Desde que foi empossado em primeiro-ministro, Sócrates levou para a praça pública, um copo com água, exactamente até metade. Sempre que acha oportuno, vem dizer ao país inteiro que o copo está meio - cheio !
Com benefício da dúvida, é de acreditar que pretende, com isso, levantar a confiança e auto – estima dos portugueses ! Seria louvável se o copo não estivesse meio- cheio e meio- vazio, há muito tempo!
No primeiro caso, quando o PIB aumenta de 0,1 % o país é largamente informado ! A máquina publicitária está afinada e é poderosa !
No segundo caso, quando as variáveis económicas estacionam ou diminuem 0,1 %, o silêncio é sepulcral !
Em boa verdade o copo está sempre na mesma !
E Portugal, para recuperar o imenso atraso que regista, precisa de elevadas subidas no seu produto. O povo, mesmo sem nada entender de percentagens, nem de economia, a não ser da de sua casa, fica impávido, mas as sondagens lá continuam em alta para Sócrates.
Estamos perante um “ case study” ?
Parece indesmentível existir uma permanente manipulação dos dados tornados públicos, pois, com atenção, vê-se que infelizmente, não há motivos nenhuns para tanta euforia. Antes pelo contrário.
Há ainda, mais formas de manipular, na opinião pública, as variáveis económicas e financeiras. Por exemplo, neste preciso momento, os países ricos estão a crescer, na sua maioria, a um ritmo abaixo dos 2 % ao ano ! Ainda não lembrou ao primeiro – ministro vir junto do copo meio – cheio, afirmar que temos um crescimento igual aos dos países ricos ! Até era verdade.
Só que, aqui, lembro – me do tal cozinheiro que durante a tarde fazia a sopa para o jantar no restaurante. Para que não azedasse ela era metida noutros tachos mais pequenos e guardada no frigorífico. Nesta operação quando um tacho estava quase cheio o cozinheiro abrandava o ritmo do enchimento, para não entornar. Quando começava a encher outro tacho fazia – o primeiro com rapidez. Nem olhava. Depois voltava a abrandar.
Portugal é o tacho vazio, permite e necessita de enchimento ( crescimento) rápido. Agora . Muito acima dos outros países !
A economia caseira de cada português faz-lhe sentir, sem mentiras, de há muitos anos a esta parte, que estamos em queda acentuada de nível de vida.
Sócrates sabe – o bem.
A manipulação do desastre conhece, então, outras formas. Uma das mais corriqueiras é a do “ betão “ tão criticado a Cavaco, pelos socialistas.
Nessa altura Portugal não tinha infra - estruturas e necessitava dele para o seu desenvolvimento. Muito. Hoje, já não é bem assim.
Portugal , actualmente, é um dos países da Europa com mais AE por quilómetro quadrado. O novo plano rodoviário prevê mais 570 Kms nos próximos anos. As obras públicas de barragens, o aeroporto e TGV, são despesa que disfarça o crescimento do PIB, mas não é economia real, criadora de riqueza directa . A nossa produtividade continua das mais baixas da EU. As falências aceleram em Portugal !
A curto prazo, com o betão, os efeitos parecem positivos mas, a médio prazo, é o caminho para o abismo. É para lá que vamos, através de puro ilusionismo, para alcançar as estatísticas anunciadas e diminuir o desemprego, esquecendo o crescimento sustentado do país.
Sócrates está grudado no poder !
Nós e as futuras gerações pagaremos este erro tremendo, bem caro. Estamos perante uma visão retrograda do “betão”, pior que as teorias de Thomas Malthus e os benefícios obtidos com a Revolução Industrial, entre 1650 e 1850 que, segundo ele, fizeram com que a taxa de mortalidade declinasse, ampliando assim o crescimento natural. Preocupado com tal crescimento populacional Malthus, em 1978, publica uma série de ideias alertando para a importância do controle da natalidade, afirmando que o bem estar populacional estaria intimamente relacionado com crescimento demográfico do planeta. Malthus acreditava que o crescimento desordenado acarretaria a falta de recursos alimentícios para a população, gerando como consequência a fome. O aborto já foi aprovado!
A crise de alimentos já chegou ! O tempo da comida barata já passou ! Nesta conjuntura vamos ver o que faz Sócrates. Talvez faça como Guterres, e bata com a porta, assustado com o pântano !
António Reis Luz