Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

SONHO NO FUTURO

 

A FORÇA DA MUDANÇA ?
A “ força da mudança” sempre seria um mote arriscado para um partido que governa há 4 anos. Mas, para José Sócrates, considerada a obra e o contexto, é uma verdadeira temeridade.
A primeira reacção só pode ser de perplexidade. As mesmas receitas, a mesma auto-satisfação, o mesmo tom proclamatório. Propõe-se, apenas e só, o aprofundamento do caminho feito. Aliás, pergunta-se: a força da mudança ? Mas não é Portugal um dos países da Europa em que mais pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza ? Não é Portugal um dos países da Europa com maior desigualdade de rendimentos? Não é Portugal que gasta continuamente mais do que produz? Não é Portugal que depende de um insustentável recurso ao endividamento externo? E tudo isto não piorou nos últimos 4 anos? De resto, não é verdade que, antes da crise, Portugal cresceu sempre abaixo da média da europeia?
E não é verdade que, deflagrada a crise, Portugal revelou um dos piores desempenho da Europa dos 27?
O Partido Socialista apregoa a força da mudança, mas é tíbio na assunção de um caminho novo. Apenas duas propostas constituem a bandeira dessa novidade: a regionalização e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Porém, uma e outra com o mesmo pecado original: estão nos antípodas do que os portugueses consideram hoje prioritário.
É claro que José Sócrates não ignora essa distância. Mas o ponto é outro. Ao contrário do que é próprio de um Partido Socialista dirige-se a franjas específicas do eleitorado, num exercício de sedução que privilegia a instrumentalização de uma agenda fracturante.
Várias evidências tornam-no incontestável. Desde logo, a falta de foco no essencial : a crise e o futuro que se preconiza para o dia seguinte. Depois, a inconsistência e a vacuidade dos postulados políticos assumidos. Finalmente, o oportunismo fácil da própria escolha.
Quando é patente que Portugal perdeu a capacidade de acreditar, o Partido Socialista propõe-se disputar eleições com um discurso envelhecido e soluções estafadas. Não percebe que o país precisa de confiança e de projecto. Não sente a urgência de fazer Portugal ter aspirações ao nível dos melhores. Pior: não se revela capaz de definir uma visão para a próxima década e de, assim, mobilizar a sociedade, focando-a no seu próprio futuro.
Refém dos partidos à sua esquerda, José Sócrates recandidata-se a primeiro-ministro sem uma orientação programática mobilizadora e inclusiva. Numa palavra, recandidata-se sem soluções para as dificuldades do presente e, sobretudo, sem responder à aspiração profunda de sonho no futuro.
Sofia Galvão – Expresso 21-02-09
 
 
publicado por luzdequeijas às 19:38
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