Graças à alteração que o PS aprovou ( 2006 ) na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, com a abstenção da oposição, certas e determinadas ligações em que os deputados participem, não serão de descriminar no registo de interesses dos políticos !
A surpresa vem exactamente da protecção ao segredo que, ele mesmo, faz funcionar o “ famigerado sistema “.
Já havia sido, segundo parece, por influência do Ex – Presidente da República, Jorge Sampaio, que foi legislado o recurso dos cidadãos a criarem Movimentos de Cidadãos Independentes nas eleições autárquicas .
Muita gente acreditou, muito sinceramente, que a abertura às candidaturas de INDEPENDENTES, poderia vir refrear este terrível salto do país para o suicídio, em consequência da desastrosa actuação dos partidos . Pobres criaturas !
Pobres porque quando falam do “sistema” falam do poder paralelo a que muita gente dá apoio, ingenuamente, ou não. Fala-se de forças ocultas, de grandes interesses pessoais ou de grupos pecaminosos, também de pequenos favores que vão minando a credibilidade dos que andam na política!
Gente infiltrada nos sindicatos, nas empresas, na Administração Pública, nos partidos, nas escolas, no futebol, nas igrejas, enfim assumem-se como uma divindade de polaridade negativa que, como o ar, somos obrigados a respirar ! Tal polaridade corrói os princípios basilares de uma sociedade democrática, os valores que se julgam inerentes a uma humanidade digna e constitui - se numa grande perigosidade, terrivelmente devastadora, montando todo o tipo de corrupção e ilícito.
Porém, é na vida autárquica que o sistema se movimenta mais perto dos cidadãos, e onde os políticos de serviço, são escrutinados diariamente por estes. É aqui que sem ler os jornais, ou ouvir os telejornais, muito antes disso, o povo detecta os mínimos sinais de riqueza exterior nos políticos de proximidade. É aqui que o mesmo povo se interroga da razão de certas pessoas, vestidas de políticos, sem méritos abonados, constarem sempre das listas eleitorais . Curiosamente, muitas vezes, sem assumirem a liderança !
Naturalmente que em tudo isto e muito mais, o pernicioso “ sistema” veste a pele dos partidos políticos, numa hábil e subtil rede de complexos comportamentos e atitudes que se harmonizam entre os vários partidos, colocando em secundaríssimo plano as disputas partidárias.
Sentiu – se, muito sinceramente, que a abertura às candidaturas de INDEPENDENTES, poderia vir refrear este terrível salto do país para o abismo. Triste desengano!
Os termos da lei aprovada limitam – se à formação dos movimentos e à sua actividade até ao acto eleitoral ! E depois ?
Com independentes autarcas eleitos, que precisam de apoio como os partidos, estes já não têm cobertura legislativa !
Com a imaginação fértil do português, logo se descobre e recorre à constituição de uma qualquer associação local .
Três tipos de candidatura passaram a ser possíveis para o poder local ; partidos, coligações de partidos e grupos de cidadãos Independentes.
Chegados aqui será obrigatório perguntar ; qual a diferença entre um partido político/ coligação e um movimento de independentes ? Qual a vantagem do aparecimento destes?
Para quem acreditou que eles fariam a diferença, para melhor, e forçariam os partidos a uma desejável mudança de comportamento político, resta – lhe a desilusão.
Tirando um ou outro caso, os independentes nada trouxeram, antes pelo contrário !
Deram cobertura aos descontentes partidários e tornaram – se simples prolongamentos dos partidos ! Ou seja, foram ocupados por gente afecta ao sistema ! E só !
Tudo piorou, porque em vez de o sistema viver das sensibilidades dos partidos, passou a viver das sensibilidades de um grupo independente que gira, obrigatoriamente, em função de um líder forte e carismático .
É este líder que vai comandar uma câmara, uma Junta e, praticamente sem oposição, estabelece uma indesejável promiscuidade entre órgãos que por lei são independentes ! Câmaras e Juntas !
Se tiver existido a tentação de nomear um candidato como líder , pela sua boa imagem junto da opinião pública, mas tal candidato não estiver dentro do sistema, então, rapidamente ele deixará de comandar por ser cilindrado por pessoas que de independentes nada têm !
O verdadeiro independente fica rápidamente a falar sozinho !
Provavelmente nem será convidado a fazer parte da associação de independentes necessariamente criada para dar continuidade ao trabalho dos eleitos.
Forçoso será concluir que, os auto – proclamados movimentos de cidadãos independentes, de independentes nada têm !
Nunca irão melhorar o péssimo desempenho dos partidos por estarem inquinados das mesmas maleitas !
Do MCI pioneiro neste concelho, o cabeça de lista e seu promotor foi afastado . Era talvez o único independente. Os seguintes ( 4 ) na lista foram repescados e feitos políticos. Porquê ?
Talvez com um pouco de atenção, os leitores possam descortinar algum caso evidente daquilo que se acaba de explanar. Depois é só pensar um pouco e concluir :
- Os movimentos independentes servem pessoas não a população. São o prolongamento dos partidos e sofrem do mesmo mal.
- As Associações dos mesmos são “ Um Nado - Morto”. O futuro vai demonstrá-lo.
O “ sistema” não perdoa aos verdadeiros independentes, os outros, mais dia menos dia, é vê-los a falar alto ! É o Portugal que temos ! Os resultados estão à vista !
António Reis Luz