Sábado, 27 de Novembro de 2010

O PRAVDA SOBRE PORTUGAL

 
 

 

Source: Pravda.ru

Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo liberal de José

Sócrates. Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português a fazer

sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente

deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria. E não é porque eles serem portugueses.
Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que

doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se

estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando

a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar

Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a

chegar ao Japão....e à Austrália.
Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de

austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de

política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contato com o

mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido Social Democrata (PSD) e

Partido Socialista (PS), gangorras de má  gestão política que têm assolado o país desde anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?
Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as

agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and  Poor's, baseadas nos Estados Unidos da

América  (onde havia de ser?) virtual e fisicamente,  controlam as políticas fiscais, económicas e

sociais dos Estados-Membros da  União Europeia através da atribuição das notações de crédito.
Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?
Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e

com medo, apavorada com a Alemanha depois das suas tropas invadiram o seu território três vezes

em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta

Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. A França tem a

agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.
E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares

para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e

adivinhem de que país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os

Mercedes e BMWs.  Topo-de-gama, é claro.
Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da

direita) e PS (Socialista, do centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos

portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos

para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas

lusas!!), a troco de quê?
O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade

de criar emprego e riqueza numa base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram bilhões de euros através das suas mãos a partir dos fundos

estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de

Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de

cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!)

e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e

parasitas inúteis (que são), ele é o pai  do défice público em Portugal e o campeão de gastos

públicos.
A sua "política de betão" foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada, o resultado de uma

inapta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento

do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o

país e seu povo.
Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-

estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de

parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava

no litoral.
O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar

ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram

criadas, em muitos casos já fecharam.
Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e

esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini,  Maserati.

Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O

Governo e Aníbal Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi

desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo

a perderem o controle e a participarem.
Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.
E ele é um dos melhores?

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente

Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um

buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas

abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, "Eu vou

ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com o seu discurso do

que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer

hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha. Resultando em dois mandatos de

José Sócrates; um Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e

tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado pelos interesses

instalados.
Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado

da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise

mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões

de dólares (???) de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis,

enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de

educação).
E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de

inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de

laboratório, que obviamente serão contra-producentes.
O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos.

Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).
Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo,

mudar de emprego ou abandonar o país (5%)
Concordo com o sacrifício (1%)
Um por cento. Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe

ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela

população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a

obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no

caso de Portugal, contínua) recessão.
Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que

sonhou com esses esquemas, tem os resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar!!
É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de rating, que o  Governo  de Portugal

está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.
Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo

de Portugal para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido

Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado com as suas ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a

ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao

longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.
Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido

assimilados há séculos pela Espanha.
Que convidativo, o ditado português "Quem não está bem, que se mude". Certos, bem longe de

Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora.

Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política

abominável

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru
 

publicado por luzdequeijas às 23:45
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