Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

PESADA CARGA

 
13 Maio 2009 - 00h30

Dia a dia

A pesada carga fiscal

Um relatório da OCDE diz que o factor trabalho é dos menos tributados entre os países da organização que agrupa as trinta maiores economias do Mundo. Esse documento aponta como exemplo uma pessoa solteira sem filhos, com o rendimento médio da economia local, e chega à conclusão de que esse trabalhador pagou 22% do rendimento bruto em IRS e contribuições para a Segurança Social, o que compara com mais de 40% na Alemanha, Bélgica e Dinamarca. A acreditar no relatório, Portugal até parece um paraíso fiscal. Mas as estatísticas, mesmo as oficiais e de entidades respeitadas, podem ser enganadoras.

Os portugueses não pagam poucos impostos porque existe uma baixa tributação na economia, pagam menos impostos do que os trabalhadores dos países mais ricos porque recebem muito menos. Não é justo comparar os impostos pagos por quem recebe 600 euros com a tributação de uma pessoa que ganha dois mil. A pressão fiscal em Portugal já é elevada, mais de um terço da riqueza produzida reverte para a máquina fiscal, e a má notícia é de que nos próximos anos a tributação fiscal vai aumentar. O descalabro do défice e o aumento do endividamento público vão ter de ser pagos pelos contribuintes. Mas esta verdade inconveniente não será anunciada antes das eleições.

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto
publicado por luzdequeijas às 12:36
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CADA CAVADELA ...

 
13 Maio 2009 - 00h30

Heresias

Lealdade desviada

A táctica dos crentes na inocência de Sócrates no Freeport é uma monotonia – perante um facto ou indício que sugerem dúvidas, desvalorizam e apontama rápida extinção do inquérito como o único desfecho possível.

Os socráticos do costume já devem ter ‘arquivado’ o Freeport meia-dúzia de vezes, pelo menos. Reincidiram no seu ‘estado de negação’ diante das desconfianças de alguns magistrados em relação a Lopes da Mota. O problema é que o Freeport é um daqueles casos em que se aplica o adágio: cada cavadela cada minhoca!

O inquérito a Lopes da Mota foi convertido em processo disciplinar – logo, existem indícios suficientes de conduta incorrecta cuja responsabilidade tem de ser aclarada. Sobretudo, importa saber se Mota agiu por si ou se houve mão atrás da mão.

Carlos Abreu Amorim, Jurista
publicado por luzdequeijas às 12:33
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MAIS PRESSÕES

13 Maio 2009 - 02h00
 

Polémica: Lopes da Mota usou nome de José Sócrates para pressionar os magistrados

Procurador usou nome de Sócrates

Os nomes de José Sócrates e de Alberto Costa foram usados por Lopes da Mota para pressionar os procuradores que investigam o Freeport. O CM reconstituiu o conteúdo do relatório final e sabe que esta é uma das conclusões do magistrado Vítor Santos Silva, inspector que conduziu o inquérito das pressões e que propôs a abertura de um processo disciplinar, com proposta de suspensão.

» COMENTÁRIOS

13 Maio 2009 - 11h38  | Tila
Foi L da Mota que usou o nome de Sócrates ou Sócrates que usou Lopes da Mota? Quem tinha a ganhar com o arquivamento?
publicado por luzdequeijas às 12:28
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

ECONOMIA REAL

Fazer hoje para pagar depois, já era. Nos tempos actuais é necessário fazer hoje e pagar hoje, ou então é preferível não fazer. O circuito será interrompido e isso origina uma verdadeira crise da qual nunca mais se sai.

Pensando bem, há aqui uma perfeita analogia com alguma realidade que nós bem conhecemos. A economia tem razões que a razão desconhece .... não só ela, há mais quem desconheça ! Nos dias que correm, é preciso fazer como na história que segue, mas, para obter valor acrescentado, ou seja criar riqueza....... de outro modo serão crises atrás de crises. Mesmo reconstruindo escolas que de há muito deviam ter sido arranjadas. Quem sabe, talvez com o dinheiro do Magalhães ! Claro que não. Na realidade postos de trabalho só se obtêm criando riqueza e a iniciativa privada é o seu motor. A própria China ( "um país dois sistemas")já o percebeu. Quando será que alguns dos nossos putativos políticos de esquerda vão perceber isso, entrando no século XXI ?

 

 ECONOMIA REAL

 Numa pequena vila e estância de veraneio na costa sul da França chove e nada de especial acontece.

A crise sente-se.

Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.

Subitamente, um rico turista russo entra no foyer do pequeno hotel
local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100 € sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.

O dono do hotel pega na nota de 100€ e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100€, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar 100€ que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os 100€ a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito.

Esta recebe os 100€ e corre ao hotel a quem devia 100€ pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes. Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100€. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.

Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e este elementos da pequena vila costeira encaram agora com optimismo o futuro.
 
 
 

 

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 15:43
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ESTADO MAU PAGADOR

12 Maio 2009 - 00h30
 

Contas: Estado é o pior pagador da Europa

Clientes atrasam contas um mês

Os particulares estão a adiar mais o pagamento das suas contas, tendo passado de um atraso médio de 19,2 dias, em 2008, para 30 dias, em 2009, conclui o Índice de Pagamentos Europeus para Portugal. Mas as empresas nacionais também estão a atrasar os seus pagamentos. Só o Estado está a pagar um pouco mais cedo, mas o prazo continua a ser bastante superior ao das empresas (129 dias). O Estado português é o pior pagador europeu.

Os atrasos nos pagamentos afectam a liquidez das empresas que já enfrentam dificuldades no acesso ao crédito. Em termos nacionais, tais como europeus, os atrasos e a falta de pagamento estão na origem da falência de 25 por cento das empresas, de acordo com aquele estudo.

"Atravessamos um momento histórico, no qual a gestão do cash flow representa a vida ou a morte de pequenas e médias empresas em toda a Europa", sublinhou ontem o director-geral da Intrum Justitia, a empresa gestora de créditos que realizou este estudo em 25 países. Luís Salvaterra apelou aos Estados para que façam um "esforço no sentido de pagar melhor".

Apesar de serem os piores pagadores, os Estados aparecem em primeiro lugar na lista de pagamentos das empresas, que deixam para último os seus compromissos para com os fornecedores.

Quanto ao incobráveis, o seu valor mantém-se ao nível de 2008: 2,7 por cento da facturação. Trata-se de um valor que coloca Portugal um pouco acima da média europeia, que se situa nos 2,4 por cento.

SAIBA MAIS

PRIORIDADES

As empresas pagam em primeiro lugar os impostos e as taxas; em seguida, aos bancos, depois à Segurança Social e, por último, aos seus fornecedores.

90%

das empresas alegam que recebem os pagamentos mais tarde porque os devedores estão a enfrentar dificuldades financeiras.

VENDAS

Para recuperarem, as empresas devem escolher bem os clientes e avaliar o risco que correm quando os fornecem, recomenda o estudo da Intrum Justitia.

DÍVIDAS SALDAM-SE CADA VEZ MAIS TARDE

PRAZOS DE PAGAMENTOS EM PORTUGAL (Em dias)

PRIVADO

Duração do pagamento: 55,5 (2007) / 53,3 (2008) / 60,0 (2009) 

Atraso no pagamento: 22,0 (2007) / 19,2 (2008) / 30,0 (2009) 

EMPRESAS

Duração do pagamento: 81,8 (2007) / 80,1 (2008) / 87,0 (2009) 

Atraso no pagamento: 34,7 (2007) / 33,0 (2008) / 35,0 (2009) 

SECTOR PÚBLICO

Duração do pagamento: 152,5 (2007) / 137,8 (2008) / 129,0 (2009) 

Atraso no pagamento: 86,3 (2007) / 80,4 (2008) / 72,0 (2009) 

Fonte: Instrum Justitia

OS PIORES ESTADOS PAGADORES DA EUROPA

1.º, Portugal

2.º, Grécia

3.º, Chipre

4.º, República Checa

5.º, Hungria

6.º, Espanha

7.º, Polónia

8.º, Itália

9.º, Lituânia

10.º, Eslováquia 

Raquel Oliveira
 

 

» COMENTÁRIOS
12 Maio 2009 - 09h45  | ATENTO
E O ESTADO QUER QUE AS EMPRESAS PAGUEM PONTUALMENTE OU SÃO SEVERAMENTE PENALIZADAS,DITADURA?
12 Maio 2009 - 08h16  | BC5
Ninguém pode atrasar pagamentos ao estado, mas o inverso é legal. se o estado desse o exemplo, as PME/economia ganhavam
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por luzdequeijas às 15:37
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PRESSõES

Manuel Moreira  O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, apresenta hoje o relatório sobre o caso das pressõesO procurador-geral da República, Pinto Monteiro, apresenta hoje o relatório sobre o caso das pressões
12 Maio 2009 - 00h30

Freeport: Relatório das pressões discutido hoje

Lopes da Mota deixa ministro de fora

O presidente do Eurojust, suspeito de pressionar os magistrados do caso Freeport a arquivar o processo, assumiu as conversas mantidas com os colegas mas recusou tratar-se de pressões. O cenário mais provável, no entanto, é que seja alvo de um processo disciplinar e, eventualmente, um processo-crime.

Nas declarações feitas ao instrutor, Vítor Santos Silva, Lopes da Mota contou o teor das conversas e os momentos em que ocorreram. Disse ter agido por sua conta e risco e isentou o ministro da Justiça, Alberto Costa, de qualquer responsabilidade. Esta versão, porém, é contrariada pelas declarações dos dois magistrados, Vítor Guimarães e Paes Faria, bem como por António Cluny e João Palma, a quem os dois investigadores do Freeport relataram o que se tinha passado, durante um almoço entre os quatro. Também o juiz Carlos Alexandre, testemunha de um dos episódios, arrasa a versão de Lopes da Mota num depoimento com dezenas de páginas.

No essencial, a investigação confirma que as conversas entre Lopes da Mota e os dois colegas ocorreram em dois momentos. Primeiro, no gabinete dos dois magistrados no DCIAP. Aí, Lopes da Mota disse que estava mandatado pelo ministro da Justiça para falar com eles. Alberto Costa teria falado com José Sócrates e este teria pedido a intervenção de Lopes da Mota junto dos colegas. Primeiro, para lhes perguntar se tinham a noção de serem, neste momento, as pessoas 'mais importantes do País'.

Depois, para deixar claro que se o PS perdesse a maioria absoluta por causa do Freeport haveria represálias e, por fim, que tivessem em conta a nova lei da responsabilidade civil, que os obrigará a pagar indemnizações. No dia seguinte, Lopes da Mota telefonou para Vítor Magalhães, mas o telefonema foi atendido por Paes Faria. Aí, tendo Carlos Alexandre e dois elementos da PJ como testemunhas, Lopes da Mota deu a solução técnica para proceder ao arquivamento do caso.

SAIBA MAIS

RELATÓRIO COM PGR

O relatório, de Vítor Santos Silva, tem 248 páginas e foi ontem entregue a Pinto Monteiro.

REUNIÃO HOJE

 

O relatório é discutido hoje na reunião do plenário do Conselho Superior do Ministério Público. A reunião começa às 10h30.

 

Eduardo Dâmaso / Tânia Laranjo
 

E agora, José?

Arquivar em: Justiça, Política, Portugal — Miguel @ 08:39
 
publicado por luzdequeijas às 15:20
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DEVER DE ISENÇÃO

MINISTROS não o largam

Rangel é obsessão do Governo

PSD acredita em reviravolta nas europeias

 

Em 15 dias, Paulo Rangel conseguiu o inesperado dentro e fora do PSD. Mobilizou o partido, que mal viu nas sondagens (que o dão a três pontos do PS) que pode ganhar as europeias, recuperou ânimo político, e deixou o Governo em estado de alerta. Em duas semanas, um alto quadro da administração e quatro ministros lançaram-se ao cabeça-de-lista do PSD para o Parlamento Europeu. O último, mandou-o "comer Maizena".

" Não vou entrar no ataque verbal", foi a resposta de Rangel, que apenas respondeu a Basílio Horta, o presidente da AICEP (agência do Estado para promover o investimento), por este ter vindo desvalorizar a sua proposta de criação de um novo programa europeu para que os jovens possam candidatar-se a um primeiro emprego na UE.

Rangel fez a proposta no domingo e terça-feira já Basílio Horta a desvalorizava com o argumento de que já existem programas semelhantes. Rangel contestou - a sua proposta não se destina apenas a licenciados - e acusou Basílio Horta de "correr o risco de quebrar o dever de isenção" por estar, enquanto quadro da administração, a responder a um candidato eleitoral. Basílio Horta chamou-lhe "arrogante e ignorante" e Manuel Pinho, o ministro da Economia, veio ajudar à festa : " O Dr. Rangel ainda tem que comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares do Dr. Basílio Horta". A Maizena caçou a chance e lançou uma nova campanha publicitária.

Mas a atenção do Governo de Sócrates ao candidato do PSD nasceu com a própria candidatura. Paulo Rangel anunciou que avançava para a Europa a 14 de Abril e no dia 15 já Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, o comparava a um "D. Quixote".

No 25 de Abril, Rangel verberou a política de grandes obras públicas do Governo socialista e Mário Lino, o ministro da tutela, respondeu-lhe na hora: " o Dr. Rangel tem uma visão salazarenta do país". A 2 de Maio, depois de Rangel ter acusado o Governo de matar a agrícultura por desperdiçar fundos europeus, foi a vez de Jaime Silva, ministro da pasta, o acusar de "estar com muita pressa de ser líder".

Atenta à dinâmica das europeias, Ferrera Leite prepara-se para entrar em força na campanha. A 23 de Maio, no Porto, a líder do PSD apresenta as conclusões dos nove Fóruns da Verdade já realizados pelo partido, sobre temas-chave da governação. A direcção do PSD acredita que uma vitória em Junho pode determinar um ponto de viragem para as legislativas.

Expresso - 09-05-2009

publicado por luzdequeijas às 08:54
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

IDEÓLOGO DO PS

Ensino básico a tempo inteiro...sugiro

POL nº 5517 | Terça, 3 de Maio de 2005
Ensino básico a tempo inteiro
Vital Moreira

Se tivesse de destacar uma das providências anunciadas pelo novo Governo em várias áreas - desde a liberalização da venda de medicamentos que não estão sujeitos a receita médica até à redução das férias judiciais - eu seleccionaria o alargamento do horário de funcionamento das escolas do 1º ciclo do ensino básico, até às 17h30. Parece pouca coisa, mas pode ser uma pequena revolução.
 

Há dois argumentos essenciais a favor dessa ampliação. Primeiro, a escola primária não deve ser somente um espaço de leccionação, mas também um espaço de estudo e de actividades lúdicas. Há muitas crianças que não dispõem em casa de condições de estudo adequadas. A escola pode e deve ser uma plataforma de fomento da igualdade de oportunidades quando ao acesso a livros e outros instrumentos de estudo, incluindo computadores, de que só uma parte dos alunos pode dispor em casa. Segundo, numa sociedade em que ambos os progenitores muitas vezes trabalham, a escola pode e deve ser o espaço de ocupação e de socialização das crianças enquanto os pais estão no emprego. Por isso, aliás, a medida peca por defeito, devendo ser alargada de modo a reter os alunos até que os pais possam buscar os filhos depois do seu horário de trabalho.

O horário reduzido das escolas do 1º ciclo do ensino básico, levado ao extremo nos casos de funcionamento em dois turnos, ocupando cada um deles somente uma manhã ou uma tarde, constitui um dos grandes factores de discriminação social e de privatização furtiva desse grau de ensino. Discriminação social, por um lado, visto que são as famílias em que ambos os progenitores trabalham que mais dificuldades têm em compatibilizar a sua ocupação com a escola dos filhos, se não tiverem meios para contratar uma empregada doméstica para cuidar deles até ao seu regresso do trabalho. Privatização furtiva, por outro lado, dado que essa limitação força muitas famílias a optar por escolas privadas para os filhos, com os inerentes encargos adicionais, para poderem garantir a sua ocupação na escola enquanto os pais se encontram no trabalho.

É evidente que as famílias são livres de preferir escolas privadas às escolas públicas, por várias razões (busca de um ensino de elite, motivos religiosos, indisponibilidade dos pais, dificuldades dos alunos, etc.), arcando com as respectivas despesas suplementares. Isso faz parte da liberdade de ensino, constitucionalmente garantida. Diferente disso é forçar as pessoas a escolher escolas privadas só porque as escolas públicas não preenchem requisitos mínimos de horários, de meios disponíveis, ou de qualidade adequada. Isso traduz uma incapacidade do Estado para cumprir as suas obrigações constitucionais em matéria de direito ao ensino público. Entre nós, a escola privada é uma liberdade, a escola pública um direito.
Sabe-se bem, infelizmente, que o desvio da escola pública não tem a ver somente com questões de horário, mas também com questões de qualidade e de disciplina. Existem relatos inquietantes de incompetência de professores (incluindo em Português), de indisciplina e de insegurança. Todas estas vertentes têm de ser encaradas se se quiser fazer da escola pública aquilo que ela deve ser, ou seja, um espaço de aprendizagem e de formação, de integração e de coesão social e de igualdade de oportunidades. Não pode consentir-se passivamente a degradação das escolas do ensino público básico, deixando-o transformar progressivamente num ensino "de segunda", destinado aos que não têm possibilidades de frequentar as escolas privadas de melhor qualidade.

Não podemos continuar a assistir à "brasileirização" do ensino público básico e secundário. De facto, é sabido que no Brasil a baixa qualidade do ensino público torna-o um gueto dos filhos dos mais pobres, que não podem suportar os elevados custos das escolas privadas, com a consequência de que no fim do ensino secundário a maior parte dos alunos do ensino público não têm qualquer possibilidade de aceder às universidades públicas, mesmo que estas sejam as de melhor qualidade e sejam gratuitas (mesmo para a formação pós-graduada!). Se os filhos dos menos abastados quiserem frequentar o ensino superior têm de ir para universidade privadas, de muito pior qualidade e muito caras. É uma total inversão dos princípios da justiça social. O Estado não investe no ensino público básico e secundário, que é frequentado pelos mais pobres, e depois sustenta integralmente as universidades, quase exclusivamente reservadas para a elite social que pode pagar o ensino básico e secundário privado. Penalização dos pobres, privilégio dos ricos.

Só existe um meio de evitar o desenvolvimento entre nós de um "apartheid" social semelhante, que é investir adequadamente na universalidade e na qualidade do ensino público básico e secundário. Não se trata somente de uma imposição constitucional, mas também de uma elementar exigência de equidade social. A escola pública é um valor em si mesma, enquanto espaço não confessional de pluralismo social e cultural, de neutralidade política e ideológica, de inclusão e convivência cívica.

O anúncio da referida medida governamental suscitou imediatamente a reacção negativa dos sindicatos do sector. Vieram logo os "direitos adquiridos" e a necessidade de compensação financeira pelo trabalho acrescido. Ora, que se saiba, o que não falta são professores vinculados sem horário distribuído ou com horário reduzido, até pelo encerramento de muitas escolas, sobretudo no interior, por falta de alunos. E há também o horário não lectivo dos professores, que não poderia ter melhor utilização do que cuidar dos alunos na escola para além das aulas. É sabido que os professores do ensino básico são comparativamente dos mais bem remunerados da Europa. O mínimo que se pode esperar é que não tenham de receber suplemento de vencimento pelo cumprimento das suas obrigações normais.

O funcionamento alargado das escolas do 1º ciclo do ensino básico é uma providência de elementar racionalidade, que só perde pela demora na sua implementação. Urge tomar as medidas adequadas, incluindo as necessárias mexidas no ordenamento da rede escolar e no regime laboral dos professores e demais pessoal. As escolas existem para os alunos e não para os professores.

publicado por luzdequeijas às 16:30
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PAPA MAIZENA

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
 
 

Empresa de energia apadrinhada por Sócrates e Pinho perde certificação

 
A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, perdeu a certificação de produtora de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão que tinha certificado os seus produtos retirou-lhe essa classificação, no final da semana passada.
Jornal Público

 

Agora a "Economia Portuguesa" precisa é de... Papa

   

 

Pela minha parte, tem o meu voto. A Maizena, claro...

 

 

publicado por luzdequeijas às 12:55
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SAUDOSISMO DE QUÊ ?

HUMORES

Mário Soares, num aparente optimismo pessoal, tem andado por aí a bradar que o neoliberalismo capitalista se esboroou agora, como o comunismo em 1989. Só que em 89 assistimos à queda dos regimes, e à sua substituição pelos modelos de mercado mais radicais. Enquanto agora nada caiu, nada se esboroou, a não ser as contas de uns apostadores em produtos tóxicos. As empresas até apertaram a exploração capitalista, despedindo, e fazendo os privilegiados que se safam trabalharem o triplo, por eles e pelos despedidos - perante a passividade das inspecções de trabalho. E a UE pretendeu aprovar, na semana passada, a semana de trabalho de 78 horas - abuso que tinha sido banido pelo próprio capitalismo liberal no início do século XX.

SOL - 09-05-2009

 

publicado por luzdequeijas às 11:52
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2.ª MARINHA GRANDE ?

( ... ) - A SEGUNDA evidência, já bastante menos consensual, a de que o aparecimento de Vital Moreira no 1.º de Maio da CGTP foi uma acção de oportunismo político e de descarada campanha eleitoral. Há quantos anos não ia Vital à manifestação do 1.º de Maio: 10, 15, 20 anos ? Sentiu agora uma necessidade súbita e um apelo do coração para estar presente ? Estava a representar o PS, não sendo sequer filiado no PS ? E, em anteriores eleições europeias, sempre próximas do 1.º de Maio, algum outro candidato do PS se foi apresentar ao vivo na manifestação da CGTP ? Perguntas que terão respostas esclarecedoras.

Ainda por cima, Vital sabe bem, pelos muitos anos que lá passou, o que a casa ( o PCP e a sua CGTP ) gasta. E não podia ter deixado de prever a hipótese de incidentes. Podia era ter evitado a autopromoção ridícula de se comparar a Mário Soares na Marinha Grande.

José Sócrates recorreu a Vital Moreira como cabeça - de - lista às europeias com o intuito de estancar a saída de votos do PS, que as sondagens, evidenciam, para o PCP e BE. E de captar eleitorado à esquerda. O 1.º de Maio da CGTP já lhe deu uma pequena amostra dos resultados dessa estratégia.

José António Saraiva - SOL - 09-05-2009 

publicado por luzdequeijas às 11:14
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Domingo, 10 de Maio de 2009

SOB SUSPEITA

Porque é que o caso Freeport embaraça Sócrates, por José Manuel Fernandes
25.01.2009 -
Criado sábado, 10 de Janeiro de 2009

O primeiro-ministro viu-se obrigado a vir a público três vezes, em três dias sucessivos, por causa da investigação sobre as condições do licenciamento de um empreendimento comercial, o Freeport de Alcochete. O primeiro tiro que disparou foi completamente ao lado, apesar de o argumento invocado ter sido obedientemente repetido por ministros e porta-vozes. De facto, desta vez, ao contrário do que sucedeu em 2005 na campanha eleitoral e do que ensaiou quando começaram a sair as primeiras notícias sobre as condições em que concluiu a sua licenciatura, José Sócrates não podia vestir a pele da vítima. Ao "estranhar" que o caso ressurgisse num ano eleitoral, não só suscitou a indignação dos magistrados do Ministério Público como caiu no ridículo: o que é estranho não é voltar a falar-se do caso Freeport quatro anos depois, o estranho é só se ter voltado a falar dele tanto tempo depois.

Na edição de ontem do PÚBLICO há uma primeira resposta para essa demora. O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, revelou a este jornal que o processo "está agora a ser investigado" porque foi avocado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal, já que "estava completamente parado".

Completamente parado? E parado porquê? Porquê se, como também referiu Pinto Monteiro, casos como este, que envolvem altas figuras do Estado, devem ser investigados como todos os outros, mas com carácter de urgência por causarem algum alarme da opinião pública?

Era importante responder a esta pergunta, nomeadamente saber se a Polícia Judiciária deslocou para esta investigação os meios necessários ou se foi o contrário que sucedeu. Tal questão, de resto, já circulava nos bastidores, pois estranhava-se que uma investigação cuja existência fora tornada pública em 2005, levando a que o jornal Independente fosse condenado por violação do segredo de justiça, tivesse sido como que esquecida. Teria sido arquivada? Estava a revelar-se muito complicada? Ou estava parada? A resposta certa é a última e só se espera que essa paragem não se deva a qualquer tentativa de abafar o caso.

Contudo, a partir do momento em que se soube que decorria uma investigação sobre o mesmo negócio no Reino Unido tudo mudou. Mais: de imediato se compreendeu que os investigadores ingleses tinham encontrado algo de grave, pois, caso contrário, não teriam ido à reunião de Bruxelas os dois principais responsáveis pela investigação em Portugal, o procurador-geral e o director-geral da Judiciária.

O que se soube nos últimos dias - desde o conteúdo de um DVD em posse da polícia inglesa até às declarações muito comprometedoras de vários familiares de José Sócrates - colocou uma enorme pressão sobre o primeiro-ministro. Uma pressão que não se resolve dizendo não recordar o contacto com um desses familiares. Se o tema da conversa foi o que este já tornou público, é difícil imaginar como um tal contacto pode ser esquecido.

Mas a parte mais complicada da defesa de José Sócrates é a relativa às condições em que o seu ministério deu luz verde ao projecto e ele levou a Conselho de Ministros um decreto-lei para alterar os limites da Zona de Protecção Especial (ZPE) do Tejo exactamente no local do Freeport. Primeiro, Sócrates argumenta que o processo de aprovação do projecto estava concluído, não violava nenhuma das leis então em vigor e tinha o apoio dos técnicos. Ora, se assim era, nada justificava a urgência estampada nalguns dos documentos do processo, nem a sua aprovação na véspera das eleições: um processo tecnicamente irrepreensível não levantaria, por certo, dúvidas aos sucessores de Sócrates na pasta do Ambiente.

Mais fraca ainda é a defesa que faz da ausência de relação entre a aprovação do empreendimento e a alteração dos limites da ZPE do Tejo, ambas formalizadas no mesmo dia. Do ponto de vista formal, é verdade que a aprovação é anterior à entrada em vigor do decreto-lei. Mas do ponto de vista substantivo não se compreende a necessidade desse decreto-lei - para mais aprovado de forma irregular, pois não cumpriu formalidades de consulta prévia a várias entidades - a não ser por uma razão: a autorização do empreendimento violava a portaria que regulava a construção de novos equipamentos no interior da ZPE e o decreto-lei "corrigia" essa irregularidade a posteriori ao tirar de dentro da ZPE o grosso da área edificada do Freeport.

Se José Sócrates tiver melhores explicações para a pressa na aprovação do empreendimento e do diploma e da urgência de o fazer a poucos dias das eleições, deve apresentá-las, sob pena de crescerem as dúvidas sobre a forma como se envolveu no processo ao ponto de promover pelo menos uma reunião importante no seu gabinete.

Quanto ao resto, é positivo que nenhum partido se tenha pronunciado, pois tal violaria o princípio da presunção da inocência. Algo, porém, que nem sempre o PS e o próprio Sócrates fizeram quando foram outros políticos a estar sob suspeita

 

publicado por luzdequeijas às 22:51
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A CRISE VIRÁ DEPOIS

 
10 Maio 2009 - 00h30

Coisas do Dinheiro

E depois das eleições...

Portugal vive a pior fase económica dos últimos 35 anos. Os dados do PIB e do desemprego são aterradores. João Salgueiro, ex-ministro das Finanças, fez um comentário interessante a propósito da previsão da Comissão Europeia. Diz o economista que a "verdadeira crise ainda não chegou a Portugal porque vai haver eleições".

E tem razão: o investimento público e as obras que é necessário terminar antes das eleições, quer nacionais quer autárquicas, acabam por ser uma ajuda para a respiração assistida a que está submetida a economia portuguesa. E este ano os funcionários públicos e pensionistas tiveram um aumento extraordinário, em contra-ciclo com a economia. Com o próximo governo haverá a inevitável factura. Aumentos salariais, talvez só em novo ano eleitoral.

- João Salgueiro tem experiência de crises. Foi ministro das Finanças do último governo da AD e sofreu com a recessão. Na altura não havia a protecção do Euro e o País estava à beira de não ter divisas para comprar cereais. A solução foi o Bloco Central e as medidas draconianas de Ernâni Lopes, que salvaram o doente. E seguiu-se a prosperidade impulsionada pela Europa.

- Mesmo quando a crise terminar, muitas pessoas não vão sentir a retoma no bolso. Os rendimentos não sobem, mas o dinheiro que agora é barato não fica em saldos eternamente.

Armando Esteves Pereira, Director-adjunto
publicado por luzdequeijas às 18:34
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PRUDÊNCIA

Como entender tão grandes diferenças nas sondagens ?

Volto ao tema das sondagens, para referir o caso concreto do CDS/PP. Este partido, nos estudos do Centro de Sondagens da Universidade Católica, agora divulgados, aparece com uma projecção de 2%.

A direcção do CDS divulgou um comunicado lembrando que, nos trabalhos daquele centro de estudos, aparece sempre diminuída em relação aos resultados eleitorais.

Tive oportunidade de receber esse comunicado - mas, mesmo antes de o ler, recordava-me dessas discrepâncias, que desde há anos me eram referidas por Paulo Portas.

São factuais, mas devo sublinhar que, para mim, não põem em causa a capacidade da equipa coordenada por Pedro Magalhães. De qualquer maneira, é verdade que outras sondagens recentemente realizadas atribuem 7% ou mais ao CDS/PP.

TAMBÉM com o PSD algo de semelhante tem ocorrido. Uns estudos falam em 26%, outros em 34%. Como entender ? Como explicar tão grandes diferenças de uns estudos para outros ? Claro que o mesmo acontece com outros partidos, para além dos que mencionei. Ninguém duvida. Mas isso só reforça a ideia que aqui quero trazer: a incerteza que resulta da comparação entre estes trabalhos. Ainda por cima quando, no geral, são dirigidos por pessoas tecnicamente competentes e que fazem questão em respeitar, escrupulosamente, as regras deontológicas .

É este o ponto em que se torna necessário meditar: estudos realizados no mesmo período temporal, por diferentes entidades, sobre a mesma matéria, chegam a conclusões bem diferentes em aspectos relevantes.

Mais uma vez não o digo por mim, mas por todos. Para o país poder atravessar este intenso ano eleitoral com a serenidade possível.

O SOL - 09-05-2009

publicado por luzdequeijas às 15:32
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JUÍZ EM CAUSA PRÓPRIA

Tempo de antena do PS não será investigado

 Palavras para quê ?

 

 

O Ministério da Educação quer deixar morrer o caso do tempo de antena do PS filmado numa escola básica de Castelo de Vide. Maria de Lurdes Rodrigues não vai voltar a pronunciar-se sobre a utilização das imagens dos alunos e já decidiu que não haverá nenhum processo disciplinar ou investigação para apurar responsabilidades.

Numa reunião realizada ontem à tarde na escola, os pais receberam uma carta com pedido de desculpas de Josó Sócrates e um comunicado da Direcção Regional de Educação do Alentejo, a explicar que não vai ser aberto qualquer inquérito.

« Pela escola, o processo fica por aqui», garante a professora Laura Cardinho - uma das duas docentes que apareceram no tempo de antena sobre o computador Magalhães. A professora diz-se indignada pelo aproveitamento «abusivo» das imagens recolhidas, mas confessa que « não vale a pena ir para tribunal». Cristina Lindo, mãe de uma aluna do 1.º ano, é da mesma opinião; «acho que os pais não estão a pensar avançar com acções ».

De resto, os encarregados de educação não saberiam contra quem agir. «Nem sequer sabemos o nome da empresa que gravou as imagens», explicou ao SOL Elsa Turíbla, mãe de um aluno da escola. Depois de ver o filho de seis anos no tempo de antena do PS, Elsa Turíbla foi à escola pedir explicações. Mas as respostas do conselho executivo não foram esclarecedoras. « Não souberam dizer quem é que fez o telefonema a pedir autorização para as gravações», conta a encarregada de educação, que estranha o facto de o pedido da empresa ter incluído referências a alunos específicos. 

« A escola contou-nos que, quando ligaram para lá, pediram para falar com dois alunos de origem africana, carenciados, que receberam os computadores sem pagar» - mostrando ter acesso a dados que só estão disponíveis ao Ministério da Educação. O filho de Elsa - que só recebeu o Magalhães esta quinta-feira - contou mesmo à mãe que teve de decorar o texto da gravação: «Puseram os miudos a dizer o que lhes mandaram».

Contactados pelo SOL, nem o director regional de Educação do Alentejo, José Verdasca, nem o gabinete da ministra quiseram fazer quaisquer comentários.

Margarida Davim - Sol - 09-05-2009   

publicado por luzdequeijas às 14:36
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Sábado, 9 de Maio de 2009

USO DO PRESERVATIVO

                         
D.R.  A ministra da Educação, Maria de Lurdes RodriguesA ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues
09 Maio 2009 - 16h22

               No ensino secundário

Ministra não comenta distribuição de contraceptivos

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, recusou este sábado comentar as propostas sobre distribuição de contraceptivos nas escolas, a partir do ensino secundário, justificando que aguarda os resultados da discussão no Parlamento.

Em declarações aos jornalistas, à margem do encerramento do III Congresso das Cidades Educadoras, em Évora, a governante disse apenas que “as expectativas, hoje, são de uma formação para a cidadania, para a saúde, para a participação na vida política, na vida das cidades”.

“Há muito tempo que a escola deixou de ser o lugar onde se aprende apenas a ler e escrever”, frisou Maria de Lurdes Rodrigues.

A governante comentava assim a notícia avançada este sábado pelo semanário Expresso, de que os projectos de lei do PS e do PCP sobre Educação Sexual prevêem a distribuição de contraceptivos nas escolas a partir do 10.º ano de escolaridade. A medida é votada na próxima semana.

MINISTRA SATIFEITA COM “PROXIMIDADE” COM AS AUTARQUIAS

No final do III Congresso das Cidades Educadoras, Maria de Lurdes Rodrigues congratulou-se por o seu Ministério e as autarquias trabalharem em “grande proximidade” desde há quatro anos.

Durante a sua intervenção, a ministra da Educação destacou a “partilha de responsabilidade” entre a tutela e as Câmaras, assim como a centralidade da escola e a necessidade de toda a comunidade de apoiar os estabelecimentos de ensino na prestação do serviço público de educação.

publicado por luzdequeijas às 18:10
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FALTA DE CREDIBILIDADE

D.R.  Paulo RangelPaulo Rangel
09 Maio 2009 - 16h47

No uso de fundos comunitários

Rangel acusa Governo de ser incompetente

Paulo Rangel, cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, acusou este sábado o Governo de ser incompetente no uso dos fundos comunitários e o PS de não ter “credibilidade” e “seriedade” na escolha dos nomes dos candidatos.

“O Governo incompetente não aplica, não aproveita” disse Paulo Rangel durante o almoço dos 35 anos do PSD, na Exponor, acusando o Executivo socialista de desperdiçar cerca de 6 mil milhões de euros ao aplicar dois por cento dos Fundos Comunitários em dois anos, quando “devia ter executado 20 a 25 por cento”.

Rangel acusou ainda os socialistas de falta de “credibilidade”, inclusive nas escolhas de candidatos ao Parlamento Europeu.

“Que credibilidade, que seriedade tem uma lista em que uma candidata vem dizer aos portugueses que só está na lista para assinar o nome? É este o projecto que o PS tem para as Europeias?”, questionou o candidato ‘laranja’, afirmando: “Com o PS não há seriedade, não há credibilidade, temos que fazer a viragem no dia 7 de Junho”.

 

publicado por luzdequeijas às 18:06
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PLANO TECNOLÓGICO

QUE PLANO TECNOLÓGICO ?

 

Muito do seu enfoque vai para o que interessa ao Governo, e não para o que os portugueses têm de melhor para mostrar

 

Já todos ouvimos falar do "Plano Tecnológico". Mas afinal o que é o plano tecnológico ? Muitos devem pensar que é uma marca, outros que é onde podemos encontrar financiamento para os projectos na área das tecnologias de informação, etc.

Eu próprio já tinha pensado muitas destas coisas, mas entretanto tive o privilégio de conviver em primeira pessoa com o famoso plano tecnológico, e retirar as minhas conclusões.

Mas antes disso vamos primeiro dar um salto ao sítio do plano tecnológico para ver o que é que encontramos como definição.

Eis o que encontrei: " O Plano Tecnológico é uma agenda de mudança para a sociedade portuguesa que visa mobilizar as empresas, as famílias e as instituições para que, com o esforço conjugado de todos, possam ser vencidos os desafios de modernização que Portugal enfrenta". Bom, então é uma espécie de família tecnológica, onde todos juntos venceremos .... Vamos ler um bocadinho mais: " O Plano Tecnológico, como uma estratégia para promover o desenvolvimento e reforçar a competetividade do país, baseia-se em três eixos: conhecimento - qualificar os portugueses para a sociedade do conhecimento; tecnológico - vencer o atraso científico e tecnológico; inovação - imprimir um novo impulso à inovação". Entendemos então que é para qualificar os portugueses e dinamizar a inovação para vencer um "atraso" científico e tecnológico. Eu bem sei que somos pessimistas, mas " atraso científico e tecnológico" ?

Da experiência que tenho, por ter trabalhado cerca de seis anos noutros países, posso afirmar que atrasados nesta matéria não estamos, talvez noutras. Em Portugal há muita empresa a inovar e muito bons crânios a desenvolver soluções. Se está atento ao programa " Made in Portugal" da TSF pode encontrar mais de 100 empresas a desenvolver soluções, onde algumas inclusive vendem para a NASA. Quase que sugiro que não seja "atraso" mas sim vencer a continua evolução tecnológica. Já que o ano não é animador, pelo menos vamos tentar ser um pouco mais optimistas. Contudo, e como dizia antes, eu próprio já recorri ao plano tecnológico sendo que o defino da seguinte forma : um local onde podemos apresentar os nossos projectos, e receber apoio para chegar aos intocáveis do Governo, aos mais preguiçosos que se fazem ocupados. Ou seja, um bom abre portas para obrigar aqueles que nada fazem a fazer algum. isto é bom, mas triste ao mesmo tempo, porque afinal somos tão formais, tão hierárquicos, que até precisamos de instituições que resolvam aquilo que são barreiras do « old fashion» mas que em Portugal se vêem de grande importância. Não deixa de ser um bom programa na sua essência, mas podia ser melhor. Começando por atrair mais talentos portugueses, através de iniciativas que até podiam ser premiadas, incluir financiamento para os melhores projectos, e ser um selo de qualidade em projectos que assim o mereçam. Mas não é. Muito do seu enfoque vai para aquilo que ao próprio Governo lhe interessa, e não para o que os portugueses têm de melhor para mostrar.

Presidente da Zonadyanced - Expresso - 18-04-2009

publicado por luzdequeijas às 16:50
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FEIRA DA LADRA

 

Há imagens que valem mais que mil palavras.  Uma fotografia do chamado computador português, de seu nome "Magalhães" à venda na Feira da Ladra, pode ser bem uma metáfora dos tempos que correm. A fotografia veio publicada em jornais da semana passada.

Não, não estou a falar da crise que levou alguém a colocar à venda um computador que lhe foi dado pelo primeiro-ministro. Terá sido um pai desempregado e desesperado, que procura na venda do "Magalhães" uma ajuda para pagar a prestação da casa ao banco ? Não sabemos. O que sabemos é que, na feira das curiosidades e inutilidades, alguém pôs à venda  um símbolo do " plano tecnológico", o plano que ia tirar o país do secular atraso, levando o conhecimento às criancinhas.

Pode ser da crise, claro. Mas será só isso ? Não ! É muito mais do que isso. Vamos partir do princípio que se tratou de uma opção consciente de alguém que atribui menos valor ao "Magalhães" do que a outro utensílio doméstico. Eis um primeiro dado para reflexão. Será o "Magalhães" o instrumento certo para motivar as crianças e respectivos pais a aceder ao conhecimento e à tecnologia ? Muitos especialistas dizem que não. Era bom, avaliar o impacto que esta iniciativa está a ter precisamente nesse ponto. era bom, mas duvido que essa avaliação algum dia seja feita. O segundo dado é o valor do "Magalhães". Ou seja, como é que as pessoas se relacionam com um bem que lhes é dado. De graça, sem pagarem um cêntimo. A não ser num caso de desespero, só se vende um bem quando o preço de venda é superior ao preço de custo, ou então quando o bem já não tem qualquer valor para o próprio. Se o bem custou zero é sempre ganho. É o caso do "Magalhães". É exactamente este ponto que nos remete para a segunda reflexão. Por motivações políticas e eleitoralistas instalou-se nos últimos anos, pelo menos na última década, a ideia de que tudo é fácil e barato. O Estado dá tudo a toda a gente. Nada em milhões que vêm de fora e que também nada custam. No Governo Guterres ficaram célebres os      " pacotes financeiros". Havia um problema no sector têxtil ? Avançava  um pacote de apoios. Na construção ? outro. E assim sucessivamente até ao descontrolo orçamental.

Essa cultura veio e ficou. Passou do Estado para o cidadão. O país habituou-se a viver de apoios, acima das suas possibilidades. Se outros têm eu também quero ter. Esse tempo passou. As pessoas começam a perceber. O Estado parece que não.

Expresso - Luís Marques - 09-05-2009 

publicado por luzdequeijas às 16:00
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" DEVANEIO PRIMAVERIL"

A classe política, e os portugueses em geral, tem-se ocupado a discutir a solução governativa a partir de Outubro próximo. Com todo o respeito, parece-me um devaneio primaveril. Um país que deve ao exterior mais de 100% do seu PIB anual (sim, caro leitor, cerca de 20.000 euros cada um de nós, ainda que por interpostas pessoas), e se endivida à razão de dois milhões de euros por hora (10% do PIB anual), pode até escolher Governo ( os executantes) mas já não tem escolha de políticas..

Eu sei, como o leitor, que há uma única solução condigna: produzir mais e exportar mais. Só que já não há tempo para essa solução e, nos tempos mais próximos, já não há alternativa a gastar bastante menos ( nós todos, Estado, empresas e famílias).

Infelizmente. Podemos até fingir que nos esquecemos desta dura realidade.

Não importa. Lá para Novembro, quando começar a aproximar-se o Inverno, os credores imporão, primeiro a política e, se necessário, os próprios executantes. E quanto mais "marialvas" nos mostrarmos, mais depressa nos obrigarão a gastar menos. 

O FMI tratou do assunto em 1977 ( Governo PS-CDS) e em 1983 ( Governo de Bloco Central). Em 2010, os credores far-se-ão representar pela Comissão Europeia. Votemos, entretanto.

Expresso - Daniel Bessa - 09-05-2009 

 

Pequeno comentário: Tínhamos de chegar aqui. De lamentar que José Sócrates tivesse optado por esconder esta realidade dura, ao povo, e continuaase a vender-nos "sonhos" durante quatro anos, por querer continuar agarrado ao poder. Não tem o mínimo perfil para desempenhar a liderança da nova odisseia que espera o povo português. Talvez aprendamos agora que, primeiro se produz riqueza e só depois se gasta.  "Comer fiado " e acreditar em pessoas sem qualificações mínimas para poderem gerir o nosso suor, ainda que falem muito bem, leva a esta triste situação em que nos encontramos.

publicado por luzdequeijas às 15:13
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'Fruto' da Inveja

Vila do Conde: Judiciária fez levantamento de património e arquivou caso

Mário de Almeida acumula fortuna de um milhão

Mário Almeida, presidente da Câmara de Vila do Conde há 28 anos, é o segundo autarca mais poupado do País. Tem um património que o próprio avalia em um milhão de euros, dos quais 800 mil estão no banco. Um património "razoável e capaz de criar invejas", assegura, garantindo que sempre pactuou com a legalidade.
 
 
José Rebelo  Mário Almeida garante que investigação foi fruto da invejaMário Almeida garante que investigação foi fruto da “inveja”
publicado por luzdequeijas às 12:52
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INFORMAÇÕES SECRETAS

 

 

Mário Cruz, Lusa  Pinto Monteiro, Rui Pereira e José Sócrates durante cerimónia de aniversário da GNRPinto Monteiro, Rui Pereira e José Sócrates durante cerimónia de aniversário da GNR
04 Maio 2009 - 00h30

Freeport: Concluído relatório sobre pressões a magistrados

Inquérito pronto já esta semana

O procurador-geral da República (PGR) garantiu ontem que o inquérito relativo às pressões exercidas sobre os magistrados do Ministério Público (MP) que dirigem as investigações ao caso Freeport estará concluído ainda esta semana.

Segundos depois de se ter despedido do primeiro-ministro, José Sócrates, na cerimónia de aniversário da GNR, que decorreu em Belém, Pinto Monteiro disse que o resultado do inquérito aberto pelo Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) seria conhecido "no início deste mês, esta semana ainda".

Recorde-se que o processo dirigido desde 7 de Abril pelo inspector do MP Vítor Manuel Santos Silva visa esclarecer os factos relativos às alegadas pressões de Lopes da Mota – representante português no Eurojust – sobre os titulares da investigação ao caso Freeport, Paes Faria e Vítor Magalhães. O CSMP justificou a instauração do processo por subsistirem "divergências de interpretação sobre os factos ocorridos".

A polémica em redor de Lopes da Mota surgiu depois de um encontro com Paes Faria e Vítor Magalhães, no qual o presidente do Eurojust terá invocado o nome do ministro da Justiça para os "sensibilizar" para o arquivamento da investigação relativamente ao primeiro-ministro.

Lopes da Mota veio, entretanto, negar, mas nem uma reunião promovida pelo procurador-geral da República e que sentou à mesma mesa os três protagonistas permitiu chegar a um consenso.

DENÚNCIA FEITA A CAVACO

A denúncia das pressões sobre os procuradores do caso Freeport foi feita por João Palma a 30 de Março, dois dias depois de ter sido eleito presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP). Palma desmentiu afirmações anteriores de Pinto Monteiro e pediu uma reunião urgente com Cavaco Silva.

Dias depois, o procurador-geral da República chamou Lopes da Mota a Lisboa e, numa iniciativa inédita na Justiça portuguesa, fez uma acareação entre os dois procuradores, Vítor Magalhães e Paes Faria, Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, e o presidente do Eurojust.

No final da acareação, Pinto Monteiro propôs que fosse emitido um comunicado conjunto, mas Vítor Magalhães e Paes Faria recusaram subscrever tal documento.

 

João C. Rodrigues
publicado por luzdequeijas às 00:16
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

MASSA CRÍTICA

DEMAGOGIA BARATA

 

 

A vida dos políticos seria muito mais calma se fosse possível omitir o passado. A nossa seria mais calma se houvesse uma disposição constitucional que os proibisse de dizer disparates. Sobretudo quando invocam os nossos filhos. Como nem uma nem outra das hipóteses é possível, resta-nos cuidar das crianças e não deixar aos políticos essa responsabilidade.

Afirmar que o Estado não deve fazer obras enquanto houver crianças com fome é tão demagógico como dizer que o Estado faz obras para tirar as crianças da fome. E, no entanto, é isto que de forma tão improvável liga Durão Barroso a Mário Lino. Há ainda outra coisa que os liga: as obras fazem-se e continuarão a fazer-se, mas sem encher o estômago de muitas crianças.

Antes de se exilar em Bruxelas o ex-primeiro-ministro Durão Barroso deixou muita obra decidida, incluindo do aeroporto da OTA. Mas deixou por resolver os problemas sociais que, em campanha eleitoral, invocou para a não fazer. Chamam a isto pragmatismo. Afirmar na oposição o que é fácil, fazer no poder o que é necessário, mesmo que um seja o contrário do outro. A política está cheia de casos destes. Há mesmo quem diga que na política moderna só se chega ao poder assim.

O ministro Mário Lino acaba de acrescentar um cunho pessoal a esta tese: Ou seja, com demagogia. As obras públicas não resolvem os problemas sociais, nem devem deixar de ser feitas por causa das causas sociais. Desde Cavaco Silva que o país está em obras, mas continua a empobrecer. No entanto, o país estaria mais pobre, se algumas obras não fossem feitas.

O PSD tem razão quando diz que há obras a mais. Mas perde-a quando invoca a pobreza para não as concretizar, se ganhar as eleições do próximo ano. Há obras a mais porque o país não precisa delas, nem tem dinheiro para as pagar. Basta andar pelo país para perceber o desperdício de dinheiros públicos feito por governos e câmaras. Auto-estradas quase desertas, rotundas por todo o lado, centros de congressos e polidesportivos às moscas, pontes e viadutos  a esmo, num caos a que alguns iluminados chamam modernidade.

Na sua concepção dirigista o ministro Mário Lino sintetizou a ideologia que significa tamanha loucura: " estamos a pôr o PIB a crescer". O "estamos" é o Governo, é claro. O instrumento é a obra pública, como sempre. Infelizmente, os números mostram que Portugal é, em termos relativos, um dos países da Europa com maior investimento público, mas com menor crescimento e maiores índeces de pobreza.

A ilusão de que a obra pública faz crescer a economia de forma sustentada só tem paralelo na ideia de que é preciso cortar nas obras para acudir aos pobres. Entre ambas a única coisa comum é a demagogia.

Luís Marques - Economia - Expresso 

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O ESTADO APODRECEU

No País das meias-tintas

 

Convenhamos: 35 anos é tempo suficiente para o amadurecimento da democracia. E para, democráticamente, reconhecer-se que o sistema político e partidário está apodrecido. E, por isso - precisamente em nome e defesa da democracia - é, mais do que chegada a hora de pensar seriamente numa profunda reforma constitucional.

Fora os directórios partidários, os lóbis, e as organizações secretas que florescem e ganham perverso poder e influência na directa proporção da crise do sistema - porque, todos eles, dela aproveitam - , é generalizada a desilusão com o estado podre e crítico a que chegou a República. ( .... )

Sol - Mário Ramires - 01-05-2009

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PS,"Bluff " ENCAPOTADO

08 Maio 2009 - 00h30
 

A Voz da Razão

Casamento de conveniência

Quem acredita no divórcio entre Alegre e Sócrates? Eu não. Verdade que o bardo já avisou que dia 15 decide se fica no PS ou se vai à sua vida. Mas o dilema, se merece o nome, não passa de uma encenação pífia, ao gosto grandiloquente do poeta.

Sócrates e Alegre estão condenados um ao outro e o casamento, como qualquer casamento de conveniência, só existe porque oferece vantagens a ambas as partes. Para Sócrates, ter Alegre dentro do PS, de preferência calado e comportado, permite estancar qualquer sangria eleitoral à esquerda, isto no ano em que todos os votos contam.

E, para Alegre, ficar no PS é a única forma de garantir e preparar, com a bênção do partido, o assalto a Belém quando 2011 chegar. A telenovela em curso, sob a capa dos ‘princípios’, é apenas um folhetim reles sobre ‘interesses’.

João Pereira Coutinho, Colunista
publicado por luzdequeijas às 12:06
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O ESTADO EM CACOS

 
08 Maio 2009 - 00h30

Direito ao Assunto

2 mais 2 ainda são 4

A crise actual tem sido aproveitada para muita coisa. Até para nos convencerem de que 2 mais 2 já não eram 4. Foi assim que nos juraram que cortar despesas, simplificar a administração, flexibilizar leis laborais e aumentar a concorrência nos mercados – tudo isso era "neo-liberalismo" e estava passado. O Estado, sem mais complexos acerca do seu peso e complicação, ia pegar-nos ao colo, poupando-nos a todos os riscos e esforços. Teríamos finalmente almoços grátis.

Há, no entanto, alguns detalhes que os profetas do novo reino da abundância e da facilidade ainda não esclareceram. Por exemplo, como é que, sem passar pelo tal "neo-liberalismo", poderá a nossa economia voltar a crescer? Ou ainda: como é que vamos financiar o défice e a dívida pública que andamos a engordar à conta da crise?

Não é difícil adivinhar as respostas. Esta semana, o ex-ministro Campos e Cunha, depois de examinar a contabilidade do estatismo em curso, prometeu-nos para os próximos anos um "aperto orçamental nunca visto na história da democracia portuguesa". E é também porque cada vez há menos dúvidas a esse respeito que tanto se fala em "Bloco Central". Enquanto 2 mais 2 forem 4, será assim: não perguntes o que o Estado pode fazer por ti; pergunta antes o que vais ter de fazer pelo Estado – outra vez.

Rui Ramos, Historiador
publicado por luzdequeijas às 12:03
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SOCIEDADE CIVIL

 
08 Maio 2009 - 00h30

Economia Livre

Avaliação independente

Em Portugal a sociedade civil habituou-se, infelizmente com muitas e fundadas razões, a desconfiar dos partidos políticos e do sistema de influências que domina Portugal. O resultado está à vista, com o afastamento de muitos dos nossos melhores da vida política activa e o condicionamento cada vez mais evidente das decisões relevantes para Portugal por um número cada vez menor de indivíduos, cada vez menos legitimados para o efeito.

O Estado domina progressivamente grupos formalmente privados, assiste-se a inexplicadas ascensões de pessoas e até de instituições e campeia a desconfiança sobre a apropriação particular dos nossos recursos comuns por certos grupos em benefício ilegítimo (mas não necessariamente ilegal) de determinadas criaturas.

A sociedade civil critica a classe política mas esquece-se de que também não cumpre o seu papel. Em concreto, num país em que as decisões cada vez mais acontecem no contexto acima sumariamente descrito, a justiça não funciona, e as associações empresariais são infelizmente mais dependentes de apoios públicos do que o corrente nas democracias avançadas, a sociedade civil tem a obrigação de promover organismos independentes que avaliem de forma sustentada e fundamentada as políticas públicas, sua concretização e seus efeitos. Nunca o fizeram em Portugal. Admito que não o venham a fazer. Mas devem pelo menos reconhecer que não o fazendo tornam-se coniventes e perdem autoridade.

António Nogueira Leite, Economista
publicado por luzdequeijas às 11:59
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

A ILEGALIZAÇÃO DA DIREITA

O 25 de Abril continua envolto em nevoeiro mitológico, melhor, em vários nevoeiros mitológicos. É tempo de o 25 de Abril sair do pedestal do mito e entrar na história. Aliás, a melhor maneira de comemorar passa por começar a estudá-lo, em vez de o comemorar com passeatas.

Em "Marechal Costa  Gomes - No Centro da Tempestade" ( Esfera dos Livros), o historiador Luís Nuno Rodrigues oferece-nos um pormenorizado relato do percurso militar e político de Costa Gomes. O livro defende que Costa Gomes, enquanto Presidente, conseguiu evitar a guerra civil entre as forças democráticas e as forças autoritárias lideradas pelo PCP. Ora, aqui, eu gostava de destacar outro ponto; algo que funciona como cenário inamovível de todos os actos dessa peça de teatro que foi o PREC, incluindo o acto que evitou a guerra civil.

O PREC foi marcado pelo confronto entre o " socialismo pluripartidário" e o socialismo autoritário. Contra o socialismo ditatorial do PCP, as forças democráticas geraram um consenso em redor do tal "socialismo pluripartidário", a única senha que garantia legitimidade. Este "socialismo pluripartidário" - mil vezes defendido por Costa Gomes - era visto como a única coisa que poderia evitar, ao mesmo tempo, o regresso ao passado autoritário de Salazar e o avanço para o futuro autoritário de Cunhal. Mas o que era, em concreto, este socialismo pluralista? Bom, o "socialismo pluripartidário" parece-me, precisamente, o nome de código do «Trade-off» que evitou a guerra civil. Para evitar que Lisboa passasse a ser Havana de Cunhal, as forças democráticas tinham de impor um "pluralismo partidário". Porém , este pluralismo partidário vinha acompanhado de um preço: a ausência de pluralismo ideológico. O país não caminharia para o comunismo autoritário, mas, em troca, a única "direita" aceitável seria o "socialismo pluridemocrático". Desta forma, todos os partidos foram forçados -  pelo Conselho da Revolução a aceitar o " socialismo pluripartidário". O Trade-off de Costa Gomes evitou a guerra civil, mas matou a diversidade política da III República. Este acordo ilegalizou a direita democrátrica dentro da III República.

E essa ilegalização criou raízes. Ainda hoje as pessoas falam do "arco governamental" ( PS, PSD, e CDS ) por oposição aos revolucionários ( PCP-BE). Este "arco governativo" é, assim, o novo nome de código do "socialismo pluripartidário". Ou seja, mesmo quando não está no Governo, o PS "governa" o país através deste consenso que o PSD e CDS nunca tiveram coragem de romper, 35 anos depois, a direita continua ilegalizada.

Henrique Raposo - Expresso - 25-04-2009 

 

Comentário : Em boa verdade em 25 de Abril 1974, saímos de uma ditadura e entrámos noutra. Quem passou por isto sabe que não foi fácil ! Viveram-se momentos muito conturbados: prisões, saneamentos, expropriações, ocupações selvagens, violência, enfim o poder caíu na rua. Melhor, ficou nas mãos das Forças Armadas, estando estas completamente impreparadas politicamente e desmembradas hierarquicamente.

Para sairmos da ditadura de esquerda, tivemos de aceitar uma constituição que nos impunha caminhar rumo ao "socialismo". Foram criados partidos mas sem ideologia, o rumo estava imposto.sem consulta popular! O socialismo estava e está totalmente desacreditado, mundialmente! Não há um país para servir de exemplo!

Hoje, temos o País com um sistema político todo centrado na  esquerda! Nos tempos actuais, isto é um absurdo e não deixa evoluir a nossa economia, por ausência de uma classe empresarial que, sempre que desponta é barbaramente destruída ! São estas raízes que o povo interiorizou e o leva a votar muito mais à esquerda, o que não acontece no resto da Europa. A demagogia da esquerda faz o resto. É um dos nevoeiros mitológicos.

Assim vai Portugal, de mal a pior ! Fiquemos por um exemplo : as eleições em Matosinhos, em 2005 : PS - 47,2%, PSD/CDS 30,8%, CDU 8,6, BE 7%, Partido Humanista 0,5% . A esquerda soma, 63% !

Altere-se rapidamente a constituição e determine-se que os "actos sociais" não são paternidade do Estado, não são filhos da esquerda ou da direita, mas, sim, o resultado do trabalho do povo e dos impostos que paga ! Não têm dono.

Serão sempre obra de quem cria riqueza e essa, é produzida pelo povo e pelos empresários, nunca pelo Estado que alberga dezenas de empresas altamente deficitárias nos seus resultados económicos. Também elas absorventes do suor do povo !

O Estado esbanja e empobrece o país. Contudo serve de albergue a muita gente incompetente, que não tem experiência ou saber para gerir um "barco" tão grande. Nem sequer para gerir o seu próprio partido! 

publicado por luzdequeijas às 21:58
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O NOSSO TECIDO ECONÓMICO

Regresso às origens - ( ... ) Há umas semanas , Soares dizia num artigo no DN aproximadamente o seguinte: na economia, tudo o que seja aumentar o controlo do Estado é bom, tudo o que seja beneficiar a iniciativa privada é mau.

Ora, ainda que eu compreenda esta afirmação, uma pessoa com visão e responsabilidade não a deveria fazer. Um dos maiores perigos desta crise financeira e económica é dizimar o tecido económico privado, colocando demasiado poder nas mãos do Estado.

Isso é já claramente observável em Portugal.

Veja-se o que se passa na banca: a transformação do BCP numa segunda Caixa Geral de Depósitos, a nacionalização do BPN, a dependência dos banqueiros em relação ao Governo mercê das garantias dadas aos bancos.

 Veja-se o que se passa nas empresas onde o Estado tem a maioria ou Golden Share: as administrações não têm coragem para dar um passo sem o aval do Governo. Veja-se o que se passa com muitos empresários, que estão hoje de cócoras perante o Governo à espera de subsídios, de facilidades de crédito, de encomendas públicas, etc.

O poder do Estado já é, pois, asfixiante na economia. Onde iremos parar, se esse peso aumentar - e se se acentuar o descrédito e a falta de confiança da iniciativa privada ?

António José saraiva - SOL - 01-05-2009

publicado por luzdequeijas às 16:57
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CUSTA A PERCEBER

( .... ) CUSTA a perceber que Mário Soares, que durante o tempo em que esteve na política activa combateu os que sobrevalorizavam o papel do Estado e os poderes públicos ( travando com o PCP uma luta sem tréguas), venha agora a defender o contrário. É um regresso às origens - ao tempo em que andou na esfera do Partido Comunista.

Mas um regresso às origens muito fora de tempo - e num momento em que esse tipo de discurso pode ser fatal para o nosso futuro.

Como já escrevi uma vez, quando os outros países começarem a sair da crise nós não teremos condições para o fazer - porque a nossa classe empresarial estará exangue e de rastos.

José António Saraiva - Sol - 01-05-2009

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Classe Empresarial

( .... ) Regresso às origens -

 

Nos finais do século XIX e princípio do século XX começava a surgir em Portugal um embrião de capitalismo industrial e financeiro, com homens como Alfredo da Silva, Burnay ou Sotto Mayor - mas veio a República e partiu-lhes a espinha. E Salazar, com a sua mentalidade anti-capitalista completou o trabalho, impondo entraves ao desenvolvimento industrial e financeiro.

No fim do marcelismo, porém, afirmava-se outra vez uma burguesia na indústria e na banca, com Champalimaud ou Cupertino de Miranda - mas veio o 25 de Abril e decapitou-a, afugentando do país as grandes fortunas. 

Agora, quando começava outra vez a surgir um arremedo de classe empresarial com alguma autonomia  em relação ao Governo, veio a crise. (..... ) 

Antonio José Saraiva - SOL - 01-05-2009

publicado por luzdequeijas às 13:53
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DECÊNCIA PRECISA-SE

( CASO FREEPORT )

Lopes da Mota em maus lençóis

 

O magistrado, suspeito de pressionar os procuradores do inquérito do outlet de Alcochete, deverá ser alvo de um processo disciplinar

 

Na próxima terça-feira , 12, a secção disciplinar do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), reunir-se-á para analisar o relatório do inspector Santos Silva, nomeado para apurar se houve pressões da parte do procurador Lopes da Mota sobre Paes de Faria e Vítor Magalhães, os dois magistrados que conduzem a investigação do caso Freeport. Caberá aos dez elementos daquela secção deliberar o arquivamento ou, antes, a instauração de um processo disciplinar ao actual director do Eurojust. Ao que a VISÃO apurou junto de fontes do CSMP, a maioria dos conselheiros inclina-se para a segunda hipótese, pelo que o relatório deverá ser  devolvido a Santos Silva, para que seja deduzida acusação e proposta uma sanção. Os membros do CSMP terão recebido indicações de que todas as pessoas inquiridas por Santos Silva confirmaram terem os dois magistrados encarregados do caso Freeport sido intimados no sentido de arquivarem os autos com referências a José Sócrates. Além de Paes de Faria e Vítor Magalhães, foram ouvidos João Palma, líder do sindicato do MP, e o Juiz de instrução do processo, Carlos Alexandre.  Lopes da Mota, por seu turno, negou ter feito qualquer pressão, alegando, ao invés, que alertou os seus colegas, para a eventual prescrição dos indícios relativos ao primeiro-ministro.

No caso de Lopes da Mota vir mesmo a ser alvo de um processo disciplinar, e ele resultar numa pena de inactividade ou suspensão de actividade enquanto procurador do MP, durante alguns meses,, este magistrado terá, forçosamente, de abandonar a liderança do Eurojust - cargo do qual só pode ser oficialmente exonerado pelo ministro da Justiça.

Tiago Fernandes - VISÃO - 07-04-2009 

publicado por luzdequeijas às 11:32
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TUDO ÁS CLARAS

07 Maio 2009 - 00h30
 

Heresias

Regime de casos

O PS está engasgado com a polémica sobre a continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado. Os dirigentes socialistas surgiram com inusitada vontade de pôr água na fervura, garantindo que ser ouvido num inquérito parlamentar não é motivo de demissão de um cargo político. Percebe-se o embaraço: como quase tudo na política actual, deve-se ao caso Freeport.

O PS acordou cheio de horror a eventuais comparações. Defender a saída de Dias Loureiro no presente contexto (como alguns militantes têm feito, avulsamente) seria arriscar uma perigosa analogia se Sócrates vier a ser chamado para depor no imbróglio Freeport.

Cada vez mais, os casos BPN e Freeport parecem ser duas faces da mesma moeda – aquela que este regime tem cunhado descaradamente nos últimos 30 anos.

Carlos Abreu Amorim, Jurista
publicado por luzdequeijas às 11:29
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

A NOSSA CRUZ

O Primeiro-Ministro - garantiu, na entrevista à RTP, que o Governo será «humilde» no combate à crise, corrigindo, se necessário, medidas lançadas para combater a recessão. A palavra humildade não é das que José Sócrates mais tem usado desde que ascendeu à chefia do Governo, nem o "rótulo" de humilde é, justa ou injustamente, o que melhor se lhe cola, pelo que é relevante que o transmontano tenha falado assim, admitindo que, se necessário dará a mão à palmatória. Se o engenheiro vai agir assim como promete só o tempo dirá, mas o certo é que os anúncios que fez na área económica, ainda que bem intencionados, não passam disso mesmo: modestos, humildes, pobres. Estender o subsídio social de desemprego a mais 15 mil pessoas deverá custar ao Estado bem menos do que muitos empresários que abandonam o país custaram aos contribuintes,  ainda que, naturalmente, os "pobres" - do subsídio - agradeçam ao Governo este esforço. Esperava-se o anúncio de medidas mais estruturais pelo antigo ministro do Ambiente, que continua a insistir que as obras públicas vão ajudar o país a sair da crise, quando todos sabemos que só vão arrancar a sério dentro de alguns anos e que, entretanto, muitas empreitadas poderiam lançar-se para criar emprego no imediato. Nas estradas, por exemplo, ou na reabilitação urbana, medidas que obrigariam, contudo, a transferir verbas para as autarquias sem olhar a cores políticas. E isso, poderia não beneficiar (apenas) o Governo, ou o PS, que se prepara para um ano decisivo. A «cruz" de Sócrates não é só o Freeport, como antigo militante da JSD aludiu ao "caso". A cruz é a economia, o pessimismo, a descrença perante a política e o vazio em que se tornou a vida de tantos portugueses privados de trabalho a quem se dá uma "esmola". São estas as cruzes que Sócrates terá de arrastar; com humildade, até ao "calvário" que promete ser as legislativas de Outubro.

Ricardo David Lopes - SOL - 24-04-09.   

 

 

publicado por luzdequeijas às 22:03
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DIRECÇÃO COMERCIAL DE LUXO

Descida do petróleo " trama" negócios com a Venezuela

Linha de e 200 milhões criada pela CGD para apoio às  exportadoras ainda não foi accionada

 

A maioria dos grandes projectos de infra-estruturas acordadas, há cerca de um ano, entre empresas portuguesas e o Governo de Hugo Chaves, dependentes do investimento das autoridades venezuelanas, ainda não arrancaram ou estão numa fase preliminar.

A exportação de medicamentos de farmacêuticas nacionais para a Venezuela, num montante previsto de e 20 milhões, também está por iniciar. E a linha de apoio especial de e 200 milhões, criada pela Caixa Geral de Depósitos em 2008 na sequência das várias visitas oficiais de governantes de ambos os países, para a troca de exportações portuguesas por crude da companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) não foi ainda accionada. Quem está a travar a entrada em força das empresas portuguesas no mercado venezuelano é, ao que tudo indica, a descida abrupta do preço do petróleo - hoje a valer 50 dólares por barril, longe dos 140 atingidos em meados de 2008 - e uma menor disponibilidade de Chavez, agora mais preocupado em resolver os problemas internos. Responsável por 90% das exportações, o petróleo é o grande, e quase único, motor da economia venezuelana, eleita pelo Governo português como um dos novos parceiros comerciais. do país.

A descida vertiginosa do preço do petróleo nos últimos meses arrastou a Venezuela para a recessão - o Fundo Monetário Internacional prevê que o produto interno bruto recue 2,2% em 2009 e a inflação dispare para os 36% - e obrigou já Chaves a fazer cortes na despesa pública ( - 6,7%), adiando alguns dos projectos acordados com as empresas portuguesas em Maio de 2008. Um deles é a construção de 50 mil casas pré-fabricadas pelo grupo Lena, um negócio que ascenderia a e 2 mil milhões, em seis anos. Mas há mais projectos atrasados, como a construção de um hospital, em Caracas, pela Edifer. Aguarda também luz verde a definição de uma data pelas autoridades venezuelanas para o arranque da construção de dois navios pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.  Em aberto está ainda a construção de mais dois navios. Os quatro representariam um investimento de e 200 milhões. A aguardar o respectivo pagamento para avançar está também o contrato da Efacc com a distribuidora eléctrica venezuelana.

A Atral Cipan e a Bial, que com mais 5 farmacêuticas nacionais esperam a qualquer momento começar a exportar medicamentos para a Venezuela, estão a ultimar procedimentos. Mas acreditam que as primeiras remessas de medicamentos chegarão à Venezuela ainda este ano. Já o laboratório para produção de antibióticos desenhado pela Atral Cipan - um projecto chave na mão que renderia e 35 milhões - poderá sofrer atrasos.

A reconversão do porto La Guaira, projecto de um consórcio liderado pela Teixeira Duarte, avaliado em e 500 milhões, está na fase de sondagem e projecto de execução, iniciada em 2008. A construção da barragem de Dos Bocas ainda não passou do papel.

Expresso - 01-05-2009

 

Comentários: Parece-me que em tudo na vida, mais ainda na economia, nunca devemos pôr os ovos todos no mesmo cesto.

Vindo o azar ficamos sem ovos !

Depois, a leitura deste artigo dá-nos uma visão do procedimento, constante deste Governo, demasiado enfiado em negócios, queimando, mesmo, as normais barreiras éticas, aconselháveis neste campo !

 

Claro que ficámos a saber que a Venezuela, apesar de grande produtor de petróleo, um bem sempre vendido, também está a sentir os efeitos da crise! Só não se entende, como tem um entendimento tão diferente do nosso primeiro-ministro e, optou por se retrair nos investimentos como: medicamentos, pré-fabricados, hospital, navios, distribuidora eléctrica, laboratório, reconversão de um porto, barragem, etc. ! Como trataria um TGV ?

Digamos que, com excepção de produtos alimentares ( espero que vendam muita farinha "Maizena"), tudo está pendurado! Como é que José Sócrates pensa que para enfrentar a crise o melhor é o investimento público e o seu amigo do peito, Hugo Chavez, se retrai até nos bens mais sociais ! É mais inteligente e honesto do que se poderia supor!

 

Será que a dívida externa da Venezuela é muito maior que a nossa ? Não posso acreditar ! Também o desemprego na Venezuela, embora culturalmente diferente, está mais baixo que o nosso ? Também não acredito . Um dia hei-de perceber .... . Estou a começar a comer "papa" Maizena .

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 17:21
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FARINHA MAIZENA

SÓCRATES, SA

 

Durante anos, mais em privado do que em público, os empresários queixavam-se do poder político. Nesta legislatura aconteceu um milagre. O poder empresarial, mais em público do que privado, adora o poder político. Para ser mais preciso, adora Sócrates. A paixão é tão intensa que hoje em dia é difícil encontrar um projecto empresarial que não esteja associado ao primeiro-ministro, ou uma iniciativa governamental na esfera económica em que não seja visível algum interesse empresarial em fundo. H

á crise na Fábrica Bordalo? A Visabeira compra. Quem anuncia a operação aos trabalhadores sob o foco das televisões ? José <sócrates. Fica a dúvida. Foi um negócio ou uma medida política ? A Visabeira estava mesmo interessada na Fábrica Bordalo ou deu o seu inestimável contribut para a estabilidade social ?

Quem salvou as minas de Aljustrel ? José Sócrates ou a Martifer? Lendo as notícias parece ter sido o primeiro-ministro, embora tudo indique que seja a Martinfer a pagar a conta. Detalhes, claro. O que interessa é que nos telejornais o primeiro-ministro, usando ums imagem da tgauromaquia, foi levado em ombros pelos mineiros.

É um turbilhão imparável. A Caixa investe algures no mundo? Lá está José Sócrates substituindo-se a Faria de Oliveira. A PT cria postos de trabalho no interior? O primeiro-ministro é o covidado de honra. Há " Magaslhães" para vender? Aí vai José Sócrates transformado em director comercial, de escola em escola, país a país. 

A coisa está de tal forma que já ninguém faz perguntas. E quem as faz é olhado com desconfiança e catalogado como perigoso agente do " bta-abaixismo" e do pessimismo. Não há dúvidas de que a paixão é inimiga da razão. Por isso nem vale a pena perguntar quem paga os magalhães, se houve concurso, se a Visabeira e a Martinfer estavam mesmo interessadas em ir às compras, quem é que verdadeiramente manda na Caixa e por aí adiante. Problemas resolvidos, a mensagem passou, siga a Marinha.

O poder empresarial está rendido. Isto é muito melhor do que alguma vez imaginou. Umm primeiro-ministro com espirito de empresário é uma dávida dos céus. E, por isso mesmo, paga na mesma moeda. É raro o dia em que um empresário, dos que contam, claro, não aparece num jornal, ou na televisão, para garantir aos portugueses que, sem José Sócrates, seria o caos.

O poder empresarial, o que conta para o poder político, ganhou um inesperdo e super administrador executivo. Chama-se José Sócrates.

Expresso - Luís Marques - 25-04.2009

 

publicado por luzdequeijas às 15:13
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INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

Golpe no Alentejo

A suspensão da extracção e da produção de zinco nas minas de Aljustrel e Neves Corvo, esta já no concelho de Castro Verde, é uma decisão empresarial legítima mas vem desferir um rude golpe naquela região do Baixo Alentejo. Aljustrel e Castro Verde são concelhos mineiros com histórias diferentes mas, no essencial, as consequências sociais e económicas são iguais. Depois dos tempos prósperos das pirites, Aljustrel viu fechado o ciclo de algum desenvolvimento da economia local quando as minas fecharam. Foi uma morte lenta que se prolongou pelas décadas de 80 e 90. Com o fim das minas de Aljustrel foi morrendo o pouco comércio e aumentada a incapacidade de fixar jovens e quadros. A vida mineira transferiu-se em parte para Castro Verde quando as minas de Neves Corvo adquiriram maior pujança. Mas esses também são tempos que já lá vão. Quando Sócrates e o sorridente ministro Pinho foram, em Maio passado, apadrinhar a reactivação da vida mineira nos dois concelhos, todos os amanhãs cantavam.  O "bom"  investimento estrangeiro foi ali amplamente glorificado. Hoje, pelo menos, espera-se que essa boa-viagem do Governo em apadrinhar investimento numa zona tão carente e esquecida pelo poder central se mantenha. Que ao menos os dinheiros públicos não sirvam apenas para alimentar o desvario de empresas municipais como a Gebalis, EPUL e companhia.

Os mineiros merecem mais atenção !

CM - Eduardo Dâmaso   

 

publicado por luzdequeijas às 14:46
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CARA E MÁ

Justiça para ricos, justiça para indigentes e nada no meio

28.03.2009, Francisco Teixeira da Mota

 

O Estado quer obrigar os cidadãos a pagar antecipadamente um serviço que não se sabe quando virá a ser concretizado

 

O papel do Estado na vida dos cidadãos é tema de permanente controvérsia.
Existirão sempre aqueles que entendem que o Estado já interfere demasiado nas nossas vidas e se deveria ocupar exclusivamente das tarefas inalienáveis de defesa das fronteiras, da nossa segurança e da justiça e aqueles que clamam por mais Estado no nosso quotidiano e, aproveitando a maré da crise financeira, defendem as nacionalizações da segunda vaga.
Mas, mesmo que aceitemos um papel reduzido do Estado, ainda assim há que discutir como é exercido esse papel.
A defesa nacional, uma tarefa que não é, em princípio, privatizável, por exemplo, deve implicar a mobilização de todos os cidadãos numa espécie de serviço cívico ou deve ser deixada estritamente aos profissionais, pagos para nos defender?
E na justiça, estabelecido o consenso de que a mesma não deve passar a ser privada, embora se corra sempre o risco de isso acontecer, qual o papel do Estado? Proporcionar o acesso à justiça a todos ou só a alguns?
No nosso país, a opção, cada vez mais, é no sentido de a justiça só ser acessível a pessoas com capacidades económicas razoáveis ou aos miseráveis.
Para além de um sistema de apoio judiciário que, teoricamente, visa assegurar aos que não têm possibilidades económicas o acesso aos tribunais mas que tem tão aperfeiçoados filtros que, pode dizer-se, é mais fácil um camelo passar por uma agulha do que um remediado ter acesso à justiça, está prevista a entrada em vigor no próximo dia 20 de Abril de novas reformas das custas judiciais que, mais uma vez, virão encarecer o acesso ao sistema
judicial.
A ideia que estará por detrás destas sucessivas reformas não será exclusivamente a de angariar mais receitas para o Estado, embora não deixe de o ser também, mas essencialmente o que se pretende é dissuadir os cidadãos de recorrer aos tribunais.
A Ordem dos Advogados não pode deixar de tomar atitudes firmes no sentido de impedir que se concretize o que já está anunciado, nomeadamente a obrigatoriedade para quem tem de recorrer à justiça, de pagar "à cabeça" a totalidade das custas do processo.
Sabendo-se as dificuldades que vivem muitos portugueses e o tempo que os processos levam nos nossos tribunais é um verdadeiro escândalo, revelador de um enorme despudor, que o Estado pretenda obrigar os cidadãos a pagarem-lhe antecipadamente um serviço que não se sabe nunca quando virá a ser concretizado. Isto para além de tal exigência ser de uma enorme violência individual, já que obrigará muitos dos cidadãos que recorram à justiça a viver na penúria depois de satisfazer a gula das custas judiciais.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 12:38
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O CRIMINOSO SEMPRE AUSENTE

Velho e triste fado

A quebra de 20% de cobrança no IVA no primeiro trimestre do ano, que custou ao Estado cerca de 736 milhões de euros, é um sinal de que a economia está parada. O IVA é o imposto sobre o consumo final, e por isso é o melhor barómetro da actividade económica. As contas do estado sofrem severamente. Por cada euro gerado na economia, o Fisco arrecada mais de 33 cêntimos de impostos.

Se a mais recente previsão do Banco de Portugal estiver correcta, a riqueza produzida vai baixar quase seis mil milhões de euros e o Fisco vai perder perto de dois mil milhões. Do outro lado das contas, sobem as despesas com o desemprego. E os cheques que o Governo está a prometer aumentam a pressão. Quando acabar esta crise, voltaremos ao velho fado, que provocou a outra crise que sofremos nos últimos sete anos. O desequilíbrio estrutural do défice traduz-se na acumulação da dívida pública. Há dez anos, Portugal reduziu o endividamento para menos de 60% do PIB, com a privatização de algumas jóias. A crise que se seguiu voltou a fazer derrapar as contas. Não será de estranhar que em 2010 a dívida do Estado corresponda a 80% da riqueza gerada no País. E já há poucos anéis para vender. Quando a Europa voltar à retoma, lá voltará a velha e triste música das contas públicas.

CM - 22-04-09

 

Comentário : O  (os) responsáveis por este triste e velho fado, fogem sempre quando chega o momento de apertar o cinto. Saem de mansinho e voltam em breve para provocarem de novo a desgraça do povo, que durante anos sofreu para  ter um futuro digno, como os outros países. É fácil detectá-los : dizem-se sempre de esquerda, falam fluentemente ( até dá gosto ouvi-los), só que a música sai cara. Todavia o povo voltará a elegê-los, carcomido como está por duas loas velhas e gastas: a esquerda ("os amigos dos trabalhadores") e a verborreia barata ( desenvolvida para enganar o alheio). É este o triste fado de Portugal e do seu povo !

publicado por luzdequeijas às 11:53
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TRISTE CONCLUSÃO

Não houve festa, pá

 

As celebrações do 25 de Abril, infelizmente, confundem-se com um rosário de louvores ao regime. A propósito da arrancada de Salgueiro Maia e do fim de uma guerra que os políticos de então não tinham sabido resolver, os políticos que agora temos vitoriam-se a si mesmos - mas estão quase tão alheados do País como aqueles que, em tempos que já lá vão, comemoravam o 28 de Maio.

Não tenhamos ilusões: este regime está gasto, caduco, enrodilhado nos problemas que nunca soube resolver, preso a dirigentes medíocres e incapazes de renovar nas pessoas e nas ideias.

O melhor que nos resta do 25 de Abril são os direitos fundamentais e a União Europeia. E só o facto de estarmos no clube europeu impede que esta terceira República sofra um fim idêntico ao da Primeira.

CM _ 28-04-2009  Carlos Abreu Amorim

publicado por luzdequeijas às 09:34
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Terça-feira, 5 de Maio de 2009

HÁ QUEM COMA MAIS !

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

A acefalia do Ministro Pinho

 


O ministro Manuel Pinho, o tal que ninguém percebe o que anda a fazer, vem dizer que o deputado e cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, "tem de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares de Basílio Horta".
Manuel Pinho deveria saber que a arrogância não é compatível com democracia e todos os cargos políticos são escrutináveis e passageiros em democracia.
Mais uma palermice e anedota política de Manuel Pinho, esta a propósito de Paulo Rangel ter advertido o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, de que "corre o risco de estar a violar o seu dever de isenção" ao contestar uma proposta do PSD.
Rangel defendeu que "não se compreende porque vem um quadro da Administração Pública contestar uma proposta de um candidato a umas eleições (...) estranhando-se que um agente administrativo respondesse às suas ideias de criar um programa para colocar jovens candidatos ao primeiro emprego na Europa (...) e a proposta do PSD nada tem a ver com os programinhas da AICEP".
Basílio Horta, reagiu, porque, como se sabe, os favores pagam-se, afirmando que as medidas propostas por Paulo Rangel relativamente à criação de emprego para jovens europeus "já existem".
E assim segue o debate político!
 
 
publicado por luzdequeijas às 22:31
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PANDEMIA de GRUPO

Investimento de 27 milhões em Condeixa-a-Nova previsto pela Medinfarma
A fábrica anunciada por três ministros e que nunca saiu do papel 
05.05.2009 - 12h46 Luísa Pinto
Se se tivesse concretizado o investimento anunciado em Janeiro de 2006 por três ministros e um secretário de Estado, Portugal pertenceria hoje ao restrito número de países do mundo com capacidade de produzir vacinas antigripais.

E, por esta altura em que a epidemia de gripe A ameaça o mundo, um grupo farmacêutico português, a Medinfar, estaria a produzir e a vender vacinas contra a gripe para outros países do mundo. Mas não é o grau de adesão do Governo (estiveram Correia de Campos, Manuel Pinho e Mariano Gago a assistir à assinatura do protocolo de entendimento entre a Medinfar e a Agência Portuguesa para o Investimento) que garante a eficácia de um anúncio. Dois anos e meio volvidos, nada do que foi anunciado saiu do papel.

Em causa estava a criação de uma nova fábrica de produção de vacinas antigripais a construir junto ao complexo industrial que a Medinfar tem em Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra. Essa nova unidade representava um investimento global de 27 milhões de euros - metade dos quais seria assegurado pela empresa portuguesa -, deveria ter iniciado a sua laboração no terceiro trimestre de 2007 e em 2008 já devia assegurar o abastecimento de 63 por cento do mercado nacional em termos de gripe sazonal.

O anúncio do investimento foi feito no rescaldo da chamada gripe das aves e pareceu ao Governo importante que o país criasse condições para se preparar para um nova epidemia. Ministros da Saúde, da Economia e da Ciência associaram-se ao evento, que dava sinais de que "a biotecnologia começava a dar frutos em Portugal", como referiu Mariano Gago, ministro da Ciência, e que preparava Portugal para combater "o egoísmo" dos outros países. "Se se vier a concretizar, infelizmente, a ameaça de pandemia, cada país - não tenhais dúvidas - jogará no egoísmo nacional e tratará de resolver os seus próprios problemas e só depois abrirá as portas para ceder aos outros países a sua produção", disse na cerimónia o então ministro da Saúde, Correia de Campos. O ministro da Economia assegurou que o protocolo iria ser transparente e seriam publicitados os apoios dados pelo Estado em matérias de incentivos fiscais, apoios à contratação e à formação profissional.

