Rodrigues. Mais uma vez, tratou-se de um apoio técnico. "Prestou colaboração na área das telecomunicações, visto que ele era quadro da TV Cabo. Lembro-me, por exemplo, do enorme contributo que deu para a criação do site do Gabinete e em relação às múltiplas plataformas em que nos poderíamos alojar. Esteve connosco apenas alguns meses. Telefonou-me um dia a dizer que havia sido promovido na empresa e que deixaria de ter disponibilidade para continuar a colaborar. Achei perfeitamente normal que ele tenha ido à sua vida. Fiquei com a ideia de um rapaz de vinte e tal anos que queria evoluir profissionalmente naquela área e se calhar também politicamente", recorda Nazaré.

A VISÃO

publicado por luzdequeijas às 16:20
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A LIGAÇÃO A PENEDOS

 

Perfil
Quem é o homem que quis impedir a publicação do jornal "SOL"?
Paulo Pena e Tiago Fernandes (texto)
9:47 Sexta-feira, 12 de Fev de 2010

De facto, em dois anos, Rui Pedro foi promovido inúmeras vezes. De "consultor do conselho de administração" passou a "administrador executivo da PT Compras", em 2005, depois, a "presidente do conselho de administração da PT Imobiliária", em 2006 e, por fim, a membro executivo do conselho de administração da empresa. É ele que vai buscar o seu velho amigo Paulo Penedos, da JS, para assessor jurídico do seu gabinete. E é através das escutas montadas a Penedos que é "apanhado" na suspeita de "atentado ao Estado de Direito" que sobre si recai, depois de divulgados, pelo semanário Sol, os despachos do magistrado do Ministério Público de Aveiro e do juiz de instrução criminal do baixo Vouga, mandados arquivar pelo procurador-geral da República, por ausência de indícios criminais.

Sempre foi um político "de bastidores". Reservado, pouco dado à oratória, discreto. O oposto do seu amigo Penedos, visto como um "fanfarrão", que se gaba de conhecer meio mundo e se exibiu, numa campanha eleitoral autárquica, ao volante de um Ferrari vermelho.
Nas legislativas de 2005, conta um membro do staff de Sócrates, mantinham conversas regulares ao telemóvel: "O Paulo Penedos, enquanto membro da máquina de campanha, fartava-se de ligar ao Rui Pedro para ele, lá na PT, lhe arranjar telemóveis para o Sócrates - partia-se pelo menos um por semana", devido às "fúrias" do candidato, acrescenta
A   visâo

publicado por luzdequeijas às 16:13
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O Plano inclinado


Perfil
Quem é o homem que quis impedir a publicação do jornal "SOL"?
Paulo Pena e Tiago Fernandes (texto)
9:47 Sexta-feira, 12 de Fev de 2010
Maio de 2009. A PJ tem os telemóveis dos socialistas Armando Vara e Paulo Penedos sob escuta, por causa das suas supostas ligações ao sucateiro Manuel Godinho, no âmbito do processo Face Oculta. Mas das conversas entre o administrador do BCP e o consultor da PT ressalta para os investigadores a existência de um suposto esquema para controlar a TVI e tirar do ecrã Manuela Moura Guedes e as notícias sobre o Freeport. A 26 desse mês, dá-se o primeiro contacto entre Penedos e o seu correligionário Rui Pedro Soares, administrador da PT e que, alegadamente, se torna o pivô da compra da estação televisiva pela Portugal Telecom. As escutas trazidas à estampa pelo jornal Sol referem diversas idas de Rui Pedro a Madrid a fim de acertar com a direcção da Prisa - dona da TVI - os detalhes do negócio. Que não veria a luz do dia, após a polémica instalada pela divulgação da operação na imprensa, tendo o primeiro-ministro assegurado que, se a PT insistisse na compra, o Estado usaria a sua golden share para vetar o negócio. Sócrates garantiu sempre nunca ter sabido da intenção da PT de adquirir a TVI, mas, nas escutas, há referência a um jantar entre Rui Pedro Soares e o chefe de Governo e é insinuado em outras conversas o conhecimento que este último teria de todo o alegado esquema para controlar a TVI. Foi o que achou quer o procurador de Aveiro quer o juiz de instrução titular do caso Face Oculta. Só que enquanto o magistrado judicial afirmava existirem indícios muito fortes da existência de um plano, no qual Sócrates estaria envolvido, visando o controlo da estação, o procurador-geral da República, a quem foram remetidas as certidões para validação, desvalorizou esses elementos, tendo Pinto Monteiro decidido não avançar com um inquérito, alegando a falta de "indícios probatórios" da prática do crime de atentado ao Estado de Direito.

VISÃO

publicado por luzdequeijas às 16:06
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A VOZ DO DONO

Alterar tamanho de letra
  Joaquim OliveiraJoaquim Oliveira
13 Fevereiro 2010 - 00h30

Pressões: Joaquim Oliveira disse a director do ‘JN’ para ter cuidado com perguntas

O empresário amigo

Quando Manuela Moura Guedes foi afastada do ecrã da TVI, em Setembro, e surgiram informações que davam conta da interferência do PS, Armando Vara ligou a Joaquim Oliveira (patrão da Controlinveste, que detém os jornais ‘DN’ e ‘JN’) a avisá-lo para o teor das notícias: "Isto vai dar mau resultado."

Segundo consta das escutas a Armando Vara, Oliveira prontificou-se a falar com João Marcelino, director do ‘DN’, dizendo-lhe para terem 'atenção a essa brincadeira', e ligou a Leite Pereira, director do ‘JN’, a dizer para 'terem cuidado com as perguntas que andam a fazer'. Oliveira tranquilizou então Armando Vara, a quem afirmou que se tinha encontrado com Júlio Magalhães, da TVI, e que lhe garantira que ninguém iria tocar em Moura Guedes. Certo é que a pivô acabou por ser afastada, uma 'grande notícia' para Armando Vara, a quem Oliveira assegurou ter alguém na TVI que lhe contava tudo. Contactados pelo CM, todos os intervenientes recusaram comentar.

CM

publicado por luzdequeijas às 15:45
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MÁRIO CRESPO

 

Entrevista a Mário Crespo

"Este Governo não tem condições para continuar"

Clique para ouvir

http://aeiou.visao.pt/este-governo-nao-tem-condicoes-para-continuar=f547937

 

publicado por luzdequeijas às 15:42
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SMS A FAVOR DE SÓCRATES

 (Paulo Pimenta)

"Vamos de novo encher a Alameda Fonte Luminosa", acrescenta o SMS. A Fonte Luminosa, em Lisboa, foi o local onde, no Verão de 1975, o PS, então liderado por Mário Soares, fez uma grande manifestação de força contra o PCP, num momento considerado histórico entre os socialistas. A direcção do PS conhece a mensagem, mas diz nada ter a ver com ela.

