Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

O CARVALHAL E OS SOUTOS

D. Dinis e os Soutos do Alcambar

Referimos agora alguns aspectos ou factores que determinaram no decurso dos dois últimos séculos, a sua importância socio–económica para a nossa população: Por se tratar de um Baldio, eram terras à inteira disposição do Povo que as poderia amanhar livremente sem pagamento de rendas ou outros tributos.

No inicio, com a substituição da enorme colónia de carvalhos por castanheiros, D.Dinis, apostou determinantemente numa opção que na prática, haveria de resultar numa mais–valia para o Povo.


Assim, através daquela plantação dos Soutos do Alcambar, terminou com a existência dos carvalhos cujo aproveitamento se destinava unicamente a lenha, dando origem em seu lugar, a uma árvore que embora de crescimento lento (cerca de quarenta a cinquenta anos até atingir a produção), haveria de se tornar imprescindível à sobrevivência das numerosas comunidades implantadas no maciço central da Serra da Gardunha.

Enquanto que a castanha se tornou o sustento principal, senão mesmo o único das populações, estas ainda aproveitavam a rama para alimentar os rebanhos, os ramos para lenha, a madeira para a construção das casas, dos utensílios domésticos, alfaias agrícolas, mobiliário diverso, carros de bois, engenhos, etc.


 

Daqui se pode comprovar o íntegro aproveitamento do castanheiro que haveria de tornar–se a "Árvore Mãe", pela muita fome que matou, pelo conforto que proporcionou e a protecção que ofereceu.


 

Queremos aqui destacar o facto da castanha ter sido durante séculos, a base da nossa alimentação. Era apanhada por pessoas que anteriormente as adquiriam em arrematações públicas ou então, por jornaleiros pagos para o efeito.

Posteriormente, era espalhada nos caniços das Secadeiras existentes no Carvalhal onde se procedia à sua secagem através de fogueiras acesas e mantidas dia e noite.


 

Após esta operação, e já na situação de "pilada", era pisada em cestos próprios onde lhe era extraída a casca. Conservada dentro das arcas em madeira de castanho, mantinha a família até à época seguinte.

Era servida à mesa derregada, nas tigelas ou malgas, em leite ou em vinho, conforme o gosto e a faixa etária dos consumidores. – A este manjar, chamavam "Caldudo".

Com a introdução da batata em Portugal, a importância determinante da castanha começou a decair embora continuasse a constituir um prato forte e da predilecção do Povo.

Com aquela novidade alimentar, redobrada importância vieram a adquirir as terras do Carvalhal.

Pertença comunitária, em anos em que o feudalismo imposto pelas Casas senhoriais reinava, tornou–se o único pedaço em que cada um poderia semear e colher sem necessidade de prévia autorização ou pagamento obrigatório.

No Carvalhal, com terra fértil, água abundante e um eco–sistema singular baseado nos frondosos e esplendorosos soutos, o Povo passou a semear a batata, trigo, centeio, cevada, feijão e outros produtos hortícolas. Os agricultores destinavam as zonas mais baixas e com mais terra arável, aos "alqueves", as de média altura para os cereais, as restantes, – as mais altas e mais rochosas, vocacionavam–nas ao pastoreio.


Perante o aproveitamento efectuado por toda a comunidade da nossa Aldeia, descrito daquela forma sumária,

  • ainda, pela riqueza que transparece de tal aproveitamento
  • pela liberdade que este Baldio transmite e que permite a cada um delimitar para si e para sustento dos seus, uma parcela de terreno que será sua durante um ano

Certamente que desperta curiosidade, interesse e cobiça. Assim aconteceu tendo originado um dos acontecimentos mais marcantes e preponderantes na história do Povo do Souto da Casa, que haveria de denominar–se posteriormente e também por isso, como o "Povo da Rama do Castanheiro".


publicado por luzdequeijas às 15:08
link | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

.Fevereiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. O CONCEITO DE SERVIÇO PÚB...

. MUDAR SÓ POR MUDAR.

. CENTRO DE DIA DE QUEIJAS

. ALMOÇO MUITO INDIGESTO

. FUMO BRANCO E NEGRO

. ENDIVIDAMENTO PÚBLICO E P...

. A POLÍTICA COR-DE -ROSA

. OS QUATRO IMPÉRIOS

. O ASSOCIATIVISMO

. DOUTOR DA MULA RUÇA

. A CLASSE MAIS CASTIGADA

. AS VITIMAS DA CIGARRA

. O NOSSO ENTARDECER

. A SACRALIDADE DA PESSOA H...

. SABER TUDO ACERCA DE NADA

. A NOSSA FORCA

. A MORTE ECONÓMICA

. GERAÇÃO DE OURO

. OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR

. SEDES DE RENOVAÇÂO “

. 200 000

. DO PÂNTANO A SÓCRATES

. O ESTADO PATRÃO

. A MENTIRA

. O SILÊNCIO DOS BONS

. ARMAR AO PINGARELHO

. ENSINO À DISTÂNCIA

. A CIÊNCIA DO BEIJO

. A VERDADE PODE SER DOLORO...

. COSTA V.S MERKEL

. PROTEGER O FUTURO

. RIQUEZA LINCUÍSTICA

. A MÃO NO SACO

. DOUTRINA SOCIAL CRISTÃ

. GRANDE SOFRIMENTO

. IMAGINEM

. LIBERDADE COM SEGURANÇA

. COSTA CANDIDATO

. DEBATES PARTIDÁRIOS NA TV

. NA PÁTRIA DO ÓDIO

. PORTUGAL, UM PAÍS DO ABSU...

. NÓS, NÃO “PODEMOS”

. CIVILIZAÇÃO Pré-histórica...

. AS REGRAS DA VIDA REAL

. UMA SAUDÁVEL "LOUCURA"

. UMA SOCIEDADE SEM "EXTRAV...

. O MUNDO DOS ANIMAIS

. A CRISE NO OCIDENTE

. O POVOADO PRÉ-HISTÓRICO D...

. AS INTRIGAS NO BURGO (Vil...

.arquivos

. Fevereiro 2018

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.favorito

. COSTA V.S MERKEL

. MANHOSICES COM POLVO, POT...

. " Tragédia Indescritível"

. Sejamos Gratos

. OS NOSSOS IDOSOS

. CRISTO NO SOFRIMENTO

. NOTA PRÉVIA DE UM LIVRO Q...

. SEMPRE A PIOR

. MEDINDO RIQUEZAS

. A LÁGRIMA FÁCIL

.mais sobre mim

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub