Nas últimas eleições autárquicas em Oeiras, um dos candidatos falou muito de “candeias às avessas”.
Achei muita graça porque o meu avô paterno utilizava muito esta expressão. Contudo, ela não é muito utilizada, uma vez que me está parecendo que no mundo de hoje tudo anda deste jeito.
Li no Jornal de Oeiras umas linhas sobre a inauguração da Alameda de Queijas.
O Presidente da Câmara elogiou o construtor, os técnicos da CMO responsáveis pela obra e, claro, ele foi o protagonista. A anterior presidente também quis sê – lo.
Da paternidade desta obra também se falou demasiado na última campanha autárquica e, eu próprio, escrevi neste jornal sobre este assunto, lembrando que quatro anos antes, logo nas autárquicas anteriores, foi larga a profusão de panfletos espalhados com os pormenores do projecto já aprovado.
Em boa verdade esta alameda deveria ter sido inaugurada no final dos anos oitenta do último século, data em que foi inaugurada a conhecida “Mancha A” da Cooperativa Cheuni.
Foi muito estranho que se tivessem dado licenças de habitação para muitas dezenas de casas, com aquela enorme área coberta de cardos e mato !
Se a responsabilidade de fazer a alameda seria da cooperativa ou da CMO, tanto importa para o caso.
Hoje temos alameda e ainda bem, mas quanto à paternidade vamos mais devagar .
Era eu presidente da Junta de Freguesia de Queijas em 1998, quando lancei pelas escolas, públicas e privadas um concurso.
Foram muitas as dezenas de crianças que concorreram escrevendo sobre a pessoa cujo nome foi dado à sua rua.
De todos os trabalhos guardo na memória um trabalho feito por uma menina de seis anos, moradora nesta alameda, à data uma lixeira, que transcrevo:
ERA ASSIM QUE EU GOSTAVA QUE FOSSE A MINHA RUA
A minha rua tem um grande espaço cheio de ervas mesmo em frente da minha casa. Eu gostava que tivesse um parque.
Se tivesse um parque podíamos jogar à bola e brincar. Nesse jardim podia haver um escorrega e baloiços, assim como uma coisa para trepar. Devia também ter bancos para a minha avó se sentar a bordar com as suas amigas. Eu gostava que tivesse uns lagos com nenúfares, peixes e rãs e muitas flores para as abelhas tirarem o mel.
Podíamos plantar muitas árvores, que seriam bonitas como os pinheiros do meu avô. Há muitos anos, quando o meu avô veio morar para esta rua, ele plantou uns pinhões na terra. Agora temos três grandes pinheiros que dão muita sombra.
Ao pé dos pinheiros, o meu avô também plantou rosas. Há outras pessoas na rua que plantam flores e árvores bonitas.... mas não é a mesma coisa. Se houvesse um parque todo arranjadinho a minha rua ficava mais bonita e os meninos de Queijas teriam um sítio grande e bom para brincar ... ficávamos todos mais contentes. C. F. H. – 6 anos
Foi precisamente esta menina que me fez chegarem lágrimas aos olhos e mover montanhas no executivo, na Assembleia de Freguesia, arrastando todos os partidos a participarem e enviarem para a CMO um apelo a favor da construção da alameda.
Fui vezes sem conta trabalhar com os arquitectos na câmara, no meu carro, com todas as despesas por minha conta.
Isto não tem importância nenhuma. O construtor não fez mais do que a obrigação dele. Os arquitectos também.
O sr. Presidente da Câmara também.
O que tem importância é esta menina anónima de 6 anos, que já deixou de ser criança. Os seus sentimentos pela natureza, pelos avós, pelas amigas da avó e pelos outros meninos. Também o seu amor pela natureza !
Era esta menina que deveria ter sido homenageada e a sua carta cheia de ternura transcrita para uma “Lápide” colocada no centro da Alameda de Queijas.
É por tudo isto que vale a pena ser autarca, não pela feira de paternidades ou vaidades .
António Reis Luz
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