Quinta-feira, 26 de Março de 2009

ESTADO PATRÃO !

O “MANTO PROTECTOR”

« As circunstâncias da conjuntura ajudam a que, no imaginário colectivo, o Estado surja como entidade salvadora. Mas a tradição tutelar e a mentalidade servil dos portugueses contribui para essa sobrevalorização», considera o sociólogo Elísio Estanque, que junta as «práticas de caciquismo» à «nossa cultura política». E continua : « para sectores significativos da população a vida seria mais segura e previsível se decorresse sob o manto protector de um “ pai tirano”, que tome as decisões em seu nome e os proteja do risco do desconhecido e da mudança. E quando não é o Estado será um qualquer substituto simbólico, o patrão ou o senhor presidente da Câmara,»
A conjuntura, a crise actual, não explica totalmente os resultados desta sondagem, em que os portugueses mostram querer, com maiorias expressivas ( ver infografia Mais serviço público, por favor ! ) um maior investimento do Estado nas áreas acima referenciadas. Aliás, à pergunta sobre se o Estado deve dar dinheiro a pessoas com dificuldades, em alturas de crise, 69,7% dos inquiridos responde que sim.
« Por tradição, os portugueses são pouco liberais, sempre esperam que o Estado desempenhe um papel de socorro», analisa Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD. Mas será que os partidos da direita, e também o PS, que têm privatizado empresas nos sectores da energia, por exemplo, não poderão ser prejudicados por esta inclinação acentuada para o serviço público ? Rangel, responde negativamente, recordando a tradição do PSD, a sua vocação para a « assistência aos mais necessitados, com uma certa inspiração na doutrina social da Igreja, não numa sociedade liberal pura e dura».
Alberto Martins, vê antes uma convergência com as linhas programáticas do seu partido: « O programa do PS mantém no público os serviços que os cidadãos reconhecem como sendo de qualidade. A privatização significa que o Estado não deve ser produtor de certos bens e serviços, mas deve ter, nos respectivos sectores, uma participação forte e um papel regulador.»
Já Diogo Feio, do CDS/PP, vai esperando por uma « revolução cultural». Tudo se reverterá quando as pessoas perceberem que é pelo crescimento da economia e pela existência de empresas que criam riqueza e emprego que sairemos da crise económica.» A verdade é que, apesar de se exigir uma maior intervenção do Estado, as intenções de voto favorecem maioritariamente os partidos do centro. Para António Costa Pinto, todavia, tal não é contraditório. « Nem o PSD reivindica os valores liberais. E o partido que mais assume a defesa calorosa das privatizações, o CDS/PP, nunca colheu eleitoralmente grandes resultados» , resume o politólogo, que caracteriza a sociedade civil como tendo « tendência para pedir ao Estado mais do que lhe pode dar.» Aliás, continua, « existe a noção, na classe média, de que, em Portugal, também o sector privado tem uma relativa dependência do Estado».
Visão – 26-03-2009       
publicado por luzdequeijas às 22:51
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