"Está na hora do PS se unir e combater esta baixa campanha urdida pela direita dos interesses! Um partido que sempre lutou pela democracia e liberdade não pode aceitar calado este ataque sujo! Vamos de novo encher a Alameda da Fonte Luminosa [em Lisboa] no próximo dia 20 de Fevereiro, pelas 15 horas! Vamos repudiar esta campanha suja contra o PS e Sócrates e mostrar bem altas as nossas bandeiras. Divulga", lê-se na mensagem.

Catarina Faria, assessora de imprensa do partido, disse que a mensagem já é do conhecimento do PS, mas diz desconhecer a origem. "O PS não tem nada a ver com isso", afirmou.

publicado por luzdequeijas às 15:32
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" DIREITA VS ESQUERDA"

O pronunciamento de Cavaco, e o fim do regime

1. Cavaco ontem fez aquilo que, no passado, se chamava "um pronunciamento". No passado, quando o país ainda não tinha bases constitucionais maduras, no passado, quando o país se divertia a fazer golpes de estado, um tipo chegava e dizia aquilo que Cavaco disse ontem: "aqueles tipos não são de confiança". Depois, esse tipo ficava à espera dos seus generais. Nunca chegava a haver guerra civil. Contavam-se apenas as armas. Se tivesse mais armas do que o outro, o tipo ganhava sem disparar um tiro. Cavaco abriu fogo. Deve ir à guerra sozinho. Até porque, estou desconfiado, já não tem generais no coldre.

 

2. O que isto tem que ver com a política constitucional, com o respeito pelas instituições? Nada. Políticos e jornalistas deram mais um tiro naquilo que já é um cadáver: a III República.

 

3. Só vejo uma coisa boa no meio desta merda (sim, merda) toda: são estas crises que levam as pessoas a perceber que é preciso mudar o regime, que é preciso refundar o regime, para que exista uma sensação de recomeço. Todos os regimes, de tempos a tempos, necessitam desse recomeço.

 

4. Isto não é assunto para divisões primárias entre esquerda e direita, isto não é assunto para barricadas, com a esquerda com Sócrates, e a direita com Cavaco. Isto é demasiado importante para isso. Está em causa algo superior ao "direita vs. esquerda".

publicado por luzdequeijas às 15:27
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O DEVER DA VERDADE

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

A morte lenta de um regime

 

 

1. [...] A primeira morte é económica. O modelo socialista/social-democrata/democrata-cristão, centrado na caridade do Estado e na subalternização do indivíduo, está falido, e brinda-nos com recessões de quatro em quatro anos. Basta ler "O Dever da Verdade" (Dom Quixote), de Medina Carreira e Ricardo Costa, para percebermos que o nosso Estado é, na verdade, a nossa forca. Através das prestações sociais e das despesas com pessoal, o Estado consome aquilo que a sociedade produz. Estas despesas, alimentadas pela teatralidade dos 'direitos adquiridos', estão a afundar Portugal. Eu sei que esta verdade é um sapo ideológico que a maioria dos portugueses recusa engolir. Mas, mais cedo ou mais tarde, o país vai perceber que os 'direitos adquiridos' constituem um terço dos pregos do caixão da III República [...]

publicado por luzdequeijas às 15:22
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O VERDADEIRO INSTINTO DOS SOCIALISTAS

Instinto policial

Três vice-presidentes da bancada do PS tiveram uma ideia para combater a corrupção: fazer de cada cidadão um polícia. Não é muito original. Qualquer ditadura recorre a este expediente. Pondo na Internet as declarações de rendimentos, pensaram os ilustres deputados, facilita-se a investigação, pois todos os cidadãos serão potenciais denunciantes. O rendimento declarado pelo vizinho não é compatível com o Jaguar em que ele se passeia? Toca a avisar o fisco ou a PJ. Francisco Assis, líder parlamentar do PS, matou a ideia no ovo. Mas ficámos todos mais esclarecidos sobre o verdadeiro instinto de certos socialistas altamente colocados.

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010

 

publicado por luzdequeijas às 13:18
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RELAÇÃO ENVENENADA

O almoço do Tivoli

José Sócrates reclama-se o direito de criticar os jornalistas que o criticam. Fá-lo em público, como no Congresso do PS ou numa entrevista à RTP, e fá-lo em privado, mas de modo que toda a gente o oiça, como terá sido o caso no almoço do Hotel Tivoli. É uma opção. Mas é uma opção lamentável que só pode envenenar a sua relação com os media.

O primeiro-ministro não é um cidadão como os outros. Quer pelo poder efectivo que detém em meios de informação do Estado, quer pela influência que pode tentar exercer nos restantes - por ser o primeiro-ministro e porque o Governo toma decisões susceptíveis de os beneficiarem ou de os prejudicarem -, as suas críticas públicas ou semipúblicas serão sempre lidas como pressões e ameaças à liberdade de expressão. Sobretudo se não se eximir a formulá-las em termos de ameaça, como parece ter acontecido com Mário Crespo.

Sócrates tem direito à opinião e à crítica. Só que as suas opiniões e críticas têm tido consequências. O já longo historial de casos com os media mostra que todos os alvos que nomeou foram neutralizados. E esse facto é demasiado perturbador para ser levado à conta de mera coincidência.

publicado por luzdequeijas às 13:16
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POLÍTICOS OU ESTADISTAS

Fernando Madrinha (www.expresso.pt)

Há momentos na vida das nações em que, como diz João Salgueiro, "não chegam políticos, são precisos estadistas". Portugal encontra-se hoje nessa situação: carente de políticos que, no poder e na oposição, sejam capazes de se transcender e de demonstrar que têm estofo de estadistas.

Ninguém nasce estadista, nem a condição de político deve ser menorizada por contraponto. É, aliás, na acção política - sobretudo nos momentos de crise grave -, que se forjam e se revelam os estadistas. Ou não. Portugal é hoje um palco propício a que os políticos se afirmem, ou pelo menos se esforcem por alcançar a condição de estadistas. Se o não fizerem, mergulharão no mais profundo e definitivo descrédito, que será também o descrédito do regime e do país na cena internacional.

Os acontecimentos dos últimos dias, com a precipitação da crise de confiança dos mercados financeiros, exigem uma resposta pronta e uma percepção muito rigorosa do que é essencial e prioritário. Não é aceitável que, perante o descalabro iminente, o Governo deixe crescer a dúvida sobre se quer ou não continuar a governar nas condições que os eleitores lhe impuseram. Não é aceitável que um partido com as responsabilidades do PSD e com um discurso tão exigente em matéria de finanças públicas, esqueça esse discurso para dar satisfação a Alberto João Jardim no momento e nas circunstâncias menos adequadas. Não é aceitável que, perante o icebergue que temos pela frente, Governo e oposições se entretenham em braços-de-ferro suicidas, enquanto o país ameaça afundar-se como o "Titanic".

A Comissão Europeia veio corrigir o que disse, ou o que foi atribuído ao comissário Almunia sobre a realidade portuguesa. Mas isso não altera a situação de facto. Se o fantasma da Grécia paira sobre Portugal, o que Portugal tem a fazer é olhar para a Irlanda. Em vez de se queixar das agências de rating, o Governo devia falar aos portugueses, dizer-lhes toda a verdade e prepará-los para os sacrifícios que são inevitáveis, como já se percebeu. Devia convocar partidos, empresários, sindicatos, autarquias, regiões autónomas e co-responsabilizá-los na busca de soluções urgentes. Soluções que passem pelo desmantelamento do Estado paralelo que se foi construindo ao longo dos anos, com centenas de fundações, agências e institutos públicos de utilidade duvidosa, exércitos de consultores, escritórios de advogados e demais clientelas que esgotam o Orçamento. Soluções que passem pela eliminação de SCUT e parcerias ruinosas, por taxar devidamente os lucros da banca, as mais-valias bolsistas, os ganhos especulativos. Soluções que passem por cortes exemplares nos salários e mordomias de todo o aparelho político e que preparem os cidadãos para medidas extremas. Medidas como, por exemplo, o pagamento de uma taxa extraordinária e transitória sobre vencimentos e pensões a partir de determinado montante, não só na Função Pública mas em todo o universo. Haja rigor e justiça na distribuição dos sacrifícios, combata-se o desperdício com vigor e determinação, comportem-se os agentes políticos com seriedade e empenho e os portugueses compreenderão.

É uma tarefa árdua que nenhum Governo minoritário pode executar sozinho. Mas uma tarefa para políticos com perfil e ambição de estadistas, ou, pelo menos, com forte sentido de Estado. Políticos que, estando no poder ou na oposição, sejam capazes de, por uns tempos, pensar mais no país do que nas próximas eleições - isto é, na sua própria conveniência e na dos seus partidos.

publicado por luzdequeijas às 13:14
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A DONA LAURINDA

O 'Sócrates' e o 'José'

Henrique Raposo (www. expresso.pt) A natureza, digamos, voluntariosa de José Sócrates faz-me lembrar a Dona Laurinda, uma vizinha muito 'enervadiça' aqui do bairro. Quando é contrariada, a Laurinda tem por hábito atirar telemóveis à parede. Eu gosto de imaginar José Sócrates a atirar telemóveis à parede no momento em que acaba de ler as crónicas de Mário Crespo (como eu gostava de ser uma mosquinha para saber se a minha imaginação doentia está, ou não, afastada da realidade). Mas, apesar de tudo, Laurinda e Sócrates são diferentes. A Laurinda é a mulher mais poderosa do bairro. Toda a gente assume isso. Em consequência, Laurinda é magnânima. Ela, por exemplo, não responde aos piropos que a garotada atira sobre os seus quadris. Sócrates não é assim. O nosso glorioso líder tinha muito a aprender com a Laurinda.

Sócrates é o homem mais poderoso do país, mas, paradoxalmente, tem uma insegurança brutal. Sócrates, qual petiz assustado, parece que vive aterrorizado com os 'piropos' que os media lançam sobre a sua acção política. Às vezes, até apetece dar miminho ao nosso primeiro-ministro. Existe, portanto, um desconcertante abismo entre o (imenso) poder de Sócrates e a sua (escassa) autoconfiança. E o mais grave é que este abismo, que revela uma inesperada fragilidade, torna Sócrates um político perigoso para as nossas liberdades. Para se proteger das críticas e das perguntas, o líder do PS inventou uma teoria que destrói as regras de uma sociedade livre: a "liberdade respeitosa".

A "liberdade respeitosa" de Sócrates assenta num malabarismo jurídico: o primeiro-ministro 'José Sócrates', o homem público que deve ser escrutinado sem piedade, esconde-se atrás do bom-nome privado do 'José'. Ou seja, quando não gosta das críticas dirigidas à sua conduta pública, Sócrates invoca que o 'José' ficou ofendido com as ditas críticas; uma crítica pública dirigida a 'José Sócrates' é assim transformada numa ofensa pessoal ao 'José'. Truque catita, ah! E não fica por aqui. De manhã, este truque tem um carácter defensivo, isto é, fomenta este catenaccio que bloqueia as críticas. Mas, à tarde, o truque é virado do avesso, e passa a legitimar ilegítimas manobras ofensivas. Os adeptos do socratismo acham normal que o 'José' aplique um bullying 'privado' sobre os media. Neste país das maravilhas, o 'José' pode andar a telefonar alegremente para as redacções com o objectivo de congelar as perguntas incómodas que é preciso fazer a 'José Sócrates'. Nesta lógica, a pressão de 'José' sobre um executivo de televisão é uma mera "conversa privada".

Depois de todos os choques entre Sócrates e a liberdade de imprensa, apetecia-me fazer uma manifestação anti-Sócrates (à semelhança das manifestações anti-Santana). Mas, como não tenho feitio para passeatas, eu e a Laurinda vamos escrever uma carta à Freedom House (uma carta de protesto é uma passeata civilizada). É preciso denunciar lá fora, nos fóruns internacionais, a forma como o Governo português despreza as regras da liberdade. Já chega de impunidade. Será um esforço inglório (e patético, concedo), mas será feito. A carta, meus amigos, começa assim: "Caríssimos, a Freedom House está enganada. Portugal não merece a nota máxima ao nível das liberdades civis. O facto de Portugal ser um país da UE não pode desviar a vossa atenção do seguinte: José Sócrates amputou a democracia portuguesa".

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010

 

publicado por luzdequeijas às 12:56
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SEM VERGONHA NA CARA

NOS TEMPOS EM QUE SÓCRATES DAVA LIÇÕES DE MORAL. DE FACTO, POR UM PEQUENO INCIDENTE FEZ CAIR UM GOVERNO COM MAIORIA ABSOLUTA. ERA O DESTINO A PUXAR PORTUGAL PARA A DESGRAÇA!!!

 Clique abaixo para ver e ouvir

http://oinsurgente.org/

 

INSURGENTE

Mudam-se os tempos, as vontades e o que calha

Arquivado em: Justiça, Política, Portugal — Miguel @ 10:40
 

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves

“Socialistas têm vindo a tentar junto de Jorge Sampaio a substituição imediata do PGR” (DN, 6-7-2005) “Ferro Rodrigues acusa PGR de parcialidade” (JN, 12/11/2005). “Altos dirigentes do PS tentaram promover a demissão do procurador-geral da República logo a seguir à vitória de José Sócrates nas eleições legislativas.” (Público, 25/11/2005). “Vera Jardim disse que as palavras do PGR não contribuem para cimentar a confiança dos cidadãos na Justiça nem o prestígio das instituições judiciárias.” (Expresso, 10/12/2005). “Alegre defendeu a demissão do PGR.” (JN, 14/1/2006). “O porta-voz do PS, Vitalino Canas, sugeriu no Parlamento que o PGR foi penalizado politicamente pela forma como lidou com o caso do envelope 9.” (Público, 4/10/2006). Alberto Martins exigiu que “o PGR assuma as responsabilidades perante os erros processuais cometidos.” (Público, 10/12/2005).

Isto era dantes, quando o PGR se chamava Souto Moura. Agora o PS, justamente pela voz do ministro da Justiça, Alberto Martins, considera que a crítica, qualquer crítica, ao dr. Pinto Monteiro “reveste-se de enorme gravidade” e “não pode ser aceite por quem tenha apego aos valores do Estado de direito democrático”. Estranho? Nem por isso. A verdade é que, em quatro ou cinco anos, não foi só o titular da procuradoria-geral que mudou: os valores do Estado de direito mudaram imenso, e a democracia, ou o que resta dela, também.

 

publicado por luzdequeijas às 12:36
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INVESTIGADORES "ACHINCALHADOS"

Teófilo Santiago, coordenador superior da PJ de Aveiro, é um dos mais prestigiados investigadores da Polícia Judiciária.Teófilo Santiago, coordenador superior da PJ de Aveiro, é um dos mais prestigiados investigadores da Polícia Judiciária.14 Fevereiro 2010 - 00h30

'Face Oculta'

Investigadores da PJ atacam PGR

Sindicato da PJ diz que os investigadores de Aveiro têm sido “achincalhados” e que até o PGR tem feito declarações para descredibilizar a legalidade das escutas feitas durante o processo.

Saiba mais na edição em papel do jornal 'Correio da Manhã'.




 
publicado por luzdequeijas às 12:33
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PERDERAM TODA A CREDIBILIDADE

Paulo Rangel, um dos três candidatos à liderança do PSD, considera que a demissão dos gestores da PT seria um “sinal de credibilidade”, disse hoje em entrevista ao “Correio da Manhã”.
O social-democrata é da opinião que o Governo tem de dar explicações O social-democrata é da opinião que o Governo tem de dar explicações (Nuno Ferreira Santos (arquivo))

publicado por luzdequeijas às 12:30
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

COMENTÁRIO NO PÓDIO

De extremozero a 12 de Fevereiro de 2010 às 18:16

“Há quem esteja para mudar, há quem esteja para romper, eu proponho unir”, disse Aguiar-Branco .
Pois muito bem, todas estas “intenções” só ficam bem a quem as escolheu como tema de campanha para a presidência do PSD, mas o que me faz já desconfiar é a crítica implícita desta intenção de Aguiar-Branco às outras candidaturas, especialmente à de Paulo Rangel. Nos tempos que correm e com a situação desgraçada em que se encontra Portugal, não gosto de ver colegas do mesmo partido a darem “caneladas” por baixo da mesa. Tenho o Dr. Aguiar-Branco como uma pessoa de formação académica, política e moral elevada, não tendo tido, até agora, a tentação de cair na baixa política! Não é um orador brilhante, não tem a sagacidade e a antecipação política de um Paulo Portas, mas tem sido um homem de bem, daqueles que já começam a rarear no nosso País. Tem desempenhado com lisura o seu papel de líder parlamentar do PSD em condições muito difíceis e quando um homem que não precisava da política, se mete nela sabendo de antemão que daí só lhe advirão muitos cabelos brancos e muitas noites sem dormir, consumições e desgaste da sua vida pessoal, não posso deixar de ter uma grande admiração pela coragem e amor patriótico de uma pessoa assim! No entanto, sempre achei que o Dr. Aguiar-Branco não tem o perfil combativo e até um pouco agressivo, que se pretende para presidente de um Partido que tem sido um autêntico “ninho de víboras” e cuja liderança tem de ser efectuada com “mão-de-ferro” (democrática, entenda-se!) para gerir todos aqueles interesses que por lá andam…
Daí a minha pouca inclinação para a pessoa, como futuro líder do partido com que tenho simpatizado a maior parte das vezes (quando não lhe dei apoio nas urnas, votei branco).
Quanto ao Dr. Passos Coelho, a sua avidez pelo poder é demasiado evidente e a tendência que tem para se rodear de grupos e grupelhos, dividir internamente para tentar reinar, a sua manifesta falta de respeito pela liderança (seja ela até inadequada…e até tem todo o direito de discordar, mas tem de aprender a saber fazê-lo em sede própria e com respeito pelo resultado eleitoral - ele perdeu as eleições para a Drª Manuela Ferreira Leite), a sua militância relativamente longa, mas irrelevante, a não ser na JSD, não fazem dele, a meu ver, uma aposta credível para liderar o PSD. Como diz um velho ditado “ainda tem de comer umas rasas de sal” para aprender a ter a categoria, sabedoria e perfil de líder. Não basta ser bonitinho e ter olhar de “matador”!
O Dr. Paulo Rangel, apesar de novo em idade e militância no PSD, convenceu os portugueses, quase sozinho, de que era merecedor de ganhar eleições – neste caso as Europeias. Isto deveu-se a quê? Ninguém ou praticamente ninguém militante ou simpatizante das bases do PSD conhecia o Dr. Paulo Rangel à época da campanha eleitoral e, no entanto, os eleitores premiaram aquele homem que percorreu praticamente sozinho o País de lés a lés, de rua em rua, de porta em porta, através da blogosfera e conseguiu passar a sua mensagem! Os Portugueses andam um pouco anestesiados com tudo o que está a acontecer e a acontecer-lhes, mas nos seus momentos de lucidez costumam olhar e escutar com atenção as pessoas que lhes dizem alguma coisa, mesmo que a mensagem esteja “encriptada”! No caso do Dr. Paulo Rangel, eu percebi desde logo, que estaria ali um homem ainda “puro”, sem os “vícios partidários” de que enfermam quase todos os dirigentes dos partidos. Era este o Homem que me interessava e de que Portugal talvez viesse a necessitar para sair da eterna melancolia e passividade de que padece há muito.
Ora aí está ele! Não se enganou a minha já longa existência e a capacidade que tenho tido ao longo dos anos para, de mansinho, ir intuindo sobre as pessoas e quase antecipando o que vai acontecer!
Para mim, é perfeitamente irrelevante o momento que escolheu para apresentar a candidatura ao eleitorado social-democrata e ao País, pois já não podemos desperdiçar tempo a discutir pormenores. O que é relevante é a mensagem que apresentou – ROMPER (leia-se, mudar, reestruturar e unir) um Partido esfrangalhado e um País que já ultrapassou o fundo do poço!
Só faço votos que o Dr. Paulo Rangel nunca se esqueça desta vontade e desta promessa que acabou de nos fazer!

 

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Totalmente de acordo com a abordagem desta questão, embora os outros candidatos me mereçam também muito respeito e toda a consideração.

publicado por luzdequeijas às 18:46
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ECONOMIA ESTAGNADA

Recessão de 2009 ficou em -2,7 por cento
Economia ficou estagnada no quarto trimestre do ano passado
12.02.2010 - 10h22
Por Paulo Miguel Madeira 

Nélson Garrido (arquivo)

A economia portuguesa estagnou no quarto trimestre do ano passado, com o PIB a apresentar uma variação nula face ao trimestre precedente, revelou hoje o Instituto Nacional Estatística (INE). A variação no conjunto de 2009 foi de -2,7 por cento.

A confirmar-se esta estagnação, que resulta ainda de uma estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais, surge após dois trimestres consecutivos de crescimento em cadeia (apesar de quedas homólogas) e vem lançar mais incertezas sobre a solidez da recuperação nacional.

O valor do PIB do quarto trimestre permite também fixar para já em -2,7 por cento a variação do PIB em 2009 face a 2008, ano em que a economia tinha estagnado, após crescimentos de 1,9 por cento em 2007 e 1,6 por cento em 2006.

A estagnação do PIB na recta final do ano representa uma má notícia por interromper os crescimentos em cadeia detectados no terceiro e segundo trimestres do ano, que se seguiram a fortes no final de 2008 e início de 2009.

A estimativa rápida hoje divulgada das Constas Nacionais Trimestrais incorpora nova informação, revendo os valores relativos ao crescimento no terceiro e segundo trimestres, para 0,6 por cento em ambos os casos. A informação anterior apontava para valores de respectivamente 0,7 e 0,6 por cento.

A variação homóloga do PIB continou negativa no quarto trimestre de 2009, em -0,8 por cento, isto apesar de o quarto trimestre de 2008 ter sido já o segundo da forte recessão que a economia nacional (tal como a internacional) sofreu entre o final de 2008 e o início de 2009.

 

publicado por luzdequeijas às 18:40
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OLÁ AMIGÃO

EU VI-TE A LUTAR PELA LIBERDADE DE INFORMAÇÃO

http://aeiou.expresso.pt/video-manifestacao-pela-liberdade-de-expressao-no-parlamento=f564908

Vídeo: Manifestação pela Liberdade de Expressão no Parlamento

Em defesa da Liberdade de Expressão, cerca de 50 pessoas manifestaram-se hoje frente à Assembleia da República. O protesto, que começou na Internet, deu origem a uma petição que conta já com quase 10 mil assinaturas.

Carolina Reis (www.expresso.pt)

publicado por luzdequeijas às 18:33
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ERA DE SÓCRATES

A censura é "oficial"

Ontem, a censura deixou de ser "informal" (através de pressões sobre "jornalistas amigos") e passou a ser "formal" (usando a justiça como lápis azul). É esse o legado da Era Sócrates. Sr. Presidente, onde é que é o fundo do poço?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

1. Henrique Monteiro, Vicente Jorge Silva, o "Público" já disseram tudo: a providência cautelar de ontem, destinada a impedir a publicação da edição de hoje do "Sol", representa a instituição da censura prévia. A justiça, que devia ser uma protecção da sociedade civil perante os abusos do poder, está a funcionar ao contrário. Ou seja, a justiça é uma arma que o poder político usa para calar a sociedade e os jornalistas. Inaceitável. O "Sol" deve continuar a publicar aquelas escutas, porque as ditas revelam a decadência absoluta de um regime, a ilegitimidade total de um primeiro-ministro e um país saqueado por boys. E, se alguém conseguir travar o "Sol", outros jornais devem publicar as escutas. Nós temos o direito de saber tudo até ao fim.

2. Esta providência cautelar é uma fuga para a frente do "socratismo". É um sinal de desespero. Um óptimo sinal de desespero, diga-se. O dia do "game over" para o "socratismo" está próximo. E, como já disse, irei celebrar esse dia com uma alegria faraónica . 3. A edição do "Sol" de hoje, confesso, é ainda mais reveladora do que a de sexta-feira passada. Podemos ver ali como é que os jornais do "amigo Joaquim Oliveira" são controlado por um boy socialista, Armando Vara. O problema, aqui, não está nos jornalistas, que são a parte fraca. O problema aqui é político: nós, comunidade política, permitimos que o governo controlasse um banco; agora, esse banco é usado por um boy para pressionar um grupo de media. Os factos estão em cima da mesa, e causam medo: Vara forçou Joaquim Oliveira a censurar as redacções do Diário de Notícias e Jornal de Notícias. 4. Os envolvidos só têm uma saída: dizer que aquilo é mentira, e assim todos poderemos respirar de alívio. Mas não me parece que vamos ter essa sorte.  5. Como já escreveu Henrique Monteiro , o país precisa de repensar a relação entre jornalistas e patrões de grupos de media. É uma das coisas que teremos de fazer na Era pós-Sócrates. 

 

publicado por luzdequeijas às 18:20
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TEMPOS DE BRUTALIDADE

Numa sala do Grémio Literário a abarrotar, Mário Crespo aproveitou o lançamento do seu livro "A Última Crónica" para fazer um apelo à "luta pela liberdade de expressão". "Não podemos dar por adquirido o direito de informar e de ser informado porque, neste País, está em vias de ser alterado. Não estamos numa situação desesperada, mas é preciso lutar", disse Mário Crespo.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ FACE OCULTA

Com Manuela Moura Guedes na assistência e Paula Teixeira da Cruz a apresentar o seu livro, o pivô da 'SIC Notícias' teve palco suficiente para relatar os "sinais muito desagradáveis" que observa em Portugal, nomeadamente no "controlo que está a ser feito à Comunicação Social". "Portugal tem tendência para ser governado por gente esquisita", afirmou.

Já a apresentadora do livro, a social-democrata Paula Teixeira da Cruz considerou que estamos a viver "tempos de brutalidade", "infelizes" e "uma fase delicada", sobretudo no que toca nas tentativas de ingerência política nos media. "Mas há quem resista", afirmou referindo-se a Mário Crespo e assumindo que a sua "Última Crónica é a primeira de um outro tempo".

No prefácio do livro, Medina Carreira elogia a atitude do jornalista ao publicar a crónica proibida pelo Jornal de Notícias na passada semana. Este gesto reflecte, segundo o economista, que "Mário Crespo teme, fundada e legitimamente, pelo futuro dos seus filhos, entregue a tantos impreparados, aventureiros e a alguns oportunistas".

"O poder político deve prosseguir com rigor verdade e determinação o bem público, deixando em paz quem trabalha: os cidadãos, em geral, e os jornalistas, em especial", escreve.

EXPRESSO - 12-02-2010

 

publicado por luzdequeijas às 18:12
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GRANDE IMBRÓGLIO

As Sondagens oportunas ... <input ... >
 
 As Sondagens e os tiros pela culatra…
Parece-me que “os Costas” da política, por estas bandas, andam ou a remar contra a maré ou a dar tiros de pólvora seca.
 No Governo que por aí anda, todos os Costas são quase analfabetos. Mesmo os licenciados em qualquer coisa parecem analfabetos funcionais. Nem um se safa…
Terão sido escolhidos a dedo? Pelo menos assim parece…
Depois temos os “gravitas” políticos: o Costa, da Sic, o Costa, da Câmara, o Costa, da Eurosondagem, enfim, quantos mais Costas existissem na política, pior ficava o ramalhete!
Que me perdoem todos os outros Costas, alguns dos quais meus bons amigos, que só me referi aos ligados directa ou indirectamente à política.
Certamente que, tal como eu, muitos milhares de pessoas assistiram, a  uma amostra dos tiros dados no próprio pé, por dois Costas: o Costa da Sic encomendou uma sondagem ao Costa das sondagens. Tanto quis brilhar, ou dar uma “ajudinha” ao irmão, que no final teve um resultado desastroso.
Bem que podia ter esperado mais uns dias, deixado que as águas acalmassem ou pouco mais.
Mas depois de um tal desastre – o “afundanço” do técnico de sondagens Rui Oliveira e Costa – seria muito salutar que descansasse uns tempos largos.
Para além de destacado elemento do PS, o que por si só deveria constituir um óbice às opiniões “pagas” de um “fazedor de opinião”, este senhor deveria ter muito mais cuidado com as análises políticas que efectua, especialmente aquelas em que pretende demonstrar, em termos mais ou menos técnico-científicos, as vitórias do seu “bem-amado” PS.
Quando pensamos que os políticos ficam muito mais “ricos” na política, tendemos a esquecer os “gravitas”. Muitas vezes são os que mais progridem à sombra da “bondosa” política. Este Costa, por exemplo, tão falado aqui há 20 anos, quando do escândalo dos fundos que vieram do Fundo Social Europeu para promover a formação profissional em Portugal, através da UGT, acabou absolvido pelos tribunais em 2007, mas começou uma ascensão meteórica sendo hoje um dos que mais ganha com o “tratamento” de dados políticos.
Percebe-se bem que a tal sondagem sobre as eleições legislativas tenha apresentado o PS como grande vencedor!
Vinda de onde veio, outro resultado seria ilógico!
“Com papas e bolos se enganam os tolos” !!!
Só não entendi o papel da Sic neste imbróglio.
Blog - A Formiga

publicado por luzdequeijas às 17:13
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TER MENTIDO NO PARLAMENTO

É um conluio entre um conjunto de responsáveis políticos com responsáveis económicos e com pessoas que funcionam um pouco como funcionários políticos em diferentes empresas, misturando interesses económicos com interesses políticos no sentido de manipular aquilo que é o contexto actual da imprensa em Portugal”, afirmou no Parlamento, no final da comissão parlamentar para a corrupção.

O social-democrata acrescenta que “quando muita gente anda a falar de liberdade de expressão” não se trata de “as pessoas omitirem livremente a sua opinião”. “O que acontece é que está a ser condicionada a liberdade de expressão se, por qualquer motivo, um plano deste tipo fosse levado avante. E nós não sabemos, nalguns casos, se para alguns jornais amigos e para alguns jornalistas amigos o condicionamento das notícias e das opiniões funcionou em período eleitoral. Tudo isto tem uma grande gravidade”, salientou.

Questionado se José Sócrates deve pedir a sua demissão, Pacheco Pereira não respondeu directamente. Disse que o primeiro-ministro “tem de fazer uma avaliação sobre a sua própria posição”, acusando-o de ter “mentido ao Parlamento”, o que “em qualquer país democrático é grave”. “Nós já sabemos muito mais coisas que o que publica o ‘Sol’. Sabemos muito mais coisas sobre a PT, a Ongoing, sobre o processo da TVI, temos declarações dos jornalistas, temos alguns documentos. Reduzir isto apenas a fugas de informação, ou informações assentes em escutas é pouco. Há muito tempo que nós sabemos que há uma relação directa entre as decisões políticas e as decisões económicas. Há uma intromissão nos negócios nos gabinetes ministeriais, em especial nos da comunicação social”, acrescentou.

 

publicado por luzdequeijas às 17:07
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BENDITO PODER DO SOL

12 Fevereiro 2010 - 00h30

Discurso de Afonso Candal na votação do orçamento

“Potencial do Sol” faz Ferreira Leite chorar a rir

A intervenção do deputado do PS Afonso Candal no debate sobre o Orçamento do Estado pôs ontem Manuela Ferreira Leite a chorar de tanto rir. Durante mais de vinte minutos, sempre de improviso, Afonso Candal falou sobre a obra dos governos de José Sócrates ao longo de cinco anos. 
Perante os elogios sucessivos do deputado, a líder social-democrata começou por rir, de forma contida. Mas quando o vice-presidente da bancada socialista falou sobre o tema das energias renováveis e no potencial do Sol a Oposição reagiu com gargalhadas, numa alusão à situação do semanário ‘Sol’.

A partir daqui, os risos prolongados de Manuela Ferreira Leite, que por várias vezes teve de baixar a cabeça para se esconder, começaram a contagiar as restantes bancadas da Oposição.

CM - 12-02-2010

 

publicado por luzdequeijas às 16:59
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O SAGRADO DEVER DE INFORMAR

 

11 Fevereiro 2010 - 23h12

Nota Editorial

O poder dos poderes

Primeiro o poder executivo abafou o brilho do poder legislativo estrangulado por maiorias absolutas num parlamento repleto de autómatos da disciplina partidária.
 

Depois, o executivo tratou de atacar o poder judicial. Para tal tem parecido bastar a mão sobre os orçamentos, benesses pessoais e sedes pessoais de mando.

Em suma, está em curso uma grave convulsão na teoria da separação de poderes, que deu à Europa e ao Ocidente duzentos anos de luz, progresso e equilíbrio, entrecortados por experiências totalitárias que sempre semearam intolerância e guerra. Em Portugal, cercado por leis eivadas de oportunismo, estrangulado nos meios e orçamentos, o poder judicial parece ceder desde o topo. Quebram-se já algumas barreiras de defesa da liberdade de imprensa. Neste clima malsão, o CM continuará a respeitar o seu sagrado compromisso com os leitores. E, nesta fase crítica da vida do País, o CM saúda todos os projectos jornalísticos livres, independentes e responsáveis. Todos os títulos que não recuam no dever de informar, vinculados à obrigação de não sonegar notícias relevantes.

 

Octávio Ribeiro

publicado por luzdequeijas às 16:48
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UMA OBSCENIDADE

12 Fevereiro 2010 - 00h30

O Cronista Indelicado

José Sócrates no país dos inimputáveis

Perante aquilo que foi revelado na última sexta-feira pelo semanário ‘Sol’, José Sócrates só tinha duas opções minimamente dignas: ou desmentia de imediato tudo o que ali estava escrito ou apresentava nessa mesma tarde a demissão. Infelizmente, a dignidade não costuma receber muitas visitas do primeiro-ministro. Por isso, Sócrates preferiu zurzir contra o jornalismo de "buraco de fechadura", em mais uma actuação digna do Óscar da cara-de-pau.
 