"Devo recordar que o Governo não se comprometeu a gastar um tostão. O único compromisso que assumiu foi o de comprar a preços de mercado as vacinas que ali fossem produzidas", recordou ontem ao PÚBLICO o ex-ministro da Saúde, Correia de Campos. Foi também o ex-ministro quem, sucintamente, explicou a razão por que o investimento não saiu do papel: "A empresa portuguesa queria fazer um investimento assente em tecnologia molecular, e tinham projecto científico com alguma ambição. Mas depois perceberam que a concorrência internacional ia mais avançada nessas matérias e acabaram por desistir", explica.

O PÚBLICO tentou durante o dia de ontem contactar o presidente do grupo Medinfar, João Almeida Lopes, que é também o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), mas sem sucesso. Segundo a informação que a farmacêutica disponibilizou há cerca de um ano, citada pela imprensa, a decisão de suspender o investimento foi tomada depois de terem sido analisadas "diferentes opções científicas e tecnológicas susceptíveis de serem utilizadas para a produção das referidas vacinas" e de um estudo às "potenciais parcerias com entidades estrangeiras especializadas em biotecnologia". Essa avaliação permitiu concluir que as soluções "não apresentavam a consistência necessária à prossecução do projecto".

Segundo o relato do ex-ministro, foram os responsáveis da empresa que manifestaram ao Governo a intenção de avançar para uma fábrica que pudesse produzir 800 mil vacinas por ano para a gripe sazonal e que, ao mesmo tempo, estivesse desde logo preparada para readaptar a sua produção às necessidades de responder a uma pandemia, assim que fosse conhecida a estirpe do vírus em causa. "Nós só nos podíamos associar a esta intenção, já que não investíamos um cêntimo, e apenas nos comprometíamos a comprar, em caso de pandemia, as vacinas que ali fossem produzidas, e a preço de mercado", sublinhou.

Público

publicado por luzdequeijas às 22:20
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FUTURO COMPROMETIDO

PAÍS ENDIVIDADO

 

De acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, o crédito malparado das famílias está a crescer a uma taxa que não se verificava desde 2003 e o ritmo de crescimento di incumprimento das empresas é o mais elevado de sempre.

De sublinhar ainda, de modo particular, que dívida de Portugal ao estrangeiro deverá atingir em 2008 os 100% do PIB.

Tudo isto são sinais de alarme de uma situação financeira que, na prática, é insustentável.

Na verdade, está-se perante um país que cresce à custa do crédito, em vez de crescer de forma mais proporcional ao que produz.

Nessa medida, está a ficar "hipotecado" .

Ora, não há forma de corrigir este desequilíbrio a não ser pela restrição à concessão de crédito com o consequente agravamento dos respectivos encargos.

Qualquer destas consequências implica um desincentivo ao crescimento económico.

Por isso, qualquer política de investimento que ignore estes condicionalismos e continue em grande parte a ser suportada por recurso ao crédito, não pode trazer nada de bom.

Expresso - Manuela Ferreira Leite

publicado por luzdequeijas às 16:03
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Retrospectiva

Para quem não o leu no Expresso...


> (POR CLARA FERREIRA ALVES)
>
> Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo,
> dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos
> (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público
> acrítico, burro e embrutecido.
>
> Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril
> distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos
> seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de
> gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a
> "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos
> roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais
> honesta que estes bandalhos.
>
> Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO
> PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos
> políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER
mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os
> ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai
> continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa
cavalgadura)
> desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação
> das Novas Oportunidades.
>
> Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio
> dos mafiosos.
>
> A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
>
> Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito
> maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com
> isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do
> encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita
e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por
> uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final,
> assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais

inconclusivo
> do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
>
> Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada
> acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é
definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
>
> Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi
> crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso
Casa
> Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o
> que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos
crimes houve.
>
> Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de
> enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a
> verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma
> coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes
> são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
>
> E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado
> de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos
computadores
> e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de
> notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a
> saber com toda a naturalidade.
>
> Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas
ao
> primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da
> Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica,
da
> corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a
> Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas
> tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem
> acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados,
> muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e
devidamente
> punidos?
>
> Vale e Azevedo pagou por todos?
>
> Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor
> Beleza com o vírus da sida?
>
> Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num
> parque aquático?
>
> Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos
crimes
> imputados ao padre Frederico?
>
> Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre
> Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
>
> Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça
foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
>
> Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e
> enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
>
> No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível,
alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
>
> As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da
> criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia
> espalha rumores e indícios que não têm substância.
>
> E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as
crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
>
> E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns
> menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
>
> Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
>
> E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela
> reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários,
> políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
>
> E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do
> grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
>
> O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado
por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
>
> E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado
> doentes por negligência? Exerce medicina?
>
> E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho
> branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda,
> coxa e marreca.
>
> Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são
> arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao
esquecimento.
>
>
> Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
>
> Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram
as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de
> crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos
sobre meninas ficaram sempre na sombra.
>
> Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de
> protecçõels e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e
> reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
>
> Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
>
> Clara Ferreira Alves - "Expresso"
 
 

publicado por luzdequeijas às 15:54
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TRISTE SINA

CONFISSÃO

 

O problema dos Portugueses e de poucas personalidades políticas de referência que respeitem, gostem ou não delas, pura e simplesmente pelo exemplo que são e pela consistência da sua actuação, acentua-se de dia para dia.Todo o País se assemelha a um lodaçal onde nos afundamos e poucos políticos tratam de limpar a alma e de enfrentar a crise.

O Presidente da República, já o escrevi, é uma delas. Com o Primeiro-Ministro sucede cada vez mais o contrário. Sócrates sai a perder muito mais do que parece na resposta que deu a uma intervenção do Presidente: na forma e no conteúdo. Na forma, porque está longe de ser elegante, no conteúdo, porque não tem nenhum. E vir agora esclarecer que a resposta se dirigia à Oposição não convence ninguém.

Pese a pouco polida resposta a um alerta consistente, não acabará a cooperação institucional, pela simples razão de que o Presidente é um institucional, põe as instituições bem à frente destas coisinhas pequeninas que a politiquice  tem e ignora-as olimpicamente, bem sabendo que todos os esforços se devem concentrar em soluções para as dificuldades e não em trocas de galhardetes que para além de não servirem para nada também não lhe vão ao feitio.

Mesmo na entrevista de terça-feira, no que verdadeiramente

importa, o Primeiro-Ministro não só nada adiantou como tornou clara a inconsistência do Governo. Afirmou aliás algo de verdadeiramente extraordinário, por demonstrativo, da total ausência de um programa integral para combater a crise: anunciou a disponibilidade para em qualquer altura adoptar novas medidas. Disponibilidade ? Então temos um Governo disponível? Em qualquer altura? Então não era tempo para existir  já um programa estrutural e em execução? Novas medidas? Mas não era suposto as novas medidas estarem já pensadas, planificadas?

O Governo não tem aprovadas soluções nenhumas para sectores estratégicos, num momento em que da economia ao social nada ficará na mesma. E isso mete medo, por todos nós e, em particular, pelas gerações mais novas. O Governo não interiorizou ainda que vamos empobrecer décadas? Não explica aos portugueses? Não entende que a planificação é urgente e que as campanhas eleitorais que se avizinham não podem sobrepor-se a respostas necessárias à coesão social e a uma sustentabilidade mínima para o País?

Afinal andamos à deriva, foi esta a confirmação do Primeiro-Ministro. Poucos ouviram.

CM - 23-04-2009

 

 

publicado por luzdequeijas às 10:39
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DESCULPAS INVERTEM-SE

Jorge Paula  Vital Moreira foi  insultado, agredido e chamaram-lhe traidor  Vital Moreira foi insultado, agredido e chamaram-lhe traidor
05 Maio 2009 - 00h30

1.º de Maio: Cabeça-de-lista do PS alvo de insultos

Bloquista insulta Vital

Os incidentes no 1º de Maio em Lisboa conheceram ontem mais uma polémica que começou nos blogues. Nas imagens da RTPN, um dos elementos que chama "traidor" ao cabeça-de-lista do PS às europeias, Vital Moreira, é militante do Bloco de Esquerda, originário do Ruptura/FER. Délio Figueiredo está ligado à área ambiental e chegou a integrar a lista das legislativas de 2005 por Coimbra.

O debate atingiu proporções tais que o visado respondeu no blogue ‘Arrastão’: " Graças ao activismo de muitos bloggers da praça, já temos uma cara e um nome. Um bode expiatório. Podíamos-lhe pintar um símbolo qualquer na entrada de casa, que dizem? (...) Faça-se uma análise às imagens e publiquem-se todas as caras e nomes", sem referir explicitamente se esteve presente.

Uma fonte oficial do BE limitou-se a dizer que, a ser militante, "não é funcionário ou dirigente", remetendo para as declarações de Miguel Portas, cabeça-de-lista às europeias, a demarcar-se claramente e a lamentar os incidentes .

De facto, algumas das referências à descrição física (e não do nome) de Délio Figueiredo surgiram em blogues de pessoas ligadas ao PCP. Ontem, os comunistas exigiram desculpas do PS por estar a fazer um "ajuste de contas" com o caso. Já o socialista Manuel Alegre advertiu para generalizações abusivas dos acontecimentos.

Cristina Rita
publicado por luzdequeijas às 10:35
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MARINHA GRANDE

 
05 Maio 2009 - 09h00

Causas e consequências

Uma triste farsa

Não há nada como uns borrifos de água e meia dúzia de insultos despropositados para fazer de cada um de nós um democrata de gema, incapaz de conviver com a intolerância alheia e o sectarismo que tão bem caracteriza os ímpetos da populaça.

Como parece óbvio, se o dr. Vital Moreira, num acesso de boa vontade, decide passar parte do seu dia em franco e ameno convívio com os manifestantes do 1º de Maio, seria de esperar que estes o saudassem alegremente, com vivas ao Governo e palmas às suas políticas. Infelizmente, os manifestantes não tiveram essa presença de espírito: em vez de o colocarem num andor, levado em glória por sindicalistas agradecidos, deixaram-no à mercê de um pequeno grupo de energúmenos que, sem compreender a grandeza do seu gesto, o apelidou de "traidor" e de outros epítetos de igual gabarito.

Em menos de nada, o dr. Vital Moreira subiu à categoria de vítima (uma categoria particularmente cobiçada por qualquer socialista que se preze), enquanto os seus agressores desciam a níveis inqualificáveis. Até o nosso Nobel, um velho e reconhecido combatente da liberdade, defendeu, com grande espírito de tolerância, a expulsão imediata dos eventuais militantes do PCP que terão estado na origem do desacato – embora reconheça humildemente que não sabe a proveniência partidária dos elementos que, desde já, quer expulsar. Um pormenor que, como se vê, não afecta as grandes consciências que nos caem em sorte.

O PS, por sua vez, tenta compreensivelmente encontrar uma Marinha Grande que o salve do desastre desta campanha: enquanto o seu candidato garante que foi agredido por militantes comunistas – "está-lhes na massa do sangue", como o próprio deve saber, depois de anos de feliz convivência – o dr. Vitalino Canas exige um pedido de desculpas formal por parte do PCP pelo "caldo de cultura" que criou na sociedade portuguesa. A exigência, infelizmente, não teve a resposta adequada e, neste momento, é já o próprio PCP que exige um pedido de desculpas ao PS pelo facto de este lhe ter exigido um pedido de desculpas – e assim se vai transformando um drama sem sentido numa triste farsa do regime.

Há, no entanto, formas mais eficazes de o PS alcançar este seu louvável objectivo. A bem de uma nova Marinha Grande e dos seus hipotéticos benefícios eleitorais, o partido pode sempre enviar o primeiro-ministro para as manifestações que se organizam contra as "políticas de direita" do seu magnífico Governo. Esta iniciativa, sim, teria um sucesso mais do que garantido: tabefes em barda, insultos aos molhos e o precioso ámen desse grande democrata que é José Saramago.

Constança Cunha e Sá, Jornalista
publicado por luzdequeijas às 10:30
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ALMA LUSITANA DE RASTOS

Notícia

                                                
Paulo Carriço, Lusa  Os números confirmam que se trata de uma séria recessão internacional, diz Teixeira dos SantosOs números confirmam que se trata de uma séria recessão internacional, diz Teixeira dos Santos
05 Maio 2009 - 00h30

Previsões: Endividamento do Estado dispara

Dívida consome 80% da riqueza

O endividamento público português deverá atingir, no final do ano, os 75,4 por cento da riqueza criada no País (Produto Interno Bruto) e o défice os 6,5 por cento, antecipa a Comissão Europeia nas suas Previsões da Primavera, divulgadas ontem em Bruxelas. Para 2010 estes indicadores apresentam-se ainda piores, com o endividamento a ultrapassar os 81 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e o défice a atingir os 6,7 por cento.


As contas públicas portuguesas vão continuar a agravar-se ao longo deste e do próximo anos, bem como a economia real com as exportações a caírem, o desemprego a aumentar, o qual deverá atingir no final do ano os 9,1 por cento e os 9,8 por cento em 2010. A única boa notícia diz respeito à inflação que continuará num patamar reduzido.

"Esta redução do PIB prevista pela Comissão Europeia terá consequências em termos de défice orçamental, na medida em que esta redução da actividade económica se traduz numa redução da receita cobrada pelo Estado, com consequente agravamento do défice", afirmou Teixeira dos Santos.

"Os números que agora foram divulgados pela União Europeia confirmam os que há algumas semanas foram apresentados pelo Banco de Portugal. Confirma-se que estamos perante uma séria recessão internacional que, em particular, se traduz numa redução muito significativa da procura externa sobre os produtos portugueses", comentou o ministro das Finanças.

Ou seja, "na base dos números, está uma quebra das exportações, associadas a uma redução significativa do investimento privado", acrescentou Teixeira dos Santos, que irá apresentar dentro de dias as previsões do Governo. Entretanto, o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Joaquin Almunia, disse ver sinais de "estabilização" da conjuntura na zona euro, mostrando que esta "já não se encontra em queda livre", após uma fase aguda de recessão. As previsões apontam para uma quebra do PIB europeu da ordem dos quatro por cento para este ano e para uma estabilização em 2010.

CENÁRIOS

  2009 2008
PIB   -3,7  -0,8 
Défice   6,5  6,7
Desemprego  9,1  9,8
B. Comercial   -9,8  -9,5
Inflação   -0,3  1,7
Dívida Pública  75,4  81,5

'ECONOMIST' DÁ VITÓRIA A SÓCRATES

A edição desta semana da revista ‘Economist’ tem um artigo sobre Portugal. "Uma péssima economia e um eleitorado apático podem dar a vitória ao actual primeiro-ministro em Outubro", refere a publicação que destaca o facto de o " produto ‘per capita’ ter caído para 75% da média da União Europeia " e os portugueses serem um dos povos " mais pessimistas da Europa". A publicação fala também do caso Freeport e da investigação que dura desde 2005, adiantando que Sócrates nega qualquer tipo de favorecimento. "O atraso do sistema judicial prejudica a competitividade do País", adianta a revista.

REACÇÕES

"ORÇAMENTO NÃO CORRESPONDE À REALIDADE" (Hugo Velosa, PSD)

"Estas previsões demonstram que a realidade que consta dos documentos oficiais do Governo é completamente falsa, que aquilo em que se baseia o Orçamento do Estado para 2009 e o Orçamento Suplementar deste ano não correspondem à realidade."

"PORQUE SE EXIGIU TANTO ESFORÇO" (José Alberto Lourenço, PCP)

"Um cenário negro resultado da profunda ineficácia das medidas do Governo, com resultados praticamente nulos. Prevê-se que o défice orçamental, em torno do qual este Governo tanto se aprimorou, ultrapasse o de 2005. Voltámos à estaca zero. Então porque se exigiu tanto esforço aos portugueses?"

"OBRIGAÇÃO DO GOVERNO É DIZER A VERDADE" (Diogo Feio, CDS)

"Estas são as previsões [da Comissão Europeia] que fazem mais uma rectificação ao orçamento rectificativo. Por isso mesmo, a obrigação do Governo hoje é, cada vez mais, ter realismo e dizer a verdade às pessoas. Estas previsões revelam que o apoio social é imperativo neste momento."

"É UMA DERRAPAGEM VERTIGINOSA" (Francisco Louçã, BE)

"Números revelam derrapagem vertiginosa. Corre-se risco de estar neste momento já com quatro por cento de quebra do PIB, o que significará um défice acima de seis por cento já para este ano... e ainda pior em 2010, não só a este nível como também no aumento do desemprego."

“PREVISÕES SIGNIFICAM DIFICULDADES E FALÊNCIAS” (João César das Neves, Economista)

Correio da Manhã – As previsões da Comissão Europeia apontam, nomeadamente, para um aumento do endividamento público e agravamento do défice. O que significam estas previsões para os portugueses?

João César das Neves – Significam dificuldades, falências, desemprego... que a crise é séria. Mas, ainda assim, estas previsões, apesar de serem piores do que as anteriores, são menos graves que as últimas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e é a primeira vez que isso acontece.

- O que pode fazer, individualmente, cada português para amortecer esta crise?

– Tem de poupar dinheiro mas o drama está no desemprego. Porque para quem tem um emprego seguro até poderá ter mais dinheiro. Mas, em princípio, a crise, apesar de ainda demorar, não vai ser tão prolongada.

- As medidas que o Governo tem tomado chegam? O que acha que pode ser feito?

- O Governo pouco pode fazer perante esta crise internacional... pode ajudar as famílias e algumas empresas que tenham capacidade. Mas deve ir acompanhando a situação e ver em que medida essas acções estão, de facto, a ajudar, no terreno.

 

Raquel Oliveira com Lusa
publicado por luzdequeijas às 10:25
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

RELATÓRIO DE PERITOS

d.r.  António MoraisAntónio Morais
04 Maio 2009 - 00h30

Relatório de peritos

Professor de José Sócrates contesta

António Morais, antigo professor de José Sócrates, entrega hoje no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, uma contestação à acusação que enfrenta no âmbito do concurso e adjudicação da obra da central de tratamento de lixo da Cova da Beira.

Na contestação, o responsável, que se encontra pronunciado pelos crimes de corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais, defende que o relatório dos peritos contratados pelo Ministério Público classifica a proposta do concorrente nº 3 em 1º lugar, ou seja, a da HLC, que António Morais é acusado de ter favorecido. "Conclui-se que a melhor proposta no aspecto técnico é a proposta do concorrente nº 3, vencedor com toda a justiça do concurso público", lê-se na contestação.

Este processo nasceu de uma denúncia anónima que dava conta de que José Sócrates, Jorge Pombo e João Cristóvão, à data dos factos secretário de Estado do Ambiente, presidente da Câmara Municipal da Covilhã e assessor deste último, respectivamente, teriam recebido dinheiro da sociedade HLC.

J.F.
publicado por luzdequeijas às 19:30
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AINDA O TIO

 

 LUÍS LEAL DE OLIVEIRA, Promotor Imobiliário

" Falei com o tio do primeiro-ministro e ele ajudou-me"

Luís Leal de Oliveira, 39 anos, é promotor imobiliário e tem negócios na região de Aveiras. Concorreu à compra de património do Estado, através da empresa pública Estamo, e decidiu contar ao SOL a experiência - durante a qual chegou a contactar Júlio Monteiro, o tio de José Sócrates. A falta de transparência com que acha que tudo se passou levou-o a apresentar queixa na PGR: « Como cidadãos, se sabemos de alguma coisa, temos o dever de denunciar».

Quando soube que o Estado queria vender os terrenos da antiga prisão de Alcoentre ?

Em finais de Março de 2007. O meu pai e o meu avô foram directores da prisão e, um dia, um funcionário de lá avisou-nos que ia haver concurso. Contactei então a Estamo, para saber as condições. Responderam-me que a venda era conjunta com o colégio de Peniche ( da Reinserção Social, para jovens delinquentes) e que havia uma base de licitação para cada um dos imóveis: 5 milhões de euros para o colégio e 2,5 milhões para os 290 hectares de terrenos da prisão Alcoentre. O negócio era óptimo, pelo menos no caso de Alcoentre. Bastava aquilo ter um índece de aproveitamento de 20% , com licenciamento industrial ( ou seja, 500 mil metros quadrados de construção) para, mesmo fazendo um preço por baixo ( a 100 euros o metro quadrado ), poder render 50 milhões de euros. E o Estado estava a vender com uma base de 2,5 milhões !

E tinha dinheiro para avançar ?

Não tinha, mas consegui encontrar interessados em avançar numa parceria comigo.

Antes de apresentar a proposta, fez alguma coisa para saber como poderia ganhar?

Não. estava a contar participar num concurso para comprar património ao Estado, em que as propostas tinham de ser entregues por carta fechada e depois seriam abertas à frente dos concorrentes. Contei, basicamente, com a seriedade do processo. De qualquer modo, quando eu contei lá na zona que ia concorrer, já se dizia que estava tudo feito para o senhor Avelino Carvalho ganhar.

O que lhe explicou a Estamo ?

Liguei para lá duas ou três semanas antes do concurso e disseram-me que eu tinha de escrever uma carta, identificando-me e apresentando a minha proposta de preço para cada um dos imóveis. E informaram-me que, depois, abririam as cartas em frente dos proponentes e entregavam o concurso a quem fizesse a melhor proposta. Mas isso não aconteceu.

E o que tem isso de errado ?

A venda de património do Estado através da Estamo foi autorizada com o objectivo de agilizar processos para vender os imóveis pela melhor oferta. Ora, a forma como isto decorreu - com as propostas entregues em cartas fechadas, em que eles se limitaram a pôr um carimbo "recebido" - abre a porta à desconfiança.

Não havia um caderno de encargos ou um regulamento ?

 Não me foi dado nada na altura. Por isso é que resolvi não aceitar o resultado quando me informaram que tinha perdido. Pedi então uma reunião com a administração da Estamo, para perceber se podia ou não cobrir a proposta vencedora. Se o Estado possibilitava as negociações particulares para obter melhores valores, eu não estava a perceber por que razão a Estamo não as aproveitava. Mas a reunião nunca mais acontecia ....

Que fez então ?

Em conversa com um amigo, comentei que tinha intenção de participar o assunto ao primeiro-ministro.

Porquê logo ao primeiro-ministro ?

Por achar que era a pessoa certa para, de certa forma, conseguir pôr as coisas no lugar. Afinal, estava em causa património público e o interesse do Estado em ganhar o mais possível. E esse meu amigo disse-me: " Se queres fazer chegar isso ao Sócrates, eu conheço bem o tio dele, o senhor Júlio Monteiro, e marcamos uma reunião com ele".

E conseguiu ?

Sim. Encontrámo-nos num parque em Cascais, junto à antiga praça de touros.  Parámos os carros uns ao lado dos outros e eu e o meu amigo entrámos no carro dele: o meu amigo à frente e eu no banco no banco de trás, onde fiquei a falar com o senhor Júlio Monteiro . Lembro-me perfeitamente: foi numa segunda-feira, dia 21 de Maio (2007). Relatei-lhe a forma como decorreu o concurso e ele mostrou-se muito prestável.  Depois disse-me: " Esteja descansado que eu hoje ainda vou falar com ele. Ou melhor, eu vou é ligar para o irmão, porque ele atende-me mais depressa o telefone. O outro meu sobrinho às vezes só me responde mais tarde porque está ocupado com reuniões." Eu fiquei muito agradecido ao senhor, como calcula. O certo é que, dois dias depois, na quarta-feira, recebi uma chamada da Estamo, para ir lá a uma reunião com urgência. E vi esta iniciativa como um resultado da reunião que tinha tido com o Júlio Monteiro. Agora, e tendo em conta o que se passa no "caso Freeport" , não tenho dúvidas de que ele fazia a ligação ao primeiro-ministro. No meu caso, não fui pedir-lhe nada: fui apenas manifestar-lhe a minha vontade de fazer chegar ao primeiro-ministro o relato do que se estava a passar com a venda de património. Não fui oferecer "luvas", nem dizer que queria ganhar o concurso. Fui passar a informação e dizer que não pactuava com o que estava a acontecer.

 E foi à reunião na Estamo ?

Sim. Levei o meu amigo e reunimos com o administrador Ondas Fernandes, que me perguntou: "Então, diga lá o que se passa, o que é que você quer. Tem estado a levantar dificuldades .... " E eu disse : só quero tentar entrar em negociações e oferecer um valor maior. Ele respondeu-me logo que isso era completamente impossível, que já fizera o contrato e que tinha tudo fechado. Eu insisti e a conversa azedou. Mas depois, ele levantou-se, saiu da sala e, quando voltou, trazia cinco dossiês: Isto são imóveis que vamos vender. Se algum lhe interessa, é para si, disse.

Mas não iam ser feitos concursos para imóveis ?

Os concursos foram abertos depois.

Então, estava a propor-lhes que se candidatasse a esses concursos ?

Era para nós ganharmos o concurso do imóvel que escolhêssemos ali. Eu disse-lhe que havia uma coisa que me interessava comprar: a casa do director da colónia penal de Alcoentre ( porque foi o meu avô que a fez e eu cresci lá). Ele olhou para o relógio e disse: " Agora, ainda não está à venda. Mas se estiver muito interessado e falarmos daqui a meia hora, pode ser que já esteja". Foi exactamente assim. Disse-me para eu ir pensar e eu saí dali estupefacto, mas também sem saber como agir.

 Perguntou-lhe por quanto tinha sido adjudicada a venda de Alcoentre ?

 Só me disse que a proposta era superior à minha , mas não me mostrou nenhum documento. saí com a impressão que estavam a oferecer-me uma fatia do bolo.

O que aconteceu depois ?

Escrevi ao primeiro-ministro, a 27 de junho de 2007, pedindo-lhe para me receber, para contar-lhe o que se passara - e dava um prazo, até 7 de julho, senão denunciava publicamente o caso. Dois dias antes desse prazo acabar, recebi uma carta do gabinete de José Sócrates: o meu assunto tinha sido encaminhado para as Finanças. Depois não recebi mais nada.

E por que pega no assunto agora, dois anos depois ?

Primeiro, por causa do caos em que vivemos, em termos de justiça. Sinto que não posso continuar a ter conhecimento destas situações e ser cúmplice, não falando delas. Por outro, se tinha dúvidas sobre a forma como as coisas se passavam, depois do que vi sobre o " caso freeport" já não tenho. Como cidadãos, se sabemos de alguma coisa, temos o dever de contar.

Não receia as consequências do que está a fazer ?

Eles é que devem ter medo de nós.

Pode ser visto como um louco ou vigarista.

Tudo é possível, mas eu não tenho outro interesse senão o de denunciar uma coisa que acho que está mal. E entreguei esta semana na Procuradoria Geral da República uma denúncia.

Já tinha feito algum negócio com o Estado ou fez algum, entretanto?

Não. Mas continuo interessado em comprar os terrenos da colónia de Alcoentre, em relação aos quais sei que ainda não foi feita qualquer escritura.

O SOL - 01-05-2009

 

 

 

 

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 17:54
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A MÚSICA DE SÓCRATES !

Pedro Catarino  As nossas fraquezas já cá estavam e virão de novo ao de cima “As nossas fraquezas já cá estavam e virão de novo ao de cima”
03 Maio 2009 - 00h30

Entrevista: Medina Carreira

“A economia vai derrotar esta democracia” (COM VÍDEO)

Medina Carreira, antigo ministro das Finanças, afirma que a economia vai derrotar a democracia de 1976. José Sócrates, diz, é um homem de circo, de espectáculo.

Correio da Manhã/Rádio Clube – Porque é que dizem que o senhor é um pessimista tremendista quando fala da economia portuguesa?

Medina Carreira – Quando as pessoas se qualificam antes de discutir é sintoma de que não querem discutir. Eu nunca consegui um debate com um optimista. Já tenho sugerido.

ARF – E ninguém aceita?

- Pretextam isto ou aquilo, depois estão doentes, depois ficam doentes de uma perna e nunca um optimista quis vir publicamente fazer um debate. É um não argumento. Porque o argumento é dizer o que se pensa e porque é que se pensa e a parte contrária contradiz. Se eu digo que o senhor é um pessimista eu acabei com a conversa. O senhor é optimista, a mesma coisa. Se é isto que chega para esclarecer a opinião pública estamos conversados.

ARF – E as questões da economia não se podem discutir assim.

- Um dia disse a um colega vosso: o senhor não percebe que isso é uma burrice?

LC – Há uma grande distância entre o discurso de pessoas que estão de fora e o discurso de pessoas que estão por dentro. Entre qualquer membro do Governo e pessoas como o doutor Medina Carreira há uma distância enorme que as pessoas não compreendem.

- Mas convide um deles um dia a vir aqui, ficar desse lado e vamos ver as razões das diferenças.

ARF – O que nos dizem do Governo é que esta crise internacional chegou quando nós estávamos a caminhar muito bem. Até final de 2007 estávamos óptimos, ainda em 2008 estávamos bons, de repente aparece isto e não temos culpa nenhuma disto. É verdade?

- Bom, culpa efectivamente não temos. Isto nasceu lá fora e chegou aqui como chegou a todos os cantos do Mundo. Eu não atribuo culpas a ninguém. Esta crise é traumatizante, difícil e com efeitos dramáticos do ponto de vista social que todos os dias presenciamos com despedimentos em série. É uma coisa terrível que nunca tínhamos vivido, nós que ainda estamos vivos e eventualmente válidos. Mas esta é uma crise para a qual não contribuímos e de que nós nos livraremos só quando lá fora ela acabar. Quando a Alemanha, a França, a Inglaterra e os EUA resolverem o problema ele fica resolvido cá.

ARF – Fica resolvido?

- Ficamos é com os efeitos terríveis cá. Mas estes efeitos imediatos e directos da crise eles desaparecem cá quando desaparecerem lá fora.

LC – Qual é a diferença entre um país como Portugal e um país como a França ou a Alemanha a seguir à crise?

- A França é um país que caminha paralelamente connosco, também caminha muito mal. A Alemanha caminha bem, é um país economicamente poderoso, com gente preparada, uma sociedade organizada, em que se cumprem horas, em que se cumpre a palavra. É outra coisa. Isto cá para este lado é outra coisa. Portanto, quando a Alemanha sair da crise sairá necessariamente melhor do que a França. A França apresenta hoje problemas difíceis como os nossos. E um deles é o desequilíbrio externo. Os franceses estão a produzir muito menos do que aquilo que gastam. Estão também a endividar-se no exterior. A França está menos mal do que nós, mas também não está bem. Em Portugal temos a preocupação de olhar lá para fora e eu creio que a maior parte das pessoas que se preocupam com o exterior é porque não sabem dizer nada sobre o interior. Nós é que temos de resolver os problemas do interior.

ARF – Problemas que são muito antigos, não é verdade?

- São antigos. Aqui neste caso é que esta crise veio de fora e sairá quando se resolver lá fora. Entretanto ficam mazelas. Agora, quando ela acabar ficamos com o nosso problema, com a nossa crise. Porque a nossa crise já estava cá.

LC – Com os mesmos problemas que já tinha.

- Com os mesmos problemas que já tínhamos e ficamos pior. Nomeadamente ficamos com um desemprego muito maior, muito mais pobreza, muito mais desigualdades, muito mais desânimo na população. Por conseguinte, com a crise, para além destes danos imediatos, são danos que vão surgir através dos seus efeitos futuros. Mas aquilo que eram as nossas fraquezas já cá estavam e virão ao de cima.

LC – Como é que temos capacidade para resistir a isso no futuro com uma educação fraca, com uma justiça fraca?

- O problema aqui em Portugal, visto da perspectiva política, é que nós não sabemos o que é que os dirigentes políticos, como José Sócrates, do PS, pensam que é o nosso grande problema. Ainda não vi dito o nosso grande problema é este.

LC – Ele diz que é o desemprego.

- O desemprego não é um problema, é uma consequência de alguma coisa que não está bem. Se resolvermos alguma coisa que não está bem o desemprego desaparece.

ARF – José Sócrates fala muito da questão da formação.

- Mas a formação não é em si um problema. É um pressuposto daquilo que nós necessitamos para resolver o problema. Mas qual é o problema? O que derrotou o Estado Novo foi a guerra colonial. Aquilo que eu acho que vai derrotar esta democracia de 1976 é a economia.

ARF – A economia vai  derrotar a democracia?

- Não sei em que termos.

ARF – Mas vai derrotá-la?

- Ai derrota. A população não vai aceitar daqui a dez anos um Estado social como aquele em que nós estamos a viver, como é evidente. Porque a população já diz, bom, prometeram-nos mundos e fundos e nós não vemos coisa nenhuma. Dizem isto agora. Só pedem sacrifícios e quando acabam é preciso recomeçar os sacrifícios. Com toda a razão. Isto vale dez, vale vinte anos, não sei se chega a trinta. E como nós temos deficiências graves não vai ser fácil sair deste estado de economia rastejante. Se eu fosse chefe do Governo o que diria ao País é que o nosso grande problema é a economia.

ARF – Porquê?

- Porque é da economia que deriva o emprego e a sua qualidade, que deriva o bem-estar, que deriva as boas expectativas, que deriva o optimismo são. É da economia.

ARF – Mas temos fraquezas porquê?

- Porque nós estamos a gastar 110, 111 e estamos a produzir 100. Para simplificar. O português está a produzir 100 euros por ano e está a gastar 110, 111 euros. Quer dizer que estamos a viver de empréstimos.

ARF – Estamos a viver acima das possibilidades.

- Acima das possibilidades. Por conseguinte, ou recuamos 10 por cento ou produzimos mais 10 por cento. É simples.

ARF – Exacto.

- Não é preciso saber altas matemáticas. Este é o estado do País.

LC – E pelo caminho em que vamos não é uma coisa nem outra?

- Estamos num caminho em que eram 107 há uns anos, 108, agora andamos pelos 110 e vai sendo cada vez pior, em princípio, porque os juros que nós devemos no exterior são cada vez maiores.

LC – No limite qual é a consequência?

- No limite a consequência é a mesma que é para mim ou para vocês se o banco não nos empresta dinheiro este mês. Ou se empresta só com um spread de 18 por cento.

ARF – Claro.

- O que é que o País vai fazer? Que é aquilo para que estamos a caminhar. É para bater na parede. Uma das coisas que pode provocar um efeito traumático muito grande do ponto de vista política e social na nossa sociedade dentro de cinco, dez anos é a possibilidade de o crédito escassear. Nós estamos a ver hoje que as grandes dificuldades da nossa sociedade resultam do facto de os bancos não emprestarem.

ARF – O crédito está caro e difícil.

- Exactamente. Se amanhã os bancos estrangeiros que nos estão a emprestar dinheiro disserem não, não emprestamos mais ou só emprestamos a 20 por cento o que é que nós fazemos?

LC – É uma boa pergunta. O que é que fazemos?

- O que é que fazemos. Bom. Temos de repente de passar de 110 para 80. Como é evidente.

ARF – De uma forma abrupta.

- De uma forma abrupta. Vamos ver. Qual é o problema da economia? Há uns políticos importantes em Portugal que quando se lhes faz contas ficam horrorizados, isso são os contabilistas, a gente só pensa no marxismo, no leninismo, nós pensamos alto. Fazer contas, não fazem, mesmo os que sabem tabuada, que aliás não são muitos.

LC – Como é que se consegue reduzir isso? Com uma reforma brutal na administração pública?

- Ouça, na Argentina reduziu-se. Pessoas a passar fome, não compram medicamentos, tudo a cair aos bocados.

LC – Imagine que era convidado a definir as prioridades do próximo Governo. Quais seriam as duas, três ou quatro das suas prioridades?

- A prioridade é esta. A primeira coisa é explicar ao País que nós temos uma economia que não vai sustentar este nível de vida.

LC – Que não chega.

- Não chega. Portanto, o eleitorado ou quer gastar 110 e produzir 110 e nesse caso temos de mudar de economia ou o eleitorado não quer mudar de economia e nós temos de passar de 110 para 100. Isso é uma escolha do votante. Se os senhores da Comunicação Social propiciarem conversas que esclareçam o eleitorado ele percebe.

LC – Qual seria a sua opção?

- Nós temos no imediato de reduzir. Eu sou partidário que logo no plano do Estado seja revisto o aspecto salarial e o aspecto dos benefícios fiscais. Eu acho que as reformas e os salários da Função Pública, a partir de um certo nível, devem ser diminuídos.

ARF – Imediatamente?

- No imediato. Para passarmos dos 111 para 108. Mas para que isto não seja uma solução no caminho da miséria nós temos de mudar. E mudar a economia é mudar as circunstâncias que permitam atrair investimentos.

ARF – O investimento estrangeiro não vem para cá neste estado de coisas?

- Não. Nós tivemos nos anos 60, 70 um factor de grande atracção de investimento. Foi a nossa entrada para a EFTA e o baixos salários. Como nós podíamos exportar com facilidade muita gente veio investir em Portugal. Muitas coisas que os senhores vêem das manufacturas, das montagens de automóveis, das cabelagens, dos electrodomésticos, do concentrado de tomate, da beterraba, isso veio tudo para aqui nessa altura. Porque o investidor nacional e estrangeiro vinham beneficiar de um factor favorável do ponto de vista do capital que era o salário baixo. Além de outros factores atraentes nessa época. Como a inexistência de sindicatos, ordem nas ruas e essas coisas que atraem o investidor.

LC – Mas o principal factor, os salários baixos, não era o ideal.

- Mas o ideal do ponto de vista da mão-de-obra não é este que se prega aqui. Nós para termos uma mão-de-obra que ganhe bem temos de ter outra escola. Nós não podemos andar a formar analfabetos e depois dizermos para arranjarem empregos bons a esta gente. A gente tem de ir à escola.

ARF – Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?

- Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.

LC – Mas é preciso que a escola seja boa.

- Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e que eu não aceito que é a escola inclusiva. Ora, a escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão para aprender têm de ir para outro sítio. Um estádio de futebol, põe-se lá toda a gente aos pontapés na bola. Agora, na escola só pode estar quem queira aprender. Mas isso tem de ser aferido. Nós temos todos os anos de verificar se eles aprenderam.

ARF – Têm de ter exames, não é?

- Fazer exames. Nós temos de ter programas decentes, feitos por intelectuais, por artistas, por técnicos. Nem sei quem é que os fez. São uns programas horríveis, os manuais são de fugir. E depois inverte-se tudo. Nós não podemos ter professores a ensinar bem se os alunos nem os ouvem. O senhor pode arranjar 200 mil catedráticos que não consegue ensinar esta gente. Porque eles não querem aprender. Oitenta por cento dos que estão lá não querem aprender. Bons são sempre bons. Quando nós éramos crianças também havia bons e havia maus. E havia uns médios e estes estudavam por causa dos exames.

LC – Seriam a maioria.

- Isso foi ontem, é hoje e será na próxima geração. Agora não. Temos os bons que eram bons e temos o resto. E como não há exames nunca chega a ocasião para estudar. Portanto isto é uma falsificação. O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei quais são os critérios. No estado em que aquilo está parece-me uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?

ARF – Esta nossa escola é uma certa escola, que dura há anos e anos.

- É uma escolinha. Não é uma escola, é uma escolinha. É um grupo de gente que está a praticar um crime gravíssimo que vai liquidar uma geração. Se não mais. Mas a próxima geração maioritariamente está liquidada. As pessoas não aprendem a língua. Nós pensamos em português. Se a gente não sabe bem português não pensa bem. Nós não sabemos fazer contas, nós não sabemos geografia. Se perguntarem a um rapazito qualquer onde é que é Washington não faz ideia nenhuma, é capaz de dizer que é na Ásia.

LC – Acha que a geração que vai estar no mercado de trabalho daqui a dez , vinte anos vai ser pior?

- Vai ser cada vez pior. Porque está a enraizar-se esta decadência do ensino. O ensino está numa decadência profunda.

LC – E algum dia foi melhor? Nestes últimos 30 anos?

- Para os que podiam andar na escola foi muito melhor. Andavam eram poucos. Mas o problema não é esse.

LC – Estamos a falar de quando?

- Do tempo em que eu estudei. No século passado. E da minha filha, que andou na escola pública.

LC – Antes do 25 de Abril.

- Sim, muito antes.

LC – A escola era melhor antes do 25 de Abril do que é agora?

- Incomparavelmente. A diferença é que eram poucos. Eram para aí 30 por cento menos do que hoje.

LC – E preferia que fossem poucos?

- Não, não prefiro que sejam poucos. Eu prefiro é autenticidade, porque isto é uma vigarice. É que os pais dos que lá estão têm de ter a certeza de que estão a aprender. Não é serem poucos ou muitos. Não interessa nada produzir quantidade que é lixo. Nada.

LC – Mas a quantidade á partida diminui sempre a qualidade. A massificação do ensino diminui a qualidade, não acha?

- Mas não é diminuir até zero. Nós estamos a bater no chão. É diminuir um pouco. Agora isto não é nada. Um aluno sai dali e não sabe escrever. Eu ensinei muitos anos e acabei por me irritar com o ensino. Dava-lhes provas escritas e era dificílimo de entender o que escreviam. Cheias de erros, linha sim, linha não um erro, expunham pessimamente, tudo aquilo era um ver se te avias.

LC – Acha que no Ministério da Educação não sabem isso?

- O Ministério da Educação, como os outros Ministérios neste nosso regime, está ali para parecer, para apresentar uma estatísticas lá forjadas não sei como. Para vocês nas sondagens descobrirem que este Governo é um Governo muito próspero.

LC – Cavaco Silva tem razão quando diz que não se deve governar para as estatísticas.

- Com certeza. Não se deve governar para as estatísticas. Deve governar-se em função de um objectivo e daquilo que é fundamental para o País. Porque nós andamos distraídos com tanta coisa e não percebemos que quando se fala de economia não estamos a falar de economia. Estamos a dizer desemprego, pobreza, desigualdades e riscos para o Estado social. Com esta economia que cresce 0,5 % ao ano dentro de dez anos as políticas sociais têm de ser completamente revistas. Não há dinheiro para manter estas políticas sociais.

LC – Até que ponto?

- Não sei. Só nessa altura é que se deve fazer a avaliação. Eu defendo há muito tempo que se faça um estudo. Não é sobre o financiamento da Saúde, não é sobre o financiamento da Educação e das pensões. É um estudo sobre o social, porque o social tem todo ele um valor muito importante. Educação é muito importante, Saúde é muito importante, pensões é muito importante, desemprego é muito importante, doença é muito importante. No social nós não discriminamos. O dinheiro que há é um e nós temos de saber quanto é que pomos no social. E depois, por critérios de opção política, é tanto para isto ou aquilo. Agora, não se fazem estas contas. Dizer-se está salva a Saúde. Bom, mas não se sabe das pensões. Ah, mas as pensões agora estão resolvidas. Isto não há rei nem roque. Porque este problema do social não é um problema do ministro das Finanças, nem da Saúde, nem da Segurança Social. Isto é um problema do chefe do Governo. Nós não tivemos ainda um chefe de Governo que percebesse minimamente este problema.

LC – Muito bem. O que temos em cima da mesa é um primeiro-ministro chamado José Sócrates, uma líder do PSD chamada Manuela Ferreira Leite e depois temos os outros partidos. Qual é a solução para sair desta situação que acaba de nos relatar?

- Eu acho que é muito difícil sair da situação porque os partidos estão gangrenados. Os partidos não trabalham em função de valores, de ideologias, de objectivos, de programas. Os partidos trabalham em função do assalto ao Orçamento. Porque o Orçamento dá para colocar os amigos, dá para fazer negócios.

LC – A solução está fora dos partidos?

- Não, a solução está dentro dos partidos. O problema é que os partidos não têm virtualidades para mudar. Porque eles tomaram os partidos de assalto e o PS e PSD têm tomado de assalto o Orçamento.

LC – Então não está dentro dos partidos.

- O que me pergunta é se há solução dentro dos partidos. Porque é dentro deles que têm de resolver. Se eles não percebem isso nós levamos um lindo enterro. Com estes partidos que nós temos, os principais, não vamos resolver os nossos problemas.

LC – Mas, apesar de tudo, a solução continua a estar dentro dos partidos? Passa pela reforma dos partidos?

- Eu defendo isso. Tem de se abrir os partidos. Porque hoje não atraem nenhuma pessoa inteligente, livre, que tenha futuro na vida. Não se mete num partido. Só se metem lá uns manhosos, porque aquilo é uma carreira. Entram lá pequeninos, depois estão lá mais uns tempos, depois são assessores, depois são guarda portões e depois são ministros.

LC – Mas a maioria das pessoas também não está disponível para os partidos.

- Não estão disponíveis porque acham que os partidos são uma chuchadeira. O senhor acha que alguém que tenha que fazer está para aturar um partido?

LC – Ou seja, não há solução. É o que me está a dizer.

- Não estou a dizer que não há solução. É preciso que os partidos o percebam. Eu estou a dizer é que os partidos devem perceber. Tal como o Estado Novo não percebeu que o problema colonial tinha de ser negociado, não em 1974 mas em 1958, estes também não estão a perceber nada.

LC – Já falou duas vezes no Estado Novo. Tenho de lhe perguntar se defende uma revolução idêntica à que houve há 35 anos?

- Não defendo revolução nenhuma. Eu receio é que estejamos a caminhar, não para uma revolução, mas para uma coisa pior do que uma revolução. Que é uma pobreza instalada com alguns ricaços.

LC – Com que consequências?

- Se o senhor for pobre diga-me se fica satisfeito. Vive mal, não tem automóvel, não vai à praia, come uma bucha de vez em quando.

ARF – Nenhum chefe de Governo percebeu isso?

- Destes quatro últimos nenhum percebeu o País em que estava.

ARF – Os últimos quatro?

- Sim. Guterres, Barroso, Santana, que esteve lá episodicamente, e este não perceberam o essencial do problema do País.

ARF – Não perceberam que vivem em Portugal?

- Não. Porque cada um tinha uma concepção. António Guterres era palavreado. A política de Guterres era saber quantos por cento do PIB iam para a Educação. O que se fazia com os tais por cento era indiferente. Este que está lá agora, o José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem e circo. Desde a primeira hora. É gente de circo. Eles prezam o espectáculo. Porque eles não percebem que os problemas não se resolvem com espectáculo. E prezam o espectáculo porque querem enganar a sociedade, para sobreviver. E sobreviver para continuar a tomar conta do dinheiro do Estado, para pôr os amigos e negociar com os amigos.

ARF – Mas o tacho tem um fundo.

- Pois tem. Foi o que o Estado Novo não percebeu. Que aquilo tinha de acabar e estes se calhar vão perceber tarde demais que isto tem de acabar. Porque se nós continuarmos num nível de empobrecimento relativo isto não vai dar um bom resultado.

ARF – O que será um mau resultado?

- Não sei. Pode ser tudo. Pode ser uma zaragata na rua.

LC – Podem acontecer revoltas sociais?

- Pode ser um mal-estar instalado nas ruas, como é natural. Porque nós estamos a viver uma fase de empobrecimento natural com a crise internacional.

LC – E única na história do País ou não?

- Pelo menos há cem anos que isto não era tão mau. E o que vemos são as consequências de uma economia que não funciona. Desemprego, pobreza, desânimo, desigualdade. E aqui ao lado o que é que vê? Há dias vi a notícia de um homem que ia algemado porque tinha roubado duas galinhas. Agora eu pergunto: o que é que pensa uma sociedade que trata assim um homem que pilha duas galinhas e vê aí á solta, com a maior desfaçatez, tipos que pilharam aviários inteiros. O que é que pensam?

- Foi mandatário de Cavaco Silva em 2006. Como é vê as recentes divergências entre Belém e o primeiro-ministro José Sócrates?

- Eu acho que o Presidente da República foi longe demais no apreço pelo Governo. Quando era visível que o Governo andava a fingir que fazia respostas o Presidente da República disse que era um Governo reformista.

ARF – Era o tempo da cooperação estratégica.

- Eu nessa altura já via claramente que não eram reformas. Eram um arremedo de reformas que não conduziam a coisa nenhuma. Não conduziram, já estamos três anos depois.

LC – E o Presidente da República não percebeu isso?

- Não sei. Só estive com ele, desde que está em Belém duas vezes. Almocei duas vezes com ele e já há mais de um ano que não estou com ele. Não faço ideia do que pensa. Depois isto tudo se foi degradando, o PS foi tomando pulso às coisas e pensou que a cooperação estratégica era um silenciamento permanente do Presidente da República. E resolveu fazer provocações sobre os Açores, uma brincadeira para incomodar, como o aborto, o divórcio e essa trapalhada toda. O Presidente da República, que certamente não quer ser levado nesta enxurrada de desgraças e bem, acho que acordou e veio dizer cuidado. Veio dizer isto por causa de um problema que pode ser a nossa desgraça por muitos anos. O Presidente da República não diz com clareza. Eu digo com clareza. Se nós continuamos a fazer auto-estradas, terceiras pontes sobre o Tejo nós daqui a dez ou quinze anos temos um problema financeiro gravíssimo.

LC – Este é o assunto central que incomoda o Presidente da República?

- Não sei. Já não o vejo há dois anos.

ARF – É o assunto das grandes obras públicas.

- As obras públicas. Auto-estradas é evidente. Há auto-estradas sem ninguém.

ARF – Com pouco trânsito.

- Pouquíssimo trânsito. Nós, País pobre, não podemos dar-nos ao luxo de fazer isso. O BPI escrevia há pouco tempo o seguinte: se fizermos aquilo seremos o quinto ou sexto País do Mundo com maior densidade de auto-estradas e TGV. Vai tudo mais depressa para o Porto, Madrid e Paris. Mas o problema não é esse. Nós estamos cercados de endividamento e, por conseguinte, arranjar dinheiro lá fora vai ser cada vez mais difícil e cada vez mais caro. Eu já não discuto TGV...

ARF – Aeroporto.

- Nada. Este dinheiro, pouco e incerto, tem de ser gasto no essencial. E vamos discutir o que é essencial. É como uma família pobre que discute se vai poupar, gastar na alimentação ou ir para Cancun para a praia. O Governo está exactamente como esta família que escolhe ir para Cancun. É claro que deve ser bom ir para Cancun, não sei bem o que é. Mas deve ser bom. Mas esta gente não faria melhor ir para a Costa da Caparica ou para a Ericeira estimular a economia portuguesa? O Governo é esta família de Cancun.

LC – Acha que essa é a diferença essencial que distingue hoje o PS do PSD? A doutora Manuela Ferreira Leite também tem essa visão.

- Com certeza que tem. Qualquer pessoa com juízo tem. Não há nenhuma pessoa ponderada que não pense assim. Não sou eu. Manuela Ferreira Leite, Cavaco, toda a gente com juízo pensa isso, tirando José Sócrates e Mário Lino.

LC – Preferia ver Manuela Ferreira Leite à frente do Governo em vez de José Sócrates?

- Eu não preferia ver. A Manuela Ferreira Leite poder trazer à política uma coisa que é essencial, que é a seriedade.

ARF – E já agora a verdade.

- A verdade. Seriedade. Nós não temos seriedade na política. Isto é um espectáculo, uma aldrabice pegada. Manuela Ferreira Leite abre a boca e passado duas horas já estão duas pessoas a bater-lhe nas canelas. É o Santos Silva e o Pedro Silva Pereira. Eu nunca vi isso. Quando estive no Governo não tínhamos dois ministros para irem atacar os outros. O País está a ser gerido por medíocres.

LC – A doutora Manuela Ferreira Leite poderia mudar este estado de coisas?

 - Não sei o que é que ela era capaz de fazer. Não sei se tem equipa para fazer.

ARF – Acha que este Governo está a fazer o que é preciso nesta crise. São medidas todos os dias, milhões para isto ou aquilo. Estão a fazer o que é correcto?

- Oiça, eu já estou enjoado de medidinhas. Já nem sei o que é que isso custa, nem sequer sei se estão a ser aplicadas. Ouvi agora que este 12 º ano era uma coisa que estava prometida há quatro anos.

ARF – É verdade.

- Não sei, não faço ideia. Se calhar há medidas que são para daqui a quatro anos. Eu não perco tempo com isso porque acho que aquilo tudo é uma tentativa de embebedar a sociedade e eu para bêbado não dou.

ARF – Agora vão dar medicamentos de borla às pessoas com pensões abaixo do salário mínimo. De onde vem tanto dinheiro?

- Repare. É uma pergunta legítima porque eu também não sei de onde vem o dinheiro. O que eu digo é que nesta emergência, para a protecção social, convém que a gente gaste algum dinheiro. Porque se não ficamos com a nossa sociedade em cacos. Para protecção social eu acho que temos de fazer um esforço, mesmo que provoque mais endividamento. O défice vai alargar-se muito, mas se for para isso eu absolvo o Governo. Não absolvo é fazer uma auto-estrada na costa, outra paralela à Lisboa-Porto, isso não absolvo.

ARF – Se estivesse à frente do Governo o que é que faria nesta crise?

- Olhe, tinha pedido a toda a oposição que designasse representantes para discutir os grandes problemas nacionais e as suas soluções.

ARF – Juntava toda a gente.

- Um de cada partido e algumas pessoas de grande qualidade e saber. E olhar para isto. Porque esta crise, que não é nossa, que veio de fora, é uma coisa muito traumatizante para a nossa sociedade. Mas o que eu vejo é toda a gente a degladiar-se, aos pontapés uns aos outros por causa das medidas da crise. Eu acho isto de uma grande mediocridade. Isto está entregue a medíocres.

LC – Mas aí o Presidente da República não poderia ter tido um papel mais activo?

- O Presidente da República não tem a ver com isso. Isto é um assunto de Governo, de acção, de execução. Outra coisa de que discordo do Presidente da República é que as coisas que tem dito, no 10 de Junho, no 25 de Abril e por aí adiante, eu escrevia aquilo tudo num papelinho e mandava para São Bento, para a Assembleia da República.

ARF – No estilo de mensagens aos deputados?

- Sim. O que eu acho que o Presidente da República tem de fazer e está a fazê-lo tardiamente na minha opinião é pôr os partidos perante a sua responsabilidade. Os partidos é que executam e que definem as políticas. O que tem de lhes dizer é que estão a trilhar um caminho muito arriscado e quando isto bater na parede é preciso saber quem é responsável.

LC – Temos o PS com maioria absoluta. Há o grande risco de sair uma maioria relativa das legislativas. É uma questão que o preocupa?

- É o senhor que diz que há um risco. Eu acho é que se sair uma maioria absoluta é que é arriscadíssimo. Eu não quero mais maiorias absolutas de um partido. Porque se o PS levar por diante estas obras resulta do facto de ter maioria absoluta.

LC – Mas com maioria relativa vai cair muito provavelmente um ou dois anos depois.

- Pois, temos que arranjar maneira de viver. Maioria absoluta com gente deste estilo nunca mais. Para mim nunca mais. Estas asneiras teimosas, absolutamente fora de senso comum, só são possíveis porque há maioria absoluta de um partido.

LC – Que solução é que imagina num cenário de maioria relativa? O regresso do Bloco Central?

- Eu como acho que os partidos que existem não estão em condições neste momento de resolver os problemas tanto faz. É uma caldeirada relativamente irrelevante. Os partidos têm de ter qualidade, têm de estudar, têm de ter pessoas que estudem.

ARF – Quanto tempo mais é que o País aguenta esta situação de crise que vive há muitos anos?

- O que lhe digo é que se nós tivermos mais dez anos desta economia, a crescer 0,5 em média por ano, não vamos aguentar as políticas sociais que temos. Vamos ter de rever reformas, salários à força, prestações várias, saúde, educação.

ARF – Os portugueses vão voltar de novo à emigração?

- Pode ser uma escapatória, que aliás está em curso. Não estará tão intensamente porque as coisas lá fora também não estão fáceis. Volta a ser. Angola passa a ser o novo Brasil. É uma escapatória. E ainda bem que há para algumas pessoas.

ARF – Falámos há pouco na EFTA. O que é que Portugal teria de fazer para atrair investimentos estrangeiros?

- Não é só estrangeiro. Investimento para produzir coisas que possamos exportar e que possam ser vendidas cá por serem competitivas. Uma economia que possa exportar e que substitua importações. Investimentos próprios para isso. Mas com o sistema educativo que gera analfabetos que não sabem fazer contas o senhor não arranja mão-de-obra. Se o senhor tiver uma burocracia infernal não investe. Ainda alguém me dizia há pouco tempo que tinha um PIN encravado há três anos. Com esta corrupção, com esta justiça que não ataca corruptos mas que condena pilha galinhas, não temos mercado de arrendamento, a lei fiscal não está bem e os tribunais fiscais não funcionam acham que alguém vem investir cá? Para arranjarem uma licença camarária têm de comprar o presidente da Câmara? Isto não é possível.

ARF – E o Código Laboral? Também afasta investimentos?

- Muitas pessoas queixam-se da relativa rigidez. Não é possível substituir e mudar. Mas não sou especialista, embora ache que é um assunto que deve ser discutido com seriedade.

LC – Agora tem-se discutido muito o enriquecimento ilícito e o fim do sigilo bancário. O que é acha desses diplomas?

- Nem quero perder tempo com isso. É tudo uma intrujice. Esse é um tema eleitoralista. Mas sabe uma coisa? Eu se tivesse num Governo que tivesse medo de tratar o enriquecimento ilícito eu não fazia parte desse Governo. Eu acho uma vergonha um Governo ter medo de criar o crime de enriquecimento ilícito. Tinha vergonha de vir à rua.

ARF – O argumento é de que num Estado de Direito não se pode inverter o ónus da prova. Concorda?

- Mas a nossa democracia permite que um tipo que rouba duas galinhas vai algemado. É preciso que se desfaça este nó de equívocos.

ARF – Maria José Morgado diz que enquanto o assunto estiver nas mãos dos deputados não há solução. É assim?

- Não é só na Assembleia da República. É no Governo também. É um problema político de todos os partidos. Isto não tem solução.

PERFIL

Henrique Medina Carreira nasceu em Bissau a 14 de Janeiro de 1931. Licenciado em Ciências Pedagógicas e em Direito, frequentou ainda o curso de Economia, que não concluiu. Secretário de Estado do Orçamento no VI Governo Provisório, foi ministro das Finanças entre 1976 e 1978, tendo negociado um empréstimo com o FMI nesse período.

António Ribeiro Ferreira, Correio da Manhã, Luís Claro, Rádio Clube
publicado por luzdequeijas às 17:29
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A VENDA DOS ANEIS

Vendas de património do Estado na PGR

 

Um dos concursos promovidos pela empresa pública ( Estamo ) foi alvo de uma denúncia entregue a Pinto Monteiro

 

A PROCURADORIA GERAL da República (PGR) recebeu, esta semana, uma denúncia apresentada por um promotor imobiliário, com negócios na região de Aveiras, sobre um dos concursos de venda de património do Estado promovido pela empresa pública ESTAMO ( do grupo Parpública, a holding gestora das participações sociais do Estado).

Na denúncia, Luís Leal de Oliveira relata a experiência que viveu quando concorreu à compra dos terrenos da antiga prisão de Alcoentre - que a Estamo pôs à venda em conjunto com um colégio de Peniche, pertencente à Reinserção Social, por um total de cerca de 7,5 milhões de euros, em Abril de 2007.

Durante este processo, entre outros episódios que relata na denúncia ao PGR e que contou ao SOL, revela que um administrador da Estamo - depois de lhe dizer que os imóveis de Alcoentre e Peniche estavam adjudicados - lhe propôs «levar os dossiês ( de outros imóveis do Estado postos a concurso) no sentido de analisar o interesse em ganhar algum desses concursos"», escreve na carta entregue na PGR. Ainda hoje tem na sua posse esses dossiês.

Diferença inferior a 5%

Este promotor imobiliário, que diz ter tido apenas interesse em comprar os terrenos da antiga prisão de Alcoentre, não conseguiu ganhar o concurso de 2007, para o qual fez uma oferta de 7,7 milhões de euros. A melhor proposta foi feita pelo empresário Avelino Carvalho (um grande «proprietário da região», como comentou ao SOL o presidente da Câmara da Azambuja, Joaquim Ramos) que ofereceu 8,1 milhões de euros pela compra daqueles dois imóveis. Outros dois candidatos, um empresário de Peniche e um construtor de Aveiras, ficaram também de fora. Um ofereceu 8 e outro 7,5 milhões de euros.

Luís Oliveira reivindicou, na altura, a possibilidade de negociar com a Estamo, após a abertura das propostas a concurso, por estar interessado em cobrir a oferta mais alta. E, se este concurso tivesse ocorrido agora, o promotor acabaria provavelmente por consegui-lo. 

O regulamento de vendas daquela empresa pública, que está actualmente em vigor - e que foi criado já depois do concurso de Abril de 2007 - prevê que, «no caso da diferença de preços entre as melhores propostas não ser superior a 5%, a Estamo reserva-se o direito de solicitar aos seus autores a respectiva formulação». Era o caso, neste concurso: a diferença de preços entre as três melhores propostas foi muito inferior a 5% da proposta vencedora.

Negócio está por fazer

Entretanto, a Estamo confirmou ao SOL que o negócio dos imóveis de Alcoentre e do Colégio de Peniche, dois anos depois da adjudicação, ainda não está concluído.

A escritura de compra e venda com Avelino Carvalho, que venceu o concurso de Abril de 2007, não está feita - o que significa, também, que a Estamo ainda não recebeu o valor total da venda dos dois imóveis. «As escrituras aguardam a regularização documental dos imóveis», explicou a Estamo.

De facto, o SOL consultou os registos prediais dos terrenos da antiga prisão de Alcoentre, onde consta que estes ainda são propriedade da colónia penal. Segundo as informações da Conservatória, houve recentemente um pedido de registo dos terrenos ( feito, pelo Ministério da Justiça), que acabou por não se concretizar. É que os serviços levantaram dúvidas relativamente aos elementos apresentados e solicitaram esclarecimentos - os quais nunca foram respondidos.

Apesar de formalmente estarem previstos prazos, quer para a transferência das propriedades do Estado para a Estamo - que já fez 200 milhões de euros na venda de imóveis públicos desde 2006 - , quer desta para os privados que os adquirem.

Segundo soube o SOL, as dificuldades em provar a posse e a área dos imóveis por parte dos diferentes ministérios, através dos respectivos registos prediais, já levaram a que alguns dos negócios feitos pela Estamo com privados acabassem por ser desfeitos - uma possibilidade ainda negada no caso dos terrenos de Alcoentre,  apesar do atraso que já leva a concretização do contrato. 

O SOL falou com Avelino Carvalho, mas estava de férias no Brasil. O presidente da Câmara da Azambuja, Joaquim Ramos, disse por seu lado, que a autarquia ainda não recebeu qualquer projecto para os terrenos de Alcoentre e que a intenção do empresário é desenvolver um projecto turístico, com golfe. «Os terrenos agora são atravessados pela faixa de protecção do TGV e, por isso, não sei como ficam as coisas», acrescenta.

O SOL - 01-05-2009

publicado por luzdequeijas às 15:08
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A MOTIVAÇÃO NA EDUCAÇÃO

A maioria dos professores está insatisfeita com a sua profissão

 

Se pudessem, quase 75% dos professores trocavam o ensino por outra profissão e 81% pediam a aposentação, mesmo que isso acarretasse penalizações. Os dados são de um inquérito feito a mais de mil docentes, tornado público pelo Observatório da Avaliação de Desempenho, órgão criado pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação e pelo Instituto Superior da Educação e do Trabalho.

Destak - 19-12-2008

publicado por luzdequeijas às 14:58
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DESPESA COM A EDUCAÇÃO

Despesa com a educação subiu 42,8% em seis anos

Num país onde a estrutura familiar tende a ficar cada vez mais reduzida a uma ou duas pessoas (46,8%) e onde o número de casamentos e de filhos diminui a olhos vistos, as despesas parecem ser dos poucos sectores que crescem, principalmente na Educação.

tendo por base o relatório Indicadores Sociais 2007, divulgado ontem pelo INE, a Educação foi a parcela do orçamento das famílias portuguesas que mais cresceu entre 2001 e 2007: 42,8%. A esta área, seguiu-se a das bebidas alcoólicas e tabaco, com uma subida de 36%, e a dos transportes, com um incremento de 28,5%. Somente as despesas com comunicações registaram uma redução de 4,4%.

Quanto às despesas que absorvem a maior parte do orçamento dos agregados, que rondava os 17,6 mil euros anuais em 2005 e 2006 eram a habitação, água, a electricidade, o gás e outros combustíveis que ficavam com a maior fatia (26,6%). No entanto, quase dois mil euros tiveram por destino hotéis, cafés e restaurantes.

A saúde, a alimentação, os transportes e outros serviços também são áreas que contemplam despesas superiores a mil euros por parte de cada família.

 

Mais portugueses a casarem só pelo civil

Mais uma vez, os números apresentados pelo INE provam que os casamentos, não estão na moda. Prova disso é o facto de ter havido uma redução de 58,4 mil matrimónios em 2001 para 46,3 mil em 2007. Mas na verdade foram os casamentos religiosos que sofreram mais perdas, acabando por ser ultrapassados pelos que se realizaram apenas no civil. Registaram-se assim 24317 uniões apenas no civil e 22012 pelo religioso no último ano.

Destak - 19 de Dezembro de 2008

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 14:24
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Domingo, 3 de Maio de 2009

DOCUMENTOS DESAPARECIDOS

Faltam documentos na escritura da casa da mãe de Sócrates

Notários fazem queixa ao MP

O Ministério Público (MP) recebeu esta semana uma participação da Ordem dos Notários, que dá conta do desaparecimento dos documentos que suportavam a escritura notarial e identificavam a empresa offshore que vendeu o apartamento no Heron Castilho, em Lisboa, a Maria Adelaide  Carvalho Monteiro, mãe do primeiro-ministro. A queixa criminal foi feita ao DCIAP ( Departamento Central de Investigação e Acção Penal), de Lisboa.

O desaparecimento foi detectado na sequência de vários pedidos de localização de escrituras que, nos últims 15 dias, têm sido feitos por jornalistas que investigam o " caso Freeport". A descoberta foi feita no cartório de Lígia Monteiro , na zona de Santos. A notária quando se preparava para entregar a escritura  da casa de Adelaide Monteiro a um jornalista, pediu a uma funcionária que lhe fosse buscar ao arquivo o maço onde deveriam estar os documentos para os quais a escritura remete. Nomeadamente os documentos relativos ao imposto de sisa, à identificação da procuradora que, segundo a escritura, representou a empresa vendedora - a Stolberg Investiments Limited, uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, bem como o certficado da incorporação da Sociedade e respectivos documentos.

Mas, no maço para que remetiam todas as escrituras daquele ano, apenas as que se referem à compra do apartamento de Maria Adelaide Monteiro tinham desaparecido. A notária ficou estupefacta e deu ordens para que se procurasse nos maços seguintes. » Nunca me tinha acontecido aquilo. Há regras : os livros têm de estar numerados por folhas e não pode falhar um documento».

( ... ) Em 1992, a empresa passou o edifício para a Heron International N. V. , nas Antilhas Holandesas - a quem José Sócrates comprou o seu apartamento por 47 mil contos.

Já Maria Adelaide Monteiro adquiriu o seu apartamento, por 50 mil contos , à Stolberg. Trata-se de uma offshore registada nas Ilhas Virgens britânicas, que comprara dois anos antes o imóvel à Heron, por 56 mil contos. Ou seja, numa época de euforia imobiliária, a Stolberg perdeu na transacção 6 mil contos. ( ... ) O desaparecimento dos documentos pode ter fortes implicações: « Enquanto que em relação à sisa pode-se pedir uma segunda via, com o desaparecimento da documentação da offshore perde-se o rasto do vendedor. Se eu tivesse no lugar da mãe do primeiro-ministro, também queria saber o que aconteceu aos documentos, já que desapareceu o vendedor.    

Explicou ao SOL.

SOL - 01-04-2009

 

 

publicado por luzdequeijas às 22:11
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OS RECADOS

O TURISTA

Gostei de ver um senhor de cabelo curto em entrevista à RTP. Dizem que é o primeiro-ministro. Duvido. Tenho a certeza que é um turista que apareceu por cá.

Para começar, os jornalistas de serviço fizeram perguntas muito sérias sobre as relações entre o Governo e a Presidência da República. O País inteiro diz que existe azedume entre ambos, com Cavaco a enviar "recados" a Sócrates e Sócrates a recusá-los. Pura invenção nossa. Para começar, o turista explicou que as palavras do Presidente Cavaco não são para o primeiro-ministro Sócrates. E, para acabar, as palavras do primeiro-ministro Sócrates não são para o Presidente Cavaco. Acreditem se quiserem, mas Belém e S.Bento andam animadamente a falar para o boneco. E Portugal? Portugal estava óptimo, apesar de o Banco de Portugal ter dito o contrário. Mas veio a crise e lá se foi a pintura. Agora, a solução não está em suspender a crise ou adiar os grandes projectos que não garantem benefícios num prazo razoável; mas em avançar com eles, apesar da dívida pública explosiva, tudo em nome de um futuro moderno, radioso e, pormenor irrelevante, brutalmente penhorado.

Resta o Freeport ? Não, não resta. Verdade que o Ministério Público, sem falar dos "hooligans " ingleses, continua a investigar suspeitas de corrupção baseadas num vídeo dos estúdios Disney. Mas o turista está apenas preocupado com os difamadores que escrevem sobre o assunto. Jornalistas? Não. Difamadores. O facto de serem jornalistas a opinar não passa de um pormenor.

No final, o turista sorriu e foi-se embora. Onde será o país dele?

CM- 22-04-2009

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AINDA A EDUCAÇÃO

Angústia nas escolas

 

Partir os dentes aos sindicatos ou tirar a Sócrates a maioria absoluta é o que parece estar em jogo na luta político-partidária. Mas a questão dos professores é outra. A degradação da escola pública, o aniquilamento dos seus docentes e o idiotizar dos alunos são perigos. Os cidadãos têm de pensar em prevenir o futuro das gerações e do País.

A situação é preocupante. Entra pelos olhos dentro que o desfile de uma centena e tal de milhares pela avenida da Liberdade não é um milagre dos sindicatos. Os sindicatos estão sim a aproveitar a revolta e angústia dos professores aflitos com o kafkiano dilúvio de despachos pelo Ministério da Educação.

O pesadelo que se vive nas escolas não dá para acreditar: para além de reuniões esgotantes e interpretação de objectivos impenetráveis, pela confusão entre desempenho individual e actividades colectivas, os professores enfronham-se na elaboração de " portofólios" com 15 separadores, que obrigam a comprar dois dossiês porque nos supermercados não há capas com mais de 12 divisões. O retrato da tragi-comédia é estar esgotado um " Guia de Avaliação do Desempenho do Docente", livro de 96 páginas acompanhado de um CD-ROM com " propostas práticas para cada interveniente". Na província, onde as disponibilidades são melhores, o guia não é conhecido e poupa-se à obsessão do "portofolio " : À sua maneira define que o melhor para satisfazer o Ministério é dar 3 a todos os alunos.

O ensino precisa de outras mentalidades. Na situação actual é impossível tornar a ver professores públicos como aquele que há umas dezenas de anos apostou em empurrar para o liceu o filho de famílias humildes que é hoje o empresário de êxito Belmiro de Azevedo. Subir na vida tornou-se mais apertado. É preciso investir na educação dos filhos como fez a avó de Obama: meteu-o numa escola privada cara, com toda a convicção de que o primeiro presidente negro dos EUA conseguisse depois ganhar asas e com o apoio de bolsas e aplicação ao estudo concretizasse um sonho à americana com diplomas de excelência em universidades como Columbia e Harvard.

A angústia dos professores lembra para azar do País as anedotas do comunismo: dois cidadãos desesperados com o desgraçado rumo da vida perguntaram a um chefe partidário quem inventara o socialismo científico. Um político ou um cientista ? A resposta foi um político. Logo um disse para o outro: " Eu não disse, se fosse um cientista tinha experimentado primeiro em animais."

João Vaz - Jornalista

 

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 17:26
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TODOS DOUTORADOS

É só doutores

Passou sem polémica o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12 .º ano. Pediram-se apenas melhores condições para as escolas e o inevtável ajustamento das leis laborais. Mas ninguém formulou a questão básica : e se, por absurdo que pareça, nem todos os alunos tiverem capacidade inteléctual para chegar ao 12.º ano ? Que fazer ? Baixar, ainda mais, os níveis de exigência do ensino secundário para distribuir democraticamente os diplomas ?

Tudo peguntas proibidas. Para o romantismo educacional, o sucesso escolar nunca depende da inteligência do aluno. Depende das condições que o rodeiam, do esforço dos professores e até do eventual milagre do santo padroeiro. O que espanta neste optimismo é o Governo não ser ainda mais ambicioso e alargar a escolaridade obrigatória até ao doutoramento. Mas lá chegaremos.

CM - 26-04-2009 

publicado por luzdequeijas às 17:03
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Experimentalismo Militante

ESTUDAR E ANDAR NA ESCOLA

A escolaridade obrigatória até aos 18 anos é uma ideia generosa que fica bem a qualquer partido moderno, socialista ou social-democrata. Aliás, em vésperas de eleições fica bem a qualquer partido à procura de votos e por isso mesmo é que nenhum deles levantou dúvidas senão relativamente a aspectos laterais da questão, como o momento, o método e os procedimentos, escolhidos e anunciados pelo Governo. Pelos vistos, ninguém no Parlamento questiona o princípio, nem avalia os efeitos de tal decisão na escola e na sociedade, o que não deixa de ser extraordinário num país tão singular em tudo o que diz respeito ao ensino. Isto para já não falar da aparente contradição entre o acesso ao mercado de trabalho, que se faz e continua a fazer aos 16 anos, e esta pretensão de obrigar os jovens a ficarem na escola até aos 18.

A mania do vanguardismo e daquilo a que poderíamos chamar um estilo de reforma permanente, ou de experimentalismo militante, estão na base do desastre do ensino em Portugal. Tem servido para cada Governo ensaiar a sua reformazita e fingir paixão num sector onde o que faz falta é exigência, rigor e eficácia. Ora, a escolaridade obrigatória de nove anos está muito longe de consolidada, ou não teríamos uma taxa de abandono superior a 36 por cento, muito mais do dobro da média na Europa a 27. E se considerarmos o baixíssimo nível de preparação dos 64 por cento que fazem o 9.º ano ficaremos ainda a maior distância.

Sucede que os 12/13 anos de escolaridade obrigatória existem somente em seis dos 27 estados da União Europeia, em condições muito especiais e apenas a tempo parcial a partir dos 15/16 anos. Os 9 e os 10 anos são a prática mais generalizada. Países tão "atrasados" como a Dinamarca ou a Suécia, para não falar da Finlândia, esse farol tão invocado pelo primeiro-ministro, têm apenas nove anos. E a Itália que, não sendo hoje o modelo dos modelos, ainda faz parte do pequeno grupo de países mais desenvolvidos do mundo, fica-se por oito anos de escolaridade obrigatória.

Há uma diferença grande entre estudar e andar na escola. Perante este quadro de referências e os péssimos resultados do ensino em Portugal, uma coisa faz sentido; consolidar os nove anos de escolaridade obrigatória, melhorar o grau de preparação dos alunos, com mais exigência e menos facilidade, e reduzir ao mínimo possível o abandono escolar antes do nono ano. É nisso que o Governo e os partidos vão certamente pensar quando lhes passar esta febre eleitoral de que agora padecem.

Expresso - 01-05-2009

 

 

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 15:27
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MILHÕES EM MAGALHÃES

" MAGALHÂES " estrela na Feira da Ladra

Pais vendem portáteis dados pelo Governo. E as polémicas não param, agora com alunos levados a mentir para filme do PS

 

"Em tempo de crise, há pais que optam por se desfazer do computador dado aos filhos para conseguir algum dinheiro. Nas feiras de artigos usados não é difícil encontrar o " Magalhães à venda, assim como nas casas de penhores, onde algumas famílias põem o portátil " no prego".

O computador, que é uma bandeira eleitoral do PS, não pára de dar polémica. Um tempo de antena dos socialistas usou imagens de crianças sem informar os pais do objectivo político do filme, onde os próprios alunos foram levados a mentir para efeitos de propaganda. Professores e encarregados de educação exigem o apuramento de responsabilidades".

Expresso - 01-05-2009

publicado por luzdequeijas às 14:50
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UMA ESPÉCIE DE DEMOCRACIA

Pequenos e terríveis

Antigamente, o eng. Sócrates contratava figurantes para as suas sessões de propaganda escolar; dezenas de crianças meticulosamente aprumadas, capazes de enfeitar os noticiários com odes pungentes ao Magalhães. Agora, com a crise, recorre-se a amadores: alunos reais de escolas reais que, devidamente manipulados, contribuem para os tempos de antena do PS. Isto, que levantou polémica, obrigou o eng. Sócrates a desculpar-se perante os pais. Não obrigou a que se encontrassem responsáveis por tão nefando acto. O PS diz que não é culpado e culpa a produtora de vídeo. A produtora diz que não é culpada e culpa os professores que não entenderam o projecto. Os professores dizem que não são culpados e culpam o Ministério da Educação. E o Ministério ? O Ministério, sugestão minha, devia simplesmente culpar as crianças.

CM - João Pereira Coutinho - 03-05-2009

 

publicado por luzdequeijas às 14:28
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FACILITISMO INCONSCIENTE

AMBIÇÃO E PRUDÊNCIA

 

O anúncio pelo Governo do aumento da escolaridade obrigatória para 12 anos ou até aos 18 anos de idade é, infelizmente, mais fonte de preocupaçãodo que de regozijo.

Doze anos de escolaridade não é, nem deve ser, sinónimo de "obrigação de passar 12 anos na escola".

Tempo de escolaridade é período de aprendizagem, de aquisição de conhecimentos e de hábitos de trabalho, com vista a alcançar uma formação específica.

Escolaridade de 12 anos  implica adquirir aptidões reconhecidas pela sociedade porque os jovens, ao sairem do sistema educativo, já atingiram a idade de ingresso no mercado de trabalho e já acalentam expectativas de vida que têm de ser acauteladas.

Se o mercado não reconhecer as suas competências, abre-se caminho à frustação.

Os responsáveis políticos têm de estar conscientes quanto à preparação prévia que esta decisão implica e quanto aos meios de que dispõem para atingir esse objectivo com sucesso.

Ora, tanto quanto se sabe, essas condições estão longe de estar garantidas, se é que foram equacionadas.

No actual contexto, presente-se que o anúncio não passa de uma intenção e que, a concretizar-se, em más condições, só poderá agravar o sentimento de fracasso para os jovens e para a sociedade.

Ambição e prudência têm de andar juntas. 

Expresso- Manuela Ferreira Leite - 01-05-2009 

publicado por luzdequeijas às 12:06
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POLÍTICA ESPECTÀCULO

Sócrates é um homem de circo

 

Cooreio da Manhã/Rádio Clube - Já falou no Estado Novo. Tenho de lhe perguntar se defende uma revolução idêntica à de há 35 anos.

Medina Carreira - Não defendo revolução alguma. Receio é que estejamos a caminhar não para uma revolução, mas para uma coisa pior do que uma revolução: que é uma pobreza instalada com alguns ricaços.

- Com que consequências?

- Se o senhor for pobre diga-nos se fica satisfeito. Vive mal, não tem automóvel, não vai à praia, come uma bucha de vez em quando.

Nenhum chefe de Governo percebeu isso ?

- Destes quatro últimos anos nenhum percebeu o País em que estava.

- Os últimos quatro ?

- Sim. Guterres, Barroso, Santana, que esteve lá episódicamente, e este, não perceberam o essencial do problema do País.

- Não perceberam que vivem em Portugal ?

- Não. Porque cada um tinha uma concepção. António Guterres era palavreado. A política de Guterres era saber quantos por cento do PIB iam para a Educação. O que se fazia com os tais por cento era indiferente. Este que está lá agora, o José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem de circo. Desde a primeira hora. È gente de circo. E prezam o espectáculo porque querem enganar a sociedade.

CM - 03-05-09

publicado por luzdequeijas às 11:33
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Sábado, 2 de Maio de 2009

Aos defensores do ESTADO

A CRISE NÃO MORA NA ERC

 

Nesta época de crise todos devíamos pôr os olhos na Entidade Reguladora para a Comunicação Social. O presidente Azeredo Lopes é um líder visionário: apesar da crise, contratou mais 48,9% pessoas em menos de quatro anos ! Com efeito, em 2006, a ERC tinha 47 colaboradores efectivos, a quem pagou euros 1,38 milhões; em 2007, o número subiu para 57, que receberam euros 1,86 milhões; e até Agosto deste ano terá 70, a quem vai pagar mais de euros 2 milhões. Por causa desta dinâmica, a ERC vai ter de mudar de instalações, deixando aquelas onde se encontra há menos de dois anos. É claro que a actividade da ERC (fiscalizar e analisar os media e os jornalistas) não contribuiu em nada para aumentar a riqueza do país. E são os contribuintes ( e as multas sobre os media ) a pagar tudo isto. Mas que importa ! Sigamos o Dr. Lopes ! Gastar dinheiro é que é preciso ! E se este for dos outros, ainda melhor !

Expresso- Nicolau Santos - 1-05-09

publicado por luzdequeijas às 23:46
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ILUSIONISMO À SOLTA

O chamado combate à crise está transformado numa interminável sucessão de extraordinárias medidas, cada uma mais surpreendente que a anterior. É uma vertigem que está a deixar os portugueses um pouco zonzos. Poucos conseguem acompanhar o ritmo alucinante de tanta iniciativa e, por junto deve haver meia dúzia que as entendem.

Sempre que aparece em público o primeiro-ministro tem alguma coisa na manga. Dizem que é para marcar a agenda. Num dia é o subsídio social de desemprego, noutro é uma alteração ao subsídio, a seguir vem um acrescento ao mesmo subsídio. Depois vem um troço de um IP qualquer coisa, uma variante ao mesmo IP, um alargamento do restante, uma visita ao estaleiro. Safa !

Há obras para todos os gostos e feitios. Estradas para todos os lados e, ao que parece, algumas para lado nenhum. Já somos o país da Europa com mais auto-estradas por habitante, mas a coisa só vai parar quando cada português tiver uma auto-estrada até à porta. Todas necessárias, todas indispensáveis, todas anunciadas como se fossem não uma necessidade efectiva mas a via que nos tirará do buraco em que estamos.

Como a imaginação tem limites, a táctica é ir partindo os anúncios  aos bocadinhos. Uma parte agora, outra dois dias depois, agora numa entrevista, a seguir no Parlamento. O que interessa é alimentar a ilusão de que a crise está a ser combatida à espadeirada, que a crise acabará por sufocar perante tanta energia, tanta iniciativa, tanto frenesim.

As obras são mesmo necessárias ? Não interessa. O que importa é fazer. Temos dinheiro para pagar ? Pergunta estúpida. O dinheiro há-de aparecer e, um dia, quando já não houver crise, alguém pagará. Quanto é que tudo isto nos vai custar ? Para quê fazer contas se o que conta é trocar as voltas à crise trocando as voltas ao futuro.

A campanha alegre desceu à rua, a seis meses das eleições. A crise é o pretexto para esconder a realidade, lançando sobre a sua nudez um manto diáfano de ilusão ( obrigado, Eça ). Uma ilusão que, para mal dos nossos pecados, até pode durar seis meses. O espectáculo não pode durar para sempre.

Quando acabar, o frenesim das actuais medidas, exprimido, dará pouco sumo. E pode ser tarde para recuperar cedo. O que vem a seguir será outra realidade e esta não se prepara com medidas avulsas, nem insistindo na irracionalidade das " grandes obras ". Pode ser bom para marcar agenda, não é bom para o país.

Expresso - Luís Marques - 1-05-2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por luzdequeijas às 22:59
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