Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

DESEMPREGO OFICIAL

"Ilustres Senhores e Senhoras do Juri: O Paraíso é um Céu com as Cores das Chamas do Inferno; Mas continua a ser o Paraíso"...Vladimir Nobokov

 

Domingo, 4 de Novembro de 2007

DESEMPREGO E VIDA - DESEMPREGO OFICIAL VERSUS DESEMPREGO REAL

 


 

Falar de desemprego é falar de projectos de vida perdidos, de frustrações acumuladas, de casamentos destruídos, ou não realizados, de filhos ambicionados e não tidos.
Falar de desemprego é falar na perda da identidade, da dignidade e na procura constante de uma realização que tarda.
O desemprego é um drama individual, e colectivo, que está na génese de alguns tipos de depressão, de perdas de referências e de sentido de vida. O desemprego mata, destrói os alicerces mais bem cimentados e põe ódios onde havia afectos e põe violência onde havia paz.
A globalização económica, e a consequente abertura dos mercados, têm trazido a muitas famílias áreas de incerteza, de amargura e, até, de desistência em valores humanos. Porque um capitalismo selvagem, assente no lucro pelo lucro, tem queimado os campos mais verdes da esperança e do sucesso.
Os números oficiais não espelham esta realidade nem eles próprios correspondem à situação real em que se vive.
Já em Janeiro de 2004, o economista Eugénio Rosa, chamava a atenção para a enorme discrepância entre o desemprego real e o oficial e, desde então, o fenómeno não tem parado de crescer.
As estatísticas do INE apresentam, no final de cada trimestre, um estudo da evolução das taxas de desemprego estudo esse que é amplamente divulgado pela comunicação social mas que oculta aos portugueses a forma como esses dados são obtidos. Porque as taxas de desemprego oficial estão longe de traduzirem a realidade do fenómeno.
De acordo com as Notas Metodológicas, que vêm em anexo às Estatísticas de Emprego publicadas pelo INE e que incluem a definição dos conceitos utilizados, são considerados empregados, e logo não incluídos nas estatísticas do desemprego, todos aqueles que tenham mais de 15 anos de idade e que, na semana anterior ao inquérito do INE, se encontrem numa (basta uma) das seguintes condições:
1- Ter efectuado trabalho de pelo menos uma hora, mediante o pagamento de uma remuneração, em dinheiro ou em espécie.
2- Ter um emprego, embora não estando ao serviço, bastando ter uma ligação formal com o emprego.
3- Estar na situação de pré-reforma, mas encontrando-se a trabalhar no período de referência.
Em suma: para não se ser incluído no grupo dos desempregados basta que se tenha trabalhado apenas uma hora num simples biscate na semana anterior à data em que o inquérito foi realizado pelo INE, e ter recebido ainda que a título de gorjeta, um pagamento em dinheiro ou em espécie.
Também são considerados empregados aqueles trabalhadores que estejam formalmente ligados a empresas que já não funcionem.
Ainda segundo as Notas Metodológicas do INE, só são considerados desempregados os indivíduos com idade superior a 15 anos que, na semana anterior ao inquérito do INE, cumpram todas, mas todas sem excepção, as condições que a seguir se enumeram.
1- Não ter trabalho remunerado nem qualquer outro (se tiver um trabalho, ainda que não remunerado, já não consta nas estatísticas oficiais como desempregado).
2- Estar disponível para trabalhar num trabalho remunerado ou não (portanto, se não estiver disponível para realizar um trabalho não remunerado já não é considerado oficialmente como desempregado).
3- Ter feito diligências, ao longo das últimas 4 semanas para encontrar trabalho remunerado ou não (se não fez estas diligências não é considerado oficialmente como desempregado).
O mais interessante e paradoxal, nestes critérios é que, para se ser considerado empregado basta preencher uma das condições indicadas, enquanto para se considerar oficialmente desempregado tem que reunir todas em simultâneo.
Segundo Eugénio Rosa, não existem em Portugal dados que permitam calcular com rigor a taxa de desemprego real. Porém, até há bem pouco tempo, o INE publicava uma outra taxa denominada Taxa de desemprego em sentido amplo, mas que deixou de publicar certamente porque revelava uma situação, ainda mais grave, do que aquela que é mostrada pela taxa de desemprego oficial.
Sem pretender fazer uma análise exaustiva acrescenta-se apenas, e ainda, que apenas uma percentagem dos desempregados recebe subsídio de desemprego, percentagem essa que tem variado entre os 25,7% e os 31,4% dos desempregados oficiais mas que, em relação aos empregados reais, se estima que esteja situada entre os 16,6% e os 20,9%.