Convém que as pessoas ponham na cabeça que já estamos muito para além de qualquer combate ideológico, de qualquer braço-de-ferro entre esquerda e direita. Continuar, neste momento, a defender a actuação do primeiro-ministro perante revelações daquela dimensão não é simplesmente uma divergência de opinião – é uma obscenidade, que não se pode desculpar pela partilha de um cartão cor-de-rosa ou pela devoção a vozes autoritárias e cabelos grisalhos.

Daniel Oliveira escreveu no ‘Expresso’ que "a divulgação de informação sobre escutas telefónicas que não foram usadas pela justiça é um insulto aos direitos cívicos". Não, Daniel: o que é um insulto aos direitos cívicos é um procurador-geral da República ser confrontado com indícios daquela gravidade e entender que não há nada para investigar. Insulto aos direitos cívicos é ver a política e a justiça enroladas na mesma cama. Insulto aos direitos cívicos e à nossa democracia é José Sócrates e Pinto Monteiro continuarem alegremente nos seus cargos, como se fossem dois inimputáveis dispensados de apresentar contas ao país.

Por João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)

publicado por luzdequeijas às 16:43
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DESASTROSO E ALARMANTE

12 Fevereiro 2010 - 00h30

A voz da Razão

Ao que isto chegou

Rui Pedro Soares, administrador da PT, é um cidadão da República. Como é evidente, tem todo o direito de interpor providências cautelares aos jornais que entender, como entender, quando entender.
 

Acontece que o gesto, legítimo do ponto de vista jurídico, é desastroso e alarmante do ponto de vista político. Calar o ‘Sol’, ao contrário do que imaginam os ‘formalistas’, não é proibir a revelação de conversas privadas sobre assuntos privados entre amigos privados. É enfiar uma rolha na revelação de factos que, pela sua gravidade política, podem ter um incontornável interesse público: factos que lidam com a presuntiva existência de um ‘polvo’ governamental que, usando dinheiros públicos, pretendia controlar a comunicação social. Se existiam dúvidas sobre estes factos, a providência cautelar ajuda a dissipá-las: só por receio de danos irreparáveis para o governo alguém se antecipa a eles, tentando abater o mensageiro. No contexto de desconfiança em que vivemos, a providência cautelar não acautela coisa nenhuma. Apenas expressa uma consciência pesada.

 

João Pereira Coutinho, Colunista

publicado por luzdequeijas às 16:39
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A FORÇA DA LIBERDADE

12 Fevereiro 2010 - 00h30

Dia a dia

O que todos virão a saber

A ideia de que se pode silenciar uma informação como se açaima um animal constitui pura veleidade. E o problema não é o Estado de Direito, mas a força de liberdade que anima o Homem. A força de uma lei não é estar escrita, aprovada e promulgada, mas ser aceite e praticada pelos cidadãos porque contribui para a organização social, segurança e concretização dos seus anseios.
 

O Reino Unido tem menos dúvidas sobre a sua Constituição não-escrita do que a ditadura portuguesa do Estado Novo sentiu com o documento plebiscitado em 1933 de forma esmagadora, mas com princípios suspensos ainda antes de ser aprovada. Lembro um caso curioso: quando assassinaram o presidente J.F. Kennedy, em Novembro de 1963, agentes da censura prévia consultaram a Presidência do Conselho – nome dado ao trono de Salazar – sobre o melindre de divulgar a morte a tiro de um chefe de Estado. A resposta foi que não valia a pena censurar porque, de qualquer modo, todos viriam a saber. Enfim, o que não se gostaria mesmo de voltar a ver era qualquer coisa de semelhante à corrida, em Agosto de 1970, dos agentes da polícia política pelas papelarias para arrancar as duas páginas do ‘Paris Match’ com uma fotografia em que se via Salazar no caixão enquadrado pelo gigante de Moçambique e um anão de circo.

 

João Vaz, Redactor Principal

publicado por luzdequeijas às 16:34
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CONTRADIÇÔES

« A ÚNICA coisa que me foi enviada foi 11 escutas em que intervém o primeiro-ministro. Só nos podíamos pronunciar quanto às conversas do primeiro-ministro e os indícios são juridicamente irrelevantes» - afirmou esta terça-feira o procurador-geral da República, à saída do Parlamento. As declarações surgiriam em resposta às críticas de que tem sido alvo, depois da publicação pelo SOL, na semana passada, dos despachos dos magistrados de Aveiro e de uma parte das escutas que suportam essas certidões.

Nos três comunicados que fez em Novembro e Dezembro, porém, Pinto Monteiro sempre afirmou que recebeu, no total, 40 CD com escutas telefónicas, relativas a mais de 100 conversações/comunicações, 11 das quais entre Armando Vara e o primeiro-ministro.

E o seu terceiro e último comunicado, em 23 de Dezembro, não deixa margem para dúvidas: «Em 18-11-2009, o PGR proferiu um despacho no qual se conclui (que) não existem, no conjunto dos documentos examinados, elementos de facto que justifiquem a instrução de procedimento criminal contra o primeiro-ministro José Sócrates e/ou qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões, pela prática do referido crime de atentado contra o Estado de Direito».

SOL  12-02-2010

 

 

publicado por luzdequeijas às 12:14
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NO MESMO SACO

HÁ DOIS MESES vi Armando Vara ser entrevistado na RTP pela mesma jornalista. E vi-o mentir sem qualquer pudor sobre questões que eu conhecia bem. 

Admiti que Vitorino, pronunciando-se sobre o processo Face Oculta, quisesse distinguir-se do Vara - até para não ser metido no mesmo saco.

Infelizmente, isso não aconteceu.

Não se demarcando do caso, torcendo-se para negar as evidências, refugiando-se  em questões formais, fechando os olhos aos indícios comprometedores, António Vitorino aceitou ficar neste processo ao mesmo nível de Vara e dos seus amigos.

Estando a despedir-se da RTP, é pena que não tenha feito nenhum esforço para defender a imagem que dele ficará na memória dos telespectadores - não mostrando o mínimo de isenção exigível a alguém que até já foi comissário europeu. António Vitorino não tinha necessidade disto.

Sol  - 12-02-2010

publicado por luzdequeijas às 11:45
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CONTROLO DA COMUNICAÇÃO

Mariline Alves  Armando Vara é arguido no processo 'Face Oculta'Armando Vara é arguido no processo 'Face Oculta'
12 Fevereiro 2010 - 10h01
Face Oculta
Escutas mostram plano para dominar comunicação social
O semanário ‘Sol’ revela esta sexta-feira várias escutas que revelam a existência de um plano para controlar a comunicação social para além da conhecida tentativa de aquisição de 30 por cento da TVI pela PT. De acordo com o semanário, através das escutas interceptadas, é perceptível que a estratégia passava pela compra de um grupo importante da comunicação social, o qual se tornaria parceiro estratégico da PT: “Numa primeira fase seria a Cofina ou a Impresa, e no fim, surgiu a hipótese do grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira”.

“À PT interessa ter um accionista forte no campo do media, ainda mais se se consubstanciar uma operação com a Media Capital”, disse Fernando Soares Carneiro, administrador executivo da PT, em conversa com Armando Vara, então vice-presidente do BCP, na manhã de 24 de Junho de 2009, poucas horas antes do primeiro-ministro José Sócrates ser questionado no Parlamento sobre o interesse da PT na Media Capital.
O ‘Sol’ avança ainda que estas conversas foram o principal impulsionador para os negócios que ocorriam nos bastidores, sob alçada da PT. No mesmo dia, Armando Vara terá falado com o administrador da PT e representante da ‘golden share’ do Estado Fernando Soares Carneiro, sobre os negócios entre esta e o BCP.
Para possibilitar a liquidez, o BCP emitiu nessa altura 300 milhões de obrigações, de forma a que a Portugal Telecom subscrevesse algumas dezenas de milhões, a troco desta fazer um investimento no banco.
Durante a conversa o administrador da PT questiona o, à data, vice-presidente do BCP, se este “pode dar um pontapé para cima em relação ao Paulo Fernandes porque a CGD ‘borregou’ um bocado”. “Está previsto uma compra da parte dele da informação pela empresa de Nuno Vasconcelos com conhecimento do amigo do Vara, ou melhor por indução do amigo”.

De acordo com o semanário, transpostos seis minutos, Soares Carneiro torna a falar com Vara informando que: “por indução de cima foi acordado que se tentaria comprar o Correio da Manhã ou mesmo a Cofina e que isso foi colocado na empresa (a PT) como objectivo”.
No despacho da primeira certidão, Marques Vidal, procurador de Aveiro, refere que este plano seria executado através do “controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal ‘Público’ com o mesmo objectivo e, por último, mas apenas em consequência das necessidades do negócio, a aquisição do grupo Cofina”.
CM - 12-02-2010

publicado por luzdequeijas às 11:40
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SUCESSÃO

PS DEBATE SUCESSÃO DE SÓCRATES.

O PS vive momentos de grande tensão com a divulgação pelo SOL das escutas do " FACE OCULTA". Sócrates avisou o partido que os jornais «não o derrubam». Mas a sua sucessão começou a ser discutida. Entretanto, António Costa, o nome mais forte para lhe suceder, terá informado que não está disponível para exercer o cargo de primeiro-ministro, pelo menos sem recurso a eleições.

SOL - 12-02-2010

 

publicado por luzdequeijas às 11:29
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O ANUNCIADO FIM

O ANUNCIADO fim próximo do desacreditado poder de José Sócrates veio animar a corrida à liderança do PSD. Paulo Rangel e Aguiar-Branco aí estão para disputar votos com Passos Coelho. Este assumiu há muito a sua candidatura, tem o apoio maioritário do aparelho do PSD (ainda que o voto dos militantes em directas esteja menos sujeito a caciques do que se pensa) e até escreveu um livro com o título MUDAR, que pretende ser o seu  programa político. O esforço literário de Passos Coelho é louvável, mas o esforço político é frustrante. São 269 páginas de generalidades e banalidades, de ideias pela rama sobre a Justiça, Educação, Energia, Regionalização ou reforma do Sistema Político. Em que o pensamento do autor fica sempre a meio da ponte, indefinido, admitindo quase tudo e e seu contrário. Uma decepção.

SOL - 12-02-2010

publicado por luzdequeijas às 11:13
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A FECHADURA DO BURACO

"QUANTOS MISTÉRIOS SE ESCONDEM PARA ALÉM DO BURACO DA FECHADURA - E QUE O GOVERNO E OS SEUS COMPARSAS PRETENDEM OCULTAR DA OPINIÃO PÚBLICA? INVERTENDO OS TERMOS DA METÁFORA, RESTA A FECHADURA DO BURACO EM QUE SE METERAM".

VICENTE JORGE SILVA

publicado por luzdequeijas às 11:04
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

"INTERESSE PÚBLICO"

Declarações hoje

Joaquim Vieira defende “desobediência civil” em relação às escutas do Face Oculta

“Na altura em que fui Provedor do Público, escrevi uma crónica na qual referia que chegaria um momento de desobediência civil por parte dos jornalistas. Chegou esse momento. As escutas devem ser publicadas, os jornalistas devem esforçar-se por publicá-las e não se deixarem intimidar”, afirmou Joaquim Vieira citado pelo diário.

O jornalista afirma que em causa está matéria de “interesse público, que se sobrepõe aos direitos privados dos cidadãos”.

“Há suspeitas graves que envolvem pessoas do aparelho de Estado. Não havendo ninguém interessado em desvendar o assunto, cabe aos jornalistas fazê-lo no âmbito do direito à informação, princípio consagrado na Constituição”, concluiu, desafiando os envolvidos a processarem depois os jornalistas”.

Joaquim Vieira

publicado por luzdequeijas às 21:56
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VIRÃO UM ELEFANTE?

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Respeita providência cautelar mas publica escutas não abrangidas

O elefante no meio da sala

Publicado por JoaoMiranda em 11 Fevereiro, 2010

As escutas são uma espécie de elefante no meio da sala. Está um elefante no meio da sala e as pessoas discutem se está um elefante no meio da sala. A facção que diz que não está elefante nenhum no meio da sala vai dizendo:

1. Não tomei conhecimento oficial do elefante no meio da sala por isso ele não pode estar lá

2. A minha religião proíbe-me de ver elefantes, por isso vamos falar como se o elefante no meio da sala não existisse

3. Se ignorarmos as provas visuais (que são nulas), o que lhe garante que está um elefante no meio da sala?

4. Tenho aqui uma notícia da Lusa que prova que eu fui informado do elefante no meio da sala pelo presidente da Confederação dos Elefantes. Ele diz que não recebeu ordem do governo para colocar elefantes no meio da sala. Logo não fui eu que mandei colocar o elefante no meio da sala.

5. Não está elefante nenhum no meio da sala. Eu só estou a ir à volta porque gosto de caminhar.

6. Se mandei colocar um elefante no meio da sala? Não existe nenhum despacho do meu governo a mandar colocar um elefante no meio da sala. Consultem o Diário da República.

7. Olha! Está uma formiga no meio da sala!

8. Tenho aqui um acórdão no Supremo que diz que não há elefante nenhum no meio da sala.

publicado por luzdequeijas às 16:55
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