Sábado, 6 de Setembro de 2008

FUSTIGAR A POUPANÇA

Durante décadas os portugueses foram incentivados a poupar. Mesmo com sacrifício, era reconfortante depositar, por pouco que fosse. Os recursos investidos pelos aforradores nas contas poupança, geralmente, têm como destino os investimentos em infra-estrutura habitacional ou como recurso para os imprevistos da vida individual e familiar. Quando falamos em poupança ocorre-nos imediatamente o investimento seguro, reprodutivo, o retirar ao consumo imediato para ter uma base sólida mais tarde. É vulgarmente reconhecido que as dívidas desequilibram o orçamento dos consumidores, com consequências graves para a vida familiar. Este desequilíbrio é mais grave quando ocorrem situações como o desemprego, a doença, um acidente ou um divórcio etc. Gerir o orçamento, sem derrapar, é conseguido planeando o orçamento doméstico. A melhor forma de planear é evitar dívidas e gastos excessivos. Até se chegar a introduzir estes conceitos na população, terão sido necessárias dezenas de décadas. Para tal, foi importante nunca trair nestes aforradores a confiança depositada por eles nos instrumentos de poupança, criados para esse fim. Esquecer toda esta evolução é remeter estes aforradores para conceitos opostos. É fazer deles uns dependentes do crédito. Os bancos agradecem. O país consciente, sabe os perigos que o espreitam!

 
Portugal, tradicionalmente, sempre foi conhecido como um país com grande tendência à emigração. Foi nos anos 60, sobretudo pelas grandes dificuldades económicas resultantes da guerra colonial, que Portugal assistiu à última grande vaga de emigração.
Hoje, são cerca de quatro milhões e oitocentos mil, os portugueses espalhados pelo mundo. Com espirito de poupança enraizado, foram enviando regularmente para Portugal, as famosas “remessas dos emigrantes”. Pessoas educadas no salutar princípio de poupar, ao emigrarem, não esqueceram o seu país e as instituições em que acreditaram desde muito jovens ! Portugal, em momentos de dificuldades nas suas finanças públicas, de escassez de divisas também, agradeceu aos céus, tais remessas. Com o dinheiro enviado, todo o país se desenvolveu. Os jovens políticos desconhecem o passado. O partido socialista também. O presente nunca está assegurado!
 
Depois da revolução de Abril, lentamente, a crença na poupança abrandou. É muito mais difícil ensinar a poupar que a consumir. Portugal foi entrando numa nova era ! Com a entrada na CEE, consumir era considerado sintoma de sucesso. O país aguentou algum tempo. Às tantas, com a chegada do PS ao governo no final do século, as taxas de poupança, défice externo, o investimento e a confiança cederam ao consumismo desenfreado. O governo fazia alarde da sua veia despesista. O povo embarcou nesta onda de primazia ao presente em prejuízo do futuro. O contraste entre, a descida das remessas dos emigrantes portugueses e o aumento das remessas enviadas pelos imigrantes a viver e a trabalhar em Portugal para os seus países, reflecte uma nova realidade num país que, até há pouco tempo, tinha uma forte tradição de emigração. Os filhos e netos dos nossos emigrantes, não têm como prioridade o envio de poupanças como fez a primeira geração, temos assim, em parte, ilustrado o recente fenómeno da descida de remessas enviadas para Portugal. Os hábitos de poupança esvaíram-se. Novos tempos estavam a chegar . Daí ao monstro, não tardou !
O país foi ficando sem estratégia. O Estado tornou-se um mau pagador. O endividamento dos portugueses foi-se sempre agravando ! Os seus calotes somavam em Abril de 2008, 2,5 mil milhões de euros ! Valor que a Banca e as Instituições Financeiras que operam em Portugal, não conseguiram cobrar. No espaço de um ano o crédito malparado aumentou 16,43% ! Os portugueses são os cidadãos da UE mais pessimistas quanto ao seu futuro próximo.

A taxa de poupança foi apenas de 7,9% do rendimento disponível, em 2007 ! A taxa desceu pelo sexto ano consecutivo, segundo o Banco de Portugal ! O que pensarão os nossos governantes sobre o papel da poupança no desenvolvimento económico, que desoladora visão têm da sociedade e, qual o futuro que eles estão a preparar para o nosso país ? António Reis Luz

publicado por luzdequeijas às 22:18
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