 

 

24 comentários:

Carreira disse...

Dou-lhe conta do que está a acontecer com muitos professores a quem foram entregues as actividades de enriquecimento curricular. Estratégia: horários completos? Nem pensar! Cada docente fica com 10 horitas, mais coisa, menos coisa. Assim se combatem as estatísticas do desemprego.
Umas migalhitas que retiram algumas centenas das estatísticas dos centros de emprego.
Boa semana!
José Carreira

NINHO DE CUCO disse...

Tanto logro e tanta mentira! Mas entretanto há quem fique com brutas subvenções a juntar a pensões elevadas. E para isso ninguém se preocupa com a sustentabilidade da segurança social. Há muitos licenciados no desemprego mas também há quadros, os tais privilegiados, que têm 2 empregos e mais.

António de Almeida disse...

-Aqui foca vários temas, ainda que interligados, é evidente que existe uma maquilhagem nos números do desemprego, o que diga-se, não é exclusivo deste governo, mas tem servido a todos, recorrendo-se mais ou menos a estas prácticas, consoante o verdadeiro desemprego sobe ou não. A globalização está longe, quanto a mim, de ser a fonte dos males, aliás, penso mesmo que a mesma deveria ir mais longe, deixando cair as políticas protecionistas em matéria agrícola, o que resolveria em grande parte o problema da miséria em países sub-desenvolvidos, assim como não cabe aos estado fornecer empregos, pelo que a promessa da criação dos 150.000 empregos enferma logo do pecado original. O problema do estado está na gestão das expectativas, não se pode combater o desemprego com subidas de impostos, deve-se favorecer a economia, sabendo-se que a mesma gera emprego, critica-se muito por cá os EUA, parem um pouco, e olhem para a taxa de desemprego lá, passa tudo por uma concepção de estado, eu acredito que num estado minimalista, a sociedade regula-se, distribui, ao invés, num estado excessivamente pesado e centralista, o governo tenta reter e distribuir, acabando sempre por fazê-lo mal, e de forma insuficiente. Independentemente das opções políticas e ideológicas, existirá sempre desemprego, pelo que será sempre necessário a existência de políticas eficazes de formação profissional, e apoio efectivo ao desempregado.

NÓMADA disse...

Só quero lembrar ao senhor comentador António Almeida que nos EUA há, presentemente, e segundo dados oficiais, 36,5 milhões de pessoas no limiar da pobreza. Portanto não vale a pena importar esses modelos porque para desgraças já bastam as que temos cá.

ALEX disse...

É evidente que todos os governos têm escondido, mediante vários artifícios, os verdadeiros números do desemprego. Cá estão os verdadeiros comunicadores da blogosfera para mostrar a verdade escondida. Gostei muito deste post.

C.Coelho disse...

Dramático o crescimento do desemprego. E os governos sempre a querem tapar o sol com a peneira.

Rui Caetano disse...

O desemprego é o primeiro passo para a pobreza e não há forma de resolver este flagelo.

quintarantino disse...

Os artifícios para esconder o desemprego ou diminuir os números que se apresentam anualmente não são de agora. Foram inventados há uns anos atrás e são uma forma de mascararem a realidade amarga em que muitos vivem. Quere ignorar o problema ou disfarçar o mesmo só pode contribuir para o agravamento do fosso entre os que têm e os que não têm.
A resposta para este problema reside onde? Na globalização? No capitalismo selvagem que nos assola? No intervencionismo rígido do Estado?
Não sei, mas sei é que da forma que as coisas vão, vão mal.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Faço minhas as palavras do Quintarantino. O texto é claro em não atribuir, em exclusivo, ao actual governo, a cosmética dos números.É minha convicção que não teremos uma sociedade mais justa e igualitária nem com o capitalismo selvagem nem com um sistema que ponha tudo nas mãos do estado. Eu defendo uma economia de mercado mas com regras. Digamos que com um partido bem à esquerda deste mas que não chegue a ditadura.

sniqper ® disse...

Meu Amigo,
Desemprego´em Portugal é uma mentira do Governo, pelo simples facto de os dados fornecidos esterem muito longe da verdade. Eu próprio faço parte desse grupo, porque um dia feito iluminado resolvi apostar numa carreira por minha conta própria, paguei os meus impostos como até hoje, mas quando tive de parar por uns tempos, a única compensação que recebi foi da caixa de previdência os euros correspondestes ao vencimento que descontava, e claro depois de acabra esse tempo nada mais recebi, porque faço parte daqueles que pagam mas não tem direito a subsídio de desemprego.
Nem tão pouco me inscrevi nas listas deles, para que, para fazer parte dos números? Eles por um acaso respeitam quem por lá anda e tentam colocar as pessoas nas suas respectivas áreas?
este Portugal, estes Governantes. andam a jogar um jogo perigoso, chama-se provocar a paciência do adversário, menosprezar a sua força, talvez um dia se arrependam de tal jogo.
E, agora se quiseram estou livre e desempregado, podem vir cá buscar-me, assim sempre faço parte da lista dos que não foram invadidos pelo medo e falam.
Um abraço

C.Coelho disse...

Por aqui se vê em como nos enganam.

GIL disse...

Que miséria de País que temos. E quem se importa com o povo sofredor quando eles têm dois e três empregos e duas ou três reformas?

Tiago R Cardoso disse...

Infelizmente os números são relativos, são enganadores e dependem da forma como são lidos e por quem são lidos.

martelo disse...

há outra situação que retira um desempregado recebendo subsídio... basta "aceitar" a tarefa ocupacional e deixa de constar nas listas negra... atirar areia aos olhos é feio sobretudo se tem a mão do "bom exemplo"...

M.M.MENDONÇA disse...

A manipulação dos números em toda a sua punjança para mostrar uma realidade que não existe.

7 Pecados Mortais disse
publicado por luzdequeijas às 15:27
link | comentar | favorito

.Fevereiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. O CONCEITO DE SERVIÇO PÚB...

. MUDAR SÓ POR MUDAR.

. CENTRO DE DIA DE QUEIJAS

. ALMOÇO MUITO INDIGESTO

. FUMO BRANCO E NEGRO

. ENDIVIDAMENTO PÚBLICO E P...

. A POLÍTICA COR-DE -ROSA

. OS QUATRO IMPÉRIOS

. O ASSOCIATIVISMO

. DOUTOR DA MULA RUÇA

. A CLASSE MAIS CASTIGADA

. AS VITIMAS DA CIGARRA

. O NOSSO ENTARDECER

. A SACRALIDADE DA PESSOA H...

. SABER TUDO ACERCA DE NADA

. A NOSSA FORCA

. A MORTE ECONÓMICA

. GERAÇÃO DE OURO

. OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR

. SEDES DE RENOVAÇÂO “

. 200 000

. DO PÂNTANO A SÓCRATES

. O ESTADO PATRÃO

. A MENTIRA

. O SILÊNCIO DOS BONS

. ARMAR AO PINGARELHO

. ENSINO À DISTÂNCIA

. A CIÊNCIA DO BEIJO

. A VERDADE PODE SER DOLORO...

. COSTA V.S MERKEL

. PROTEGER O FUTURO

. RIQUEZA LINCUÍSTICA

. A MÃO NO SACO

. DOUTRINA SOCIAL CRISTÃ

. GRANDE SOFRIMENTO

. IMAGINEM

. LIBERDADE COM SEGURANÇA

. COSTA CANDIDATO

. DEBATES PARTIDÁRIOS NA TV

. NA PÁTRIA DO ÓDIO

. PORTUGAL, UM PAÍS DO ABSU...

. NÓS, NÃO “PODEMOS”

. CIVILIZAÇÃO Pré-histórica...

. AS REGRAS DA VIDA REAL

. UMA SAUDÁVEL "LOUCURA"

. UMA SOCIEDADE SEM "EXTRAV...

. O MUNDO DOS ANIMAIS

. A CRISE NO OCIDENTE

. O POVOADO PRÉ-HISTÓRICO D...

. AS INTRIGAS NO BURGO (Vil...

.arquivos

. Fevereiro 2018

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.favorito

. COSTA V.S MERKEL

. MANHOSICES COM POLVO, POT...

. " Tragédia Indescritível"

. Sejamos Gratos

. OS NOSSOS IDOSOS

. CRISTO NO SOFRIMENTO

. NOTA PRÉVIA DE UM LIVRO Q...

. SEMPRE A PIOR

. MEDINDO RIQUEZAS

. A LÁGRIMA FÁCIL

.mais sobre mim

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub